4.4 Impact de la thermique sur l’écoulement en rotation
4.4.1 Effet de la thermique de paroi sur le développement de l’écoulement
Tendo por base essa concepção de realidade psíquica, cujo passado se transmuta no presente em função de um futuro imaginário, Freud (1914a/1974, p.45) elaborou a noção de um ideal do eu. Sua origem remonta à transformação da libido do objeto em libido narcísica, que implica no abandono dos objetos sexuais como uma espécie de
35 Ideal do Eu: termo correlato para Ideal do Ego, empregado a partir dessa referência como seu
sublimação, a partir de identificações primitivas com o objeto amado. Para ele, na origem do ideal do eu
jaz oculta a primeira e mais importante identificação de um indivíduo, a sua identificação com o pai em sua própria pré-história pessoal (...) trata-se de uma identificação direta e imediata, e se efetua mais primitivamente do que qualquer catexia do objeto
originária do caráter triangular da situação edipiana e a bissexualidade constitucional de cada indivíduo, na qual o ideal do eu tem a missão de reprimir o complexo de Édipo.
Aliado permanente do supereu ( ao qual o complexo de Édipo precisa sucumbir, através da influência da autoridade, da educação escolar, da leitura, dentre outros, mediatizado por um sentimento inconsciente de culpa), o ideal do eu
é o herdeiro do complexo de Édipo, e, assim, constitui também a expressão dos mais poderosos impulsos e das mais importantes vicissitudes libidinais do id. Erigindo esse ideal do ego, o ego dominou o complexo de Édipo e, ao mesmo tempo, colocou-se em sujeição ao id. Enquanto que o ego é essencialmente o representante do mundo externo, da realidade, o superego coloca-se, em contraste com ele, como representante do mundo interno, do id. Os conflitos entre o ego e o ideal, (...) em última análise, refletirão o contraste entre o que é real e o que é psíquico, entre o mundo externo e o mundo interno. (...) devido à maneira pela qual o ideal de ego se forma, ele possui os vínculos mais abundantes com a aquisição filogenética de cada indivíduo – a sua herança arcaica. O que pertencia à parte mais baixa da vida mental (...) é transformado, mediante a formação do ideal no que é mais elevado na mente humana pela nossa escala de valores. (...) o ideal do ego responde a tudo o que é esperado da mais alta natureza do homem (...) e como o substituto de um anseio pelo pai, ele contém o germe do qual todas as religiões evolveram. (Freud, 1914a/1974, p. 51-2)
Para Freud, à medida que uma criança cresce e é religiosamente educada nesse ideal, primeiramente pelos pais e depois pelos professores, internaliza essas injunções e proibições e, por força desse ideal, as mesmas continuam a existir na forma de “consciência”, promotora da censura moral. A tensão entre essa consciência e os desempenhos concretos do eu acaba sendo experimentada como sentimento de culpa, e o auto-julgamento de que o eu não alcançou seu ideal produz o sentimento religioso de humildade, ao qual o crente apela em sua necessidade.
Já em Totem e Tabu (1912-13/1974), Freud sugeriu a hipótese de que a religião, a moralidade e o senso social (originalmente uma só coisa) foram adquiridos através do complexo paterno, isto é, a religião e a repressão moral através da repressão do complexo de Édipo, e o sentimento social pela necessidade de superar a rivalidade entre
os membros da geração mais nova, sobrevivendo hoje ainda na forma de impulsos de rivalidade ciumenta entre irmãos e irmãs.
Também em seu texto Sobre o Narcisismo – Uma Introdução (1914b/1974, p. 111), Freud entende que a repressão provém do amor-próprio do eu, para o qual a formação de um ideal é o fator condicionante da repressão, pois,
esse ego ideal é agora o alvo do amor de si mesmo, desfrutado na infância pelo ego real. O narcisismo do indivíduo surge deslocado em direção a esse novo ego ideal, o qual, como o ego infantil, se acha possuído de toda perfeição de valor. Como acontece sempre que a libido está envolvida, mais uma vez aqui o homem se mostra incapaz de abrir mão de uma satisfação de que outrora desfrutou. Ele não está disposto a renunciar à perfeição narcisista de sua infância; e quando, ao crescer, se vê perturbado pelas admoestações de terceiros e pelo despertar de seu próprio julgamento crítico, de modo a não mais poder reter aquela perfeição, procura recuperá-la sob a nova forma de um ego ideal. O que ele projeta diante de si como sendo seu ideal é o substituto do narcisismo perdido de sua infância, na qual ele era o seu próprio ideal.
Todo esse processo de idealização do eu é feito através da sublimação da libido objetal e consiste no fato da pulsão se dirigir a uma finalidade diferente e afastada da finalidade de satisfação sexual, na deflexão da sexualidade. A idealização diz respeito ao processo no qual o objeto é engrandecido desmedidamente pelo indivíduo e é possível tanto na esfera da libido do eu, como na libido objetal. Enquanto a sublimação se relaciona com a pulsão, a idealização se relaciona com o objeto, estabelecendo-se aí uma interdependência reciprocamente proveitosa.
Freud (1914b/1974, p. 112), considera que “é nos neuróticos que encontramos as mais acentuadas diferenças de potencial entre o desenvolvimento de seu ideal do ego e a dose de sublimação de seus instintos libidinais primitivos”, na medida em que estes, como idealistas, permanecem muito suscetíveis à idealização, porque a formação de um ideal do eu aumenta as exigências do eu, fator propenso à repressão, e a sublimação é uma saída pela qual essas exigências podem ser atendidas sem envolver grande repressão. De fato, é pela auto-estima que se pode avaliar o tamanho do eu idealizado, seja pelas realizações no plano do concreto, seja pela permanência das fantasias narcísicas primitivas de onipotência.
No processo de desenvolvimento do eu esse narcisismo primário é afastado, ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do eu imposto de fora, ao mesmo tempo em que o eu emite catexias objetais libidinais, tornando-se empobrecido em benefício dessas catexias. Da mesma forma, em benefício do ideal do
eu, são então atribuídas a este eu as funções superiores de auto-observação, a consciência moral, a censura dos sonhos, dentre outros.
Como herdeiro do narcisismo original, no qual o eu infantil desfrutava de auto- suficiência, esse novo eu reúne gradualmente as imposições do meio ambiente, nem sempre possíveis de ser cumpridas. Assim, quando um sujeito não está satisfeito com seu próprio eu, tem a possibilidade de recorrer ao ideal do eu, diferenciado, muito embora a distância entre o eu e o ideal do eu corresponda à produção de um saber singularizado e apresente funcionamento muito relativo em cada caso.
No patamar da religião, a supervalorização progressiva desse ideal do eu em detrimento de uma desvalorização progressiva do eu conforme se encontra constituído e funcionando, quando mediado pela noção de pecado e pelas sanções punitivas da religião, estes remetem o sujeito a um estado de infantilização, de não saber, de temeridade diante da moral rigorosa imposta pelo pai protetor, lugar do qual esse sujeito pode então se sujeitar à verdade revelada por este pai de origem supostamente transcendental, alcançado pelo pensamento mágico-infantil de totalidade inquestionável e de certezas supostamente inabaláveis.
O preço por esta proteção é a submissão total e irrestrita a esse pai soberano, que então governa seu corpo e mente, como ideal de crente, condição sine qua non para sua aceitação como filho, predisposição encontrada em quase todas as religiões (com exceção das que pretendem um auto-aperfeiçoamento ininterrupto), presente também em quase todas as formas de totalitarismo político e econômico.
Essa verdade revelada por este pai atravessaria as angústias mais profundas do ser humano, que, no paradigma freudiano, referem-se ao desamparo do sujeito frente às intempéries da natureza e da vida como um todo, em que a vida inevitavelmente conduz à morte, que remete esse sujeito ao desamparo original da perda do narcisismo primário.