Vivre le long de l’Arapiuns
2.2 Le Directoire des Indiens (1755-1778)
O Modelo 1 buscou identificar os efeitos diretos e indiretos do sexo, raça, idade nas variáveis de pobreza, bem-estar físico, bem-estar mental e satisfação com a vida. Adicionalmente, o modelo mensurou também o efeito que a Pobreza, no seu formato monetário, possui nas variáveis endógenas de bem-estar físico, bem-estar mental e satisfação com a vida.
Estimativas do Modelo 1
Quase todas as relações estimadas entre as variáveis endógenas e exógenas do Modelo 1 foram significantes ao nível de 5% (Tabela 49). As exceções dizem respeito à relação entre raça e bem-estar mental, sexo e satisfação com a vida e também idade e satisfação com a vida. Desse modo, de acordo com os parâmetros estimados pelo Modelo 1, não é possível identificar associação estatisticamente significativa entre esses pares de variáveis para a amostra utilizada nesse trabalho.
Tabela 49 – Parâmetros da Regressão - Modelo 1-Perspectiva Monetária
Relações Entre as Variáveis Valor Estimado-
padronizado P-Value
Pobreza - monetária> Bem-estar físico 0,052 ***
Continua
Pobreza - monetária> Satisfação com a vida 0,102 ***
Raça> Bem-estar físico 0,049 ***
Raça> Bem-estar mental -0,007 -
Raça > Satisfação com a vida 0,038 ***
Sexo> Bem-estar físico 0,092 ***
Sexo> Bem-estar mental 0,146 ***
Sexo > Satisfação com a vida -0,024 -
Idade> Bem-estar físico -0,235 ***
Idade>Bem-estar mental -0,155 ***
Idade>Satisfação com a vida 0,010 -
Raça > Pobreza - monetária 0,136 ***
Sexo> Pobreza - monetária 0,031 **
Idade> Pobreza - monetária 0,098 ***
***=significante a 0,001 **=significante a 0,005 - = não significante
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
As covariâncias também foram significantes ao nível de 1%, conforme mostra a Tabela 50.
Tabela 50 – Covariâncias - Modelo 1
Covariâncias Estimativa P-Value
e2<-->e3 0,518 ***
e3<-->e4 0,471 ***
e2<-->e4 0,394 ***
***=significante a 0,001
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Qualidade do Ajuste do Modelo 1
Apesar de nem todas as relações estimadas no Modelo 1 terem sido estatisticamente significantes ao nível de 5%, de modo geral pode-se dizer que o ajuste foi regular. Isto ocorreu tendo em vista que:
1. A relação entre o Qui-Quadrado e seus graus de liberdade foi da ordem de 18,46 e não atendeu ao critério de qualidade (Tabela 51);
2. Três das quinze relações estimadas entre as variáveis não foram estatisticamente significante;
3. Todos os demais critérios de qualidade do ajuste foram atendidos, como por exemplo, no caso dos Índices de Ajuste Ponderado (NFI) e a Raiz do Erro Quadrático Médio de Aproximação (RMSEA). Os resultados são apresentados na Tabela 52.
Tabela 51 – Estatística Qui-Quadrado - Modelo 1
Estatística Valor Calculado Critério de Qualidade do
Ajuste
Qui-Quadrado (ꭓ²) 55,373 -
Graus de Liberdade (G.L.) 3 -
ꭓ² / G.L. 18,46 ≤ 5
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Tabela 52 – Medidas de Qualidade do Ajuste - Modelo 1
Estatística Valor Calculado Critérios de Qualidade do
Ajuste
NFI - Índices de Ajuste Ponderado 0,991 ≥ 0,9
RFI - Índices de Ajuste Relativo 0,936 ≥ 0,9
IFI - Índices de Ajuste Incremental 0,991 ≥ 0,9
TLI - Índices de Ajuste de Tuker-Lewis 0,939 ≥ 0,9
CFI - Índices de Ajuste Comparativo 0,991 ≥ 0,9
AGFI - Índice Ajustado da Qualidade do Ajuste 0,987 ≥ 0,9
RMR - Raiz do Resíduo Médio 0,005 ≤ 0,10
RMSEA - Raiz do Erro Quadrático Médio de Aproximação 0,040 ≤ 0,08
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Análise dos Efeitos Diretos e Indiretos das Estimativas e o Poder de Explicação do Modelo 1
A Figura 14 e Tabela 53 apresentam as estimativas do Modelo 1, detalhando os efeitos diretos e indiretos das variáveis do modelo.
Figura 14– Perspectiva Monetária (Modelo 1)
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Tabela 53 – Efeitos padronizados - Modelo 1
Relações Entre as Variáveis Efeito indireto padronizado
Efeito direto padronizado
Efeito total- padronizado
Pobreza - monetária> Bem-estar físico - 0,052 0,052
Pobreza - monetária> Bem-estar mental - 0,040 0,040
Pobreza - monetária> Satisfação com a vida - 0,102 0,102
Raça> Bem-estar físico 0,007 0,049 0,056
Raça> Bem-estar mental 0,005 -0,007 -0,002
Raça > Satisfação com a vida 0,014 0,038 0,052
Sexo> Bem-estar físico 0,002 0,092 0,094
Sexo> Bem-estar mental 0,001 0,146 0,147
Sexo > Satisfação com a vida 0,003 -0,024 -0,021
Idade> Bem-estar físico 0,005 -0,235 -0,230
Idade>Bem-estar mental 0,004 -0,155 -0,151
Idade>Satisfação com a vida 0,010 0,010 0,020
Raça > Pobreza – monetária - 0,136 0,136
Sexo> Pobreza – monetária - 0,031 0,031
Idade> Pobreza – monetária - 0,098 0,098
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Por meio das tabelas e figura acima elencados, é possível entender as relações entre as diversas variáveis do modelo. Escolhas das variáveis explicativas foram embasadas em uma farta literatura sociológica que disponibiliza materiais teórico e empírico que registram o papel das variáveis sexo, idade e raça nas relações com as definições de pobreza dos indivíduos, evidenciando, por exemplo, os mecanismos de discriminação racial e de gênero que permeiam a sociedade brasileira. Indo além, utilizou dessas variáveis de caráter demográfico para entender melhor os possíveis efeitos diretos nas medidas de bem-estar tanto físico e mental e satisfação com a vida, bem como a possibilidade de haver efeitos indiretos que seriam intermediados pelas diversas definições de pobrezas.
Focando apenas nas relações entre variáveis que foram significantes e começando pela regressão cuja variável a ser explicada é a pobreza (na sua forma monetária) se observa que a raça é a variável explicativa de maior impacto (0,136). Dessa forma, como a medida de pobreza foi construída (1=não pobre e 2=pobre) e que a variável raça também foi criada de forma binária (1=brancos e 2=não-brancos), é possível afirmar que a pobreza monetária tem, em parte, uma relação direta com ser negro, bem como ser jovem e ser mulher (respectivamente, 0,031 e 0,098), embora em menor parcela.
Centrando a análise nas questões a serem explicadas por esse trabalho, isto é, nas relações entre as expressões de bem-estar, satisfação com a vida e pobreza é possível também entender as relações e capacidades de explicação das variáveis demográficas sexo, raça e idade. Nesses casos, os resultados são decompostos em efeitos diretos e indiretos. Assim, lembrando que medidas de bem-estar e satisfação na vida são construídas no sentido de que quanto maiores os escores menor é a percepção de bem-estar físico e mental e satisfação com a vida, será elencado abaixo a análise de cada uma dessas.
Sobre o bem-estar mental não é possível estabelecer uma relação estatística significante com a variável de raça. Entretanto, sexo e idade possuem efeitos totais aproximados na percepção desse bem-estar (respectivamente, 0,147 e -0,151). Sexo e idade
possuem grande parte do seu efeito ocorrendo de forma direta, isto é, não sendo intermediado pela pobreza monetária, contudo, embora pequenos, o efeito indireto da idade é quatro vezes maior que o mesmo efeito de sexo. Entendendo a construção das variáveis é possível afirmar que há uma relação de modo que mulheres e idosos possuem menor bem- estar mental em dimensões parecidas.
No que se refere ao bem-estar físico, diferentemente do mental, identificamos uma relação significante entre o primeiro e a raça. Nessa ser negro estabelece um menor bem- estar físico. No mais o bem-estar físico segue uma lógica muito parecida com o percebido em relação ao bem-estar mental. Nesse sentido, ser negro, idoso e mulher contribuem para possuir um bem-estar físico deficitário. Entre as três variáveis explicativas cabe ressaltar que proporcionalmente a raça é a que tem a menor diferença entre os efeitos diretos e indiretos.
A satisfação com a vida possui uma relação inversa a variável de bem-estar mental. Assim, das três variáveis explicativas até então descritas apenas raça é estatisticamente significante. A raça possui um efeito total pequeno na satisfação, sendo dividida em efeitos diretos e efeitos intermediados pela pobreza monetária.
Como a principal questão desse trabalho é entender como as definições de pobreza podem explicar o bem-estar tanto físico como mental e a satisfação com vida, preferiu deixar para o final da discussão desse modelo as relações entre a pobreza monetária e as variáveis já citadas. De início é possível constatar que a pobreza monetária é significativamente relevante para todas as variáveis a serem explicadas. Entretanto, a pobreza possui um efeito maior na satisfação com a vida (0,102), que é duas vezes maior que os efeitos no bem-estar físico e mental (respectivamente, 0,52 e 0,40)
Tabela 54 – Correlações Múltiplas ao Quadrado - Modelo 1
Variáveis Valor Calculado
Pobreza – pobreza monetária 2,9%
Satisfação com a Vida 1,4%
Bem-Estar Mental 4,6%
Bem-Estar Físico 6,8%
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Por fim, a Tabela 54 apresenta o poder de explicação das variáveis no ajuste do Modelo 1 (Perspectiva Monetária). De acordo com os resultados dessa tabela, sexo, idade e
raça conseguem explicar apenas 2,9% da variabilidade da pobreza monetária. Por sua vez, sexo, idade, raça e pobreza monetária explicam conjuntamente 1,4%, 4,6% e 6,8% das variações ocorridas na satisfação com a vida, bem-estar mental e bem-estar físico, respectivamente.
Esses resultados caracterizam um baixo poder de explicação do modelo. Em outras palavras, sexo, idade, raça e pobreza explicam pouco das variações ocorridas no bem-estar tanto físico como mental, assim como na satisfação com a vida.