Vivre le long de l’Arapiuns
2.4 La « Belle époque » : cycle du caoutchouc et urbanisation de Santarém
O Modelo 2 segue a lógica do primeiro modelo, isto é, busca identificar os possíveis efeitos da pobreza por necessidades básicas insatisfeitas nas variáveis de bem- estar físico, bem-estar mental e satisfação com a vida. A construção e a lógica aplicada é a mesma do modelo anterior, a única exceção é a adoção de um segundo modelo de concepção de pobreza, ou seja, apenas trocou-se a variável de pobreza com uma abordagem monetária pela perspectiva das necessidades básica insatisfeitas.
Estimativas do Modelo 2
Assim como no modelo 1, no modelo 2 quase todas as relações estimadas entre as variáveis foram significativas ao nível de 5%. Também como o primeiro modelo as relações entre raça e sexo com a variável de satisfação com a vida não apresentaram significância. Comparativamente, o modelo 2 possui o ganho de ter a relação entre raça e bem-estar mental com significância estatística, diferentemente do modelo anterior.
Tabela 55 – Parâmetros da Regressão - Modelo 2
Relações Entre as Variáveis Valor Estimado-
padronizado P-Value
Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas > Bem-estar físico 0,038 ***
Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas > Bem-estar mental 0,008 -
Pobreza – Necessidades básicas insatisfeitas
> Satisfação com a vida -0,027 _
Raça> Bem-estar físico 0,053 ***
Raça> Bem-estar mental -0,002 -
Raça > Satisfação com a vida 0,054 ***
Sexo> Bem-estar físico 0,095 ***
Sexo> Bem-estar mental 0,147 ***
Sexo > Satisfação com a vida -0,021 -
Idade> Bem-estar físico -0,231 ***
Idade>Bem-estar mental -0,152 ***
Idade>Satisfação com a vida 0,020 -
Raça > Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas 0,077 ***
Sexo> Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas -0,023 -
Idade> Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas 0,031 ***
***=significante a 0,001 **=significante a 0,005 - = não significante
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
As covariâncias dos erros do modelo também foram significantes ao nível de 1%, conforme mostra a Tabela 56.
Tabela 56 – Covariâncias - Modelo 2
Covariâncias Estimativa P-Value
e2<-->e3 0,518 ***
e3<-->e4 0,471 ***
e2<-->e4 0,394 ***
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Qualidade do Ajuste do Modelo 2
1. A relação entre o Qui-Quadrado e os seus graus de liberdade foi de 18,46. Isto significa que o critério de qualidade não foi satisfeito (Tabela 57); 2. Seis das quinze relações entre as variáveis não foram estatisticamente
significantes;
3. Em contrapartida todas medidas de qualidade do ajuste atenderam aos critérios, como por exemplo, o Índice de Ajuste Ponderado (NFI) e a Raiz do Erro Quadrático Médio de Aproximação (RMSEA) conforme observa-se na Tabela 58.
Tabela 57 – Estatística Qui-Quadrado – Modelo 2
Estatística Valor Calculado Critério de Qualidade do
Ajuste
Qui-Quadrado (ꭓ²) 55,373 -
Graus de Liberdade (G.L.) 3 -
ꭓ² / G.L. 18,46 ≤ 5
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Tabela 58 – Medidas de Qualidade do Ajuste – Modelo 2
Estatística Valor Calculado Critérios de Qualidade do
Ajuste
NFI - Índices de Ajuste Ponderado 0,991 ≥ 0,9
RFI - Índices de Ajuste Relativo 0,936 ≥ 0,9
IFI - Índices de Ajuste Incremental 0,991 ≥ 0,9
TLI - Índices de Ajuste de Tuker-Lewis 0,939 ≥ 0,9
CFI - Índices de Ajuste Comparativo 0,991 ≥ 0,9
AGFI - Índice Ajustado da Qualidade do Ajuste 0,987 ≥ 0,9
RMR - Raiz do Resíduo Médio 0,005 ≤ 0,10
RMSEA - Raiz do Erro Quadrático Médio de Aproximação 0,040 ≤ 0,08
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Análise dos Efeitos Diretos e Indiretos das Estimativas e o Poder de Explicação do Modelo 2
A Figura 15 e Tabela 59 apresentam as estimativas do Modelo 2 detalhando os efeitos diretos e indiretos das variáveis do modelo.
Figura 15 – Perspectiva das Necessidades Básicas Insatisfeitas (Modelo 2)
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Tabela 59 - Efeitos Padronizados-Modelo 2
Relações Entre as Variáveis Efeito indireto padronizado
Efeito direto padronizado
Efeito total- padronizado Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas > Bem-estar físico - 0,038 0,038
Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas > Bem-estar mental - 0,008 0,008
Pobreza – Necessidades básicas insatisfeitas
> Satisfação com a vida - -0,027 -0,027
Raça> Bem-estar físico 0,003 0,053 0,056
Raça> Bem-estar mental 0,001 -0,003 -0,002
Raça > Satisfação com a vida -0,002 0,054 0,052
Sexo> Bem-estar físico -0,001 0,095 0,094
Sexo> Bem-estar mental 0,000 0,147 0,147
Sexo > Satisfação com a vida 0,001 -0,021 -0,021
Idade> Bem-estar físico 0,001 -0,231 -0,230
Idade>Bem-estar mental 0,000 -0,151 -0,151
Idade>Satisfação com a vida -0,001 0,021 0,020
Raça > Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas - 0,077 0,077
Sexo> Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas - -0,023 0,023
Idade> Pobreza – Necessidades básicas
insatisfeitas 0,031 0,031
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Conforme expresso acima o Modelo 2 encontra-se detalhado entre efeitos diretos e indiretos das variáveis de bem-estar e satisfação. É importante lembrar que, devido à forma como as cargas fatoriais dos construtos foram estimadas, escores maiores do bem- estar físico e mental devem ser interpretados como redução do bem-estar. No mesmo sentido, escores maiores da satisfação com a vida representam uma diminuição da satisfação. Ainda com base na forma como as cargas fatoriais foram estimadas, ressalta-se que o crescimento do escore necessidades básicas insatisfeitas deve ser interpretado como menores necessidades básicas satisfeitas. É interessante observar que, embora o efeito total seja significante, ao decompor os efeitos diretos e indiretos da raça sobre a saúde mental esses se tornam não significantes. Porém vemos que a relação é positiva apenas através da pobreza (efeito indireto), o que pode sugerir que a significância encontrada está relacionada ao fato de que mais negros se encontram na pobreza por necessidades insatisfeitas e através disso podem apresentar percepções de mal estar mental.
Iniciando a análise pelos valores encontrados na regressão construída entre a pobreza (necessidades básicas insatisfeitas) e as variáveis demográficas (sexo, raça e idade) observa-se que, assim como ocorre no modelo 1, raça é a principal variável do modelo a explicar a pobreza (0,136). Contudo, diferentemente do primeiro modelo, nessa concepção de pobreza, sexo não é uma variável estatisticamente significante. Dessa forma, novamente, ser negro e mais jovem contribue para a pobreza (necessidades básicas).
O Modelo 2 possui menos variáveis explicativas estatisticamente relevantes. Pensando nas variáveis demográficas explicando as medidas de bem-estar e a satisfação com a vida, observa-se que o modelo 2 perde em relevância estatística. A satisfação com a vida, por exemplo, das três variáveis demográficas mensuradas apenas a vertente racial é estatisticamente significante. Em contrapartida, todas as variáveis explicativas funcionam para explicar o bem-estar físico. A lógica da causalidade não se altera quando comparado os modelos 1 e 2, isto é, mulheres, idosos e negros são aqueles que mais relatam dificuldades de bem-estar físico.
Posta a padronização do desenho do modelo de equações estruturais, cuja alteração apenas ocorre nas concepções de pobreza, a comparação entre os modelos torna-se mais interessante nas regressões entre os diferentes tipos de pobreza e sua correlação com o bem-estar físico mental e satisfação com a vida. A primeira questão a ser sublinhada nessa comparação é que diferentemente de como ocorre no modelo 1, no segundo modelo a concepção de pobreza (necessidades básicas insatisfeitas) não é estatisticamente significante para satisfação com a vida e bem-estar mental. Dessa forma, a única análise a ser feita entre as relações é entre a pobreza e o bem-estar físico. Nesse enfoque, observa-se que há uma relação idêntica entre os modelos, isso é, quanto mais pobre menor é a sensação de bem-estar físico. Contudo, comparando os efeitos totais das duas concepções de pobreza no bem-estar físico, observa-se que há um maior efeito da pobreza exposta no modelo 1 em comparação à pobreza analisada no segundo modelo (respectivamente, 0,052 e 0,038).
Tabela 60 – Correlações Múltiplas ao Quadrado - Modelo 2
Variáveis Valor Calculado
Pobreza – necessidade básicas insatisfeitas 0,7%
Satisfação com a Vida 0,4%
Bem-Estar Mental 4,5%
Bem-Estar Físico 6,6%
Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da Pesquisa Dimensões Sociais da Desigualdade (2008)
Por fim, a Tabela 60 apresenta o poder de explicação do Modelo 2 (Perspectiva das Necessidades Básicas Insatisfeitas), ou seja, em que medida as variações ocorridas nas medidas de bem-estar e satisfação com a vida foram explicadas exclusivamente pelas
variáveis exógenas sexo, raça, idade e a variável interveniente de pobreza (necessidades básicas insatisfeitas).
De acordo com os resultados dessa tabela, as variáveis citadas explicam conjuntamente 0,4%, 4,5% e 6,6% das variações ocorridas na satisfação com a vida, bem- estar mental e bem-estar físico, respectivamente. Enquanto, que sexo, raça e idade explicam 0,7% das variações da pobreza.
Esses resultados caracterizam um baixo poder de explicação do modelo. Comparativamente, o modelo 2 explica pior as variáveis do interesse desse trabalho que o modelo que o precedeu.