INTRODUCTION DU CHAPITRE 2
2.1 Différentes définitions
Um dos itens a cumprir do meu plano de estágio foi a reformulação dos materiais de apoio à formação. No plano de estágio (ver Anexo 2 – Plano de estágio/Cronograma) consta como um projeto de estágio chamado “Dossier do formador de FIV” sobre o qual eu deveria trabalhar durante todo o estágio, ou seja, nos intervalos da formação ou de outras tarefas que fossem surgindo. O dossier seria constituído por: revisão e organização do material disponível para o formador; criação do caderno de exercícios de FIV não-alimentar (destinado a todos os vendedores, exceto operadores de caixa do Supermercado); e criação do caderno de exercícios de FIV Linha de caixa (destinado única e exclusivamente para operadores de linha de caixa do Supermercado).
Com o passar do tempo, essa tarefa foi sendo alterada; o caderno de exercícios do FIV de Linha de caixa foi “posto de parte” pela própria orientadora.
O departamento já contava com um caderno de exercícios somente destinado ao formando organizado há algum tempo. Esse caderno já não era utilizado em formação por estar desatualizado; foi concebido para o sistema informático anterior, pelo que era necessário adaptá-lo ao novo. O material de apoio ao formador que o departamento possui passa por documentos em power point . As formadoras raramente os usam, mas eu senti necessidade de o fazer. Portanto, era a minha tarefa reformular todo esse material.
Quanto ao material de apoio ao formador já existente, pouco fiz. Numa primeira fase tentei mudar um pouco a apresentação recorrendo a outras ferramentas digitais, mas não foi possível continuar devido às limitações do sistema interno que não aceitava outro tipo de programas senão as ferramentas do Microsoft Office, pelo que tive de desistir. Procedi, simplesmente, à atualização de conteúdo mantendo o formato original. Nesse sentido, o módulo que mais mereceu a minha atenção foi o módulo do Terminal de Ponto de Venda. A empresa está em constante atualização de sistemas, o que faz com que funções do terminal se alterem, sejam retiradas ou adicionadas, daí que sejam necessárias alterações no material de apoio ao formador. Por isso, atualizei informação, adicionei imagens recentes e retirei informação ultrapassada.
Dediquei-me, então, ao caderno de exercícios que teve uma variante ao caderno já existente: concebi dois cadernos, um destinado ao formando com exercícios para praticar as funções do terminal de venda e ilustrado com imagens reais (ver Anexo 6- Caderno de exercícios do Formando) e outro destinado ao formador (ver Anexo 5 – Caderno de exercícios do Formador) idêntico ao anterior, mas com notas para o formador que auxiliassem a prática dos exercícios e breves chamadas de atenção a normas a serem reforçadas no momento da aplicação dos mesmos.
Tanto o caderno de exercícios como o material de apoio ao formador se inserem no grupo dos recursos técnico-pedagógicos e dos equipamentos de apoio. O primeiro, recurso técnico- pedagógico, é relativo a
“todo e qualquer conteúdo de informação e conhecimento, disponível em suporte físico, formato digital ou configurando um objeto tecnológico, subordinável a objetivos de formação e inserção, podendo ser explorado em contexto específico de aprendizagem e com valor para o reforço ou desenvolvimento de competências específicas de determinada população-alvo” (EQUAL, 2003 cit. in IQF, n.d., p. 177).
O segundo, equipamentos de apoio, remete para “o conjunto de suportes áudio, scripto, multimédia… ao alcance do formador que permitem facilitar o processo de aprendizagem” (IQF, n.d., p. 177). O primeiro é tido mais como conteúdo e o segundo como tecnologia/equipamento (IQF, n.d.) e a sua escolha deve ter em conta fatores como:
As características dos métodos pedagógicos aplicados; As características do público-alvo;
As características do próprio recurso e/ou equipamento; O tempo disponível;
A experiência e o grau de familiaridade do formador na sua utilização; A dimensão da população a formar;
A capacidade instalada da organização formadora.
O recurso aos vários recursos/equipamentos permitem o estímulo sensorial a todos os níveis, daí que seja importante recorrer aos diferentes meios de comunicação para passar a mensagem eficazmente ao maior número de pessoas (Ferreira, 1999 cit. in IQF, n.d.). Porém, o uso adequado dos vários recursos/equipamentos de apoio pressupõe:
Captar a atenção;
Aumentar a capacidade de retenção e compreensão do conteúdo;
Facilitar a partilha de ideias, diminuindo o tempo de exposição da mensagem; Aumentar o interesse e a interatividade;
Diminuir o tempo de formação.
Os recursos/equipamentos a utilizar estão em sintonia com os objetivos da sessão de formação (IQF, n.d.).
O uso de determinados recurso/equipamentos nas sessões de formação abarcam tanto proveitos como limitações, daí que seja tão importante uma deliberação prévia. No que respeita ao caderno de exercícios podemos ver as vantagens e desvantagens desse tipo de recurso/equipamento no quadro 1 - Vantagens e limitações dos recursos técnico-pedagógicos.
Vantagens Limitações
Melhora a exposição;
Permite conservar os registos para a consulta posterior;
O formando pode adquirir e gerir a informação ao seu ritmo;
Os formandos têm menos necessidade de tomar notas, concentrando-se mais a ouvir o que está a ser dito;
Preparação a priori, poupando tempo à sessão.
Não existe interatividade;
O formador não controla tão facilmente a aquisição de conhecimentos do formando;
Não permite o registo espontâneo.
Fonte: adaptado de IQF (n.d.)
Além dos acima mencionados, são, também, critérios de análise para o uso correto dos recursos/equipamentos os seguintes (EQUAL, 2004, cit. in IQF, (n.d.):
Adequabilidade; Utilidade;
Transferibilidade – eficácia na transferência e incorporação dos conteúdos da formação para o contexto de trabalho;
Universalidade – potencial de aplicação em outros contextos e públicos-alvo;
Escalabilidade – organização dos conteúdos de modo a garantir a sua modularidade, facilitando a apropriação dos conteúdos por parte dos utilizadores, bem como a sua atualização e renovação;
Autonomia.
A conceção de recursos técnico-pedagógicos envolve a preocupação da adequação e eficácia dos mesmos quando consideradas as necessidades dos destinatários. Nesse sentido, existe uma série de critérios que visam apoiar o controlo da qualidade desses recursos (IQF, n.d.) (Quadro 2- Manual do formando – critérios).
Recursos técnico-pedagógicos escritos (e.g.: manual do formando)
Critérios Subcritérios
Organização da informação Clareza da estrutura;
Equilíbrio e homogeneidade das diversas partes do produto;
Lógica de agrupamento de conteúdos;
Organização dos conteúdos em capítulos e subcapítulos; Articulação dos conteúdos como itinerário pedagógico
pré-estabelecido.
Apresentação Atratividade, funcionalidade e harmonia do design;
Equilíbrio entre textos, imagens e gráficos;
Adequação da disposição dos conteúdos por página; Uniformização e harmonia dos formatos ao longo do
texto.
Utilização Adequação das características físicas do recurso à sua
utilização;
Funcionalidade e facilidade na consulta.
Conteúdos Identificação, no título, da mensagem-chave;
Identificação dos objetivos do recurso; Redundâncias na informação disponibilizada; Destaque da informação (mensagens) fundamentais; Adequação da terminologia utilizada ao contexto de
partida dos participantes na ação (e.g.: nomenclaturas específicas de determinados contextos de trabalho); Adequação dos estilos de linguagem face aos conteúdos
e respetivos destinatários;
Adequação da dimensão dos parágrafos; Articulação entre os vários assuntos abordados; Descrição dos gráficos e figuras ou outras ilustrações; A integração das figuras com os textos respetivos; Definição de termos técnicos;
Identificação de siglas, abreviaturas, acrónimos... Indicação dos respetivos momentos e formas de
utilização;
Equilíbrio entre teoria e prática;
Harmonia das formas de explicitação dos conteúdos (texto, ilustrações, esquemas, etc.);
Considerações para eventuais aplicações, debates sobre mensagens centrais;
Inclusão de um glossário de termos e uma lista bibliográfica com informação adicional.
Fonte: adaptado de IQF (n.d.)
Quadro 2 - Manual do formando - critérios
Todas as salas de formação do El Corte Inglés estão munidas de cadernos de exercícios (dos antigos) para todos os participantes da formação de modo a promover a autonomia. Os cadernos de exercícios, tanto o do formando como o do formador, por mim concebidos não ficaram imediatamente disponíveis para o uso em formação, porque durante o estágio não tive oportunidade de o testar com um grupo de formandos. Seria testado, mais tarde, pela orientadora de estágio, que se disponibilizou a fazê-lo.