ROMAN DES ORIGINES ORIGINES DU ROMAN
B) La dimension mythique
8. DEUX PITOYABLES TRINITÉS
Os sistemas de geração de energia ainda são fortemente baseados no consumo de combustíveis fósseis, recursos que Portugal não possui e tem que importar, levando a uma elevada dependência do exterior. As questões de Dependência Energética comportam risco de segurança e soberania nacional, que importam considerar, algo que foi já possível constatar em diferentes alturas por ocasião de crises petrolíferas [18]. Tal como a população ou a riqueza, a maior parte das fontes de energia (especialmente os combustíveis fósseis) estão distribuídas geograficamente por um pequeno conjunto de países, sendo que muitos deles encontram-se em regiões de conflito, como o Médio Oriente.
Ao carecer de dependência energética proveniente de zonas do globo envolvidas em instabilidades políticas isto coloca em causa a continuidade de fornecimento da energia. Assim, torna- se imprescindível adotar um novo modelo baseado na eficiência energética e na difusão das energias renováveis, quer por questões ambientais quer pelos riscos de fornecimentos dos combustíveis fósseis e esgotamento das reservas.
Uma quota elevada de energias renováveis no perfil de eletricidade coloca a questão da adequação das capacidades de produção e das redes, tornando-se um problema no momento em que a geração de energias renováveis intermitentes deve ser complementada por outras fontes. As últimas duas décadas viram um crescimento constante da geração distribuída (GD), com planos para uma maior penetração das energias renováveis e de veículos elétricos na rede, e as políticas de distribuição de energia elétrica têm vindo a apoiar as necessidades de uma "rede inteligente" [117].
Assim, considerando-se os interesses económicos e ambientais, a aplicação de uma rede inteligente será essencial num futuro próximo uma vez que irá implicar uma maior segurança no suprimento de energia (devido à integração de fontes de energia renovável) e redução nos investimentos na ampliação do próprio sistema elétrico devido ao aumento da eficiência energética.
A implantação das SG permite aumentar a Confiabilidade da rede devido à sua capacidade de Autorreparação. As SG promovem também a produção descentralizada de energia, através da microprodução. Ao acomodar todas as opções de geração e armazenamento de energia, como a integração de energias renováveis na matriz energética aumenta-se a eficiência energética da rede. A interconexão eficiente de várias fontes de geração de energia distribuída melhora a fiabilidade e a qualidade da energia, reduz os preços da eletricidade e aumenta as escolhas do consumidor [74]. Outra das caraterísticas fundamentais das redes inteligentes é esta apresentar uma maior segurança.
A implementação de SG na rede energética proporciona diversas vantagens e funcionalidades tanto para os fornecedores do serviço como para os consumidores. Porém o principal entrave à expansão
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da sua implementação é o elevado investimento monetário necessário para efetuar as intervenções tanto na rede de energia atual como na rede de comunicações. Uma parte desse elevado investimento deve-se à necessidade de modificar todos os contadores de energia elétrica tradicionais por SM.
Uma limitação da eletricidade é que não pode ser armazenada, pelo que tem que ser produzida consoante as necessidades. Assim, são necessários sistemas que controlem a quantidade de energia produzida, de modo a garantir que satisfazem a procura. A rede terá, assim, que evoluir, integrando novos elementos ou modernizando os existentes, no sentido de dar a melhor resposta às solicitações que lhe são impostas pela produção e consumo [74].
Os progressos registados nas tecnologias de informação e a redução dos custos dos equipamentos eletrónicos de medição têm conduzido ao desenvolvimento de diversos projetos-piloto de contadores inteligentes de eletricidade em Portugal, com a finalidade de testar diferentes equipamentos e tecnologias de comunicação e analisar alterações dos hábitos de consumo motivadas pelo acesso a informação disponibilizada pelos novos contadores. O projeto de maior destaque, foi o InovGrid, iniciado em março de 2007, com a implementação em larga escala da Rede Elétrica Inteligente – Smart
Grid.
Em Portugal, os edifícios representam uma fatia importante dos consumos energéticos. O setor doméstico apesar de não ser o maior consumidor de eletricidade, de entre todos os setores, é o que apresenta o maior número de consumidores. Com o aumento do número de aparelhos eletrónicos nas habitações nos últimos anos a sua utilização de forma eficiente torna-se uma mais-valia na redução dos consumos que, por sua vez, reduz também o valor na fatura energética e ainda contribui de forma significativa, para a preservação do meio ambiente.
Devido aos grandes consumos neste setor deve fazer-se um adequado planeamento do território considerando-se quer a percentagem entre edifícios de serviços e residenciais num determinado local quer a disposição/orientação dos locais de construção (viabilidade de aproveitamento da energia solar) e ainda a localização/ relação com a envolvente/materiais de construção (melhorias na relação com o clima), ambos com influência direta sobre o consumo de energia.
Um edifício concebido de acordo com os princípios de Arquitetura Bioclimática é um edifício desenvolvido numa lógica de sustentabilidade, está adaptado às características ambientais locais e é energeticamente eficiente alcançando facilmente os níveis de conforto com um baixo consumo de energia [59].
Ao construir um edifício deve-se ter em conta o local onde o edifício se insere, bem como as características ambientais locais, uma vez que são fatores determinantes para o seu desempenho energético e, consequentemente, para o conforto interior dos seus utilizadores. Assim, o clima, a orientação solar, as características e topografia do terreno, a existência ou não de edificações nas proximidades, a forma do edifício, a vegetação existente, entre outros fatores, devem ser contabilizados de modo a este apresentar bom desempenho ambiental e eficiência energética. Tendo estes fatores em conta é possível reduzir as necessidades de utilização de climatização ativa e iluminação artificial. Um
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elemento fundamental a ter em conta é o correto isolamento do edifício. Uma habitação construída de acordo com os princípios da Arquitetura Bioclimática, apesar de inicialmente representar um investimento maior, este será recuperado ao longo da vida útil do edifício. Os edifícios mais eficientes têm melhores consumos energéticos, sendo assim uma garantia de qualidade e de poupança na futura fatura energética.
Além das caraterísticas estruturais dos edifícios, no setor doméstico, o tipo de climatização, iluminação e eletrodomésticos também influenciam os consumos. Contudo, embora se tenham alcançado melhorias significativas em termos de Eficiência Energética nos eletrodomésticos e na iluminação, o consumo de eletricidade nas habitações na última década continuou a aumentar cerca de 2% ao ano [63].
Tem sido consistentemente constatado que o consumo de energia pode variar por duas a três vezes em casas idênticas, ocupados por pessoas com demografia similar [68], [69]. As questões estruturais dos edifícios e o aumento da eficiência destes bem como dos equipamentos neles existentes não explicam as variações de consumo existentes em edifícios de caraterísticas semelhantes. Conclui- se assim que o comportamento dos utilizadores é um fator determinante dos consumos neste setor.
A energia consumida no setor doméstico, na maioria do tempo, está relacionada com hábitos e rotinas de cada consumidor. A mudança de comportamento dos consumidores é uma meta complicada de se atingir, uma vez que existe uma enorme variabilidade de hábitos de consumo, tornando-se difícil determinar um padrão comum de utilização. A mudança é ainda influenciada por fatores que vão desde as próprias características das infraestruturas onde cada consumidor está inserido até a fatores culturais e influências externas.
Apesar de uma explicação definitiva ainda não ter sido encontrada, muitas disciplinas como educação, economia, sociologia, psicologia e filosofia têm tentado explicar o comportamento pró- ambiental, que pode ser trasposto para os comportamentos relacionados com os consumos energéticos. Considera-se como sendo três os fatores que influenciam os comportamentos: fatores demográficos, fatores internos e fatores externos. No que toca a estratégias que podem ser implementadas para alterar os comportamentos estas dividem-se em estratégias de antecedentes (pois visam influenciar um ou mais determinantes antes do desempenho do comportamento), como o fornecimento de informações, o estabelecimento de metas, compromisso, modelagem e Incentivos/desincentivos, e estratégias de consequência (pois tentar influenciar o comportamento, apresentando as suas consequências positivas e negativas),como o fornecimento de comparações, Recompensas/Penalidades e feedback [96].
Têm sido desenvolvidos esforços, um pouco por todos os meios de comunicação, de modo a alterar comportamentos. As estruturas governamentais também têm desenvolvido esforços neste sentido, por exemplo com a introdução de faturas contendo informação mais detalhada sobre a forma de produção da energia, incentivos financeiros ou benefícios fiscais ou ainda ações de sensibilização diversas, têm mudado alguns hábitos de consumo.
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Algumas medidas de eficiência energética baseiam-se na alteração de comportamento e são de senso comum como por exemplo desligar equipamentos em standby ou apagar as luzes quando não estamos numa determinada divisão. Existem outras que já acarretam custos económicos (não estando assim ao alcance de todos os cidadãos) e decorrem da evolução tecnológica, como por exemplo a aquisição de equipamentos com maior eficiência energética ou a possibilidade de produzirmos energia doméstica [25].
Existem várias barreiras à mudança de comportamentos. Uma comummente citada pelos consumidores é não quererem reduzir o conforto. As questões económicas também são uma barreira quando é necessário investir em tecnologias mais eficientes. As dificuldades na perceção da energia também limitam a alteração de comportamentos uma vez que esta é "abstrata, invisível, e intocável" [76]. Uma vez que não se trata de um produto final, mas sim um subproduto de uma grande variedade de ações, tais como lavar roupa ou ver televisão, muitas vezes o seu uso passa despercebido. Assim, torna-se difícil para o consumidor perceber o que a "eficiência energética" significa na vida quotidiana pois, em cada uma dessas atividades, o comportamento de eficiência energética significa um conjunto diferente de modificações comportamentais.
Devido à invisibilidade da eletricidade, as pessoas não têm quase nenhuma interação direta com ela e recebem pouco Feedback sobre o seu padrão de consumo, por exemplo, somente a partir de contas mensais. Além disso, alguns dos maiores consumidores de energia em casa são aparelhos always-on, como o frigorífico, consumos que os utilizadores não podem controlar [109]. A utilização de SM em redes BTN permitem uma maior participação dos consumidores uma vez que é possível monitorar os consumos dos equipamentos existentes na habitação e definir perfis de consumo. Ainda que o consumo energético no sector doméstico siga um padrão, cada casa é um caso, sendo o correspondente potencial de poupança também bastante variável.
No Capítulo 5 foi feito um estudo do impacto nos custos mensais da aplicação de determinadas medidas de poupança energética, para os vários tarifários em consumidores residenciais típicos.
Verificou-se que a substituição da iluminação normal por lâmpadas equivalentes LED corresponde a uma poupança de 1.266kWh diários de energia o que corresponde a uma poupança mensal na fatura da eletricidade de até 6.38€.
A substituição de um frigorífico de Classe A+ por um de Classe A+++ resulta numa redução de consumo de energia de 0.460kWh diários, o que resulta na poupança mensal de até 2.30€.
A substituição de uma televisão Plasma por uma de tecnologia LED representa uma poupança de 2.207kWh diários de energia (contabilizando o standby). Assim, a substituição de uma televisão Plasma por uma LED de classe A++ representa uma poupança na fatura mensal de energia de até 11.09€.
Ao avaliar as poupanças associadas à eliminação dos consumos em standby para as duas televisões consideradas, verifica-se que a eliminação dos consumos em standby representam uma poupança mensal de até 0.05€. Ou seja, atualmente, os consumos em standby dos televisores já não representam uma parte significativa dos consumos destes aparelhos tal como se verificava no passado.
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Contudo, há que ter em conta que numa habitação por norma existe mais do que uma televisão e ainda outros tipos de equipamentos eletrónicos (como as boxes, consolas e aparelhagens) que, por reduzido que seja o consumo individual, em standby, de cada um, no total representam valores a considerar.
Ao avaliar os consumos, a diferentes temperaturas, de uma máquina de lavar roupa, verifica-se que a diferença entre lavar a 30ºC e lavar a 40ºC implica um aumento de cerca de 22.2% no consumo de energia e que a diferença entre lavar a 30ºC e lavar a 60ºC implica um aumento do consumo de energia de cerca de 235%, o que corresponde a uma poupança na fatura mensal de até 1.29€ e 3.25€, respetivamente.
Ao avaliar as poupanças associadas ao deslocamento do funcionamento da máquina de lavar roupa para um período horário em que a energia é mais barata, verifica-se que esta medida permite poupar na fatura mensal uma quantia de até 2.69€ para consumidores com Tarifário Bi-horário. Assim, neste tipo de consumidor, um simples gesto de alteração dos consumos da máquina de lavar roupa para períodos de custos mais baixos, diminui os custos mensais de forma significativa, sem necessidade de qualquer investimento.
Uma conclusão a retirar das poupanças verificadas para cada medida, em função dos tarifários é que as poupanças verificam-se em maior número para o Tarifário Bi-horário o que está de acordo com o que foi já referido em relação ao Tarifário Simples (tarifário mais comum) desincentivar e limitar a alteração de comportamentos.
Considerando um conjunto de medidas (Substituição da iluminação existente por equivalente LED, Substituição de frigorífico de Classe A+ por Classe A+++, Substituição de TV Plasma por TV LED, Alterar temperatura de lavagem da MLR de 60°C para 30°C, e Deslocar funcionamento da MLR para período de vazio), implantadas em simultâneo, verifica-se que estas representam uma poupança de 4.508kWh diários de energia o que corresponde a uma poupança mensal na fatura da eletricidade de até 23.76€. Apesar da poupança mensal ser substancial tem que ter-se em conta que a maioria das medidas consideradas implicam o investimento em tecnologia mais eficiente, uma condicionante para muitos consumidores devido a questões económicas. Muitas vezes, apesar do investimento compensar a longo prazo, muitas vezes os consumidores retraem-se na compra destes equipamentos mais eficientes devido ao seu custo inicial mais elevado.
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