• Aucun résultat trouvé

DEFINITION DU JUGEMENT RAISONNABLE ET RECONNAISSANCE DU DENI DE JUSTICE

São pesquisas de diagnóstico1 trabalhos como os de Bernadete Gatti,

Menga Ludke e Rose Neubauer Silva, apontando diagnóstico das demandas e desafios emergentes da formação de professores, principalmente no Brasil.

Rose Neubauer Silva et ai (1991) realizaram uma pesquisa sobre a formação de professores no Brasil, no período que vai de 1950 a 1986, em que foram apontados vários problemas e desafios na formação dos professores do Ensino Fundamental e Médio, principalmente no interior das Universidades. Segundo esses pesquisadores a formação inicial de professores oferecida nos inúmeros cursos, nesse período, não era assumida pelas Universidades, institucionalmente, como prioridade na dimensão do ensino, embora a maioria dos licenciados fizesse opção pelo ensino após concluírem o curso. Constataram ainda, que não eram considerados as reais condições e contextos de vida e profissional dos sujeitos, predominando a visão de um professor genérico e abstrato.

O processo de (re)democratização do Brasil na década de 80, aliado às lutas pela melhoria da escola pública, às pressões dos sindicatos e de movimentos sociais, somadas às discussões realizadas por educadores e pesquisadores sobre educação pública e formação de professores, possibilitou a sistematização de algumas questões acerca dessa temática, instaurando uma verdadeira efervescência quanto à discussão, elaboração e sanção de aportes legais, como a Constituição de 1988, e desencadeando na década seguinte (90) a definição e implementação de políticas e programas oficiais, como a elaboração dos Parâmetros e Referenciais Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e Educação Infantil, as Diretrizes Nacionais para a

1 Existe um número muito maior de pesquisas que fazem o diagnóstico sobre formação de

Formação de Professores, a publicação da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996, entre outros.

Um redimensionamento da formação inicial tem sido considerado em reformas implantadas em diversas partes do mundo. No Brasil, a publicação e distribuição em larga escala dos Parâmetros e Referenciais Curriculares Nacionais – Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio –, assim como o resultado das pesquisas de Gatti (1987, 1992, 1994, 1996 e 1997), Ludke (1994, 1996 e 2001) e Silva (1991), sobre quais as políticas nacionais que embasam a formação de professores, apontaram para uma demanda de reestruturação do 3º Grau, pois os resultados dessas pesquisas, apesar de enfocarem diferentes aspectos da formação de professores, identificaram a dicotomia entre conteúdos de área, específicos das licenciaturas, e conteúdo educacional, teoria e prática presente nessa formação, inclusive apontando para a necessidade de superação dessas questões com algumas proposições.

Segundo Menezes (1996, p.140) o contexto mundial da década de noventa é marcado pelo acelerado processo de globalização em decorrência da queda de certas barreiras políticas, de interesses econômicos que levam à formação de

comunidades internacionais e do desenvolvimento dos meios de comunicação [...]. O mesmo autor argumenta que a democratização, a busca da paz, a defesa do meio

ambiente e dos direitos humanos exigem cidadãos preparados para viver em uma sociedade que demanda cada vez mais igualdade e equidade.

Nesse contexto, a formação inicial e continuada transformou-se numa grande preocupação, não só nos setores oficiais dos governos federal, estadual e municipal, mas também em vários setores da sociedade brasileira, como Sindicatos, Conselhos e outras entidades organizadas. A visível crise da formação inicial nas Universidades, acompanhada de fortes críticas a essa formação desencadeia a realização de inúmeras pesquisas e/ou ações diversas sobre o assunto, chanceladas não só pelo Governo, mas por entidades como o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB) e o Núcleo de Pesquisa sobre Ensino Superior (NUPES/USP).

Nessa perspectiva, o CRUB preocupa-se, sobremaneira, com a crise latente e as críticas em torno da formação nas Licenciaturas no interior das Universidades, tomando a iniciativa de chancelar uma pesquisa nacional sobre a formação dos educadores para o Ensino Fundamental e Médio nas Licenciaturas. Coube a Menga Ludke a realização dessa investigação. Os resultados foram publicados em 1994 por esse Conselho, com o título de Avaliação Institucional: Formação de Docentes

Já o NUPES da Universidade de São Paulo, através de seus integrantes, participou do Projeto IBERCIMA2 – Programa Ibero-Americano de Ensino de Ciências e da Matemática -, cujo do principal objetivo era obter uma visão panorâmica e atualizada sobre a situação da formação dos professores de Ciências ibero-americanos, realizando uma análise de como alguns aspectos essenciais estão sendo considerados nessa formação (CARRASCOSA, 1996). O NUPES sediou o Encontro de especialistas dos diversos países envolvidos no Programa, resultando na publicação do livro Formação

Continuada de Professores de Ciências – no âmbito ibero-americano, que integra uma Coleção toda dedicada à formação de professores.

Ainda nas décadas de 1980 e 1990, Bernadete Gatti coordenou vários estudos sobre a situação da formação de professores no Brasil, em diferentes enfoques, tais como: a formação dos docentes de 1º Grau e Ensino Médio, o confronto necessário do professor com a academia, análises com vistas a um referencial para políticas de formação para o Ensino Básico, entre outros.

Gatti (1992) faz uma análise da situação da formação pré-serviço e

continuada de docentes no Brasil, apresentando alguns problemas básicos, a saber: predominância de cursos de licenciatura oferecidos em péssimas condições por instituições privadas; desconsideração da experiência prática e do conhecimento dos professores; e currículos enciclopédicos, elitistas e idealistas.

A mesma autora afirma que os currículos dos cursos apresentaram, em determinados momentos, tendências que caracterizaram predominantemente a formação dos professores brasileiros. Dessas tendências, fica identificado que inicialmente predominou a ênfase psicológica em detrimento da pedagógica, com forte enfoque nas diferenças individuais; depois, a ênfase no planejamento e operacionalização dos objetivos, influenciada pela teoria do capital humano. Já na década de 80, ganham espaço as discussões das teorias do conflito, com domínio sociológico, e finalmente constata-se hoje um retorno ao enfoque psicológico.

Segundo Gatti (1994), a formação de professores nas Universidades é relegada a um plano secundário, uma vez que a prioridade nacional é para a pesquisa. Afirma ainda a pesquisadora que:

Além disso, os cursos de formação de professores têm caráter livresco e prescritivo, cujo conteúdo dificilmente se transfere para a prática quotidiana dos professores em suas reais condições de trabalho; a desvalorização do patrimônio de experiência e conhecimento acumulado pelos professores; [...] (GATTI, 1994, p.39).

2 O IBERCIMA foi conduzido pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação,

Essa discussão acumulada explicitou demandas, dificuldades, necessidades, apontando recomendações para a superação dos problemas. Pelo menos alguns dos resultados gerais desses estudos já foram contemplados na definição de ações voltadas para a reestruturação dos cursos, como as diretrizes para as licenciaturas e a revisão de currículos que tentam articular teoria e prática, propondo os estágios a partir dos primeiros anos do curso, entre outros.