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3.2 Creating and measuring lists
Existem três tipos de investigação histórica e narrativa: a actual, a biográfica e a autobiográfica. A investigação actual refere-se ao tipo de “investigação que se baseia num evento ou
fenómeno específico, tal como, a história da escolha vocacional ou da orientação vocacional”
(Mertens, 1998: 196). A investigação biográfica está relacionada com a “história de vida de um
indivíduo que não o narrador entrevistado” (idem, ibidem), ou seja, o relato é feito na terceira
pessoa. Por último, por história autobiográfica entende-se a história de vida do narrador entrevistado (idem, ibidem), isto é, a história é contada na primeira pessoa.
Começaremos por abordar as (auto)biografias, através da revisão da literatura encontramos em Afonso (2005: 78), que citando Louis Smith (1994) “caracteriza a abordagem biográfica
como actividade construcionista, desde a selecção de um herói ou heroína até à pesquisa das fontes de dados, à selecção das questões e dos temas e à imagem ou retrato final que se desenha”. Como diz Goodson (2000 in Nóvoa, 2000: 71) “o respeito pelo autobiográfico, pela “vida”, é apenas um aspecto duma relação que permita fazer ouvir as vozes dos professores”.
Para Craig Kridel (1998 in Afonso, 2005: 77) “os estudos biográficos permitem construir pontes
críticas entre os diversos campos da investigação balkanizada que caracteriza o estudo da educação no mundo pós-moderno”. A abordagem pressupõe uma centralização na acção
individual do actor biografado. Centralização esta que pode ser executada através de biografia directa ou indirecta e é fonte de contradições entre vários investigadores, de acordo com Poirier (et al., 1999: 13):
“uns só admitem a entrevista (registada em magnetofone, na maior parte dos casos), conduzida no quadro duma longa familiaridade instituída entre o narrador e o narratário; outros, pelo contrário, fazem notar que a verdadeira autobiografia, a que é falada ou redigida directamente, sem a presença estranha do questionador . . . tem virtudes perfeitamente insubstituíveis”.
Nas autobiografias directas é o próprio sujeito que relata a sua vida de forma livre, sem a intervenção de intermediários. Conta as suas memórias, confissões, episódios de vida a partir de experiências passadas (Becker, 1986; Ayers, 1989; Bertaux, 1980; Denzin, 1989; Languess, 1973 in Sarmento, 2002; Poirier et al., 1999). Nas autobiografias indirectas, segundo Poirier (et al., 1999):
“alguns pluralistas escandalizaram-se com a presença na entrevista deste “terceiro”, acusado de viciar a autenticidade do diálogo (mas escandalizar-se-iam a melhor título com o recurso às técnicas sofisticadas de escuta secreta, feitas à revelia do locutor e que não parecem deontologicamente admissíveis)”.
Para o autor, o magnetofone facilita o contacto entre o investigador e o investigado, aproximando-os através da escuta da banda sonora dissipando quaisquer desconfianças. As autobiografias e as biografias, posicionam-se perto da abordagem das histórias de vida, o que origina alguma confusão, apesar de haver alguma aproximação diferem quanto ao processo da sua realização e às suas finalidades. Na tentativa de esclarecer esta confusão Hatch & Wisniewski (1995: 125) apresentam várias definições, segundo vários autores, os quais passo a citar, as histórias de vida são:
“any retrospective account by the individual of his/[her] life in whole or in part, in written or oral form, that has been elicited or prompled by another person” (Watson & Watson-Franke, 1985); “the life story located within its historical context” (Goodson, 1992); “sociologically read biography” (Bertaux, quoted in Measor & Sikes, 1992); life story is “the story we tell about our life” (Goodson, 1992).
No caso das histórias de vida é de extrema importância o papel do investigador no desenvolvimento do processo de acumulação e interpretação da informação biográfica (Hatch & Wisniewski, 1995).
As histórias de vida são uma metodologia que permitem um melhor entendimento da complexidade dos percursos a nível de tempo e espaço que caracterizam a singularidade do indivíduo. A história de vida é construída nas múltiplas e várias interacções com o passado, o presente, o futuro, nos vários confrontos do indivíduo para consigo próprio e para com os
sujeitos que se deslocam no seu espaço de manobra (Sarmento, 2002). “O objectivo é
trabalhar sobre testemunhos vividos, ou seja, procura-se recolher, analisar e interpretar as histórias que as pessoas contam sobre as suas vidas” (Marshall & Rossman, 1999 in Afonso
2005: 78). Este tipo de abordagem tem como foco de investigação a centralidade na acção individual do sujeito, a sua singularidade e integralidade, clarificando contextos e processos institucionais em que o indivíduo se desloca. Neste plano, citamos Becker (1999 in Afonso, 2005: 77) “a história de vida pode ser particularmente útil para nos fornecer uma visão do lado
subjectivo de processos institucionais muito estudados sobre os quais pressupostos não verificados também são feitos com frequência”.
O estudo das narrativas e histórias de vida envolve uma concentração do espólio empírico para a realização de entrevistas em profundidade com os biografados. Por sua vez, a narrativa é apresentada por Clandinin & Connelly (1994 in Hatch & Wisniewski, 1995: 125) como “both
phenomenon and method. Narrative names the structured quality of experience to be studied, and it names the patterns of inquiry for its study”. Afonso (2005) refere que se estudam
narrativas de pessoas comuns, centram-se na biografia de um actor social específico, a título de exemplo, as narrativas de vida de professores, onde os temas dominantes são as opções profissionais, o stress e o mal-estar, o percurso de formação, e a construção da sua identidade.
“As biografias, enquanto narrativas sobre as histórias de vida de uma pessoa como arte de escrever alguns acontecimentos . . . têm normalmente fins literários, preocupações de criar literatura, acontecimentos e representações sobre experiências vividas, bem como finalidades históricas” (Denzin, 1989 in Sarmento, 2002: 259). Seja nas histórias de vida, biografias ou
autobiografias existe sempre a preocupação pela subjectividade sociológica (Becker, 1986 in Sarmento, 2002).
É no contexto desta complexa perspectiva de estudo que Afonso (2005) nos apresenta uma distinção entre os estudos biográficos e as narrativas ou histórias de vida. Assim:
“ouvir a voz, as narrativas e as histórias (stories) dos professores (conhecimento vindo do interior) e escutar as suas histórias de vida (life histories) tem; sido, há muito tempo, uma parte vital do trabalho dos investigadores e formadores de professores para a compreensão dos valores, conhecimento e prática profissionais dos docentes” (Brown & McIntyre, 1986; Day, 1981; Elbaz, 1983, 1990; Butt e Raymond, 1987; Yinger, 1987; Clandinin & Connelly, 1984ª, 1984b, 1987, 1995 in Day, 2001: 67).
Os estudos biográficos incidem na reconstituição das trajectórias de vida das pessoas, através da pesquisa documental ou da informação recolhida do próprio biografado. Smith (1994 in Afonso, 2005: 78) caracterizou esta abordagem como “activamente construtucionista, desde a
selecção de um herói ou heroína até à pesquisa das fontes de dados, à selecção das questões e dos temas e à imagem ou retrato final que se desenha”.
Nesta investigação utilizámos a história de vida, centrada na biografia, na tentativa de compreender como o investigado põem em evidência os “pedaços” da sua vida profissional que foram “semeados e dispersos ao longo dos anos, dos tempos e contratempos (em que) a
história de vida faz construir um tempo próprio que lhes dá uma consistência temporal específica, uma história”, atendendo a Pineau (1987 in Sarmento, 2002: 259).