• Aucun résultat trouvé

% Length nums

4.5 Auxiliary functions

1.1 Caracterização geral do entrevistado

O nosso entrevistado optou por um nome fictício FG, tem 61 anos de idade e é casado. A sua esposa é professora do ensino secundário “na mesma escola que foi a [sua] na ES”. Actualmente encontra-se “na situação de aposentado pelo Ministério da Educação” e aposentou-se “precisamente na situação de Presidente do Conselho Executivo da ES/3.º C”.

1.2 A escolha da carreira docente

No que respeita à escolha da carreira docente FG não foi pressionado. A sua família apoiou-o na sua opção profissional mas “o [seu] pai até nem gostou! A “partir do momento em que [FG] disse (...) que tinha escolhido esta carreira [teve] sempre todo o apoio [do pai], nunca [lhe] faltou nada”. Todavia houve alguns professores que tiveram influência na escolha da opção profissional foram “professores que [o] marcaram positivamente e talvez tenha sido isso que [o] levou a enveredar sem qualquer hesitação pela carreira docente”. Optou pelo ensino da disciplina de História porque “queria seguir precisamente no ramo da História” e “nunca [pôs] a hipótese de escolher línguas ou ciências (...). Até porque [ele] sempre [foi] um bom aluno à disciplina nos [seus] tempos de liceu talvez também tenha tido a sua influência porque [ele]

gostava da disciplina de História”. Não seguiu a carreira docente pelo dinheiro mas sim pela sua realização pessoal (...) como diz o ditado «o dinheiro não é tudo na vida» (...)”. De qualquer forma “não [se] [sente] mal com a carreira profissional que [escolheu] tanto como docente como elemento do órgão de gestão [acha] que não [tem] razões para [se] lamentar”.

1.3 Formação académica e profissional

A nível académico, FG licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1971.

A nível profissional fez, em 1994, ligado à gestão, um curso anual de administração e gestão escolar em horário pós-laboral no Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O curso que frequentou “foi um curso interessante dentro de um conjunto de disciplinas um pouco teóricas em que foram ministrados assuntos que geralmente não nos dedicamos no dia- a-dia. Foi um curso que deu alguma ajuda para a [sua] vida, é evidente que quando [frequentou] o curso já tinha uns anos de desempenho do cargo”. Após a conclusão do curso ligado à gestão continuou a exercer o cargo de Presidente do Conselho Executivo até à sua aposentação.

No entanto, realçou que “uma pessoa quando tira uma licenciatura para o ensino é para dar aulas e não para gerir uma escola” e que “por muitos cursos de administração e gestão que a pessoa possa ter as escolas são diferentes, uma escola não é uma empresa. Uma escola trabalha com pessoas e essas pessoas são alunos, são professores, são funcionários, trabalha com pessoas e portanto é uma questão de gerir recursos humanos a nível de funcionalismo. (...) Mas fora disso é sempre o aspecto humano e esse aspecto humano na [sua] óptica não há curso nenhum de gestão que lhe possa dar”.

1.4 Trajectória biográfica num relance

Iniciou a sua actividade lectiva em 1971/1972, tinha na altura 25 anos de idade, sendo “interrompida pela prestação de serviço militar” em 1972 (26 anos de idade) e regressou em 1975 (29 anos de idade). No ano lectivo de 1971/1972 iniciou as suas funções docentes “na actual RPA no LNCPC (...) aquando do ano lectivo de 1975/1976 [29/30 anos de idade]

[esteve] na EPA (...). No ano seguinte [fez] o estágio clássico na EICL portanto em 1976/1977 (30/31 anos de idade). Em 1977/1978 (31/32 anos de idade) [esteve] (...) na ESA (...) e em 1978/1979 (32/33 anos de idade) [veio] para a ES onde [se ] [manteve] até [se] aposentar”.

Após ter leccionado em várias escolas, efectivado na ES em 1978/1979 e leccionado nesse ano FG foi “convidado para no ano lectivo seguinte 1979/1980” integrar o Conselho Directivo, apresentava 33/34 anos de idade.

1.4.1 O momento chave na entrada em funções directivas

O convite para integrar o Conselho Directivo, em 1979/1980 veio “precisamente, pela então Presidente do Conselho Directivo para [ele] integrar uma equipa candidata ao Conselho Directivo”. Surgiu assim a primeira oportunidade a nível profissional para integrar o Conselho Directivo “mas antes de aceitar [avançaram] para uma nomeação por parte dos serviços centrais e [tentaram] constituir uma equipa”, acabando a equipa por ser eleita e ficou FG como “Presidente do Conselho Directivo” dando início ao seu primeiro mandato. O motivo base que o levou a aceitar “o desafio foi a então Presidente do Conselho Directivo que [o] convidou para o órgão de gestão, como o marido (...) também integrava esse órgão [e] se disponibilizaram para ficar [com ele]”, “foi precisamente a transição de dois elementos do Conselho Directivo anterior que o levaram a aceitar o convite e porque eles eram bons trabalhadores e já conheciam a legislação, ou seja, tinha mais experiência que FG. Quando aceitou “integrar o Conselho Directivo foi uma questão de desafio pois gostava de experimentar uma coisa nova dentro de uma escola e essa coisa nova foi precisamente integrar o órgão”.

1.4.2 Itinerário biográfico das funções directivas

Esteve dois anos como Presidente do Conselho Directivo, entre 1979/1980 e 1980/1981, porque, aquando de 1980/1981 (tinha 34/35 anos de idade) voltou a ser nomeado, sendo o seu segundo mandato.

Ao fim desses dois anos, portanto em 1981, sentiu-se “um bocado cansado e um bocado desmotivado e por um lado [achou] que as coisas correram bem, mas depois houve alguns aspectos que agora já não [podia] concretizar ao nível do pessoal docente e pessoal auxiliar e cansaram-[no] um bocado e fizeram-[no] sair”.

Durante o ano lectivo 1981/1982 (35/36 anos de idade) teve oportunidade de reflectir sobre o seu desempenho como Presidente do Conselho Directivo “pelo menos durante um ano (...) [fez] um balanço dos dois anos anteriores, dos dois anos em que lá tinha estado e se depois houvesse essa oportunidade de lá voltar [ele] voltaria, [ele] [pensou] que tinha condições para voltar até porque durante o ano que [ele] [esteve] ausente [acabou] sempre por estar a colaborar com o órgão de gestão”.

Posteriormente, em 1982 voltou a ser convidado por um colega “a formar uma lista para concorrer mesmo ao Conselho Directivo e não ser apenas por uma questão de nomeação”, mas “[FG] disse logo que ele tinha de ficar como presidente” e “[FG] ficaria por decisão [sua] vice-presidente” apenas “[pôs como condição que ele se mantivesse como presidente pelo menos nesse primeiro mandato de dois anos”, portanto em 1982/1984 (36/38 anos de idade) levou a cabo o seu primeiro mandato como vice-presidente. Voltando assim ao Conselho Directivo e “[esteve] dois anos como vice-presidente e a partir daí depois [esteve] sempre como Presidente fosse do Conselho Directivo, fosse da Comissão Instaladora ou fosse do Conselho Executivo”.

A partir de 1982 “nunca mais [abandonou] o órgão de gestão”, “nunca mais [equacionou] a hipótese de sair”.

Em síntese, durante a sua carreira profissional desempenhou quase sempre o cargo de dirigente à excepção de dois mandatos em 1982/1983 e em 1983/1984 em que esteve como vice-presidente. No mandato seguinte 1984/1986 (38/40 anos de idade), terceiro mandato, passou a Presidente do Conselho Directivo. Manteve-se no cargo de Presidente do Conselho Directivo até sair o Decreto-Lei n.º 115-A/98 que trouxe a designação de Presidente do Conselho Executivo.

1.4.3 Carreira profissional, muitos anos preenchidos pela gestão escolar vistos como uma experiência gratificante

A carreira profissional de FG foi preenchida por “vinte e muitos anos à frente (...) de um estabelecimento de ensino. Se fôssemos copiar os autarcas era quase um dinossauro”, acabou por integrar “a gestão escolar durante quase 27 anos”.

A sua experiência enquanto Presidente do Conselho Directivo/Executivo “foi uma experiência muito relevante, foi uma coisa muito bonita e acaba sempre por deixar saudades”, “foi uma experiência gratificante” e “de uma maneira geral [ele] [acha] que as coisas correram bem e

que nunca houve assim problemas”. Fazendo uma retrospectiva sobre o tempo que passou na gestão revelou-nos que “parecendo que não olhando para trás e durante todo o [seu] tempo de permanência na “[sua] escola” (...) apenas dois anos é que [esteve] fora, foi no primeiro ano que [veio] para cá e depois no quarto ano quando [saiu].

FG referiu que “todo o resto da [sua] carreira foi mais virada ao fim e ao cabo para a gestão do que propriamente para a docência”. Frisando que o cargo de Presidente do Conselho Directivo/Executivo “são cargos complicados” mas ao mesmo tempo FG costumava “dizer às pessoas que só [saía] [dali] se [perdesse] umas eleições ou se [ele] [fizesse] alguma asneira e portanto era automaticamente um processo disciplinar pelo ministério e [ele] era obrigado a sair”.

1.5 O momento da retirada do mundo profissional

A sua retirada do mundo educativo estava prevista para o ano lectivo 2006/2007. Aposentou-se “com 36 anos de serviço e mais uns meses” “portanto até 31 de Agosto de 2006 incluindo a actividade do ministério da educação, a actividade militar totalizou os 36 anos”. Chegado os trinta e seis anos de serviço e derivado ao tempo que dispunha em termos legislativos considerou “que devia solicitar a aposentação” e achou “que [foi] uma prestação já boa e era altura de dar lugar a outros” visto que “(...) trinta e muitos anos é uma vida”. Embora “não fossem 36 anos efectivos [teve] como compensação o tempo de serviço de militar tinha a idade para [se] vir embora e (...) apenas me limitei a usar o direito que até aqui é o de qualquer trabalhador da função pública ou privada tinha e [achou] por bem [vir-se] embora”.