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PARTIE IV ARCHITECTURE DES MILIEUX POREUX VISUALISATION ET

IV 5 Résultats qualitatifs :Visualisation du milieu poreux

No cenário educacional, um conjunto de indicadores pode evidenciar avanços e lacunas no desenvolvimento e na avaliação de políticas, sejam programas ou ações, de forma que todos conheçam o cenário para tomar as decisões mais assertivas. Mas é importante entender o que é um indicador. Segundo Valarelli (1999), indicadores são parâmetros qualificados e/ou quantificados que servem para detalhar em que medida os objetivos de um projeto foram alcançados, dentro de um prazo delimitado de tempo e numa localidade específica. Os indicadores são dados que podem revelar aspectos de determinada realidade, possibilitando constatar mudanças, permitindo fazer análises e comparações, para entender a evolução dos diversos setores envolvidos, concepção adotada neste estudo e próxima da defendida por Souza (2010).

Os indicadores são expressos, usualmente, como um índice resultante de duas variáveis, por exemplo, a taxa de aprovação considerando alunos concluintes em relação à matrícula. Os indicadores educacionais, de acordo com Souza (2010), podem ser classificados em indicadores de insumos, que expressam os meios utilizados no processo avaliado, indicadores de processo e de produtos, estes relacionados aos objetivos da ação desenvolvida.

Mais do que ter indicadores educacionais relacionados a políticas, programas e ações, é preciso atentar para o que eles indicam, tratar os dados, fazer comparativos cuidadosos em relação aos contextos, para avaliar os resultados alcançados e os impactos, como ressaltam Lopes e Tenório (2010, p. 18), sobre a importância de ir além dos indicadores:

A avaliação nas organizações, instrumento fundamental da gestão, configura-se também como elemento de controle, de regulação e de negociação para a tomada de

decisão, considerando os resultados obtidos nos processos implementados para o desempenho de funções específicas.

Pedro Demo (1999 apud PAIXÃO et al., 2012, p. 308) sinaliza para os cuidados com o peso dado aos indicadores, principalmente os quantitativos, porque pressupõem um quadro teórico interpretativo, são constructos reduzidos da realidade e necessitam de interpretação à luz de uma teoria; e toda avaliação, ao mesmo tempo que revela também esconde, considerando que representa um recorte selecionado e parcial da realidade.

Considerando que o foco da avaliação de resultados do programa foi determinar o alcance dos objetivos propostos, como trata Cohen e Franco (2011, p. 152), “isto requer dimensionar o objetivo geral em subconjuntos de objetivos específicos, os quais por sua vez terão ‘metas’, cuja obtenção será medida através de indicadores.” O percurso metodológico aplicado na avaliação de resultados, como defendem os autores, é muito próximo das metodologias utilizadas nas ciências sociais. Todavia, apontam diferenças importantes, a exemplo da questão de conceitos dimensionados por meio de um processo dedutivo analítico ou empírico, sendo que, para decomposição de um objetivo geral em objetivos específicos, e estes em metas, no caso da avaliação, esta decomposição não pode ser feita por meio da dedução, mas a partir de prioridades políticas e de racionalidade técnica (COHEN; FRANCO, 2011).

O tratamento dado aos indicadores também deve abordar a forma de monitorá-los, incluindo o uso de ferramentas de sistemas que permitam o monitoramento sistemático dos dados, a partir da informação buscada.

A estruturação de sistemas de informação disponíveis, de acessibilidade garantida e atendendo às peculiaridades dos programas sociais, é fundamental para um mínimo de factibilidade da avaliação. E aí surge a relação entre acompanhamento e avaliação. Sistemas de informação bem montados e em uso desde o início do programa, possibilitam estratégias de avaliação mais condizentes com seus objetivos. (LOBO, 1998, p. 80).

A indicação de sistema aqui colocada deve-se ao fato de se considerar importante a organização dos dados, pois facilitará a visualização e a interpretação, já que não significa que os dados por si só avaliem qualquer processo. A forma como elaboramos e relacionamos aos resultados poderá agregar valor ao processo de se conhecer o que se realiza.

É comum a resistência da área educacional em tratar indicadores, em parte devido à dicotomia estabelecida entre tratar dados quantitativos em relação a dados qualitativos, como trata Costa e Castanhar (2003). Consideramos isso um equívoco, visto que é preciso entender os limites numéricos de um dado indicador, mas subestimá-lo é perder a chance de conhecer a direção apontada. Essa constatação é fruto de atividades de avaliação de desempenho das unidades de educação do Sesi Bahia, realizadas pela proponente do presente trabalho, por meio de indicadores selecionados, anualmente, para o monitoramento dos processos visando a tomada de decisão.

O incômodo com a prática de indicadores de avaliação está em estes serem comumente considerados como descontextualizados, porém é exatamente nesse ponto que aparece a referida dicotomia, visto que, de fato, os números podem apoiar as análises de contexto e cenários, enfim, os resultados qualitativos. Ainda sobre esse aspecto, entre as vantagens de definir indicadores, Souza (2010) apresenta as possibilidades de expressarem, de forma sintética, aspectos importantes de funcionamento da área educacional, da política ou do programa; de sua inserção em sistemas que possibilitam monitorar, analisar e disseminar, de forma até instantânea, para tomada de decisão e a comunicação; de transparência de informações, que favorecem o debate sobre políticas públicas, pois as realizações podem ser acompanhadas e avaliadas; de dimensionar um fenômeno e permitir conhecer sua evolução temporal, por meio da taxa de variação no tempo; além da possibilidade de verificar se os objetivos propostos foram atingidos ou não, quais as causas e prováveis soluções.

É possível fazer análises consistentes e tomar decisões que efetivamente melhorem o processo educacional, continuamente, usando sistematicamente os indicadores de evasão, aprovação, de concluintes e de desempenho da Prova Brasil, por exemplo. O importante nas análises é a relação do dado com a realidade, como ainda alerta Souza (2010), pois o indicador em si traduz um momento, uma ação, um resultado, reflexo de uma conjuntura, e que pode ser corrigido, caso necessário, para posterior avaliação e nova análise. Para o estudo em questão, foi importante identificar indicadores que sejam acompanhados, no programa avaliado, ou criados para este fim, neste estudo, servindo como apoio à análise quantitativa e qualitativa dos dados coletados.

Com os indicadores quantitativos do programa ora avaliado, tais como matrícula, evasão, aprovação, concluintes e empregados, é possível correlacioná-los para se compreender qualitativamente o quanto o programa atende aos propósitos previstos,

colocando-os como percentuais, ou seja, relacionando duas variáveis, já que o valor absoluto indica o resultado, mas não necessariamente apoia a compreensão, ou seja, se é bom ou não.

Esclarecemos a questão com um exemplo sobre a análise de concluintes que um gestor faz de uma determinada série. Se o gestor considerar apenas o valor absoluto como única variável, temos 100 concluintes. De início, não será possível saber se o número é baixo ou não, mas se, ao invés disso, o valor absoluto for relacionado ao número de matrículas no mesmo período, digamos 500 alunos, podemos achar um percentual relevante para analisar, 20%, considerando que a expectativa é de que 100% dos alunos atendidos concluam o curso no tempo regular.

Diante do exposto, consideramos que indicadores, bem selecionados e relacionados entre si, podem apoiar a compreensão da realidade analisada e permitir decisões mais assertivas para a melhoria do processo. A avaliação precisa ser um processo constante, seja no processo de ensino aprendizagem, em programas e políticas, instituições e organizações, e especialmente nas avaliações de programas, como no presente estudo, pois é necessário definir de forma clara os critérios de análise relativos aos resultados alcançados. A seguir, apresentamos o programa educacional objeto de estudo.

4 O PROGRAMA DO ENSINO MÉDIO DO SESI ARTICULADO A CURSOS TÉCNI- COS DO SENAI NA BAHIA

Neste capítulo, apresentamos o programa de articulação do ensino médio do Sesi à educação profissional do Senai na Bahia, objeto deste estudo, com a caracterização das referidas instituições, o histórico e a estruturação do programa, como dados importantes do contexto ora avaliado.

Nesses termos, é relevante explicitar e compreender como a ação é desenvolvida, em uma escola do Sesi e em uma das unidades de formação profissional do Senai, identificando suas bases em relação ao ensino integrado, já que as instituições diferenciam o programa dessa modalidade, que é chamando de articulado, assim como entender como visam atender às demandas da indústria e da sociedade (pais, comunidade, sindicatos, associações) na relação educação e trabalho, colocadas em seu projeto, e o que são os níveis de formação, cada vez mais elevados, que se constituem como categorias de estudo.