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Correspondance sur l'Opium

Dans le document Faculté de Pharmacie de Paris (Page 125-128)

3. Analyse du contenu

3.2 Analyse par parties

3.2.6 Travaux

3.2.6.2 Correspondance sur l'Opium

A investigação é definida como um “processo sistemático e intencionalmente orientado e ajustado tendo em vista inovar ou aumentar o conhecimento num dado domínio” (Ketele & Roegiers, 1993, p. 20). Segundo Coutinho, “a investigação é uma atividade de natureza cognitiva que consiste num processo sistemático, flexível e objetivo de indagação e que contribui para explicar e compreender os fenómenos sociais.” A investigação em Ciências Sociais pode incidir sobre a metodologia de investigação qualitativa ou quantitativa.

Os paradigmas de investigação integram o sistema de pressupostos e valores que guiam a pesquisa, determinando as várias opções do investigador no caminho que o conduzirá ao rumo das respostas (Coutinho, 2014). Face aos objetivos pretendidos, tendo em atenção o forte cariz de interpretação de que esta investigação se reveste, optou-se pelo paradigma interpretativo. Este paradigma adota uma posição relativista, inspirando-se numa epistemologia subjetivista que valoriza o papel do investigador. Segundo a mesma autora, este paradigma tem como finalidade de investigação compreender, interpretar, descobrir significados e encontrar hipóteses de trabalho (Coutinho, 2014).

“A metodologia pode ser definida como um conjunto de diretrizes que orientam a investigação científica” (Lessard-Hébert, Goyette, & Boutin, 2005, p. 15). O objetivo da metodologia é compreender, no sentido mais amplo, não só os resultados do método, mas o próprio processo em si (Coutinho, 2014). Neste estudo optou-se por uma metodologia qualitativa de natureza interpretativa.

“No que toca à investigação qualitativa, é sobre o investigador que recai a responsabilidade desta redução das ações ou do discurso dos indivíduos em função das condições de produção destes” (Lessard-Hébert, Goyette, & Boutin, 2005, p. 71) O foco desta investigação encontra-se na metodologia de investigação qualitativa pois consente em analisar determinados fenómenos, em profundidade, e recolher o máximo de informação viável relativa ao estudo.

Nesta metodologia “privilegiam, essencialmente a compreensão dos comportamentos a partir da perspetiva dos sujeitos da investigação, (…) recolhendo os dados em função de um

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contacto aprofundado com os indivíduos, nos seus contextos ecológicos naturais” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 16).

Bogdan e Biklen (1994) apresentam cinco caraterísticas da investigação qualitativa: 1) “a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal” pois os investigadores frequentam o local porque se preocupam com o contexto entendendo que as ações podem ser melhoradas quando observadas no seu ambiente; 2) “a investigação qualitativa é descritiva” uma vez que os dados recolhidos são apresentados em forma de palavras ou imagens. Estes incluem transcrições, notas de campo, fotografias, vídeos, etc; 3) “os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos”, ou seja, “as estratégias patentearam o modo como as espectativas se traduzem nas atividades, procedimentos e intercções diários”; 4) “os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva” e por último, 5) “o significado é de importância vital na abordagem qualitativa” uma vez que os investigadores estão interessados no modo como diferentes pessoas são sentido à vida (Bogdan & Biklen, 1994, pp. 47-50).

Citado por Coutinho (2014), a palavra método deriva do grego métodos, que significa “caminho para se chegar a um fim”. Para Bisquerra 1989, referido por Coutinho, (2014) “os métodos de investigação constituem um caminho para chegar ao conhecimento científico”. Nesta abordagem qualitativa de investigação utilizou-se o método descritivo e interpretativo com objetivo exploratório. A investigação exploratória é usualmente conduzida em novas áreas de investigação como é o caso, ou seja, está a conduzir-se um estudo na área da Educação Financeira destinada a um público particular. Os estudos exploratórios qualitativos, muitas vezes examinam fenómenos que ainda não foram estudados previamente. Optou-se por desenvolver um estudo de carácter exploratório, uma vez que se investigou uma temática teoricamente pouco conhecida. Como vemos, neste estudo aplicou-se uma proposta didática elaborada pelo investigador, tendo por base o REF (M.E.C., 2013 b), aplicada a alunos do primeiro ano de escolaridade.

No decorrer deste estudo desempenhei, em paralelo, o papel de professora e investigadora. Como professora desenhei e construi uma cadeia de tarefas, ou seja, uma proposta didática relacionada com a Educação Financeira, tendo por base o REF (M.E.C., 2013 b) e preparou-se e lecionou-se as aulas em que foram implementadas essas mesmas tarefas. O objetivo da investigadora foi de verificar de que modo a proposta didática se adequou aos alunos daquela faixa etária, naquele espaço temporal. Pretende-se ainda verificar quais os aspetos positivos e menos positivos identificados e apresentar sugestões de melhoria.

Participantes

Os participantes neste estudo constituíam uma turma do 1º ano de escolaridade, tendo os alunos idades compreendidas entre os seis e sete anos, numa escola minhota. Este grupo não foi selecionado pela investigadora, mas sim pelo grupo de docentes responsáveis pela Prática de Ensino Supervisionada. O grupo de alunos envolvido nesta investigação é bastante heterogéneo pertencendo, maioritariamente, a famílias de estratos sociais médios baixos, com informação recolhida pela escola. A grande maioria dos alunos habitava nos arredores da escola em que o estudo foi aplicado. Esta investigação decorreu no âmbito da PES II com a duração de quinze semanas.

Embora esta turma tivesse catorze alunos, quatro do sexo masculino e dez do sexo feminino, apenas participaram onze alunos nesta investigação. Três alunos não integraram esta investigação pois um aluno raramente estava inserido no grupo, passando maioritariamente o seu tempo na sala da Unidade de Apoio à Multideficiência, uma aluna apresentava inúmeros problemas de fala, escrita e leitura tendo o docente sempre a necessidade de elaborar trabalho individualizado com ela sendo as progressões bastante morosas, e um terceiro aluno saiu do grupo para o estrangeiro.

A nível comportamental, o grupo de participantes revelava alguma instabilidade dentro da sala tendo ainda bem presentes os hábitos do pré-escolar. A sua maior dificuldade era participar ordeiramente respeitando a vez do colega quando este tinha a palavra.

No geral os alunos gostavam da matemática apesar de considerarem esta área bastante complexa. Na verdade, as preferências desta turma centravam-se no Estudo do Meio, devido à parte experimental que despertava enorme curiosidade por parte dos mais novos. Apenas três alunos expressavam gosto pela matemática. Este estudo foi aplicado num primeiro ano de escolaridade, no início do primeiro período letivo.

As dificuldades dos alunos surgiam essencialmente no momento de explicitar o raciocínio, pois não eram capazes de verbalizar o modo como pensaram. Esta é uma caraterística normal visto que estes alunos terminaram o pré-escolar e iniciaram uma nova fase de aprendizagem no 1º Ciclo do Ensino Básico.

Os alunos estavam dependentes do professor para todo o tipo de tarefas, uma vez que ainda estavam a iniciar a aprendizagem da leitura e da escrita. No início deste estudo os alunos apenas conheciam os números naturais até 8, as vogais e a consoante P.

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