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Classement des 10 actions P d’après les indices de plausibilité

Como se pode ver (na figura 4, na página 136), estas máscaras larvárias são, geralmente, brancas e esta ausência de colorido, de sombreamentos intencionais e os seus formatos indeterminados sugerem, de forma minimalista, os primeiros contornos expressivos modelados numa folha em branco. Isto remete ao trabalho anterior, realizado com a máscara neutra. Também a cor branca destas máscaras e o fato de não terem um semblante totalmente definido, não permitindo que se reconheça, categoricamente, uma determinada qualidade ou caráter pessoal, reforça o estado larvário destas cabeças, ou rostos, que sugerem encontrar-se, ainda, em processo de formação, o que permite a cada estudante/ator fazer, quantas vezes ele deseje, a sua própria interpretação pessoal para utilizá-las e explorar, a cada nova utilização, uma diversidade de leituras e metamorfoses corporais. Desta forma, ele se exercita na exploração paulatina daqueles códigos corporais que servem ao jogo específico da máscara e que a tornam viva para oespectador.

FIGURA 4. Máscara larvária, em papel colê, confeccionada por Fernando Linares.

Geralmente o tamanho destas máscaras é maior do que o rosto do ator. Isto amplia a consciência e a autopercepção de estar vestindo uma máscara. Para Lecoq, esta distância entre

o rosto e a máscara facilita “o jogo teatral e a irradiação” (LECOQ, 1997: 62)*, pois se

evidencia a necessidade de sustentar uma carga maior de energia física, assim que se calça a máscara no rosto, promovendo a dilatação adequada do corpo. Ao se vestir uma máscara com proporções bem maiores do que as do rosto do ator, fica mais nítido que esta máscara impõe uma nova estruturação do corpo, pois se devem encontrar os códigos específicos para se expressar. Nas primeiras experiências, sente-se uma sensação de que os gestos são engolidos por ela e que, portanto, é necessário utilizar movimentos amplos ou grandiosos. Esta sensação é, em parte, uma falsa impressão. Não há uma regra fixa, cada máscara estabelece suas

próprias exigências, assim, tanto os movimentos de deslocamento no espaço, como cada ação realizada, deve encontrar os impulsos que motivam cada intenção, ação ou reação, dentro dos princípios da contensão de energia para atingir a precisão de cada movimento. A máscara pode, também, demandar passos largos que promovam grandes deslocamentos no espaço ou gestos amplos. Não há limites, desde que suas ações sejam carregadas de intenções concretas.

As máscaras larvárias podem apresentar saliências, com variados tipos de superfícies, dando a sugestão de um grande chifre, nariz, queixo proeminente, testa larga e lisa ou franzida, bochechas acentuadas, côncavas ou convexas, que permitem uma interpretação livre, de acordo com o olhar e imaginação de cada pessoa (ver figura 5, na página 138). Estas

características podem remeter a “tipos” humanos ou animalescos (ver figura 7, na página

142). Em meu trabalho evito a utilização de máscaras com formas de tipo monstruosas, muito grotescas ou que deem a ideia de doenças mórbidas, pois estas se tornam excessivamente diretivas, desvirtuando o caráter aberto e maleável que caracteriza, tanto este tipo de máscaras como qualquer boa máscara expressiva.

De modo geral, estas máscaras não têm abertura de boca ou mesmo frestas que especifiquem, claramente, um lugar certo para os olhos e, muitas vezes, apresentam apenas alguns furinhos extremamente pequenos. Nestas máscaras, a não existência dos orifícios, que exponham os olhos do ator, representa um desafio para enfrentar os condicionamentos cotidianos que, em geral, concentram a nossa expressão mais no olhar e no rosto, do que no corpo por inteiro. Esta transposição, que inverte o uso consciente da expressividade, consolida a necessidade da construção do que chamamos de um corpo-máscara.

FIGURA 5. Máscara larvária e suas mudanças de atitudes e expressão, confeccionadas em papel colê por Fernando Linares.

Esta restrição, imposta pela máscara, nos estimula a construir uma nova relação de cumplicidade para contracenar com os parceiros e com os espectadores. A aparente barreira para enxergar nos abre as portas para o desenvolvimento de uma escuta muito mais cuidadosa e intuitiva que, num primeiro momento, se compara a um “jogar no escuro”, que instiga o estudante a criar novas dinâmicas corporais para relacionar-se com o espaço cênico. Esta limitação, intencional, incita o ator a tomar todas as suas decisões no primeiro golpe de vista, obrigando-o a desenvolver, num tempo de reação não-psicológica, uma atitude que vai ao encontro da dinâmica insinuada pela máscara. Assim, ao aceitar esta “aparente restrição”, como parte da própria natureza anatômica da máscara, o ator pode fortalecer a contínua

instalação de um estado de “prontidão para fazer boas escolhas” (OIDA, 1999: 33), e perceber

que com uma máscara larvária menos significa mais, pois suas características potencializam a sua capacidade sensorial de percepção e impulsionam o desenvolvimento da intuição para a comunicação num mergulho direto no universo específico da máscara.

Outra característica peculiar de algumas máscaras larvárias, como das que eu utilizo no meu trabalho121, é a versatilidade para se escolher o lado que se deseja explorar (ver a figura 6, na página 140), uma vez que podem ser utilizadas em mais de uma face. Esta possibilidade, que sem dúvida contribui para ampliar a exploração das suas características larvárias, se deve, embora não exclusivamente, a certo grau de abstração das suas formas.

121 As características das máscaras que utilizo no meu trabalho são baseadas nas máscaras larvárias

FIGURA 6. Máscara larvária, em papel colê, confeccionada por Fernando Linares.

Para não classificar de forma restritiva as possibilidades morfológicas das máscaras, prefiro pensar numa ampla “paleta” cuja gama de matizes pode ser inesgotável. Não me parece possível estabelecer uma linha que determina níveis de maior ou menor complexidade de construção do eixo corporal de uma máscara larvária. No entanto, esta paleta pode ser organizada numa escala que vai do mais abstrato ao mais concreto, como se pode ver nas máscaras da figura 7, na página 141.

É importante destacar que, ao contemplar as máscaras larvárias, é significativo não procurar definir ou tentar identificar a familiaridade de uma determinada forma com um determinado tipo, espécie etc., para poder deixar todos os canais abertos para a experimentação mais isenta de imagens concebidas a priori.

FIGURA 7. Máscaras larvárias, em papel colê, organizadas do abstrato ao concreto, confeccionada por Fernando Linares.