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4.6 Conclusion

5.1.5 La classe MainTabbedPanel

Tatiane Muniz Barbosa51

Eixo Temático e Tema: 1- Educação Ambiental na construção das sociedades

sustentáveis e Educação para a Redução de Risco de Desastres e para a Resiliência.

Palavras-Chave: Gestão de Riscos; Desastres; Psicologia Ambiental; Saúde.

Resumo Expandido: No período de 1991 a 2010 foram registrados no Brasil mais de 31

mil desastres, que afetaram mais de 96 milhões de pessoas. Desses eventos, 57,8% foram eventos climatológicos (seca e estiagem) e 32,7% hidrológicos (inundações e alagamentos), com significativos impactos sobre a vida da população; principalmente em três núcleos de municípios vulneráveis aos desastres: AL, PE e CE, Norte de MG e em SC e RS. Esses dados sinalizam que os desastres estão cada vez mais frequentes e/ou mais graves (FREITAS et al., 2014; OPAS, 2014). Destaca-se, pois, a importância da gestão de riscos aos desastres. O processo de gestão de riscos aos desastres se faz contínua e permanentemente nos territórios da vida das pessoas, ou seja, nos espaços de relações e de ações/interações subjetivas, econômicas, sociais, geográficas, políticas e culturais. A gestão de riscos deve ser pensada e planejada por diferentes atores sociais, onde habita a vida, em seus projetos e desejos (SANTOS, 1999). Conforme Narváez, Lavell, Pérez Ortega (2009) esse processo de gestão – prevenção dos riscos, manejo e

recuperação/reconstrução dos desastres – depende de ações intersetoriais e coloca o

setor da saúde numa posição privilegiada de contato com as pessoas, seus ambientes e modos de vida. Assim, o objetivo desse trabalho é refletir como a formação (graduação) nos cursos da saúde, a partir da unidade curricular de Psicologia Ambiental, pode contemplar competências promotoras da gestão de riscos aos desastres, com ações que incluam o desenvolvimento humano, econômico, ambiental e territorial, com vistas a reduzir as vulnerabilidades. A Psicologia Ambiental compreende as inter-relações recíprocas e dinâmicas entre as pessoas e o ambiente nos contextos físicos e sociais (MOSER, 2005; KUHNEN, et al., 2010). Configura-se como lócus para construção de conhecimentos e práticas interdisciplinares que atuam na complexidade dessas relações entre as pessoas e o ambiente. Ao considerar os espaços naturais, urbanos, físicos e simbólicos, a territorialidade e a apropriação aos lugares e às identidades e culturas, a Psicologia Ambiental possibilita que o entendimento sobre os desastres, em suas causas e impactos/consequências, seja revisitado num sentido amplo. Isto é, promove o entendimento global para a atuação local (GONÇALVES, 2007; KUHNEN, et al., 2010). Os desastres são entendidos como eventos de ameaça ou perigo, relacionados com a qualidade dos eventos físicos (geológicos, hidrológicos, meteorológicos, biológicos) e/ou sociais. A ocorrência de um desastre é caracterizada por meio do evento físico e das condições de vulnerabilidade dos territórios (FREITAS, et al., 2012). A redução de riscos aos desastres constitui uma das funções essenciais da Saúde Coletiva, o que exige que

51 Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí. UNIDAVI. E-mail:

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ambiental

os cursos de graduação em saúde contemplem esse aspecto na formação. Assim, a inserção da Psicologia Ambiental nas matrizes curriculares dos cursos da saúde tende a promover a formação de profissionais competentes para a atuação na gestão de riscos aos desastres. Coerente, inclusive, às Diretrizes Curriculares Nacionais que preconizam a formação em saúde com perfil generalista, humanista e crítico. Acredita-se que a Psicologia Ambiental oportuniza o entendimento de que a atenção à saúde requer um olhar específico sobre as particularidades das relações humanas e ambientais. Assim, os profissionais de saúde tendem a assumir a gestão do cuidado integral, que privilegia a conscientização acerca do processo saúde doença, fundamentados num rol de competências como: escuta qualificada, acolhimento, clínica ampliada, trabalho em equipes, apoio social, participação popular, etc. Estudos indicam que usuários/pacientes que recebem acolhimento e tratamento adequados das equipes de saúde, tendem a sofrer menos os impactos negativos de um desastre e se colocam com mais autonomia e resiliência diante dos fenômenos da vida (KUHNEN, et al., 2010). Além disso, ao sofrer com desastres e/ou com os riscos desses, as pessoas elaboram estratégias de sobrevivência, resistência e preservação da vida; sobretudo, quando vivenciam práticas educativas em saúde fundadas na troca de ideias e na participação popular. Desse modo, o cuidado em saúde (individual e coletivo) na lógica dialógica, emancipadora e ética, possibilita que as pessoas se sintam pertencidas e comprometidas à gestão de riscos aos desastres (BRANDÃO, ASSUMPÇÃO, 2009; JERONIMO, SOUZA, 2015). Portanto, a Psicologia Ambiental, enquanto unidade curricular, pode contribuir significativamente para os cursos de graduação da saúde. À medida que o desafio da saúde coletiva em relação à gestão de riscos aos desastres implica ter profissionais que considerem que as necessidades sociais em saúde e os sofrimentos humanos devem ser assumidos de modo resolutivo, legitimando o cuidado integral em saúde e a transformação da vida.

Referências

BRANDÃO, C. R.; ASSUMPÇÃO, R. Cultura rebelde. Escritos sobre a educação

popular ontem e agora. São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2009.

FREITAS, C. M. de et al. Desastres naturais e saúde: uma análise da situação do Brasil.

Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 19, n. 9, p. 3645-3656, set. 2014.

___. Vulnerabilidade socioambiental, redução de riscos de desastres e construção da resiliência: lições do terremoto no Haiti e das chuvas fortes na Região Serrana, Brasil.

Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 6, p. 1577-1586, jun. 2012.

GONÇALVES, T. M. Cidade e poética: um estudo de psicologia ambiental sobre o ambiente urbano. Ijuí, RS: UNIJUÍ, 2007.

JERONIMO, R. N. T; SOUZA, R. V. da C. de. Psicologia ambiental: um estudo acerca da resistência frente à mineração em Içara, SC. Psicol. Soc., Belo Horizonte, v. 27, n. 1, p. 80-86, abr. 2015.

KUHNEN, A. et al. A importância da organização dos ambientes para a saúde humana.

Psicol. Soc., Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 538-547, dez. 2010.

MOSER, G. A Psicologia Ambiental: competência e contornos de uma disciplina. Comentários a partir das contribuições. Psicol. USP, São Paulo, v. 16, n. 1-2, p. 279-294, 2005.

NARVÁEZ, L.; LAVELL, A.; PÉREZ ORTEGA, G. La gestión del riesgo de desastres: un enfoque basado en procesos. San Isidro: Secretaría General de la Comunidad Andina, 2009.

OPAS, Organização Pan-Americana da Saúde. Ministério da Saúde. Desastres Naturais

e Saúde no Brasil. Brasília, DF: OPAS, Ministério da Saúde, 2014.

SANTOS, M. A. Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. 3º ed. São Paulo: Hucitec, 1999.

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