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Tendo em conta os objetivos deste estudo, considerámos pertinente recorrer à técnica da entrevista, que é utilizada «para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo» (Bogdan & Biklen, 1994, p. 134). Procurámos, portanto, com esta entrevista, aceder às representações da professora cooperante sobre o projeto de educação global que desenvolvemos e sobre as possibilidades de inserção curricular da temática. De forma a enquadrar esta entrevista, começamos por expor a caracterização pessoal e profissional da professora, bem como a caracterização que a mesma faz da turma com a qual desenvolvemos o projeto.

4.3.1 Caracterização pessoal, profissional e da turma

As respostas da professora ao guião da entrevista que lhe enviámos começaram por uma breve apresentação do seu percurso profissional, indicando que esta foi uma decisão fácil:

«…decidi muito cedo, penso que já em criança sonhava a vir um dia a ser professora. Por volta dos 15 decidi que queria ser professora de línguas, nunca mais questionei e estou aqui. Optei por estudar Línguas e Literaturas Modernas, variante inglês/ alemão na FLUP. Sou professora há 24 anos. Ainda me encanta... e já estou com 47 anos.»

Referiu que é professora nesta escola há 12 anos, onde teve uma interrupção durante 4 anos, e acompanha a turma do projeto desde o 10.º ano, ou seja, está com estes alunos há dois anos. Caracteriza a turma como «simpática, curiosa, heterogénea com diferentes ritmos de aprendizagem e com diferentes objetivos em termos de prosseguimento de estudos».

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4.3.2 Representações sobre o projeto de intervenção

Sobre o projeto de educação global que iria implementar na turma, as suas expetativas e a sua reação inicial eram positivas, considerando que o projeto seria interessante, pois «iria colocar os alunos a pensar no assunto, e essa ideia agradou-me de imediato. Esperava que a turma colaborasse, que amadurecesse, tinha a certeza que iriam aderir».

Neste sentido, após a questão sobre como considerou que decorreu o projeto e se tinha gostado dos temas dos módulos apresentados (Investigate the world, Recognize

perspectives, Communicate ideas, Take action), a professora respondeu que, com o

universo feminino, correu melhor, foi mais fácil para elas porque elas aprofundam mais os assuntos. Por seu lado, «com o grupo dos rapazes foi mais superficial, mas a semente ficou lá. Sou otimista. O fio condutor estava bem delineado. Os assuntos tocavam as vidas dos alunos e estavam dentro do programa a estudar».

Das atividades realizadas, referiu que preferiu a atividade da criação dos folhetos, porque gostou

«da ideia de dinamizar uma atividade que mexesse com a escola e com a comunidade mais desfavorável. No entanto, alguns trabalhos de grupo não se revelaram tão eficazes, poderiam ter mais apoio e espartilho temporal para ajudar os alunos mais dispersos».

No seu entender e como sugestão, a professora considera que se devesse implementar o projeto durante mais tempo, para dar aos alunos mais poder de análise e algum distanciamento para poderem refletir sobre os assuntos abordados.

Quanto às aprendizagens realizadas pelos alunos com a intervenção didática, considera que o mais importante foi que os alunos refletiram acerca da diferença entre o “ser” e o “ter”. Neste sentido, «compreenderam que vivem com privilégios quando comparados com outros mundos. Fizeram auto crítica e apreenderam informação útil para serem cidadãos mais responsáveis».

Em jeito de síntese, a professora caracteriza o projeto com os seguintes adjetivos: «simples, interessante e adequado».

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4.3.3 Representações sobre a educação global

Relativamente à definição dos conceitos de educação global e de competência global, a professora admite que é difícil encontrar uma definição, mas, após a reflexão conjunta com os alunos, diria que,

«a educação e a competência global é termos em primeiro lugar a informação, estarmos mais conscientes do nosso entorno, do mundo em geral e estarmos preparados para conhecer, aceitar e integrar as diferenças culturais no nosso dia a dia».

Neste sentido, quando questionada sobre a importância de promover atividades de desenvolvimento da competência global com alunos do ensino secundário e na aula de língua inglesa, considerando-a como um espaço adequado para a promoção de uma educação global, a sua resposta foi contundente:

«Claro que sim, estes três anos do ensino secundário são decisivos para os alunos, normalmente são anos muito focados na escolha profissional e este tipo de atividades ajudam os alunos a desenvolver outras competências igualmente importantes no mundo dos jovens e do seu futuro. (…) Sendo o inglês uma língua de comunicação internacional, esta poderá ser um fator de unidade e facilitador da comunicação a todos os níveis».

De igual modo, explicou que este projeto a motivou para, na sua prática letiva, implementar projetos semelhantes e contribuir para a formação de uma geração mais feliz e informada, «pelas razões apresentadas e porque acredito mesmo que este tipo de projeto é um fator determinante na formação da personalidade dos nossos alunos».

Em jeito de síntese, após a leitura e análise da entrevista, concluímos que estas quatro sessões de intervenção didática, sustentadas numa perspetiva de educação global, contribuíram para lançar a semente nos alunos do que significa ser globalmente competente. No entanto, é preciso muito mais para o desenvolvimento de uma educação que abre os olhos e as mentes das pessoas para as realidades do mundo globalizado e as desperta para construir um mundo de maior justiça, equidade e direitos humanos para todos. Com efeito, são necessários projetos mais alargados e sistemáticos, que permitam que os alunos reflitam sobre os assuntos e, de forma gradual, desenvolvam conhecimentos, capacidades e atitudes mais sólidos e sustentados.

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Como refere a professora cooperante, as aulas de língua inglesa parecem ser um espaço ideal para uma educação global, pois visam contribuir para a formação de indivíduos capazes de interagir com o mundo, desenvolvendo competências úteis que vão muito para além de uma competência comunicativa próxima da nativa. Neste sentido, e visando responder mais capazmente ao nosso segundo objetivo de investigação, considerámos pertinente analisar o programa de língua inglesa do ensino secundário.