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Application au cas des services automobiles

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3. R ESULTATS DES RECHERCHES (1) : GERER LES PROJETS D ’ INNOVATION

4.3. Application au cas des services automobiles

Com relação à questão de autoria, Foucault (2006, p. 265), em uma conferência em 1969, destaca que “o autor é aquele a quem se pode atribuir o que foi dito ou escrito”, e junto a essa definição ainda há que se considerar a questão da autoria, pois “o autor não é exatamente nem o proprietário nem o responsável por seus textos, não é nem o produtor e nem o inventor deles”.

O tradutor como autor de dado texto imprime novas visões e amplia conhecimentos de novas culturas. Ele é o responsável pela influência do texto na cultura de chegada. Foucault (2006, p. 135) descreve que “o autor de um romance pode ser responsável por mais do que seu próprio texto; se ele adquire “importância” no mundo literário, a sua influência pode ter ramificações significativas”51.

Assim, pode-se dizer que autor é o responsável pelo que é dito; no entanto, não necessariamente responsável pelo seu próprio texto, uma vez que esse passa por revisões e alterações até a sua publicação. Dessa maneira, o tradutor também seria responsável pelo texto que produziu, uma vez que foi ele quem deu nova voz ao autor em outra cultura e ele também seria responsável pelo texto traduzido e pelo impacto que essa tradução terá na cultura de chegada.

Nas palavras de Alípio de Sousa Filho, ideologia é “sinônimo de opinião, ideias, convicções” (2003, p. 71. Assim, pode-se admitir ideologia como uma visão de mundo, de culturas e vivências. Teun Van Dijk (2000, p. 4) analisa a ideologia de forma sociocultural e considera que a definição cognitiva de ideologia é “dada em termos de cognições sociais que são divididas por membros de um grupo”52. Dessa forma,

considera-se ideologia como forma social, histórica e linguística de um grupo de pessoas ou de um povo.

Com relação à responsabilidade do tradutor no que diz respeito ao texto traduzido, Álvarez e Vidal (1996, p. 5) 53 ressaltam que

se soubermos que traduzir não é somente passar de um texto para outro, transferindo palavras de uma fonte para outra, mas que é transportar uma cultura inteira para outra com tudo o que isso implica, nós podemos entender o quão importante é ser consciente da ideologia que embasa uma tradução.

51“The author of a novel may be responsible for more than his own text; if he acquires some ‘importance’

in the literary world, his influence can have significant ramifications.”

52 “The cognitive definition of ideology is given in terms of the social cognitions that are shared by

members of a group.”

53“If we are aware that translating is not merely passing from one text to another, transferring words from

one container to another, but rather transporting one entire culture to another with all that this entails, we realize just how important it is to be conscious of the ideology that underlies a translation.”

Venuti (2004, p. 7)54, salienta que “é esperado que a tradução enfrente o seu

status secundário com um discurso transparente e que produza a ilusão de autoria através do qual o texto traduzido pode ser tido como original”.

O autor de um dado texto imprime a sua voz na obra. Ao adicionar informações ao texto traduzido que formam um conjunto de vozes que se misturam dentro de um texto criando a polifonia. Quem fala em um texto não é necessariamente apenas o autor. O narrador, o tradutor e outros personagens podem ser ativos em uma narrativa. Em oposição a essa ideia, há os textos homofônicos, em que há uma só voz. Um texto pode ter diversas vozes que falam ao mesmo tempo, mas também o texto pode ter apenas uma voz. Essas vozes são aquelas que constroem o discurso e que se vinculam a questão da autoria.

A polifonia presente na compilação Queen Victoria foi notada devido à problemática levantada de (co)autoria entre tradutor, autor e compilador. A polifonia se caracteriza como um conjunto de vozes que dialogam sobre o mesmo tópico, sendo que, no caso desta dissertação, a polifonia seria mostrada na visibilidade da tradutora no texto traduzido. Assim, o tradutor configura-se como coautor de um texto que se revela em múltiplas vozes. Bajín/Bakhtin (2003, p. 38)55, durante seus estudos de Dostoiévski, notou que

a essência da polifonia consiste precisamente que suas vozes permaneçam independentes e, como tais, se combinem em uma unidade de ordem superior em comparação com a homofonia. Caso queira falar de uma vontade individual, a polifonia precisamente tem a combinação de várias vontades individuais, existe uma saída fundamental fora das fronteiras.

A partir do entendimento de Bajín/Bakhtin, sobre polifonia, pode-se salientar que os textos polifônicos carregam visões de mundo diversas, e pontos de vista diferentes já que “cada personagem fala com a sua própria voz, expressando seu pensamento particular, de tal modo que existindo n personagens, existirão n posturas ideológicas.” (LOPES, 1994, p. 74). Da mesma forma, Barros e Fiorin (1999, p. 5) acreditam que os falantes de um texto não precisam ser os mesmos e que existem os

54 “Translation is required to efface its second-order status with transparent discourse, producing the

illusion of authorial presence whereby the translated text can be taken as the original.”

55 “La esencia de la polifonía consiste precisamente em que sus voces permanezcan independientes y

como tales se combinen en una unidade de un orden superior en comparación con la homofonia. Si se quiere hablar de la voluntad individual, em la polifonia tiene lugar precisamente la combinacóin de varias voluntades individuales, se efectúa uma salida fundamental fuera de las fronteras de esta.”

falantes empíricos, os locutores e enunciadores que “olham” de posições sociais e ideológicas diferentes.

O contraste entre polifonia e homofonia é discernido por Barros (1999, p. 6) ao defender que textos polifônicos são dialógicos “porque resultam do embate de muitas vozes sociais; podem, no entanto, produzir efeitos de polifonia, quando essas vozes ou algumas delas deixam-se escutar, ou de homofonia, quando o diálogo é mascarado, e uma voz, apenas, faz-se ouvir”. Dessa forma, pode-se concluir que na polifonia as vozes que dialogam deixam seus respectivos autores visíveis, ao passo que na homofonia existem outras vozes, mas os autores das vozes não ficam em evidência.

Assim, um texto que contém muitas vozes pode ser considerado homofônico uma vez que projetam a voz do autor e imprimem a sua ideologia. Nos textos homofônicos, as vozes se escondem sob uma mesma ideologia, sob uma mesma voz, ao passo que os textos polifônicos, como defende Passos (1994, p. 6), deixam que as diferentes vozes se mostrem.

De acordo com Edward Lopes (1994, p. 74), o tradutor é como um veículo de visões de mundo do próprio autor da obra e, o texto traduzido que é produzido, segue valores condizentes a uma cultura e a um público localizados em tempo e espaço que servirão como modificadores para aquele texto. A tradução, nesse caso, é uma aproximação de ideias, de textos e de valores, o que pode levar o tradutor a ser chamado de autor uma vez que ele dá origem a um novo texto inserido dentro de um novo meio de recepção.

A tradução, como texto manipulado, retrata o texto original. Assim, a representação do texto original é um novo texto recriado, cuja autoria do que foi dito e escrito é atribuída a alguém, sendo esse alguém o autor e/ou tradutor do texto.

De um lado, o tradutor, se considerado como modificador e criador do texto, produz uma obra traduzida que traz dúvidas em relação à veracidade de seu conteúdo. O tradutor é, portanto, nas palavras de Hermans (1993, p. 38)56 ,“possuidor de competência especial para fornecer informação de um signo para o outro.” Assim sendo, pode ser considerada inevitável a alteração do texto de partida e, o tradutor, como leitor e escritor de um novo texto, pode ser considerado autor. Conforme salienta Foucault (2006, p. 265), o autor “é aquele a quem se pode atribuir o que foi dito ou escrito”. Oswald Ducrot (1987, p. 182), por sua vez, salienta que “há de fato casos em que, de

56“The translator, as socially recognized expert, is acknowledged as possessing the special competence to

uma maneira quase evidente, o autor real tem pouca relação com o locutor, ou seja, com o ser, apresentado, no enunciado, como aquele a quem se deve atribuir à responsabilidade da ocorrência do enunciado.” O autor de um texto não necessariamente tem relação com aquele a quem se atribui o compromisso pela fala. Essa concepção pode ser exemplificada na tradução.

A obra é traduzida fazendo com que a voz do tradutor seja feita a voz do autor. Quem fala transporta as ideias e se faz a voz do texto. Assim, o cuidado da fala é do autor, de quem partiu a obra. O encargo do tradutor ou de outro falante da obra original pode também ser atribuído à responsabilidade do que se fala, uma vez que a voz do tradutor é feita voz do autor e a nova obra produzida ao final da tradução é de dever de quem a traduziu incluindo os agentes profissionais participantes (editor e revisor). Nota- se, portanto, que o tradutor é autor de novo texto e está comprometido pelo que é dito tanto quanto o autor está responsável pela obra de partida que elaborou.

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