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Adsorption et incorporation d’un atome d’Al dans la surface Ni(111)

STABILITE DE LA NANOTHERMITE : VERS UNE MAITRISE DES COUCHES

1. Développement d’outils pour la maîtrise des

1.1. Méthode de calculs

1.2.2. Adsorption et incorporation d’un atome d’Al dans la surface Ni(111)

Helena Solberg passa por três fases essenciais no processo de realização em documentário, em todas frisando a importância do realizador estar aberto para as novidades que surgem durante o processo da criação. A fase inicial se refere à definição do tema a ser tratado:

É quando você decide que você quer fazer ou que você tem uma idéia inicial de um filme. A partir daí a busca desse material (pesquisa inicial de informações sobre o tema) começa a revelar outras coisas que você não esperava. Isso é que é uma coisa bastante interessante, completamente diferente da ficção. É a própria vida, a própria investigação vai mudando você. E mudando a idéia que você tinha inicialmente. Você começa a duvidar um pouco de si mesmo e a dizer: “espera aí, tem umas coisas aqui que eu não esperava.” Esse é um processo maravilhoso, um processo muito rico.

A segunda fase é o processo de filmagem/captação propriamente dito, que também para a cineasta acontece de forma aberta, de maneira bem diferente da ficção. Como a matéria-prima do documentário é o real que é fluído e mutável, o registro desse real também deve se adaptar às suas oscilações. Não pode ser aprisionado num roteiro fechado. E como terceira fase, Helena Solberg aponta o processo de montagem:

É onde você busca a estrutura de seu documentário. Mesmo que você tenha aquela estrutura amarrada um pouco na sua cabeça - que você deve ter inicialmente, você precisa saber por onde você está indo, eu acho que o processo de edição é fundamental no documentário.

Se pensar-se que a edição/montagem de Bananas Is My Business durou cerca de um ano, resultando numa articulação sofisticada de todos os elementos apontados no capítulo anterior, pode-se não só entender como também concordar com esse ponto de vista.

Helena Solberg comenta, inclusive, que na ficção é diferente. A etapa mais aberta e mutável está na elaboração do roteiro, que depois de vários tratamentos atinge uma forma final que será levada para o set de filmagem e para a montagem, sendo que a montagem na ficção vai sofrer poucas variações em relação ao roteiro original, se comparada com o documentário.

Ao terminarem as reflexões sobre o trabalho de Helena Solberg, ressalta-se uma questão levantada pela cineasta na entrevista a Julianne Burton, em 1983, quando citou a crença de que os cineastas simplesmente refazem o mesmo filme ao longo de suas

vidas, que apenas mudam para diferentes aspectos dos mesmos temas.

Se a questão da mulher esteve presente em seus primeiros filmes - A Entrevista (1966), A Nova Mulher (1975), A Jornada Dupla (1975) e Simplesmente Jenny (1978) - esta questão se deu imbricada com a conjuntura política. Como dito no início das reflexões

sobre o trabalho da diretora, era a questão do indivíduo inserido num contexto mais amplo – social e político.

Depois, Helena Solberg iniciou as investigações sobre as relações da América Latina X Estados Unidos, resultando numa safra riquíssima de 10 documentários em sua fase americana.

A partir do presente estudo, identifica-se uma terceira fase, que coincide com seu retorno ao Brasil, onde a questão cultural ganha o primeiro plano, como no documentário sobre Carmen Miranda, na ficção Vida de Menina (2004) e no projeto atual (em fase de pré-produção neste segundo semestre de 2006 com o nome provisório de A

Visita e que pretende investigar as relações entre a literatura e a música popular brasileira). Mas a cineasta não deixa de lado o contexto social e político. Ao colocar a questão cultural em primeiro plano, o faz em relação à conjuntura econômica, política, etc. que se articula a esta questão.

Se considerar-se que em duas décadas – de 1975 a 1995 – predominou a questão das relações entre Estados Unidos e América Latina, incluindo o Bananas - concorda-se com essa idéia de um único filme que se mantém ao longo da vida dos cineastas.

Em relação à estética, essa idéia também se aplica, como se percebe nesta observação de Helena Solberg depois dela ter visto seguidamente seus filmes:

De repente, eu me dei conta que havia, sem eu ter jamais percebido, uma volta e uma insistência em certas imagens, em certos ângulos de câmera, em certas obsessões que escapavam. Filmes de assuntos diferentes, de repente, voltavam algumas coisas, eu pensei: Deus! Espero que ninguém tenha percebido. Eu mesma me dei conta disso porque eu estava assistindo um atrás do outro. Eu comecei a perceber umas insistências em algumas coisas, algumas obsessões com luz, com uma maneira de iluminar. Coisas que são suas, de cada um, muito especiais.

Esse estilo da cineasta, que está em plena maturidade profissional, resultará, ainda, inúmeros filmes de qualidade, tanto ficcionais quanto documentários. A parceria com seu marido, o produtor e cineasta norte-americano David Meyer, a retomada do cinema nacional com inúmeros mecanismos de incentivo, os contatos internacionais do casal, a liberdade política com que hoje os cineastas brasileiros podem trabalhar e a mudança para o Brasil certamente implicarão mais uma riquíssima safra em seu trabalho.

4 EDUARDO COUTINHO

Eu não faço para mudar o mundo, eu não faço porque sou assistente social, eu não faço porque eu quero sofrer, eu faço porque eu tenho prazer de fazer e, na verdade, nessa altura da vida, quando eu não estou fazendo documentário, nada mais me interessa.

Eduardo Coutinho

FIGURA 2 - Eduardo Coutinho em entrevista à Mariana Tavares, no escritório do cineasta no Cecip4, centro do Rio de Janeiro, em 10.06.05.

4 O Cecip é uma organização não governamental (ONG) produtora de filmes e vídeos educativos e culturais