3.3 E NVIRONNEMENT NATUREL
3.3.2 État initial - Ecotonia
No segmento da vinicultura a cooperativa recebe em torno de oito milhões e meio de quilos de uva por ano de seus associados, que são destinados a elaboração de vinhos finos, espumantes, vinhos de mesa e sucos. Atualmente o setor vinícola da cooperativa trabalha com três linhas de produtos: Primo Fior, Dom Simão e Origini.
No Quadro 13 estão apresentados os custos e despesas fixas do segmento de vinicultura. Dados detalhados dos custos e despesas fixas estão elencados no APÊNDICE B.
Quadro 13 - Custos e despesas fixas do segmento vinicultura, em reais
Descrição 2016 2017 2018
Custos fixos R$ 1.375.059,80 R$ 1.752.152,99 R$ 1.901.341,53
Despesas fixas R$ 2.586.571,67 R$ 3.687.714,80 R$ 2.847.574,65
Total R$ 3.961.631,47 R$ 5.439.867,79 R$ 4.748.916,18
Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
No Quadro 13 estão expostos os custos e despesas fixas do segmento de vinicultura que correspondem aos valores totais ocorridos na cooperativa nos anos de 2016, 2017 e 2018. Observou-se que o ano que apresenta maior valor de custos e despesas fixas foi 2017, totalizando R$ 5.439.867,79, sendo R$ 1.752.152,99 de custos fixos e R$ 3.687.714,80de despesas fixas.
Conforme Apêndice “B” o custo com “Ordenados” nesse segmento também foi considerado o mais representativo perante os demais custos fixos analisados no período, R$ 396.412,43 em 2016, R$ 485.778,62 em 2017 e R$ 542.749,41 em 2018, considerados valores expressivos voltados ao departamento pessoal, diante da diversidade de custos fixos que a cooperativa possui anualmente.
A conta de despesa “Juros” foi a mais representativa das despesas fixas apresentadas, com R$ R$ 1.933.911,42 em 2016, R$ 2.884.595,00 em 2017 e R$ 2.110.209,07 em 2018, conforme Apêndice “B”.
No Quadro 14 pode-se analisar a distribuição dos custos e despesas variáveis do segmento de vinicultura.
Quadro 14 - Custos e despesas variáveis do segmento vinicultura, em reais
Descrição 2016 2017 2018
Custos variáveis R$ 12.297.507,77 R$ 8.295.876,42 R$ 10.589.366,82
Horas extras - R$ 509,58 R$ 13.349,43 Despesa com laboratórios R$ 1.393,93 R$ 3.536,95 R$ 3.921,72 Energia elétrica R$ 77.839,63 R$ 112.451,47 R$ 94.332,65 Matéria prima R$ 8.226.367,36 R$ 6.148.377,50 R$ 6.980.205,16 Custeio do vinho vendido R$ 3.991.906,85 R$ 2.031.000,92 R$ 3.497.557,86
Despesas variáveis R$ 486.692,61 R$ 520.680,86 R$ 458.447,18
Despesas de viagem R$ 33.944,47 R$ 37.919,45 R$ 37.970,81 Fretes R$ 289.549,50 R$ 251.594,35 R$ 199.737,82 Comissões e bonificações R$ 163.003,64 R$ 228.152,66 R$ 217.769,95 Embalagens R$ 195,00 R$ 3.014,40 R$ 2.906,70 Despesas com entregas - - R$ 61,90
Total R$ 12.784.200,38 R$ 8.816.557,28 R$ 11.047.814,00
Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
Percebeu-se que o ano que representou maior valor de custos variáveis foi 2016 com R$ 12.297.507,77, e o que demonstrou maior valor de despesas variáveis foi 2017 com R$ 520.680,86.
A conta de custo “Matéria prima” compõe a uva que a cooperativa adquire dos associados, sendo a mais representativa diante das demais contas apresentadas, isto é, R$ 8.226.367,36 em 2016, R$ 6.148.377,50 em 2017 e R$ 6.980.205,16 em 2018.
Observou-se que a despesa com “Fretes” foi a mais representativa nos anos de 2016 e 2017 perante as demais despesas variáveis, com R$ 289.549,50 em 2016
e R$ 251.594,35 em 2017. Já no ano de 2018 a mais representativa foi “Comissões e Bonificações” com R$ 217.769,95.
4.3.1 Determinação da margem de contribuição
No Quadro 15 apresentam-se o preço de venda (receita bruta de vendas), os custos variáveis, as despesas variáveis, resultando na margem de contribuição total do segmento de vinicultura. Foi utilizado o valor da receita bruta de vendas total do segmento de vinicultura em substituição ao valor do preço de venda unitário para encontrar todos os índices que fazem parte da análise custo-volume-lucro.
Quadro 15 - Margem de contribuição total
Vinicultura 2016 2017 2018
Descrição Valor (R$) Valor (R$) Valor (R$) Preço de venda (receita bruta de
vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (-) Custos variáveis R$ 12.297.507,77 R$ 8.295.876,42 R$ 10.589.366,82 (+) Despesas variáveis R$ 486.692,61 R$ 520.680,86 R$ 458.447,18 (=) Margem de contribuição total R$ 5.888.295,34 R$ 5.691.813,87 R$ 5.037.037,73 Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
O ano do segmento de vinicultura que apresentou melhor desempenho foi 2016 com R$ 5.888.295,34, isso devido as vendas serem maiores nesse ano em comparação com os outros anos.
4.3.2 Determinação dos pontos de equilíbrio
Os valores totais do ponto de equilíbrio contábil do segmento vinicultura estão apresentados no Quadro 16.
Quadro 16 - Ponto de equilíbrio contábil
Vinicultura 2016 2017 2018
Descrição Valor (R$) Valor (R$) Valor (R$) Custos e despesas fixas R$ 3.961.631,47 R$ 5.439.867,79 R$ 4.748.916,18 (/) Preço de venda (receita bruta de
vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (-) Custos e despesas variáveis R$ 12.784.200,38 R$ 8.816.557,28 R$ 11.047.814,00 (=) Índice ponto de equilíbrio
contábil 0,67 0,96 0,94
(*) Preço de venda (receita bruta de
vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (=) Ponto de equilíbrio contábil R$ 12.562.811,88 R$ 13.866.163,35 R$ 15.164.788,66 Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
No cálculo do ponto de equilíbrio contábil, foi dividido o valor dos custos e despesas fixas pela diferença do preço de venda (receita bruta de vendas) e o valor dos custos e despesas variáveis, chegou-se no índice de ponto de equilíbrio contábil, e após multiplicou-se pela receita bruta de vendas para obter o valor total do ponto de equilíbrio contábil. Observou-se que o ano de 2018 apresentou o maior valor de R$ 15.164.788,66.
Para o cálculo do ponto de equilíbrio econômico considerou-se o valor total dos custos e despesas fixas mais o valor do custo de oportunidade, este calculado a partir da taxa Selic, em 2016 foi de 13,75%, em 2017 foi de 7,00% e em 2018 de 6,50%, conforme dados do Banco Central do Brasil (BCB, 2019), sobre o total dos custos e despesas fixas, dividindo-se pela diferença do preço de venda (receita bruta de vendas) e custos e despesas variáveis para chegar ao índice de ponto de equilíbrio econômico, multiplicando-se pela receita bruta de vendas para obter o valor total de ponto de equilíbrio econômico, demonstrado no Quadro 17.
Quadro 17 - Ponto de equilíbrio econômico
Vinicultura 2016 2017 2018
Descrição Valor (R$) Valor (R$) Valor (R$) Custos e despesas fixas R$ 3.961.631,47 R$ 5.439.867,79 R$ 4.748.916,18 (+) Custo de oportunidade R$ 544.724,33 R$ 380.790,75 R$ 308.679,55 (/) Preço de venda (receita bruta
de vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (-) Custos e despesas variáveis R$ 12.784.200,38 R$ 8.816.557,28 R$ 11.047.814,00 (=) Índice ponto de equilíbrio
econômico 0,77 1,02 1,00
(*) Preço de venda (receita bruta
de vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (=) Ponto de equilíbrio econômico R$ 14.290.198,52 R$ 14.836.794,79 R$ 16.150.499,92 Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
Notou-se a partir dos cálculos que o ano de 2018 apresentou o maior valor de ponto de equilíbrio econômico de R$ 16.150.499,92.
No cálculo do ponto de equilíbrio financeiro excluiu-se dos custos e despesas fixas o valor da depreciação, pois o mesmo não tem movimentação de dinheiro no caixa, dividiu-se pela diferença do preço de venda (receita bruta de vendas) e custos e despesas variáveis, e assim chegou-se no índice de ponto de equilíbrio financeiro, multiplicando-se pela receita bruta de vendas para obter o valor total do ponto de equilíbrio financeiro, demonstrado no Quadro 18.
Quadro 18 - Ponto de equilíbrio financeiro
Vinicultura 2016 2017 2018
Descrição Valor (R$) Valor (R$) Valor (R$) Custos e despesas fixas R$ 3.961.631,47 R$ 5.439.867,79 R$ 4.748.916,18 (-) Depreciação R$ 245.145,35 R$ 379.384,77 R$ 443.910,86 (/) Preço de venda (receita bruta
de vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (-) Custos e despesas variáveis R$ 12.784.200,38 R$ 8.816.557,28 R$ 11.047.814,00 (=) Índice ponto de equilíbrio
financeiro 0,63 0,89 0,85
(*) Preço de venda (receita bruta
de vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (=) Ponto de equilíbrio financeiro R$ 11.785.426,37 R$ 12.899.115,74 R$ 13.747.241,13 Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
Notou-se a partir dos cálculos que o ano de 2018 apresentou o maior valor de ponto de equilíbrio financeiro de R$ 13.747.241,13, ou seja, quando a receita
total auferida com a venda dos produtos for suficiente para cobrir o total dos custos e das despesas totais diminuído do total dos custos e despesas não financeiras.
4.3.3 Determinação da margem de segurança
No Quadro 19 do segmento de vinicultura está demonstrada a margem de segurança e a utilização do valor do ponto de equilíbrio se deu pelo cálculo do contábil. Foi utilizado o volume de vendas total (receita bruta de vendas) em substituição ao volume de unidades vendidas para cálculo da margem de segurança.
Quadro 19 - Margem de segurança
Vinicultura 2016 2017 2018
Descrição Valor (R$) Valor (R$) Valor (R$) Volume de vendas (receita bruta
de vendas) R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73 (-) Valor ponto de equilíbrio
contábil R$ 12.562.811,88 R$ 13.866.163,35 R$ 15.164.788,66 (=) Margem de segurança R$ 6.109.683,84 R$ 642.207,80 R$ 920.063,07 Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
Conforme os resultados do Quadro 19 observou-se que o ano de 2016 apresentou o maior valor de margem de segurança com R$ 6.109.683,84, ou seja, quanto maior for a margem de segurança, maior a capacidade de geração de lucro e também, maior a segurança de que a cooperativa não incorrerá em prejuízos.
4.3.4 Determinação do grau de alavancagem operacional
No Quadro 20 demonstrou-se o grau de alavancagem operacional total da cooperativa do segmento de vinicultura. Utilizou-se o valor da margem de contribuição total e dividiu-se pelas perdas e resultado operacional para chegar ao grau de alavancagem operacional.
Quadro 20 - Grau de alavancagem operacional
Vinicultura 2016 2017 2018
Descrição Valor (R$) Valor (R$) Valor (R$) Margem de contribuição total R$ 5.888.295,34 R$ 5.691.813,87 R$ 5.037.037,73 (/) Sobras e perdas resultado
operacional R$ 775.726,28 R$ 551.760,29 -R$ 2.722.475,03 (=) Grau de alavancagem
operacional 7,59 10,32 -1,85
Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
Notou-se a partir dos cálculos que o ano de 2017 apresentou o maior valor de grau de alavancagem operacional com R$ 10,32. A alavancagem operacional mede a proporção dos custos fixos em relação aos custos variáveis, por isso, qualquer tipo de alteração no volume de vendas irá refletir no lucro.
4.3.5 Determinação da demonstração de sobras ou perdas
O Quadro 21 apresenta as receitas, bem como as despesas e os respectivos resultados do segmento de vinicultura.
Quadro 21 - Demonstração de sobras ou perdas vinicultura Demonstração de Sobras ou Perdas Vinicultura
Ato Cooperativo (Ingressos/Dispêndios) (Sobras/Perdas)
2016 2017 2018
Ingressos e Receita Bruta de
Vendas e Serviços R$ 18.672.495,72 R$ 14.508.371,15 R$ 16.084.851,73
Venda de Produtos R$ 18.629.974,62 R$ 14.471.099,81 R$ 15.983.690,64
Prestação de Serviços R$ 42.521,10 R$ 37.271,34 R$ 101.161,09
(-) Dedução dos Ingressos e Receita
Bruta R$ 3.023.182,96 R$ 2.567.570,51 R$ 2.367.416,25 Devoluções de vendas R$ 25.539,14 R$ 370.189,05 R$ 33.002,49 Abatimentos R$ 4.730,85 R$ 9.053,54 R$ 11.422,89 ICMS s/ Vendas R$ 2.603.554,64 R$ 2.018.908,15 R$ 2.187.863,76 IPI s/ Vendas R$ 236.942,69 R$ 165.429,85 R$ 135.127,11 PIS s/ Vendas R$ 27.187,67 R$ 711,71 - COFINS s/ Vendas R$ 125.227,97 R$ 3.278,21 -
(=) Ingressos e Receita Líquida de
Vendas e Serviços R$ 15.649.312,76 R$ 11.940.800,64 R$ 13.717.435,48
(-) Dispêndios e Custo dos Produtos
Vendidos R$ 11.122.326,90 R$ 6.628.758,56 R$ 12.490.708,35
(=) Sobra e Lucro Bruto R$ 4.526.985,86 R$ 5.312.042,08 R$ 1.226.727,13
(-) Dispêndios e Despesas Operacionais R$ 1.706.361,09 R$ 1.750.214,02 R$ 1.740.311,83 • De Vendas R$ 513.014,53 R$ 520.083,41 R$ 427.841,37 • Técnicas R$ 476.721,18 R$ 614.341,21 R$ 603.190,82 • Tributárias R$ 19.820,52 R$ 25.875,97 R$ 15.274,53 • Administrativas R$ 696.804,86 R$ 589.913,43 R$ 694.005,11 • Resultado Financeiro Líquido R$ 2.048.817,30 R$ 3.031.406,64 R$ 2.221.690,33 Ingressos/Receitas Financeiras R$ 14.890,75 R$ 16.688,43 R$ 38.024,78 Juros Recebidos R$ 14.890,75 R$ 16.688,43 R$ 38.024,78 Dispêndios/Despesas Financeiras R$ 2.063.708,05 R$ 3.048.095,07 R$ 2.259.715,11 Despesas Bancárias R$ 129.796,63 R$ 163.500,07 R$ 149.506,04 Juros R$ 1.933.911,42 R$ 2.884.595,00 R$ 2.110.209,07 • Outras Receitas Operacionais R$ 3.918,81 R$ 21.338,87 R$ 12.800,00 (=) Sobras/Perdas Resultado do
Exercício R$ 775.726,28 R$ 551.760,29 -R$ 2.722.475,03
(-) Destinações Legais e Estatutárias R$ 465.435,77 R$ 331.056,17 - Fundo de Reserva (55%) R$ 426.649,45 R$ 303.468,16 - FATES (5%) R$ 38.786,31 R$ 27.588,01 - (=) Sobras/Perdas à Disposição da
Assembleia Geral R$ 310.290,51 R$ 220.704,12 -R$ 2.722.475,03
Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados coletados na cooperativa (2019).
As sobras líquidas apuradas no exercício são rateadas entre os cooperados, em partes diretamente proporcionais aos serviços usufruídos da cooperativa no período, salvo deliberação diversa da assembleia geral.
Observou-se a partir dos resultados apresentados no Quadro 21 do segmento de vinicultura que o ano que obteve maior valor de receita bruta de vendas e serviços (ingressos) foi o ano de 2016 com R$ 18.672.495,72, e o ano de 2017 apresentou o maior valor de despesas operacionais (dispêndios) com R$ 1.750.214,02. Ao analisar o resultado líquido do ano de 2016 e 2017 notou-se que ambos apresentaram sobras, em 2016 de R$ 310.290,51 e em 2017 de R$ 220.704,12, e o ano de 2018 apresentou perdas de -R$ 2.722.475,03.
4.4 ANÁLISE COMPARATIVA DOS RESULTADOS DO SEGMENTO DE FRUTICULTURA E VINICULTURA
Diante dos resultados obtidos na demonstração de sobras ou perdas, observou-se que o segmento de fruticultura apresentou perdas em todo o período determinado para estudo, e o segmento de vinicultura apresentou sobras no ano de 2016 e 2017, e no ano de 2018 também resultou em perdas. A Figura 2 mostra o resultado comparativo dos dois segmentos estudados de forma detalhada.
Figura 2 - Resultado comparativo dos segmentos de fruticultura e vinicultura
Observou-se na Figura 2 que os resultados do segmento de fruticultura, em 2016 foi de -R$ 718.722,57, em 2017 de -R$ 742.260,02 e em 2018 de -R$ 200.291,76. Isso devido os valores dos ingressos/receitas não cobrirem os valores dos dispêndios/despesas do segmento.
Já o segmento da vinicultura no ano de 2016 foi de R$ 310.290,51, no ano de 2017 de R$ 220.704,12, e no ano de 2018 foi -R$ 2.722.475,03. Nos anos de 2016 e 2017 os valores dos ingressos/receitas foram maiores que os valores dos dispêndios/despesas do segmento, conseguindo assim, suprir os custos totais do segmento, gerando sobras no contexto geral. No ano de 2018 o valor dos ingressos não foi suficiente para cobrir os custos.
Nos anos de 2016 e 2017 do segmento da vinicultura, por apresentarem sobras nos períodos foi destinado os respectivos valores do percentual de fundo de reserva em 2016 de R$ 426.649,45 e em 2017 de R$ 303.468,16 para atender as necessidades da cooperativa e os valores do Fates em 2016 de R$ 38.786,31 e em 2017 de R$ 27.588,01 para a realização de investimentos em benefício aos associados e seus familiares.
Ao analisar a margem de contribuição percebeu-se que o ano de 2018 do segmento de fruticultura foi o ano que apresentou melhor margem de contribuição total, ou seja, o melhor desempenho em comparações aos demais, de R$ 1.093.872,11. E ao analisar os resultados da margem de contribuição do segmento de vinicultura, percebeu-se que todas as margens de contribuição apresentaram valores semelhantes, sendo que o ano que apresentou melhor desempenho foi 2016 com R$ 5.888.295,34, com maior volume de vendas.
A partir da análise do ponto de equilíbrio pode-se identificar o volume de vendas suficiente para cobrir todos os gastos, custos e despesas fixas, para assim a cooperativa operar nem com lucro nem com prejuízo. Identificar o ponto de equilíbrio representa quando as receitas se igualam aos custos e gastos fixos da cooperativa e a partir desse número a cooperativa poderá almejar o retorno desejado.
No segmento de fruticultura o ano de 2017 apresentou o maior valor de ponto de equilíbrio contábil de R$ 6.646.762,23, e o ano de 2018 apresentou o menor valor de ponto de equilíbrio contábil de R$ 3.765.692,10, ou seja, um valor mais acessível para a cooperativa chegar quanto antes no retorno desejado. Já no segmento de vinicultura o ano de 2018 foi o que apresentou maior valor de ponto de
equilíbrio contábil de R$ 15.164.788,66, e o ano de 2016 o menor valor de R$ 12.562.811,88.
A utilização do ponto de equilíbrio econômico tem como o objetivo principal gerar informações de quanto a cooperativa precisa vender para recuperar o investimento, conforme rentabilidade desejada. Neste estudo aplicou-se a taxa Selic em cima do valor de custos e despesas fixas para assim obter o custo de oportunidade, a partir do resultado analisou-se que o ano de 2016 do segmento de fruticultura apresentou o maior valor de ponto de equilíbrio econômico de R$ 7.179.629,11, e o ano de 2018 continua apresentando o menor valor de R$ 4.010.462,09. E no segmento de vinicultura o ano de 2018 apresentou o maior valor de ponto de equilíbrio econômico de R$ 16.150.499,92, e o ano de 2016 o menor valor de R$ 14.290.198,52.
O ponto de equilíbrio financeiro mostra o valor dos custos e despesas fixas sem a depreciação, tendo em vista que ela não representa um pagamento. No segmento da fruticultura o ano de 2018 apresentou o menor valor de ponto de equilíbrio financeiro com R$ 3.231.656,93 e o ano de 2017 o maior valor de R$ 5.775.849,90. Já no segmento de vinicultura o maior valor se deu no ano de 2018 com R$ 13.747.241,13 e o menor valor no ano de 2016 com R$ 11.785.426,37.
Com base nas vendas totais e vendas encontradas com o cálculo do ponto de equilíbrio contábil pode-se apurar o valor da margem de segurança dos anos estudados. Geralmente as empresas utilizam o resultado da margem de segurança para criar estratégias de vendas ou reavaliar os custos e despesas fixas, visto que basta somente a cooperativa dispor do total faturado e efetuar o cálculo do ponto de equilíbrio.
Analisando os resultados de margem de segurança do segmento de fruticultura somente o ano de 2018 apresentou margem positiva de R$ 375.616,04, isso significa que as vendas podem cair até esse resultado sem ocasionar prejuízos para a cooperativa, pois é considerado o excedente de vendas em comparação ao ponto de equilíbrio. Já nos anos de 2016 e 2017 a margem de segurança se deu negativa, em 2016 de -R$ 4.013.246,97 e em 2017 de -R$ 2.732.291,27, apresentar resultados negativos mostra que a cooperativa tem que tomar o máximo de cuidado para tentar aos poucos aumentar esses valores apresentados, para assim, melhorar a situação da mesma. Já o segmento de vinicultura apresentou margem positiva em todos os anos sendo o ano de 2016 o de maior valor com R$ 6.109.683,84.
O grau de alavancagem operacional é ligado diretamente aos gastos fixos da cooperativa, em comparação aos custos e despesas variáveis, que podem sinalizar riscos para as suas atividades operacionais, contudo, a alavancagem consegue medir a proporção deste risco, sendo um importante mecanismo de crescimento das empresas que possuem muitos custos fixos na sua operação.
Por fim, a partir dos dados disponibilizados pela cooperativa foi possível verificar o grau de alavancagem, ao analisar os resultados o segmento de fruticultura apresentou alavancagem operacional negativa em todos os anos, sendo o ano de 2018 o maior negativo em comparação com os outros anos com -5,46, isso acontece quando aumenta o valor da receita bruta provocando uma queda no resultado operacional, ocasionados pela alavancagem mal sucedida. Já no segmento da vinicultura somente o ano de 2018 resultou em alavancagem negativa, os anos de 2016 e 2017 apresentaram alavancagem operacional positiva, em 2016 de 7,59 e em 2017 de 10,32, isso mostra que quanto maior o grau de alavancagem operacional, mais perto a cooperativa encontra-se do ponto de equilíbrio.
Para os segmentos que possuem uma elevada alavancagem operacional, caracterizada por altos custos fixos e baixos custos variáveis, pequenas alterações no volume de vendas irão resultar em grandes mudanças nos lucros. Já para os segmentos que tem uma baixa alavancagem operacional, caracterizada por baixos custos fixos e altos custos variáveis, as mudanças no volume de vendas não resultarão em grandes mudanças nos lucros.
No entanto, entendeu-se que todas as ferramentas elencadas neste estudo foram importantes para a cooperativa relacionada. Analisou-se estes indicadores para melhoria dos processos gerenciais e de vendas.
5 CONCLUSÃO
A tomada de decisões nas empresas precisa estar cada vez mais fundamentada em dados e análises consistentes. A análise de custo-volume-lucro busca auxiliar os gestores nesse processo, proporcionando subsídios a eles através de seus resultados, trazendo para a cooperativa segurança e estabilidade, diminuindo as dificuldades que possam surgir acerca do negócio.
As cooperativas são associações entre indivíduos que tem como objetivo uma atividade comum, e que seja trabalhada de modo a gerar benefícios iguais a todos os associados. Na cooperativa os associados são os donos do negócio, e possuem total participação nas decisões.
Com base nesta premissa, a pesquisa teve como objetivo geral apurar e analisar a relação custo-volume-lucro de uma cooperativa da Serra Gaúcha identificando qual dos segmentos de fruticultura e vinicultura possui a melhor lucratividade no período de 2016 a 2018.
Durante a pesquisa com a utilização dos dados disponíveis foi possível também identificar a margem de contribuição, os pontos de equilíbrio, a margem de segurança e a alavancagem operacional de cada segmento. Após isso, foi elaborada a demonstração de sobras ou perdas do segmento de fruticultura e vinicultura, através dela foi possível verificar qual dos segmentos apresentou a melhor lucratividade para a cooperativa, sendo que o segmento de vinicultura foi o mais lucrativo.
Então, todos os objetivos propostos foram atingidos, bem como encontrou- se a resposta ao problema de pesquisa, sendo a análise custo-volume-lucro uma ferramenta eficiente para a obtenção de informações gerenciais que auxiliam a cooperativa na tomada de decisões mais adequadas.
Para estudos futuros sugere-se que além dos dois segmentos estudados se faça o estudo com os demais segmentos da cooperativa, utilizando o método de Custeio baseado em atividades (ABC), pois é um método de custeio que tem como objetivo avaliar de forma separada e com precisão as atividades desenvolvidas. Esse método se baseia na análise dos custos específicos relacionados a cada atividade desempenhada pela cooperativa na fabricação de seus produtos ou na execução de seus serviços.
Desta forma, a cooperativa se beneficia de uma visão mais precisa sobre o impacto de cada atividade nos custos de operação do negócio, ficando mais capacitada a gerenciar sua lucratividade.
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