3.5. Quand le balcon devient le sujet de l’œuvre
3.5.1. Vue prise à travers un balcon
(62 anos, documentarista e jornalista – formado pela USP – Mestre em Audiovisual)
Diretor dos filmes: “Os Manos de Alá” e “Sob o Véu do Islã”
1) Como surgiu a ideia de produzir documentários sobre o Islã?
Bem, eu sempre eu tive muita curiosidade para conhecer estas questões ligadas ao mundo árabe. Desde o colégio interno que a gente lia aquelas histórias das mil e uma noites. E, sempre tive interesse de ler o alcorão.
Um dia, quando fui ao dentista, na sala de espera abri a “Revista Época” numa maté- ria falando como os jovens da periferia, curtidores de hip-hop estavam abraçando o Islã. Pen- sei, “isto aqui dá um documentário.” Então sai à consulta esta informação na mente. Logo, li a matéria, baixei na internet, li bastante, comecei a pesquisar. Então decidi fazer, de forma in- dependente, os primeiros contatos.
No início eu fui recebido com receio por parte dos muçulmanos, mas depois das pri- meiras entrevistas (um vai indicando para outro), consegui fazer um panorama breve de como realmente estes grupos de jovens (principalmente grupo de gente negra ligado as posses de
hip hop), começaram a se envolver com islamismo.
Fui até falar com o presidente de uma mesquita aqui em São Paulo (um senhor de ida-
de), que tem as mesmas linhas de pensamento. Então descobri que os negros da periferia se
identificam muito com o movimento negro americano, movimento de luta pelos direitos civis. Malcolm X é o grande ídolo deles. Malcolm X foi um cara que se tornou muçulmano e de- fendeu a autoafirmação do negro, a questão da identidade do negro.
Então estes caras do hip-hop, depois de lerem, lerem, lerem as histórias de Malcolm X, Muhammad Ali (Cassius Clay), começaram a se envolver com o islamismo. Mas, quando eu fiz o filme eu conheci outro fator. Uma colega da USP disse que há um ponto comum entre os pilares do Islã e os fãs do hip-hop, o conhecimento. O Afrika Bambaataa, que é considera- do o cara que criou o hip-hop colocou o conhecimento como um dos itens importantes para os fãs do hip-hop.
Então o hip hop tem o quinto elemento, todo mundo só conhece quatro: que é a dança, o rap, o DJ e o grafiteiro (estes são os quatro itens do hip hop), mas tem o quinto que é jus-
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tamente esse “o conhecimento”, que acabou coincidindo com o conhecimento do Islã, essa coisa comum.
Eu fui atrás deste povo, da periferia, e descobri isso, e fiz o filme chamado “Os manos de Alá”, onde eles falam justamente isso. Eles estão ali, procurando a identidade. Eles acham que o negro não pode ser submisso, que o negro tem que se auto afirmar. Então esse é o pri- meiro filme que eu fiz sobre essa questão.
2) Este documentário “Os manos de Ala” desmistifica o conceito da Media infundido no imaginário do povo brasileiro?
Este foi o primeiro passo nesse sentido, porque eu mostro que estes brasileiros que es- tão se envolvendo com o islamismo não tem nada a ver com essa linha de Islã radical que a mídia fala a todo o momento (ligando à questão do terrorismo, a questão dos muçulmanos).
Os brasileiros que optam pelo Islã lutam para desmistificar aquilo que a mídia coloca a todo o momento. É claro que existem os muçulmanos radicais, mas eles não são religiosos. E existem as correntes do Islã pacíficas, ligadas ao pessoal aqui do Brasil. Eles estão sempre tentando quebrar este estereótipo preconcebido.
3) Como é que surgiu a ideia do filme “Sob o véu do Islã”?
Nos “Manos de Alá” eu entrevistei a maioria de homens e só duas mulheres (muito
rapidamente). Então eu achei que as mulheres teriam que dar voz, também, para um filme.
Como o primeiro filme foi bem recebido pelas entidades (ligadas ao Islã aqui no Bra-
sil), quando surgiu a ideia do segundo filme, eu apresentei para duas entidades. Uma ligada ao
Islã e a outra (uma empresa). Elas se prontificaram a me ajudar na questão da produção bási- ca. Desta forma, contei com o apoio do Centro Islâmico do Brasil, e uma empresa de equipa- mentos fotográficos chamada Wordview que é de linha árabe. E eles me apoiaram assim (uma
me deu equipamento e a outra pagou a viagem para eu fazer o filme sobre as mulheres).
Então, quando eu fui fazer o filme sobre as mulheres eu descobri que mais do que os homens elas sofrem a questão da repressão da sociedade. Mas, pelo menos as mulheres que eu entrevistei estão felizes com a reversão.
4) Quais tem sido os resultados destes seus dois trabalhos?
Apesar de serem poucas as projeções (porque o tema sofre um pouco de preconceito). E, apesar do país ser laico. Eu não consigo exibir meu filme. As redes de televisão não o com- pram, não mostraram interesse em exibir. Os festivais não mostram interesse em exibir.
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Eu tenho exibido ele em alguns poucos lugares. Acabei de exibir num festival aqui na cidade e em algumas universidades.
Nas universidades o debate é muito interessante, porque as pessoas não sabem que existem brasileiros que rezam cinco vezes ao dia, e que estes brasileiros não são terroristas.
O resultado, uma receptividade muito boa do filme, quando é exibido. Numa ocasião houve o debate de uma hora, então tivemos que encerrar porque tinha outra sessão a começar.
O debate sempre traz muita polemica, porque sempre há divergências. Mas, isso que é importante, o documentário está provocando.... Está começando a ficar visível através da in- ternet e tem sido proliferado pelas pessoas que se interessam. Elas ajudam no sentido de fazer com que esta questão seja um pouco mais esclarecida.
5) Você é muçulmano?
Não, não sou muçulmano. Sou católico, de formação católica, e estudei em seminário de padre. Sou um estudioso, um repórter, então, estes assuntos me interessam porque tratam de questões contemporâneas que precisam ser discutidas.
E, é inédito no Brasil falar sobre esta questão, não existe! Só existem estes dois filmes meus sobre este assunto.
Talvez eu faça um terceiro; sobre os brasileiros na escravidão. Falando sobre os escra- vos que em Salvador, em 1835, fizeram a revolução, chamada revolução dos males, e que eles professavam uma religião. Eram escravos alfabetizados que escreviam em árabe, e vieram da África com a formação islâmica. Esse assunto me atrai. É mais uma questão de mexer com assuntos que são importantes para a sociedade em geral.
6) Você falou de uma terceira imigração do Islã? Poderia explicar melhor?
A gente vê três momentos básicos de formação do Islã no Brasil. Essa questão africa- na, que é do século XIX (1830), onde houve esta revolução. Eram escravos que vieram de países islâmicos, da África, e trouxeram a religião aqui para o Brasil.
Depois este grupo foi praticamente eliminado, sobrou pouca gente, mas sobraram ain- da alguns remanescentes. Depois ocorreu a própria imigração dos países árabes, teve muita gente que veio da Turquia, Líbano, dos países árabes de maneira geral. Que professavam a religião, trouxeram a religião para o Brasil e criaram as suas mesquitas aqui, trouxeram os
sheikhs.
Hoje o Brasil tem muitas mesquitas, muitos sheikhs (muitos sheikhs árabes e também
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versão...
E há um terceiro momento da imigração, que eu acho que também é importante. Que é a imigração dos africanos nos últimos vinte anos. Os primeiros africanos que vieram estudar na USP com bolsas de estudo e trouxeram a religião com eles, depois esta imigração recente. De muitos africanos que têm vindo da Tunísia, Quênia e vem e ocupam o centro de SP. Tem muito negro aqui na Avenida Ipiranga. Há uma comunidade negra de africanos, e eles têm uma mesquita no centro, na Rua dos Guaianases (era antes na praça da república).
Onde se reúnem os negros africanos e os brasileiros da periferia. Sexta-feira você vê este grupo unido fazendo as orações. Este é o terceiro momento da imigração, porque todos são islamitas, falam os dialetos, mais muitos falam o inglês, ou francês e o árabe.
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ANEXO N - Organograma do CDIAL
CDIAL*
Material*de*Apoio* Internet* Rádio*"ISLAMSbr"* Site*"ISLAMSbr"* TV*"ISLAMSbr"* Impressos* (Editora*Makkah)* Jornal*"A* Alvorada"* Livros*Panfletos* Revista*"Makka*Al*Mukarama"*
Ar%culações* Sociedades* Islâmicas* Centros*Islâmicos* CIBALSHalal* CIBs* Mesquitas* Mussalas* SBIs* WAMY* Sociedades*Não* Islâmicas* Ação*Global* Bienais*do*Livro* Escolas* Feiras*Culturais*
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