Case Study of a Router for Network-on-Chip Communication in Embedded Systems
8.4 Verification Environment for the Spidergon STNoC Router IP
As interfaces do Moodle são amigáveis e podem constituir dinâmicos cenários de leitura/escrita, nos quais os sujeitos interagem, mediados pela linguagem hipermidiática. Ressalte-se aqui que o mais importante não são as interfaces em si, mas o que os sujeitos podem fazer com/a partir delas. Fórum, “chat”, diário e “wiki”33 foram interfaces do Moodle utilizadas para
colocar a leitura e escrita digital em prática – a escrita nos fóruns e “wikis” ganharam um formato hipertextual –, propiciando aos sujeitos envolvidos construir conhecimentos, na interação com os outros co-autores no processo de aprendizagem. Essa atividade conjunta propiciou aos participantes escrever e reescrever textos e, portanto, intervir nos conteúdos, sugerir novos caminhos, de modo que compartilhavam, além do sentimento comunitário, a construção social de um hipertexto.
33 A interface wiki, que propiciou a escrita colaborativa será referida na parte que trata da escrita colaborativa.
A primeira experiência de leitura e produção de texto – já citada anteriormente – realizada nos fóruns permitiu que, a partir da vivência em grupo, da interlocução em rede, através de uma metodologia de problematização, se estabelecesse entre os sujeitos envolvidos uma dinâmica comunicacional, na qual aprofundaram temas a partir de leituras prévias, fazendo aflorar outras discussões. Nesse espaço, desenvolveu-se um processo contínuo de exposição de ideias, argumentação e negociação, revelando- nos que a palavra em situação de uso não tem possibilidade de ser neutra, porquanto o diálogo sempre ocorre num processo de interação que se dá de forma assimétrica entre os interlocutores: aí eram colocadas as divergências, as tramas sociais e ideológicas que determinavam os sentidos da palavra de cada sujeito participante; aí havia o entrelaçamento de vozes que argumentavam construíam e desconstruíam, questionavam e respondiam, olhando além para identificar os vazios, a fim de procurar novas alternativas (OKADA, 2003).
Durante cinco fóruns realizados nos cursos de extensão já referidos – três no primeiro e dois no segundo –, percebemos que se estabeleceu entre os sujeitos uma relação de respeito à diferença e respeito ao que o outro é e expressa; um processo dialógico de respeito e conhecimento da cultura do outro (FREIRE, 2002). Os sujeitos, a despeito das dificuldades com o processo de escrita, se mostraram parceiros nesse movimento dinâmico de reflexão e produção do conhecimento em torno de temas focados. Outro fator importante foi a possibilidade de cada sujeito acompanhar as leituras e o movimento do pensamento do outro, inserindo-se, de forma significativa, no processo.
Para tecer outras tramas de leitura/escrita por entre os caminhos do social e do cultural, buscou-se outra interface do Moodle, o “chat”, que comporta tantas formas de dizer/escrever quantos sejam os sujeitos que dele participam. Assim, os cinco “chats” experienciados nos dois cursos de extensão, possibilitaram um diálogo contextualizado, de caráter objetivo, mas também intersubjetivo, numa dimensão mais ampla que abarcou o cognitivo e o afetivo, porquanto nele se entrelaçou o emocional com o racional, o pessoal com o social (OKADA, 2003).
Sem a intenção de prescrever receitas de sucesso, podemos dizer que essa interface se apresentou como viabilizadora de produção de sentidos, onde um fio puxava o outro, costurando novos modos de ler/escrever/tecer. Essas tessituras de sentido, presentificadas nos diálogos, tanto nos “chats” como nos fóruns, revelavam dos sujeitos participantes as necessidades de “dizer”, ainda silenciadas no espaço escolar convencional, os saberes, desejos e valores que não cabem no espaço dos cadernos e deveres escolares. Portanto, traziam as marcas das suas histórias de vida em seus aspectos pessoais e socioculturais, para partilhar com o outro. É nesse sentido que “[...] toda relação humana implica um aprendizado. Pelas competências e conhecimentos que envolve, um percurso de vida pode alimentar um circuito de troca, alimentar uma sociabilidade de saber” (LÉVY, 2003, p. 27), que gera formas dinâmicas de produção intelectual e de circulação do conhecimento.
Assim se pronunciaram alguns sujeitos em um dos “chats” realizados, cujo tema foi “autoria e co-autoria:
[...] aqui em contato com as pessoas é que nos socializamos [...] é a partir de nossa realidade que escrevemos nossos textos aqui (co-autor) (OS); [...] neste lugar a pessoa vai colaborar com seu ponto de vista e ele vai escrever de acordo com seu cotidiano e sua realidade, não é? (OD);
[...] a partir das vozes dos nossos colegas estamos construindo juntos novos conceitos (PM).
A interface “diário”, como espaço de produção textual, foi o locus onde se desenvolveu a escrita individual, cuja leitura era restrita ao professor e aos sujeitos-autores, os quais se constituíam, nessa interface, como sujeitos de autoria e produção. Dessa forma, como produção pessoal dentro do AVA, o diário possibilitou e potencializou a presença mais forte do sujeito-autor, cujas produções apresentavam sempre o entrelaçamento de fios que teciam suas histórias de leitura, desde o espaço/tempo do ensino fundamental à universidade. Assim, a escrita se configurou como um exercício de cotidianidade.
Algumas interfaces do Moodle, como o fórum e o “wiki”, possibilitaram aos envolvidos estabelecer conexões relevantes que se estabeleceram através da criação de “links” internos e externos pelos participantes, dando a noção de rizoma de não-hierarquização dos saberes, de relações oblíquas, portanto, não-verticais. Além disso, o Moodle se caracterizou, para os sujeitos, nessas vivências de leitura/escrita, como propositor de atividades criativas, nas quais professor – que tem o papel de mediador – e alunos tiveram oportunidade de navegar, modificar, interrogar, dialogar. Os graduandos não se posicionaram apenas como consumidores de informação, mas como produtores na construção social do conhecimento, uma vez que interferiram modificaram, acrescentaram, organizaram a estrutura das produções realizadas (SILVA, 2002), individual ou coletivamente.
Nesta perspectiva vale lembrarmos a proposta de Silva (2002), sobre a transformação da sala de aula num espaço de interatividade, à semelhança do que ocorre no AVA, que abre veredas para múltiplas conexões e possibilita co-autorias, criando caminhos para a construção da autonomia do aluno, transformando, deste modo, a educação de produto/reprodução para processo/ criatividade.