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13.4 The NSA Architecture
1
- FUNDAMENTAÇÃO DAS OPÇÕES METODOLÓGICAS
“A investigação obriga a ver de forma precisa e diferenciada os fenómenos de que geralmente nos apercebemos de uma maneira global e difusa”.
P. Perrenoud (1993, pág. 122)
1.1
- DEFINIÇÃO DO PROBLEMA E QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃOA escola de enfermagem é um espaço social onde os estudantes formam a sua identidade profissional, da mesma forma que desenvolvem a imagem de si e a sua projecção futura. A sociologia da educação a partir da década de 90 debruça-se sobre os mecanismos que produzem os fenómenos sociais, compreendendo-os e afirmando importantes referenciais teóricos, com crescente nível de análise sobre a comunidade, estabelecimentos de ensino ou sala de aula, recorrendo às metodologias qualitativas. Ao longo dos vários anos de história a enfermagem tem-se deparado com as mais variadas questões acerca do ensino da mesma, assim como da forma como é transmitida a mensagem do que é de facto “ser enfermeiro”. Será que alguma vez se debruçou sobre as características que devem estar inerentes aos seus formandos, o que será necessário desenvolver nos mesmos para que se chegue a “cuidador” na plena ascensão da palavra. Quando nos preocupamos tanto com a qualidade dos cuidados prestados, não nos estamos a esquecer que para prestarmos cuidados de qualidade temos, isso sim, que ter cuidadores de qualidade, ter-nos-emos preocupado verdadeiramente com este facto, ou estamos convencidos que tudo se aprende e não existem perfis pessoais mais adequados a umas áreas em detrimento de outras.
Como podemos então à luz do que é “ser enfermeiro”, adequar o ensino de enfermagem, afim de, desenvolver no indivíduo as competências que necessita para que possa vir a sê-lo. Surge assim a necessidade de conhecermos quem são os alunos de enfermagem, enquanto pessoas e enquanto futuros profissionais, quais as suas expectativas e o que os motivou a escolherem enfermagem, enquanto profissão.
Tendo como base o domínio de investigação intrínseco ao estudo, para o precisar, enunciou-se uma questão central expressa do seguinte modo: Motivações e expectativas profissionais dos estudantes de enfermagem – que competências? Como se constrói a identidade profissional, quem motiva e o que motiva qual a interligação entre a construção da identidade e as expectativas.
Complementarmente, para alcançar o propósito da questão de investigação, nomeadamente na fase exploratória do estudo, esta pesquisa desenvolveu-se em torno das seguintes questões orientadoras:
Quais os motivos da escolha do Curso Superior de Enfermagem? Qual o grau de satisfação que sente por ser enfermeiro?
Quais as expectativas antes e depois de entrar para o curso quanto ao seu futuro com enfermeiro?
Como caracteriza a profissão de Enfermagem em Portugal?
Qual o contributo da escola para o desenvolvimento de competências profissionais?
Quais as mudanças necessárias para uma boa inserção do estudante na vida profissional?
Qual a relação que se estabeleceu entre o aluno e a escola durante estes quatro anos?
Quais as competências ou características que o estudante identifica como essenciais para ser enfermeiro?
Quais as competências, consideradas essenciais para o iniciar da sua prática profissional da enfermagem, identificadas pelos estudantes (Pré- Licenciados) ao longo dos seus quatro anos de licenciatura?
A definição do problema feito através de perguntas de investigação parece-nos ser a forma mais adequada de o colocar, porque as perguntas ajudam o investigador a perceber o que precisa investigar para responder às mesmas. (Canales, 1986,p. 74)
1.2
– FINALIDADEO ensino de enfermagem procura actualmente formar enfermeiros que com maior autonomia sejam capazes de, integrados numa equipa multidisciplinar, planear, executar e avaliar cuidados de enfermagem ao indivíduo, família e comunidade na sua globalidade. Este estudo visa essencialmente percepcionar e compreender o universo psicológico e social deste contexto escolar. De que forma a instituição escola poderá contribuir para o melhor conhecimento dos futuros profissionais e adequar assim métodos e técnicas que permitam desenvolver nos mesmos as competências necessárias para atingir o objectivo final do Curso que concerna a “Excelência do Cuidar”.
1.3
– OBJECTIVOSAssim, para dar resposta às diversas questões, este estudo de Caso realizado em contexto escolar, pauta-se pelos seguintes objectivos:
Identificar quais os motivos que levaram os estudantes a escolher enfermagem enquanto profissão.
Identificar qual a motivação que os pré-licenciados sentem por ser enfermeiro. Identificar quais as expectativas dos pré-licenciados em relação à profissão de
enfermeiro.
Analisar quais as competências ou características que os estudantes enumeram para ser enfermeiro.
Analisar quais os contributos da escola para a aquisição de competências enumerados pelo estudante.
Reflectir sobre o papel da escola no desenvolvimento das competências dos pré- licenciados.
Identificar qual a percepção de competências sentidas como adquiridas pelos pré-licenciados.
2
– METODOLOGIA
“A investigação é uma actividade orientada no sentido da solução de problemas. É uma tentativa de averiguar, indagar, procurar respostas, que podem ser encontradas ou não”.
(Erasme e Lima, 1989, pág. 15) Existem várias abordagens possíveis no que se refere aos problemas científicos. Patton (1990) citado por Hermano do Carmo (1998) afirma que uma forma de tornar um plano de investigação mais “sólido” é através da triangulação, isto é, da combinação de metodologias no estudo dos mesmos fenómenos ou programas. Este será um estudo de triangulação metodológica por utilizar vários métodos para estudar o mesmo assunto. Apesar de todas as etapas do processo de investigação serem de manifesta importância, a escolha da metodologia concerna ao estudo a sua validade interna e externa, daí a sua manifesta importância. Apresentaremos de seguida o tipo de estudo, a população e os procedimentos, assim como, o local onde foi efectuada a recolha dos mesmos, além dos procedimentos decorrentes do seu tratamento estatístico.
2.1
– TIPO DE ESTUDOYin (1988), citado por Carmo (1988), define estudo de caso como uma abordagem empírica, onde é investigado um fenómeno da actualidade no seu contexto real, quando os limites entre determinados fenómenos e o seu contexto não são claramente evidentes, e no qual são utilizadas muitas fontes de dados. Ainda de acordo com o mesmo autor, o
estudo de caso constitui a estratégia adequada quando se pretende responder a questões “como” ou “porquê”, o estudo focaliza-se na investigação de um fenómeno actual dentro do seu próprio contexto. Neste tipo de estudo, podem estudar-se um único caso ou casos múltiplos, onde os dados recolhidos podem ser de natureza qualitativa, quantitativa ou ambas.
Na maioria dos estudos de caso, o pesquisador é um observador passivo, reunindo informações sobre os comportamentos, sintomas e características da pessoa à medida que elas naturalmente são verificadas. A vantagem do estudo de caso é a profundidade possível, quando está sendo investigada uma quantidade limitada de pessoas, instituição ou grupos.
Segundo Benoît Gauthier o estudo de caso implica que se analisa somente uma situação, um só grupo, uma só campanha ou um só pais, e num só momento no tempo. Esta abordagem de investigação caracteriza-se pelo número restrito de situações analisadas, a profundidade da análise e a importância acordada a uma abordagem indutiva, no entanto, certos estudos de caso podem também servir numa perspectiva dedutiva e
confirmatória.
Parece-nos ser este tipo de estudo o que mais se adequa aos objectivos desta investigação, onde se pretende saber quais as motivações e expectativas dos estudantes, quanto ao ser enfermeiro, não é nosso propósito elaborar qualquer tipo de teoria ou generalização dos resultados obtidos, mas sim ter o conhecimento de uma realidade que nos é próxima e para qual contribuímos de uma forma responsável e efectiva.
3.2
– SELECÇÃO DE CASOSPara este estudo consideramos como intervenientes os estudantes, do 4º ano do Curso de Licenciatura em Enfermagem, da Escola Superior de Saúde Egas Moniz (cerca de 35 estudantes), que se disponibilizaram a participar neste estudo. Estes alunos ingressaram no curso em Setembro de 2001 e finalizaram-no em Julho de 2005.
2.3
– INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE DADOSDe acordo com a metodologia descrita, “uma das características fundamentais desta fase é a que tem a ver com a recolha de dados de fontes diversas, sobre o mesmo
fenómeno, também denominada triangulação de dados” (Lopes, 2003:66). O tipo de triangulação será a triangulação inter-métodos, uma vez que “… consiste em utilizar vários métodos de investigação num mesmo estudo … Por exemplo, podem ser usados no mesmo estudo métodos quantitativos e qualitativos de investigação” (Fortin, 1996:324). Desta forma, os dados serão confirmados uns com os outros, através da utilização dos seguintes instrumentos de recolha de dados:
Inquérito por questionário
A recolha de informação através da interrogação directa de pessoas, onde poderemos utilizar um conjunto de métodos fortemente estruturado, envolvendo o uso de documentos mais formais, como os questionários. As vantagens dos questionários prendem-se com o menor custo e menos tempo despendido pelo pesquisador, possibilidade do anonimato que pode ser fundamental para a obtenção da informação, assim como, a ausência de um entrevistador garante não haver tendencialidade nas respostas que reflictam a reacção do respondente ao mesmo. (Polit 1997).
No decorrer das consultas bibliográficas optamos pela utilização de um questionário já validado num outro estudo, do qual seleccionamos as questões que responderiam aos objectivos previamente traçados, que davam resposta às nossas pretensões de investigação. Organizado da seguinte forma:
Uma primeira parte com duas questões iniciais, referentes aos motivos da escolha do curso;
Seguidamente agrupamos vinte e quatro questões em escala de opinião tipo Likert, com quatro preposições, para medir o grau de satisfação por ser enfermeiro, as expectativas relativamente a ser enfermeiro e caracterizar o processo de formação; complementadas com duas perguntas abertas, uma relativa às competências ou características pessoais essenciais para ser enfermeiro e outra relativa à caracterização da Escola como organização qualificante;
A segunda parte engloba, seis questões, relativas à caracterização do grupo em estudo (idade, sexo, residência, grau de instrução dos pais, eventual parentesco com profissionais enfermeiros).
Optamos por utilizar uma escala de percepção de competências, construída para avaliar a percepção dos estudantes de enfermagem quanto às competências adquiridas
lhes foram transmitidas, validando desta forma o processo ensino-aprendizagem, dos alunos finalistas da Licenciatura em Enfermagem, da instituição em estudo.
As escalas são instrumentos planeados para conferis um score numérico ao sujeito, colocando-o num continuum no que diz respeito a atributos mensurados.
O propósito é a descriminação quantitativa de pessoas com atitudes, receios, motivações, percepções, traços de personalidade e necessidades diferentes.
Para uma boa escala devem ser enumerados dez ou mais enunciados, as respostas são submetidas a um score.
Score positivo, sendo a concordância uma atitude favorável, a pessoa que concorda terá um score elevado.
Score negativo, sendo a concordância uma atitude pouco favorável, invertendo-se desta forma o score.
Considerando que o sucesso profissional depende tanto da utilização adequada de conhecimentos e procedimentos, quanto da percepção de domínio (segurança) manifestado em relação aos mesmos, inerentes ao desempenho profissional, optamos pela aplicação de um instrumento psicométrico denominado “Escala de Percepção Pessoal de Competências Profissionais no Pré-licenciado em Enfermagem (EPPCPPLE) ”, elaborado e testado por Graveto (2005), aquando da sua tese de doutoramento.
2.4
– RECOLHA DE DADOSOs dados foram recolhidos na Escola Superior de Saúde Egas Moniz, aos alunos do 4º ano do curso de Licenciatura em Enfermagem (2001/2005), no términos da mesma, na última reunião efectuada com os alunos, a mesma pauta-se pela avaliação do último semestre do curso, além do balanço final dos quatro anos de formação, participaram, no preenchimento dos instrumentos de recolha, os alunos presentes que se disponibilizaram para o efeito, o tempo dispendido foi de trinta (30) minutos com a presença da investigadora.
2.5
– PROCESSAMENTO DE DADOSPara o processamento de dados, recorremos ao programa informático Excel, no qual construímos a base de dados e elaboramos os cálculos e o SPSS, utilizando a estatística descritiva.
Para quantificar os itens das escalas de Likert e determinar a tendência de opinião dos sujeitos, atribuímos pesos diferentes a cada posição de resposta sendo esses pesos em ordem crescente para as proposições de sentido positivo e em orem decrescente para as de sentido negativo, determinando desta forma o score máximo e mínimo de cada proposição, passamos a descrever:
Proposições de sentido positivo: Muito poucas (nunca) =1 Poucas (raramente =2 Bastantes (muitas vezes) =3 Muitas (sempre) =4
Proposições de sentido negativo: Muito poucas (nunca) =4
Poucas (raramente) =3 Bastantes (muitas vezes) =2 Muitas (sempre) =1
O score mínimo esperado para cada indicador, traduzido para cada uma das proposições, será o valor mínimo esperado para a mesma (1) vezes o número de proposições.
O score máximo esperado para cada indicador, traduzido para cada uma das proposições, será o valor máximo esperado para a mesma (4) vezes o número de proposições.
Consideramos os pesos 4 e 3 positivos e os pesos 2 e 1 negativos.
Para proceder à análise das opiniões dos estudantes acerca dos motivos da escolha do curso, as características do enfermeiro e sobre a escola numa perspectiva de organização qualificante, expressas nas perguntar abertas, utilizamos a análise de conteúdo, sendo esta uma técnica que “pode aplicar-se também aos dados recolhidos através de outras
técnicas como é o caso de respostas a perguntas abertas dos questionários…” (Polit, 1997).
Também no que se refere a este método Bardin (1979), afirma que a sua aplicação no “caso de resposta a perguntas abertas de questionários cujo conteúdo é avaliado rapidamente por temas”, um “uso simples e generalizado”.
Desta forma iremos verificar, com que frequência, os sujeitos referem palavras ou expressões relativas a cada categoria definida à posteriori, operacionalizada nos respectivos indicadores. Ainda, de acordo com Bardin (1979), definimos unidades de contexto, unidades de registo e unidades de enumeração, para procedermos à análise dos dados recolhidos.