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Une analyse des variables temporelles en lecture

2.3. Résultats et discussion

2.3.1. Variables complexes

Algumas limitações do presente estudo devem ser consideradas, afim de identificar fatores que podem ter cerceado ou superestimado os resultados deste estudo. Foi alcançado e ultrapassado a quantidade de participantes necessária para o estudo (544), obtendo-se 742 professores (36% a mais da amostra requerida) garantindo maior poder de estudo e uma vez que houve uma preocupação com a proporcionalidade do número de docentes por unidade acadêmica, dentre os 544, afirma-se que população estudada é representativa da população de professores da instituição pesquisada. Todavia, pode ter ocorrido viés de seleção, visto que para os 198 excedentes não foi realizado um controle para que se mantivesse a proporcionalidade exata representante de cada campus. Não obstante, destacasse, que o número de docentes de cada campus ao final da pesquisa, foi muito próximo ao esperado para cada um deles, tendo uma variação máxima de 4 pontos percentuais para menos em relação ao campus do Benfica, que fora compensado com 4 pontos percentuais para mais do campus do Pici. Os demais campus tiveram uma variação para mais ou para menos de menos de um ponto percentual. Ainda sobre viés de seleção, não foi possível recrutar os participantes mediante à proporcionalidade de docentes da UFC por sexo ou idade.

A época escolhida para a realização do estudo procurou eliminar ou minimizar as influências de períodos considerados mais tensos para os docentes, como o final de semestre, onde normalmente há maior estresse devido aos prazos serem reduzidos visto o encerramento das atividades letivas. No entanto, a coleta que começou na metade do semestre, se estendeu até o final do mesmo, período de provas e fechamento de notas, o

que pode ter contribuído para o consumo mais elevado de algumas classes terapêuticas, como por exemplo: analgésicos, relaxantes musculares e psicolépticos. Observa-se também que o questionário fora respondido em período fora da quadra chuvosa, visando evitar a superestimação de medicamentos utilizados no combate à gripe e resfriados muito comum no período.

Esse estudo pode sofrer com o viés de não respondente, visto que pessoas que se enquadram com quadros mais críticos de síndrome de Burnout ou com uma baixa qualidade de vida no domínio psicológico, tendem a não terem paciência ou empatia por responderem pesquisas, ainda mais as longas, subestimando a presença destas na amostra, assim como há aqueles pouco familiarizados com instrumentos digitais, optando por não participarem.

Uma vez que a pesquisa foi online, com inserção direta dos dados pelo docente no banco de dados, evitou-se possíveis erros que poderiam ocorrer caso fosse necessário transcrever os dados para o banco.

No estudo não se pode descartar o viés de memória, logo foram adotados alguns procedimentos para minimiza-lo, incluindo o período recordatório de 15 dias para avaliar a utilização de medicamentos e a possibilidade do preenchimento ser feito em casa junto à receita ou caixa do medicamento. Por se tratar de um estudo de delineamento transversal, este se preocupa em obter as prevalências e razões de prevalências de uma dada amostra em um determinado espaço de tempo, não sendo possível determinar a causalidade da variável de desfecho, tendo sido apenas apontado fatores relacionados ao consumo, sendo necessário outros tipos de desenhos metodológicos para tal.

7. CONCLUSÃO

A prevalência do consumo de medicamentos entre docentes encontra-se elevada e suas características não diferem dos resultados encontrados em outros estudos, mas podem estar influenciados por fatores relacionados as condições de trabalho ou da própria prática docente.

Dentre as variáveis analisadas, ser do sexo feminino, ter entre 40 a 59 anos ou 60 anos de idade ou mais, ter realizado consulta médica nos últimos três meses, ser acometido por doença crônica, não se sentir reconhecido como docente, apresentar sinais e sintomas da síndrome de Burnout (perfil 2), apresentar qualidade de vida muito ruim no domínio físico e se afastar da docência por motivo de saúde foram fatores determinantes do uso de medicamentos.

Os analgésicos, psicoanalépticos e agentes antidislipidêmicos foram os subgrupos terapêuticos mais utilizados entre os docentes. Os três fármacos mais consumidos foram a combinação dipirona+cafeína+orfenadrina; dipirona; e levotiroxina. Este padrão de consumo não difere do encontrado na literatura, exceto no caso da levotiroxina que não apresenta destacado consumo nos diferentes estudos já publicados, todavia, o consumo de levotiroxina parece não apresentar correlações imediatas com a lida docente. Desta maneira, o consumo em destaque destes subgrupos terapêuticos e em especial dos analgésicos, sugere ser necessário orientações ao usuário no momento da prescrição ou na dispensação (atenção farmacêutica), a fim de se evitar o consumo inadequado e suas consequências.

Os motivos do uso de medicamentos, não fugiram ao esperado, sendo a dor de cabeça, a hipertensão e dores em geral os mais apontados. Este padrão de motivos mostra-se correlacionado ao padrão de consumo de medicamentos e sugere que a docência cause desgaste físico e mental, mais precisamente, dores e hipertensão.

O estudo também identificou consumo por automedicação e indivíduos polimedicados o que pode predispor os docentes à possibilidade de ocorrer eventos adversos à medicamentos. Tanto a prática da automedicação quanto a da polimedicação podem ser o reflexo de situações onde encontram-se quadros de doenças agudas como

crônicas, as quais podem estar sendo influenciadas tanto pelas intempéries do dia a dia quanto pela própria prática docente.

A presença da síndrome de Burnout entre os docentes é motivo de preocupação pois, envolve o comprometimento da saúde física, mental e social do mesmo, o que pode influenciar diretamente no aparecimento de doenças, no consequente consumo (racional ou não) de fármacos, no maior absenteísmo e por reflexo, na queda na qualidade do ensino e de sua qualidade de vida.

Quanto à qualidade de vida, de forma geral e entre os domínios, os docentes a julgam como positiva, tendo uma baixa proporção daqueles que a consideram como negativa. O uso de medicamentos, ao proporcionar cura e/ou alívio dos sintomas sentidos, gera uma sensação de ter uma boa qualidade de vida, justificando a alta prevalência de consumo de fármacos e de automedicação entre aqueles que consideram ter uma qualidade de vida positiva.

O consumo de medicamentos deve ser olhado com preocupação e cautela, visto que não estão isentos de riscos à saúde.

De maneira geral, os gestores e profissionais da saúde devem dar maior atenção à saúde dos docentes, a fim de evitar problemas relacionados à medicamentos, evitar maior taxa de síndrome de Burnout, de qualidade de vida ruim, absenteísmo e maiores gastos com saúde. Ações educativas voltadas para o uso racional de medicamentos e prevenção da síndrome também devem ser consideradas.

8. REFERÊNCIAS

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