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urban settings and current challenges

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Tendo em conta quanto o burnout afeta os profissionais de saúde, e o facto de isso se refletir na qualidade do serviço prestado pelos mesmos, vários têm sido os estudos sobre os fatores protetores contra esta síndrome.

Com os resultados do estudo de Popa- Velea, Trutescu e Diaconescu (2019) realizado na Roménia, pode concluir-se que a participação em grupos balint tem um papel protetor, uma vez que se verifica uma diminuição nos níveis de burnout, não só em termos de pontuação global, mas também sobre exaustão emocional e despersonalização. Os resultados de Marôco J et al. (2016) revelam que os profissionais com maior tempo na atividade apresentam menor nível de burnout. Da mesma forma, o estudo de Fernández Sánchez, Pérez Mármol e Peralta Ramírez (2017) revela que, no que concerne à antiguidade na unidade de cuidados paliativos, a média no grupo sem burnout é de 59,0 meses e no grupo com burnout com dimensão alterada é de 26,1meses. Já em relação ao burnout e hábitos de vida na equipa de CP, os resultados revelam diferenças entre o grupo sem burnout e o grupo com mais de uma dimensão alterada do MBI-HSS por horas de sono. De igual modo, houve diferenças entre os profissionais que realizam exercício físico regular e os que não realizam. Isto é, os profissionais que não apresentam burnout são mais velhos e dormem mais do que os profissionais com mais de uma dimensão alterada, verificando-se o mesmo em relação aos que revelam uma única dimensão alterada, pois têm maior antiguidade no trabalho na unidade e realizam exercícios físicos com

mais frequência do que qualquer um dos grupos de burnout (Fernández Sánchez, Pérez Mármol, & Peralta Ramírez, 2017).

Da mesma forma, com o produto da amostra do estudo de Marilaf Caro, San-Martín, Delgado-Bolton e Vivanco (2017) foram confirmadas conexões positivas entre empatia e satisfação com a vida, bem como entre empatia e experiência profissional. Por seu turno, foram atestadas relações inversas entre empatia e burnout e entre empatia e solidão. Podemos concluir que a empatia é uma competência essencial dos profissionais de CP. E que esta desempenha um papel crucial na prevenção da solidão e do burnout, assim como na promoção da satisfação com a vida, constituindo esta uma habilidade que fortalece e facilita a relação com o paciente, o que melhora os cuidados de saúde. A empatia pode ser aperfeiçoada pela experiência profissional. Isto é, a empatia desempenha um papel protetor, tendo influência nos elementos: solidão, desgaste e satisfação com a vida. No que respeita à correlação para determinar se a idade e a experiência profissional têm ou não um papel de influência no desenvolvimento da empatia, o estudo confirma haver uma ligação entre o desenvolvimento da empatia e a experiência profissional, mas não em relação à idade. Na amostra estudada, verifica-se um duplo papel da empatia nos cuidados de saúde e bem-estar dado que se, por um lado, assume um papel protetor contra o desgaste, por outro, efetua um papel promotor de saúde e bem-estar- desenvolvimento de habilidades sociais. Ou seja, há uma relação positiva entre empatia e satisfação com a vida. Contrariamente, existe uma relação inversa entre empatia e solidão e entre empatia e burnout. Pode concluir-se com esta amostra que os profissionais mais empáticos apresentam maior controlo emocional, o que acaba por se refletir na sua vida diária. Para O' Mahonyet al. (2018), a empatia transmite vulnerabilidade à fadiga por compaixão. Os profissionais que endossam níveis mais altos de características agradáveis relatam mais satisfação com o seu trabalho e níveis mais baixos de

burnout. Isto é, os profissionais que simpatizam com os doentes e desenvolvem um

forte relacionamento podem extrair mais significado e valor do seu trabalho e assim são protegidos contra sentimentos de exaustão que caracterizam o burnout. O' Mahony et al. (2018) chamam a atenção para que os traços adaptativos como a empatia, a tomada deperspetiva, a regulação emocional e a presença calma são cruciais para compensar a vulnerabilidade transmitida por traços menos adaptativos

(baixa empatia, pensamento negativo). A fim de determinar se os traços de personalidade - neuroticismo e amabilidade - se relacionam com aspetos da fadiga por compaixão, O' Mahony et al. (2018) estudam 66 profissionais de medicina paliativa (médicos, enfermeiros, assistentes sociais, capelões) e percebem que os profissionais que trabalharam mais tempo, relataram níveis mais altos de satisfação e níveis mais baixos de burnout. Aamabilidade foi positivamente associada à satisfação com a compaixão e negativamente associada ao burnout. A amabilidade foi entendida como um amortecedor contra o stress e, consequentemente, como um caminho para uma maior satisfação.

Já para Martins Pereira, Teixeira, Carvalho e Hernández- Marrero (2016) ter pós- graduação em cuidados intensivos / paliativos constitui um fator protetor relevante na diminuição do risco de burnout.

Os profissionais de saúde falam da necessidade de estabelecerem limites, mas também sobre a sua expectativa de que as organizações precisam de mudar a estrutura da prática de CP (ex: variabilidade de papéis) para evitar o burnout (Kavalieratos et al., 2017). Os profissionais valorizam e agradecem a oportunidade de fornecer cuidados holísticos e envolver-se com uma série de atividades [contudo, embora a diversidade no papel do hospice seja gratificante para os profissionais, também pode causar ansiedade quando os aspetos do atendimento não são familiares ou quando não estão dentro dos limites dos seus próprios conhecimentos e habilidades (Taylor J & Aldridge J, 2017)]. Da mesma forma, na carta de Koh, Hum e Xiang (2018) – um estudo a 273 profissionais de CP de instituições públicas - constata-se que a variedade no trabalho reduz o burnout. Isto é, a variedade clínica, em que os profissionais de CP desenvolvem um trabalho polivalente: clínico, administrativo, de ensino e de pesquisa, está associada a um menor desgaste. Sendo crucial encorajar os profissionais e os respetivos líderes a considerar essa possibilidade (variedade clínica) de forma que estes tenham atividades mais diversificadas, além do trabalho clínico. Segundo Swetz, Harrington, Matsuyama, Shanafelt e Lyckholm (2009) na pesquisa online qualitativa a 40 médicos do hospice e medicina paliativa, nos Estados Unidos, foi-lhes pedido para comentarem estratégias para evitar burnout e encontrar a satisfação em medicina paliativa. 30 dos 40 médicos responderam na íntegra. As

estratégias mais relatadas para promover o bem-estar pessoal foram: Bem-estar físico (60%); Relações profissionais (57%); Ter uma perspetiva transcendental (43%); Conversar com outros (43%); Hobbies (40%); Variedade clínica (37%); Relações pessoais (37%); Limites pessoais (37%); Estar “longe” do trabalho (27%); Paixão pelo trabalho (20%); Expectativas realistas (13%); Uso de humor e riso (13%); Lembrar o paciente (10%).

Da mesma forma, Koh, Hum e Xiang (2018) e Koh et al. (2015), os mecanismos protetores contra o burnout entre profissionais de CP são: Bem-estar físico; Relacionamentos pessoais; Relacionamentos profissionais; Variedade clínica; Hobbies; Limites pessoais; Transcendental (meditação e reflexão silenciosa); Tempo ausente; Conversar com os outros; Paixão pelo trabalho; Ter expectativas realistas; Lembrar o paciente; Humor e riso; Atividades organizacionais.

Também a oportunidade para refletir sobre aspetos difíceis e angustiantes é crucial, ou seja, fazer uma reflexão clínica em grupo funciona como uma fonte de apoio. Apesar de, por vezes, essas oportunidades serem limitadas (Taylor J & Aldridge J, 2017). Neste contexto, de acordo com os resultados obtidos por estes estudiosos no âmbito das dinâmicas de equipa /organizacional, uma equipa com mau funcionamento é descrita como um elemento de stress. Por outro lado, quando a equipa funciona bem, há uma atmosfera mais calma e feliz, harmonia entre os colegas e partilha de esforços. Os profissionais dizem sentir-se mais positivos sobre o trabalho, ser mais fácil “desligar” no final de um turno e sentem- se valorizados pelos colegas que foram identificados como a principal fonte de apoio informal. Vários profissionais enfatizam a importância da compreensão partilhada e da experiência em equipa, o que ajuda a que estes se apoiem mutuamente. No entanto, o apoio informal nem sempre está disponível. Alguns participantes sentem- se isolados dos colegas, sobretudo quando prestam cuidados intensivos durante o turno. Ser “valorizado” no trabalho é importante para os profissionais, recebendo com satisfação o feedback de que a sua contribuição está a “fazer a diferença”. Isso pode vir do próprio trabalho, das famílias ou dos seus colegas e da organização. Ainda a nível organizacional, o ambiente tranquilo, espaçoso, com excelentes instalações e equipamentos é identificado por muitos participantes como um fator facilitador e um aspeto gratificante do trabalho.

Ser capaz de estacionar no local de trabalho e desfrutar de comida caseira também é valorizado (Taylor J & Aldridge J, 2017).

Por outro lado, o projeto DELiCaSP, no qual participaram Hernández- Marrero, Pereira e Carvalho (2016) foca-se na identificação das decisões éticas mais frequentes e na forma como estas se relacionam com o burnout. Fazem parte do mesmo88 profissionais de CP, dos quais 18 são médicos e 70 enfermeiros; 76 dos profissionais têm diploma de bacharel, os restantes (12) têm mestrado / doutoramento; 33 participantes possuem um curso de pós-graduação em cuidados paliativos. No estudo participam nove equipas portuguesas de CP. E constata-se que, embora os profissionais considerem as questões éticas como um dos fatores de risco para o

burnout, como é o caso das questões de comunicação (transmissão de informação

sobre diagnóstico e prognóstico), abandono do tratamento e sedação; sendo stressantes e desafiadoras para os profissionais, estas decisões éticas não estão relacionadas com o burnout. Tal facto pode ser explicado pela partilha interdisciplinar, pela partilha existente nas relações interprofissionais e pelo empoderamento dos profissionais nas equipas. Às decisões éticas mais usuais (comunicação e divulgação de informações sobre o diagnóstico e prognóstico, retirada de tratamento e sedação paliativa) juntam-se as decisões éticas sobre controlo da dor e dos sintomas, a comunicação de más notícias, a justiça no acesso aos cuidados paliativos, as preferências do paciente sobre o local da morte, a capacidade mental do paciente e a capacidade do mesmo em participar no processo de tomada de decisão. De salientar que a variável sociodemográfica relacionada com o burnout é a formação pós-graduada em cuidados paliativos. Surgem como fatores protetores contra o

burnout a reflexão interprofissional (colaboração/ discussões interdisciplinares nos

processos de deliberação e tomada de decisão nas equipas, o papel do líder), as normas para sedação paliativa, a consulta a um comité de ética e a importância na educação de pós-graduação em cuidados paliativos (Hernández-Marrero, Pereira, & Carvalho, 2016).

Contudo, os fracassos percebidos foram muitas vezes justapostos com a reflexão que muitos profissionais fazem para se especializar em CP, porque encontram a satisfação através do alívio do sofrimento e nos seus fortes laços com pacientes e familiares

durante o período de falta de saúde (Kavalieratos et al., 2017). Neste sentido, Samson e Shvartzman (2018) aplicaram o estudo transversal, onde se avalia se um alto nível de exposição à morte e ao morrer aumenta o risco de uma má qualidade de vida profissional ou não. Com uma amostra de 110 questionários (grupo de alto risco) + 131 (grupo de baixo risco), englobando médicos e enfermeiros de CP domiciliários com alto nível de risco (muito expostos) vs enfermeiros de unidades de atenção primária com baixo nível de risco (pouco expostos ao morrer). O estudo nota que os profissionais que trabalham expostos ao processo de morrer relatam um maior nível de satisfação com a compaixão e baixos a moderados níveis de burnout e de stress secundário, sem diferenças significativas como os outros prestadores de cuidados de saúde. No entanto, uma variável divergiu: a exposição foi correlacionada com a qualidade de vida entre os profissionais de saúde com exposição alta. Isto é, existe uma possibilidade de correlação entre a exposição e o risco para baixar a qualidade de vida dos profissionais muito expostos (Samson & Shvartzman, 2018). Se, por um lado, o sentimento de satisfação ao produzir benefícios para os pacientes e familiares aumenta, por outro, a ideia de futilidade ou ineficácia percebidas são descritas como exaustivas (Kavalieratos et al., 2017).

2.4.1. Estratégias apontadas pelos profissionais

Ao longo da literatura sobre burnout, encontramos vários fatores protetores contra o

burnout. O grupo de Kavalieratos et al. (2017) refere várias estratégias de

autoregulação, como: a imposição de limites de vida e /ou trabalho e autocuidado proativo (por exemplo: mindfulness, psicoterapia). Quer isto dizer que as possíveis soluções para o burnout identificadas pelos profissionais dizem respeito a fatores individuais (estratégias de autoregulação e proteção, reforçando o impacto positivo – reflexão sobre o impacto positivo); fatores interpessoais (apoio interpessoal, segurança em números - colegas fonte de apoio, confiar nos colegas); fatores organizacionais (mudança de cultura: os outros colegas também são bons/ competentes); fatores a nível político, apelando para o envolvimento da AAHPM (academia americana de cuidados paliativos e medicina paliativa) para promover a resiliência e mudanças regulatórias, tais como: as políticas de reembolso (Kavalieratos et al., 2017).

As soluções apontadas pelos entrevistados do estudo de Kavalieratos et al. (2017) referem- se à promoção e previsão de CP generalistas, frequentes rotações no serviço de ligar e desligar e apoio/ suporte organizacional para o autocuidado.

Osparticipantes no estudo Taylor J e Aldridge J (2017) descrevem algumas estratégias de “superação individual” que usam para ajudar a minimizar o impacto dos elementos de stress relacionados com o trabalho e a importância de separar a vida profissional da doméstica. Estes incluem: discutir eventos específicos com um colega no final de um turno, associar outras práticas depois do trabalho, como levar o cão a passear ou trocar de roupa.

É interessante notar que apenas um pequeno número de entrevistados identifica fontes formais ou informais fora do trabalho. A maioria identifica barreiras para obter apoio informal fora do trabalho. Estes incluem a confidencialidade do paciente, o “tabu” em torno do trabalho e o facto de não querer sobrecarregar os outros que não têm a compreensão partilhada dos colegas (Taylor J & Aldridge J, 2017).

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