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urban fringe – issues and actors: the cases

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No que respeita aos profissionais de cuidados paliativos, Kavalieratos et al. (2017) referem que a própria natureza dos CP deixa os médicos suscetíveis ao burnout, e o resultado do estudo de Fernández-Sánchez, Pérez-Mármol, Santos-Ruiz, Pérez-García e Peralta-Ramírez (2018) revela prevalência da síndrome de burnout (54,5%) nos profissionais de saúde de cuidados paliativos, havendo mesmo 15,6% dos profissionais que apresentam mais de uma dimensão alterada. Também Kamal et al. (2016), na pesquisa eletrónica aos membros clínicos da Academia Americana de Cuidados Paliativos e Medicina Paliativa, verificam que, em geral, 62% dos clínicos de cuidados paliativos experienciam pelo menos um sintoma de burnout com base no relato da exaustão emocional (62%) e despersonalização (24%). Resultado muito semelhante dá-nos o estudo de Fernández Sánchez, Pérez Mármol e Peralta Ramírez (2017), em que 48,9% dos profissionais de saúde de CP apresentam elevados níveis de burnout. Desses, 33,7% têm altos níveis em apenas uma dimensão do MBI-HSS e15,2% têm altas pontuações em duas ou três dimensões do MBI-HSS. Com 33,3% de prevalência de burnout surge o estudo de Koh et al. (2015) realizado a médicos, enfermeiros e assistentes sociais de serviços de cuidados paliativos hospitalares e do domicílio em Singapura.

De igual forma, mas comparando cuidados paliativos com cuidados intensivos, surge o estudo de Martins Pereira, Teixeira, Carvalho e Hernández-Marrero (2016). Estes realizam em Portugal um estudo quantitativo e comparativo, utilizando diversos instrumentos, entre os quais o inquérito Maslach Burnout Inventory- Human Services. Fizeram parte da pesquisa 355 profissionais de 10 unidades de terapia intensiva e de nove unidades de cuidados paliativos. Desses 355 profissionais (enfermeiros e médicos), alguns dos entrevistados têm pós-graduação em cuidados intensivos / paliativos, sobretudo os que trabalham em unidades de cuidados paliativos. E constatamos que 27% dos profissionais apresentam burnout. Contudo, a maioria dos profissionais de cuidados paliativos (55%) apresenta baixo risco de burnout, isto é, esta síndrome é mais frequente nos profissionais das unidades de terapia intensiva, nos quais 62% dos profissionais manifestam médios e altos níveis de exaustão emocional; 60% médios e altos níveis de despersonalização e 38% altos níveis de realização pessoal e profissional.

Já no estudo de Chan, Chan, Chuang, Ng J e Neo (2015), realizado em Singapura, 37% dos médicos apresentam elevado risco de burnout; 7,5% apresentam alto risco de fadiga por compaixão e apenas 3,3% e 1,5% apresentam baixo risco de burnout e fadiga por compaixão. Da mesma forma, apenas 2,7% e 0,3% apresentam empenho no trabalho e satisfação pela compaixão. Neste estudo verifica-se que não há diferença significativa entre as taxas de fadiga por exaustão e compaixão nas várias especialidades médicas e cirúrgicas, incluindo oncologia e cuidados paliativos. Quer isto dizer que os médicos de qualquer área correm o mesmo risco de burnout e fadiga por compaixão.

Por tudo isto, muitos participantes expressam preocupações sobre o bem-estar dos colegas que eles pensam estar em risco de burnout. Identificar as próprias vulnerabilidades é percebido como difícil. Um pequeno número de profissionais que tinha sofrido de burnout não se tinha apercebido dos primeiros sinais. Discutir vulnerabilidades individuais com colegas ou superiores foi identificado como um desafio. Alguns participantes sentem uma pressão implícita para serem fortes, como as famílias que apoiam (Taylor & Aldridge, 2017).

Um estudo curioso é também o de Fernández-Sánchez, Pérez-Mármol, Blásquez, Santos-Ruiz e Peralta-Ramírez (2017) do qual faz parte uma amostra de 64 profissionais de cuidados paliativos (médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem) do Hospital Universitário San Rafael (Granada, Espanha). Ao longo de um dia de trabalho, o nível de cortisol diário foi registado. A síndrome de burnout foi calculada com a Pesquisa de Serviços Humanos do Maslach Burnout Inventory (MBI- HSS). E os resultados apontam que pelo menos uma dimensão de burnout foi encontrada em 55,07% da amostra, enquanto 44,93% apresentaram não burnout. Já 26,09% relatam elevados níveis em duas ou três dimensões do MBI e 28,98% teve elevados níveis em apenas uma dimensão. Relativamente à relação burnout- cortisol, os resultados revelam interação entre a secreção de cortisol (medida seis vezes ao dia) e o grupo de burnout: uma maior secreção de cortisol diário está relacionada a altos níveis de burnout. Isto é, enquanto a secreção média de cortisol no grupo sem burnout é de 8,83 nmol / L, no grupo com burnout é de 14,17 nmol / L. Quer isto dizer que a taxa de secreção de cortisol na hora de acordar e na hora de dormir no grupo sem

burnout é menor do que no grupo com uma dimensão de burnout. No entanto, ao

longo de um dia, os profissionais de saúde com elevados níveis de burnout em duas ou três dimensões descreveram secreção de cortisol semelhante à do grupo sem

burnout. Por seu turno, os profissionais com altos níveis de uma ou mais dimensões

de burnout expõem um elevado nível de stresse percebido, sensibilidade interpessoal, depressão, agressão, ideação paranóica. Por outras palavras, os fatores psicológicos, as dimensões psicopatológicas e o stress estão relacionados com os níveis de burnout (Fernández-Sánchez, Pérez-Mármol, Blásquez, Santos-Ruiz, & Peralta-Ramírez, 2017).

Se há estudos que nos dão conta que os profissionais de saúde apresentam elevados níveis de burnout, o oposto também sucede. Vejamos: Marilaf Caro, San-Martín, Delgado-Bolton e Vivanco (2017) realizaram no Chile um estudo observacional composto por 64 enfermeiros que trabalham em CP e em serviços de cuidados domiciliários. Desses, 11 são do sexo masculino e 53 do sexo feminino. Quanto aos anos de experiência profissional, 17 declaram ter menos de 6 anos, 9 têm entre 6 e 10 anos, 22 entre 11 e 20 anos, 15 têm mais de 21 anos de experiência no exercício da sua profissão. O instrumento utilizado foi o questionário burnout de Maslach (MBI-

HSS). O resultado obtido através deste estudo foi que a amostra apresenta um baixo nível de burnout. O mesmo sucedeu com as duas pesquisas realizadas por Galiana, Arena, Oliver A, Sansó N e Benito E (2017). Desta amostra fazem parte 161 profissionais brasileiros e 385 espanhóis, ambos de cuidados paliativos. Os resultados apontam que quer os profissionais espanhóis, quer os profissionais brasileiros apresentam altos níveis de satisfação da compaixão (particularmente na amostra brasileira), níveis médios de stress traumático secundário e níveis baixos de burnout. No entanto, a nível de burnout, apesar dos profissionais brasileiros apresentarem níveis mais altos de burnout, as diferenças não são significativas entre os países. O mesmo já não sucede a nível da satisfação da compaixão e do stress traumático secundário. No caso de Espanha, a maioria dos profissionais apresenta uma alta (48,30%) ou média (47,40%) satisfação de compaixão, enquanto a maioria dos profissionais têm um nível médio de stress e trauma traumático secundário (62,70%) e baixo nível de burnout (65,70%). Por seu turno, os profissionais brasileiros apresentam altos níveis de satisfação com compaixão (60,00%), níveis médios de

stress traumático secundário (56,60%) e baixos níveis de burnout (68,50%) (Galiana,

Arena, Oliver A, Sansó N, & Benito E, 2017).

Se os profissionais sentem que tomar decisões éticas aumenta o nível de burnout, os resultados deste estudo revelam que não, dado que a maioria (55%) dos profissionais apresentam baixos níveis de burnout. Apenas 3% estão sob burnout e 13% em alto risco de desenvolver essa síndrome. Assim, os resultados deste estudo apontam que não há associação entre burnout e a necessidade de tomar decisões éticas (Hernández- Marrero, Pereira, & Carvalho, 2016).

Por último, com o intuito de identificar as estratégias de superação dos profissionais que prestam cuidados paliativos em casa e de as associar aos níveis burnout, Ercolani et al. (2019) realizaram um estudo de investigação observacional transversal que envolveu todas as equipas de cuidados paliativos domiciliáriosde uma organização sem fins lucrativos italiana - Fundação de Assistência aos Tumores. A amostra contou com a participação de 207 profissionais, ou seja, 75% dos profissionais. Os profissionais são médicos (50%), enfermeiros (36%) e psicólogos (14%). Os instrumentos utilizados foram variados, salientando-se o Inventário de Burnout de Maslach (questionário composto por 22 itens). Os resultados denotam que apenas

11% dos profissionais estão emocionalmente exaustos, ou não se sentem realizados no trabalho (20%), enquanto a maioria deles se queixa de sintomas de despersonalização (67%). No que concerne aos sintomas de burnout, a amostra (Ercolani et al., 2019) apresenta baixos níveis de exaustão emocional e elevados de despersonalização e de realização pessoal. Nesta amostra, a despersonalização foi a dimensão do burnout que apresentou um nível mais elevado. Por conseguinte, a maioria dos profissionais de saúde (80%) manifestam médios a altos níveis na realização pessoal, o que se traduz na sensação de sucesso e satisfação.

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