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Dans le document Déplacement (Page 155-161)

Já Limardi et al. (2014) destacam a importância do papel dos cuidadores, assim como a necessidade das ferramentas para adquirirem habilidades, salientandoque a autoeficácia constitui um dos aspetos da personalidade associados à resiliência.

Também Lee et al. (2015), no seu estudo descritivo a equipas de 18 unidades de terapia intensiva (1066 profissionais), descrevem a disponibilidade, o uso de recursos/ estratégias que promovem a resiliência, nas várias unidades de terapia intensiva pediátrica. Este estudofoirealizado em conjunto com o grupo PICO FOCUS em 84 instituições membros da Children´s Hospital Association. A primeira fase foca-se nas equipas de liderançaenquanto que a segunda se centra em membros individuais. E os resultados evidenciam que a autoeficácia, a competência e a confiançasão fatores individuais que se correlacionam com a resiliência e que podem ser fortalecidos com experiência. Neste estudo, percebe-se que os indivíduos com mais de sete anos de

experiência são os mais resilientes. No entanto, estes não têm perceções diferentes do clima de trabalho dos menos experientes. Os temas apontados por esta amostra são três: liderança baseada em instituições, liderança baseada em unidades/ pares; liderança individual. Para estes autores, as instituições podem facilitar o acesso a discussões entre pares e a interações sociais para promover a resiliência - o papel das Instituições para promover e facilitar a resiliência.

No mesmo sentido, arevisão de Gillman et al. (2015) identifica várias estratégias para melhorar a prática dos enfermeiros, para que estes mantenham o seu bem-estar psicológico. Nesta revisão, as estratégias incluem aquelas que estimulam ligações dentro da equipa; fornecem educação e treino para desenvolver condutas que ajudam no controlo ou intensidade do stress ou que apoiem na recuperação; ajudam a processar emoções e a aprender com as experiências (Gillman et al., 2015). Contudo, há descobertas que sugerem que uma nova intervenção de resiliência baseada na equipa e baseada na licitação da resposta ao relaxamento é viável para ajudar a promover a resiliência e proteger contra as consequências negativas do stress (Mehta et al., 2016). De igual forma, a revisão de Beecham, Langner, Hargrave e Bluebond- Langner (2019) remetem-nos para a importância do conceito de qualidade de vida para crianças e jovens no processo de tomada de decisão, constituindo este conceito um fator-chave para determinar qual o tratamento a receber, ou seja, para que se alcance o sucesso da tomada de decisão importa ter em conta não só a perspetiva dos profissionais de saúde, como ainda a perspetiva de qualidade de vida da criança / jovem, bem como a dos seus pais. Na pesquisa do conceito qualidade de vida, estes autores depararam-se com conceitos que se correlacionam com o mesmo, que afetam a qualidade de vida, sendo eles: a resiliência, a função física e a mudança. No que respeita à mudança (mudanças no funcionamento físico - habilidades físicas básicas e função cognitiva), é através desta que os sujeitos alcançam a normalidade e esta mudança pode ser interpretada de forma diferente por indivíduos diferentes. Daí ter diferentes níveis de impacto. Perante esta mudança, o conceito de qualidade de vida pode ser entendido como uma “nova normalidade”. E para que se alcanceesse “novo normal” surge-nos a resiliência que se refere à capacidade dos sujeitos se adaptarem e interpretarem as mudanças. Esta revisão constatou que a qualidade de vida se baseia

na adaptação às mudanças (Beecham, Langner, Hargrave, & Bluebond- Langner, 2019).

3.4. Fatores de risco

Os clínicos de cuidados paliativos são vulneráveis ao burnout como resultado do

stress crónico relacionado com o trabalho com doentes “muito doentes”, o que pode

levar ao absentismo, à comunicação ineficaz, a erros médicos e à rotatividade de empregos (Mehta et al., 2016).

Perez et al. (2015) realizam um estudo qualitativo- entrevistas a 15 elementos clínicos de cuidados paliativos no Massachusetts General Hospital - para identificar os elementos de stress, as estratégias utilizadas e verificar se há necessidades de treino em cuidados paliativos a fim de se desenvolver um programa de resiliência. As trêsáreasidentificadas como as mais stressantes referem-se a: desafios sistemáticos (gerir casos de grande carga emocional e exigentes com restrições de tempo); fatores do doente (como abordar as necessidades mutáveis dos doentes, gerir a dinâmica familiar e atender às expectativas do doente e da família); desafios pessoais de projetar limites emocionais e profissionais (alistar-se em comportamentos saudáveis e procurar apoio emocional estão entre as estratégias mais utilizadas para gerir e lidar com o stress).

Atente-se que, no que respeita à resiliência individual, todos os participantes do estudo de Taylor J e Aldridge J (2017), Reino Unido- Inglaterra, explicam que fatores fora do trabalho podem afetar a capacidade de lidar com os desafios relacionados com o trabalho. Vários participantes descrevem eventos negativos nas suas próprias vidas que influenciaram a sua resiliência no trabalho e a sua capacidade de fornecer apoio emocional a famílias e colegas durante esses períodos. Por outro lado, Lee et al. (2015) referem que as barreiras para atender as necessidades são a falta de reconhecimento do problema, bem como a falta de tempo e de recursos financeiros dedicados ao problema.

No que respeita ao apoio organizacional, sabemos que as três áreas que têm impacto no bem-estar do trabalho, segundo Taylor J e Aldridge J (2017), são: trabalhar em

cuidados paliativos, dinâmica de equipa/ fatores organizacionais e a resiliência individual. Também Shanafelt et al. (2019) alertam que o burnout prejudica a qualidade dos cuidados prestados aos doentes e que este, nos profissionais de saúde, provém sobretudo de fatores organizacionais e não de questões de resiliência pessoal, em que a realização profissional é afetada por decisões organizacionais e de liderança. Com o mesmo resultado, surge-nos Carrieri et al. (2018) que chamam a atenção para o facto de os contextos organizacionais poderem ser prejudiciais para o bem-estar dos profissionais.

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