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distribuição dos leitos, principalmente de 01 a 04, na realidade, você perde a visão, você vê o paciente de costas quando você chega. Uns de costas e outros de frente, porque você na tem aquela visão em semicírculo. Nem os quartos individualizados. Não existe privacidade entre os leitos. Existe na realidade uma divisão. Você tem biombos, mas é só na hora do procedimento, não consegue, na realidade, individualizar. Eu acho que a parte de espaço para a enfermagem. Você não tem um espaço específico. A enfermagem como tem um grupo de maior percentual de pessoal dentro de qualquer setor e é o que é menos privilegiado no sentido de espaço. Não existe. Não é nem privilégio, é não existir. Não existe um espaço para a enfermagem, você não tem como parar para reunir, para conversar, para nada. Acho que isso peca na UTI. O relacionamento, considerando esse período que estou é meio complicado, pois eu tenho um período de assistência e um período de coordenação. Eu enquanto assistência tinha uma relação boa com toda a equipe, no sentido de relacionamento. No geral, entre os médicos tinha uma relação satisfatória, não posso dizer excelente, porque você pode ver que quando tem alguma coisa em relação à categoria deles, eles não têm uma visão mais justa. Mas de imparcialidade. Eles são muito corporativistas, mas em geral temos uma boa relação. Agora a relação enfermeiro x enfermeiro eu imaginava que era melhor, mas quando você vai olhando pelo lado de coordenadora (pausa) eu já tinha essa percepção, mas para mim ficou muito claro quando eu passei para a coordenação. Na realidade essa é uma situação meio embotada; mas não imaginei que não existisse grupo. Eu imaginava que o grupo fosse um pouco mais corporativista. E eu como fui a última a entrar no grupo eu me achava meio excluída, por não estar vindo de muito tempo com o grupo e então eu achava que era mais comigo, pois eu não tinha essa caminhada com todos. E achava que com o tempo, isso eu iria adquirindo. Eu me considero uma pessoa de bom relacionamento, sou tolerante, o passar dos anos faz adquirirmos isso. Mas percebi que não. Na realidade não existe realmente essa relação de companheirismo. O grupo é meio dividido. Dois ou três grupos. Percebo, assim, são ilhas, e o que acontece naquela ilha é resolvido. E mais difícil para se resolver as outras ilhas. A relação de técnicos. Técnicos entre técnicos; acho-os mais corporativistas do que o grupo de enfermeiras, apesar de ser um grupo muito grande. É bem maior o grupo de técnicos do que de enfermeiros, mas acho que eles ainda conseguem mais essa relação. Sempre que em um grupo tem suas variantes, mas acho que é pouca em relação ao grupo como um todo. Em relação ao técnico e enfermeiro, existe uma guerra. Considero assim: uma guerra entre os técnicos e os enfermeiros. Vejo que cada um tem a sua percepção, cada um acredita naquilo

que é sua verdade e não se abre. Isso nos dois grupos. Vejo isso entre os dois grupos. E se houvesse concessões entre ambas as partes; acho que teria uma harmonia maior. Mas, é um respeito que é quase quebrado em algumas situações. Acho que existe essa quebra de respeito mútuo, não é só do técnico para o enfermeiro, mas, também do enfermeiro para o técnico há quebra de respeito. E acho que isso é o que piora. Acho que o problema está nisso, das pessoas perceberem aonde é que eu desrespeito o outro. Esse, eu acho que é o ponto principal do relacionamento; é eu perceber aonde é que eu desrespeito, porque todo mundo só percebe aonde foi desrespeitado, mas aonde não respeita o outro, não se percebe. Eu vejo desta forma. QUESTÃO 2 – Como você percebe o familiar visitante de usuários na UTI em que você trabalha? É uma coisa muito ampla. Porque primeiro tem as individualidades. Tem os problemas pessoais de cada um dos visitantes nesse espaço. Mas vejo a maioria, todos ansiosos, todos querendo um resultado positivo. E eles sempre estão em busca de uma coisa que talvez a gente não dê. Aqui eu ainda vejo diferente do que em outros lugares, pois ainda tem o psicólogo para dar um suporte, você tem o serviço social, mas falta a parte do enfermeiro que é uma pessoa de referência na unidade e, talvez até do coordenador nesta posição. A minha dificuldade talvez por conta do meu tempo que está invertido e mais restrito. Mas acho que falta esse envolvimento no sentido de estar ali atento, para estar passando algumas informações, não só as médicas, porque as médicas não somos nós que passamos, pois tem o boletim. Mas para estar atento ali na hora, daquela ansiedade, porque nem a própria assistente social, nem a psicóloga talvez não tenha conseguido, porque tem coisas que são mais específicas da área de saúde, do cuidado; e tem algumas coisas que o médico não consegue perceber. Então eu acho que falta mais essa relação com o familiar. A gente tem uma clientela muito diversificada. Pessoas de baixa renda, com baixa informação, inclusive a nível de formação, de educação. A gente tem muito, na realidade, marginalidade, às vezes, embotada, porque não é aquele indivíduo que é fichado, mas tem aquele indivíduo que a gente percebe que vive num contexto de marginalidade; às vezes, pode até não ser, mas tem todo esse contexto de marginalidade. Então, toda essa mistura fica difícil, na realidade, de você manter um contato. Tem a questão da permanência do familiar pelo menor, e ainda não temos o idoso que tem o direito, mas que não permanecem; só em exceções, em casos muito especial mesmo. O familiar que acompanha, como não existe a privacidade, aí vem a questão física da unidade, termina se envolvendo muito na unidade com outros familiares, com os próprios profissionais, que alguns não conseguem manter o limite. Começa a criar um pouco de intimidade e isso termina criando algumas situações; acho que não compatíveis. Não que você tem que estar lá e o outro cá, você pode conversar, mas não criar intimidade, porque, geralmente, a família quando está ali fragilizada, o quê que acontece, termina perdendo, na realidade, a direção de algumas coisas. Eu acho que em alguns momentos o familiar pode atrapalhar, mas acho que aí falta o posicionamento do enfermeiro, no sentido de não estar permitindo a presença do familiar no momento de procedimentos. Por quê? Porque como ele não tem a visão do trabalho, não tem o conhecimento do que é o trabalho. Algumas coisas que podem parecer agressivas, na visão deles, mas que são necessárias que é o trabalho nosso. Isso para eles, às vezes, interfere, porque ele acha que é um mau trato, que não é um trato, que não é um cuidado. Como ele não tem um conhecimento, ele acha que é um mau trato, e isso interfere. Interfere porque na hora de você fazer um procedimento e ele achar que o parente dele está sendo agredido e levar para outra instância de outra forma. Para mim, eu pessoalmente, não tenho este problema, porque eu não permito que o familiar permaneça enquanto eu faço um procedimento porque ele não tem o entendimento e ele pode interpretar de uma forma errada. O que quê se pode fazer para melhorar? O enfermeiro estar atento para isso de não permitir, neste momento, a permanência. Não que estejamos fazendo nada errado. Mas como ele não tem o conhecimento é agressivo, tem coisas que a gente mesmo olha e é

agressivo o que a gente faz, mas que é necessário. Então, o enfermeiro estar se posicionando nisso, pedindo que se retire e retorne depois. Que o enfermeiro esteja presente na hora da visita e atento, percebendo algumas situações, até mesmo para impedir que eles façam alguma coisa com o familiar, porque, às vezes, eles mexem nas coisas e acham que estão cuidando. Mexendo aqui, tirando ali, querendo olhar por curiosidade; e essa interação, porque às vezes o familiar só quer escutar alguma coisa, quer uma atenção. Tem aqueles que falam: “olha eu tô aqui angustiado, uma coisinha que você me disser eu vou estar acomodando o coração.” Porque eu já passei por esta situação, do outro lado, de estar como acompanhante e é difícil. É difícil você ver o seu ente ali, você vai embora, vai passar 24 horas sem vê, não sabe o que estão fazendo, o que não estão. A sensação é de abandono. É de abandono, é de que você não vai ver mais. Será que nesse período que eu estou fora ele vai morrer, vão me avisar? Ou só depois de muito tempo? Então essas angústias eu sei que eles passam porque eu passei. Então, é uma palavrinha, às vezes uma atenção, que você vira para ele, olha para ele, lhe responde, porque, às vezes, a gente responde de costas, saindo. E se você pára, se você olha para ele, com certeza ele se acalma e, eu acho que ele vai te dar uma resposta melhor no comportamento, na superação.

QUESTÃO 3 – Relate a sua experiência pessoal na relação com familiares visitantes a

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