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DESCRIPTION DES ECHANGES OBSERVES : UNE CONTINUITE DYNAMIQUE

Chapitre 1 : Les pratiques tontinières

A) TYPOLOGIES : L’APPORT DES LANGUES VERNACULAIRES

Reflorestamento / Arborização Espécies do Cerrado-Frutíferas-Ornamentai Viveiro ecológico

Encantadores de Jardins Horta Medicinal

Mutirões: de Limpeza*/ Enxadoterapia

3Rs - Reduzir/Reutilizar/Reciclar

Separação de lixo e comercialização Reaproveitamento de materiais Customização de roupas Feiras de trocas / Bazar*

Oficinas de Produção de Materiais

Sacos de lixo para carros Lixeiras para as salas Marcador de livros Adesivos Camisetas De papel Oficina de Comunicação A Folha Verde Correio Verde Mural Informativo E-mail/Groups/Blog/Site Oficina de Vídeo Rádio CEAN Exposições Campanha ambiental Curso de Formação* Mobilização Estudantil* Mostra de vídeos ambientais Intervalo Cultural*

Interferência no espaço

Pinturas / instalações e mosaicos Ambientalização de espaços

Grafitagem - (A Palavra na Parede) Mosaico

Permacultura Bancos alternativos Círculo de Bananeiras Associação de espécies Escada de pneus Encontro de Ex (Alunos-Prof-Serv-Pais)

Escola que pensa - Out Doors Sala ambiental - Alternativa

Passeio ciclítico / Saídas de campo Festival de Dança

Pôr-do-Sol (Músicas ao entardecer) Luau - A roda da lua cheia

Sarau Cultural* Rock CEAN

Vida que te quero viva*

São os professores que definem as oficinas que vão dar conforme suas habilidades específicas e de acordo com a aceitação dos alunos. Essa decisão trouxe um alívio para os professores, que vinham se estressando desde a implantação da PD para encontrar uma fórmula. É sempre mais tranqüilo caminhar por trilhas conhecidas. Eventualmente algum subprojeto do OV é realizado como oficina por algum professor. Alguns professores têm buscado parcerias para a realização de atividades dentro da sua oficina. Essa estratégia de oficinas serviu tanto para os alunos que podiam escolher e realizar atividades variadas, quanto para o professor que pode, conforme suas habilidades, criar e desenvolver projetos de temas variados, porém, orientados para a EA e o OV. Por vezes algum aluno do Oceano desenvolve projetos integrados em alguma disciplina específica. Aos poucos os professores vão se aproximando das metodologias mais ativas. Como não tem professor específico para as oficinas, elas são desenvolvidas pelos mesmos professores que dão as disciplinas específicas do currículo, assim, pouco a pouco eles vão incorporando essas novas metodologias em suas aulas também.

O curso de formação, desde o início até 2008, sempre foi coordenado por mim e pela professora Andréa (Artes), com o apoio de outros professores da escola. Essa forma foi uma estratégia pensada para dar continuidade ao trabalho voluntário dos alunos depois da saída da última coordenadora do projeto (2002). As aulas do curso acontecem pela manhã, em dois dias da semana (determinados em cada ano conforme a disponibilidade dos alunos e dos professores). Essa formação inicial do grupo, dura em média, quinze aulas na escola e algumas aulas de campo. É realizada de forma voluntária por professores e convidados da comunidade, inclusive ex-alunos.

O processo pedagógico dessa formação é centrado na integração e interação do grupo. Cada aula tem três horas de duração onde se intercalam, trabalho de corpo, sensibilização, aprofundamento teórico, discussão em grupo e realização de atividades coletivas. No início do curso é realizado um mapeamento ambiental, um diagnóstico ambiental (fotografado ou filmado) com os problemas identificados por eles na escola. Ao longo do curso seguem as discussões sobre os problemas levantados e os planejamentos das atividades que serão realizadas pelo grupo. O planejamento inicial é só uma estratégia, os alunos vão avaliando e redirecionando o trabalho ao longo do processo. Essa dinâmica foi baseada nos princípios da Ecologia da Ação (Morin, 2000). Além de conteúdos específicos, são trabalhados elementos de afetividade, responsabilidade e desencadeados processos dialógicos em que todos se sentem no direito de sugerir e executar atividades variadas. Essa é a parte mais significativa, quando ficam mais próximos e amigos entre si e dos professores as coisas começam a

acontecer. Ao final do curso os alunos elaboram projetos que serão desenvolvidos por eles e outros alunos convidados, na escola.

Após o curso os alunos recebem sua carteirinha e passam a utilizar a salinha do grupo para atividades diversas, no extra turno e nos intervalos do seu turno (processo de co-gestão ambiental). A presença de ex-alunos do Oceano na escola é uma constante, um ou outro projeto está sempre em desenvolvimento e eles adoram participar da organização do curso para os novos alunos. Estes, por sua vez, também gostam de ter aulas com os alunos mais antigos. O fato de o curso acontecer no turno da manhã proporciona uma integração maior entre os turnos. Nos últimos anos foi mais forte a integração dos alunos do Oceano com os alunos do Grêmio, normalmente composto pelos alunos mais antigos, do 2º e 3º ano. Vários alunos do Oceano já foram eleitos para o Conselho Escolar e para o Grêmio. Assim, integrando e participando, os alunos vão fortalecendo a cada ano a sua autonomia, marcando sua presença e ampliando o seu espaço na escola.

A realização do curso e a existência do grupo são chamas acesas para a questão ambiental na escola. O grupo tem uma camiseta específica, mas a camiseta do uniforme da escola também traz o nome do projeto Oceano Verde estampado nas costas. É um uniforme alternativo ao uniforme oficial da SEE/DF, que os alunos escolheram em um concurso, o que contribui para reforçar a identidade da EA e o pertencimento do aluno ao CEAN/Oceano verde. (Fotos no Apêndice)

É difícil explicitar a organização dos projetos de Educação Ambiental do CEAN. O projeto Oceano Verde é reconhecido por todos na escola, mas poucos saberiam retratar a sua dinâmica complexa. São muitas as iniciativas de trabalho na dinâmica do grupo, como um todo, onde professores e alunos têm a liberdade de escolher o caminho. Assim, muitos projetos nascidos no grupo de base do Oceano Verde se tornaram parte da dinâmica da escola. Da mesma forma, projetos surgem nas diferentes disciplinas e/ou grupos de trabalho e são incorporados à prática e ao currículo com a participação e o apoio de grupos ou do coletivo, inclusive do grupo do Oceano Verde. A opinião sobre se cada projeto é ou não de Educação Ambiental varia dependendo da percepção do professor sobre a Educação Ambiental. Alguns realizam EA e nem se dão conta.

O Quadro – 4, a seguir, ilustra a evolução dessa Teia Transdisciplinar de EA do CEAN, composta de atividades curriculares e extracurriculares, no período de 1995 a 2008.

Quadro 4 - CEAN – Quadro Geral de Atividades da Teia EVOLUÇÃO de 1995-2008 Período de criação e funcionamento

Projetos e Oficinas 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 1. Mobilização Estudantil X X X X X 2. Curso de Formação OV X X X X 3. Oficina de Comunicação X X X X X X X 4. Encantadores de jardins X X X X 5. Oficina da Palavra X X X X X X X

6. Festival de Dança/Tds os estilos X X X

7. Oficina de Dança (Hip Hop) X X

8. Arborização e sustentabilidade X X X X X X X X X X X X

9. Intervalo Cultural X X X X X X X X

10. Customização de roupas X X X

11. Escritores e escrit.-Fala CEAN! X X X

12. Música e cinema brasileiros X

13. Curta na escola X X

14. Inclusão Digital X X X X X X X X X X

15. Oficina de vídeo X X X X X X X X X X X X X X

16. Oficina de blogs X X X

17. A Folha Verde – Mural OV X X X X X X

18. Revista eletrônica - X X 19. Jornal virtual - X X 20. Laboratório de Biologia X X X X X X X X X X X X X X 21. Laboratório de Física X X X X X X X X X X X X X X 22. Laboratório de Química X X X X X X X X X X X X X X 23. A Palavra na Parede X X 24. Projeto Corujinha X X X X 25. Horta Medicinal X X X X X X X 26. Encontro de EX X X X X X X X 27. Pôr-do-Sol X X X X X X X X

28. Ofic. de Produção da Formatura X X X X X X

29. Encontro de EX Alunos- X X X X X X X

30. Ofic. de mosaicos e ambientação X X X X X X X

31. Oficina de Nutrição/Alimentação X X X

32. Feiras de trocas e Bazar X X X X X X X

33. Rock CEAN X X X X X X X X X X

34. Sarau Cultural X X X X X X X X X X X

35. Luau X X X

36. Quilling (Arte com papel) X

37. Debates com documentários X X

38. 3Rs Reciclagem e produção X X X X X X X X

39. Fotografando a Fauna Local X

40. História por meio de charges X X X

41. Mutirões de limpeza X X X X X X X X X X X X X X

42. Enxadoterapia X X X

43. Radio CEAN X X X X X

44. Gincana Cultural X X X X X X X X

45. Festa Junina (julina) X X X X X X X X X X

46. Nascentes do DF e entorno X X

47. Escolas Irmãs X X X X

48. Teatro na escola X X X X X X X X X X X

49. Debate: Ética e corrupção X

50. Feira de Ciências X X

51. Vida que te quero VIVA X X X X X X X

52. Aulas Especiais X X X X

Hoje o projeto Oceano Verde está mais próximo do seu objetivo de trazer a EA para o centro das discussões e trabalhos pedagógicos da escola. Essa preocupação com a EA já está na consciência de grande parte do grupo e, principalmente, encontra-se registrada no principal documento da escola: seu Projeto Político Pedagógico, em seus princípios filosóficos e norteadores da prática educativa. O documento faz referência à construção de uma cidadania participativa que se dá de forma permanente e coletiva. Uma escola emancipadora, situada no contexto social-histórico local-global, onde a insatisfação com a escola atual se traduza num desejo e na possibilidade da construção de uma “outra” escola, qualitativamente melhor. Assim, a autonomia com base na liberdade e solidariedade é condição e necessidade fundamental para a formação integral do aluno, sua preparação para a cidadania e para o trabalho. Uma escola auto-instituinte, que compreende os conhecimentos, presentes nos conteúdos das diferentes disciplinas, como suporte para a formação desse cidadão. Nesse sentido, a partir da constatação de que: “ É no convívio social que devemos analisar as práticas presentes no ato educativo. O que se faz no ambiente escolar é expressão do modelo de sociedade na qual queremos viver.” (PPP/CEAN, 2008, p.29)

A escola propõe a EA como uma estratégia metodológica para a consolidação da autonomia no plano individual e coletivo. Assim, a partir das questões ambientais, locais e globais, pretende-se construir, passo a passo, uma sociedade sustentável nos seus diferentes níveis relacionais, a saber: indivíduo-sociedade-natureza. O Oceano Verde tenta desenvolver esse imaginário de escola, de experimentação e demonstração, herdado do CIEM. A escola aqui é compreendida como um espaço de experimentação educativa. Conscientes sobre a educação que se tem hoje – uma educação reprodutivista, que reproduz um tipo de sociedade que já não pode mais existir, que já não se quer, uma sociedade insustentável – ela vai buscando alternativas que afirmem a possibilidade de uma nova construção no campo da educação no sentido transformador e emancipador.

Neste ano (2008), por escolha do grupo de professores orientados pela nova equipe de direção, A EA reconhecida no Oceano Verde passou a se constituir o eixo orientador das oficinas da PD. Alguns professores conseguiram se orientar nessa direção, outros ainda estão no processo inicial, em busca de um caminho.

O fechamento dos Laboratórios de Informática e a saída de alguns professores desestruturaram um pouco essa organização construída no início do ano. Em setembro a

escola teve de replanejar a PD. Algumas oficinas foram encerradas e outras que também realizavam atividades nos laboratórios tiveram de se reestruturar de outra forma.35

Ao final do ano a escola realizou uma mostra dos trabalhos desenvolvidos nas oficinas da Parte Diversificada, no dia 4/12, e ainda uma Feira de Ciências, no dia 5/12, cujo eixo foi Sustentabilidade ambiental: energia, saúde e vida. Os dois eventos significaram momentos especiais de socialização do processo de EA na escola.

Pude perceber que já se fortalece uma interação entre elas. Na mostra dos trabalhos da oficina de inclusão digital, por exemplo, cada aluno apresentava em multimídia, uma das outras oficinas. É o início de outro processo.

Os Quadros 7 e 8, que trazem maior detalhamento dos subprojetos do OV e oficinas da PD, podem ser vistos nos Apêndices B e C.

35 Não basta existirem laboratórios numa escola é necessário que tenham pessoas responsáveis e com competência para disponibilizá-los aos professores. Equipamentos técnicos em que muitos mexem têm pouca durabilidade. Utilizados de forma improvisada dificultam em vez de dinamizarem as atividades pedagógicas. São em média 60 professores na escola.

PARTE V - ONDAS OCEÃNICAS: SITUAÇÃO E RESPOSTAS DO CAMPO