Merge-Sort Algorithm
2.2 Trees, Circuits, and Cuts
A turma que foi atribuída ao NE, como turma rotativa, pertencia ao 2º ciclo do ensino básico- 5º ano de escolaridade. Estas aulas foram lecionadas numa escola pertencente ao agrupamento e, em conjunto com o NE, foi decidido que a divisão das aulas referentes a esta turma seria distribuída pelos EEs conforme as diferentes unidades didáticas. Posto isto, eu tive de assumir as modalidades de jogos, ginástica de aparelhos e atletismo.
Na realidade, considero que o maior investimento nesta turma foi a melhoria do comportamento dos alunos, através da imposição de regras e rotinas na aula, aspetos que claramente não estavam assimilados pelos alunos. Aliás, tendo em conta esta problemática do comportamento dos alunos e,
considerando as dificuldades que demonstravam nas interações e dinâmicas de grupo, desde logo percebemos que as suas aprendizagens ficariam comprometidas, principalmente devido às interrupções constantes nas aulas. Assim, atendendo que esta foi uma das maiores dificuldades que senti durante este ano do EP, em conjunto com dois elementos do NE, optamos por realizar o estudo de investigação nesta temática. O nosso objetivo foi aplicar um modelo de ensino e algumas estratégias durante a realização de uma UD, que nos ajudassem a potenciar a melhoria do comportamento da turma, das interações sociais e, por conseguinte, das suas aprendizagens. Este estudo será apresentado no capítulo 4 deste RE.
Tal como realizei na turma residente, também nesta foram aplicados os questionários de caraterização dos alunos.
Através da análise dos dados foi possível observar que existia alguma homogeneidade a nível do género dos alunos, uma vez que 55% (onze) eram rapazes e 45% (nove) raparigas. Relativamente às suas idades, apenas 50% da turma se encontrava dentro da idade recomendada para o 5º ano de escolaridade, algo que poderia vir a ser alarmante. Considerando os demais alunos, apenas 7 tiveram alguma retenção no seu passado escolar e nos restantes 3, a diferença de idades deve-se ao facto de estes serem oriundos de outros sistemas de ensino, tendo ingressado no 5º ano de escolaridade com uma idade superior. O aluno que apresentava mais retenções revelou ser um dos casos mais problemáticos da turma. Este aluno tinha 13 anos de idade e ficou retido por uma vez no 3º ano e duas vezes no 5º ano de escolaridade. Dado o número significativo de alunos com antecedentes de retenção escolar, considero fulcral atender ao facto de que esta condição pode influenciar as aulas de EF, pois tal como afirma (Rebelo), não se verifica melhoria no nível de desempenho dos alunos retidos, acrescentando ainda que, estes podem sofrer prejuízos relativos à autoestima, às relações com os pares e às atitudes respeitantes à escola.
Esta turma integrava dois alunos portadores de NEE (Necessidades Educativas Especiais) e seis alunos com problemas de aprendizagem. Com efeito, durante a planificação das aulas foi necessário ter em atenção estas carências, de forma a adaptar a aula o mais possível a esta realidade. Estes dois alunos tinham problemas, essencialmente, de défice de atenção e de
competências cognitivas, o que levou à necessidade de projetar algumas adaptações ao nível da complexidade dos exercícios e da sua instrução. Adicionalmente, percebemos que um número elevado de alunos tomava medicação para controlar a hiperatividade. Para estes alunos, especificamente, os cuidados a ter nas aulas eram ligeiramente mais acentuados, uma vez que os seus níveis de atenção eram bastante reduzidos, especialmente nos momentos de instrução, necessitando de uma supervisão mais intensiva.
O horário da disciplina neste ciclo de ensino era distribuído por 3 blocos de 50 minutos, estando estes agrupados numa aula de 50 e outra de 100 minutos. No primeiro horário, por ter a particularidade de ocorrer no primeiro tempo da manhã, os alunos apresentavam-se mais calmos e a dinâmica da aula era mais fluida. Por outro lado, a aula de 100 minutos ocorria no segundo horário da tarde, após a hora do almoço e, desta forma, os níveis de atenção e concentração dos alunos eram drasticamente inferiores em relação à aula do outro dia. Consequentemente, a ocorrência de comportamentos desviantes prejudicava diretamente o funcionamento harmonioso da aula. Contudo, a predisposição da turma para a prática era, frequentemente, elevada.
Relativamente à pontualidade, os alunos não demonstravam muitos problemas inerentes a esta temática, no entanto, no decorrer do ano letivo, o atraso de um dos alunos foi frequente à aula que se realizava no primeiro momento da manhã. Em reunião de Conselho de Turma, em conjunto com o NE e o PC, tivemos conhecimento de que esta situação era reincidente nas restantes disciplinas em iguais circunstâncias. O Diretor de Turma (DT) contactou várias vezes com o Encarregado de Educação, no sentido de perceber o motivo para tal facto. A justificação dada por este foi de problemas familiares, pois o aluno tinha mais três irmãos que frequentavam escolas diferentes. Na minha opinião, nestes casos é importante que o professor mantenha um contacto próximo com o DT para tentar controlar este tipo de situações, para que não prejudique a aula e também o próprio aluno, pois aconteceu, algumas vezes, o aluno chegar à aula perto do final da mesma.
Com a observação das respostas dos alunos aos questionários preenchidos no começo do ano letivo, foi possível concluir quais as suas modalidades preferidas, sendo possível destacar o futebol e a ginástica. No ensino destas modalidades, observou-se que a motivação apresentada pelos
alunos facilitou o processo de ensino-aprendizagem, pois demonstravam-se mais predispostos para as atividades.
Por outro lado, analisando a motivação dos alunos para a prática, 70% da turma, ou seja, a maior parte dos alunos, afirmaram estar muito motivados para as aulas de EF. Esta condição pode influenciar positivamente o sucesso das aulas, principalmente nas modalidades preferidas. Embora a motivação dos alunos fosse acentuada, apenas 30% praticava atividades desportivas fora da escola. Deste modo, uma das maiores preocupações durante o ano letivo prendeu-se com a missão de promover nos alunos a procura da prática de atividades desportivas fora do âmbito escolar. Realizando uma retrospetiva geral do ano letivo, observo que essa motivação se verificou ao longo das aulas de EF nas diferentes modalidades, ainda que por vezes tal se verificasse prejudicial para o bom funcionamento da aula, pois demonstravam um entusiasmo excessivo para a prática. Ainda assim, é preferencial quando os alunos demonstram gosto pela prática desportiva, pois assim estão mais predispostos a realizar as atividades propostas.
Posteriormente, considerei relevante analisar o agregado familiar dos alunos para conhecer quais as realidades que estes vivenciavam no seu seio familiar. Verificou-se que apenas 50% dos alunos vivem com ambos os progenitores, sendo que os restantes vivem apenas com o pai ou com a mãe. Esta informação remete-nos para uma situação um pouco preocupante, pois tal como foi verificado nas aulas, estes casos podem trazer repercussões negativas para o bem-estar social e psicológico dos alunos, perturbando o bom funcionamento destas. Alguns alunos demonstravam problemas relacionais e de afetividade inerentes às interações humanas. Esta condição prejudicou algumas tarefas inerentes à aula, tal como a formação de grupos, dada a dificuldade demonstrada pelos alunos relativamente às suas relações e dinâmicas de grupo. Um dos aspetos também considerado no questionário foi os hábitos alimentares dos alunos. Considero que o papel do professor de EF na educação destes hábitos é essencial, pois por vezes há um défice verificado nesta vertente no contexto familiar. Ao nível desta temática, verificou-se que, de uma forma geral, os alunos detinham hábitos alimentares saudáveis. No entanto, no primeiro contacto com a turma foi possível observar que existiam dois casos um pouco extremos relativamente ao peso dos alunos. Com a aplicação da bateria
de testes Fitnessgram foi possível retirar algumas conclusões que fomentaram uma preocupação acrescida sobre estes alunos. Um destes casos caraterizava- se por um aluno portador de obesidade grau II, o que suscitou uma grande preocupação por parte do NE. Por outro lado, o outro aluno detinha um peso corporal muito abaixo daquele esperado, considerando a sua idade e estrutura. Após a consciencialização destes casos, o PC comunicou com o DT, que posteriormente apurou a situação com os respetivos encarregados de educação. A nossa atuação ao longo do ano letivo foi incidir, principalmente no aluno que apresentava sobrepeso, de forma a que o conseguíssemos incentivar à prática desportiva. Para além disso, foi realizada uma aula sobre “Como ter uma alimentação saudável?”, que se demonstrou proveitosa para todos os alunos da turma, até porque estes aprenderam novas informações desta temática, que desconheciam, e foram sensibilizados a realizar uma alimentação mais equilibrada.
No que concerne ao estado de saúde, alguns alunos apresentaram indicadores que exigiram cuidados e atenção ao longo das aulas. O problema mais incidente foi ao nível respiratório. Também a hiperatividade, cirurgias aos ouvidos e garganta e problemas de tiroide foram outras das limitações apresentadas. No caso dos alunos com asma, tinha como preocupação a regulação das intensidades impostas em cada atividade da aula. Quando eram propostos exercícios com um maior nível de exigência cardiorrespiratória, tinha uma atenção redobrada para verificar as reações destes alunos. No entanto, nunca foi necessária grande preocupação da minha parte, pois os alunos apresentavam responsabilidade e disciplina no controlo da doença. Independentemente dos problemas que os alunos possuíssem, procurei estar sempre atenta a possíveis sintomas ou acontecimentos traumáticos durante as aulas. Devido à postura muito irrequieta por parte de alguns dos alunos e considerando as brincadeiras “típicas” desta idade, durante o ensino de algumas modalidades, tal como foi o caso das ginásticas, nomeadamente ginástica de solo e ginástica de aparelhos, delineei algumas regras específicas para salvaguardar a sua segurança. Alguns desses exemplos foram: a colocação dos alunos por grupos, estando cada grupo com supervisão de um professor estagiário; a realização das habilidades mais complexas/perigosas apenas com a ajuda dos professores; quando o exercício era realizado em vagas, este só
podia ser realizado após o sinal sonoro do professor; a punição quando os alunos brincavam perigosamente durante a realização das tarefas da aula.
Em suma, observo que esta turma apresentava bastantes particularidades que tiveram de ser atentamente cuidadas ao longo do processo de ensino. No entanto, observei que as melhorias verificadas foram enormes e que os alunos tiraram imensas vantagens dessas melhorias durante este ano letivo, assim como irão tirar nos seguintes.