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Dans le document R.L. Graham, La Jolla B. Korte, Bonn (Page 170-173)

A Lei de Bases do Sistema Educativo determina que “o desporto escolar

visa especificamente a promoção de saúde e condição física, a aquisição de hábitos e condutas motoras e o entendimento do desporto como fator de cultura, estimulando sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade (…) ” (Assembleia da República, 1986, p. 3079).

A minha experiência enquanto EE no DE na ESAS levou-me ver muito para além dos aspetos enunciados na Lei de Bases do Sistema Educativo. Na ESAS foram constituídas quatro equipas de DE, nomeadamente Futsal, Dança, Badminton e Boccia. Foi precisamente neste último que recaiu a minha atenção no momento de escolher a equipa que iria acompanhar ao longo do EP.

E porquê o desporto adaptado? Quando via na FADEUP colegas da opção de Desporto e Populações Especiais a acompanhar pessoas com estas características, sempre disse que admirava muito o seu trabalho mas duvidava que eu tivesse perfil para o fazer. Esta era a oportunidade ideal para perceber se realmente tinha as competências necessárias para acompanhar o ensino especial, bem como suprimir o que considerava ser uma lacuna na minha formação académica. Apesar de na Licenciatura ter tido uma unidade curricular referente ao desporto e populações especiais, esta nunca passou de um plano teórico, pelo que nunca trabalhei especificamente com pessoas portadoras de deficiências ou com NEE.

“Confesso que inicialmente estava receosa, na medida em que nunca

tinha lidado com crianças com NEE, pelo que me surgiam questões como «será que conseguirei lidar com estes alunos que são tão especiais?», «será

que a minha personalidade se enquadra com as características destas populações?».

(Reflexão de Treino de DE, 2 de novembro de 2012)

Apesar destas inquietações, o meu entusiasmo era elevado pois estava ansiosa por aprender o máximo que fosse possível, tanto a nível do DE, como dos cuidados que deveria ter ao trabalhar com aqueles alunos. Inicialmente não sabia como interagir com cada um, pois todos eles tinham limitações muito distintas. O DE – Boccia incluía meninos com paralisia cerebral, espinha bífida, atrofia muscular muito desenvolvida, hiperatividade e défice cognitivo acentuado, para além disso, todos eles tinham personalidades muito diferentes. Porém, à medida que os fui conhecendo, fui-me adaptando às suas características e necessidades, bem como aprendo a lidar com cada um de uma forma muito especial, o que me permitiu cooperar ao máximo com a professora Cláudia, responsável pelo DE adaptado.

Esta relação especial que criei com cada um deles construiu-se nos treinos, nos torneios, mas também nos intervalos. Sempre que encontrava algum nos “meus meninos” – como carinhosamente os tratava – nos corredores era praticamente garantido que passaria o intervalo todo à conversa com eles. Porém, o facto de ir para o ginásio onde se realizavam os treinos meia hora antes destes começarem permitiu, também, conhecê-los melhor e mais rapidamente.

“Ainda antes de a campainha tocar para se dar início ao treino, já eu e o

Tomás13 estávamos a trabalhar no ginásio. A comunicação com o aluno às vezes é muito complicada, pois ele apenas se consegue expressar através de olhares, sons ou pequenos gestos. Contudo, o trabalho extra que fazemos antes do treino começar, tem-me ajudado muito a conseguir compreendê-lo e a aprender o que cada gesto, olhar ou som querem dizer. Quando não conseguimos ultrapassar esta barreira, recorremos à folha do Tomás que contém desenhadas letras e números, como se de um teclado de computador

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se tratasse, para que este se consiga fazer perceber. Tento que esta seja a última opção, de modo a que tanto ele como eu nos esforcemos de modo a que eu aprenda a entendê-lo.

(Reflexão de Treino de DE, 30 de novembro de 2012)

Apesar de a equipa de Boccia ter sido criada no ano letivo anterior, as condições para que este desporto pudesse ser trabalhado pelos alunos não eram suficientes. Apercebi-me, desde o primeiro treino, que se não fosse a paixão da professora Cláudia e do apoio incondicional do professor Vasco que também dá treinos no Centro de Paralisia Cerebral do Porto, seria impossível manter esta equipa. Não havia marcações das linhas do campo de Boccia e o

set com que nós trabalhávamos era emprestado pelo Centro de Paralisia

Cerebral do Porto, assim como a única calha à qual tínhamos acesso.

Tendo em conta que não tínhamos autorização para pintar o solo de uma das salas do ginásio, delimitámos o campo de Boccia com fita-cola. Por outro lado, o material emprestado tinha de ser devolvido todas as semanas. Assim, quando o professor Vasco não podia comparecer aos treinos tínhamos de improvisar bolas e calhas. Revoltada com as parcas condições que tínhamos, tentei encontrar uma solução que, pelo menos, minimizasse estes problemas. Desta forma, após algumas conversações, consegui estabelecer um protocolo com o Gabinete de Desporto Adaptado da FADEUP, no qual ficou decidido que todas as sextas-feiras ser-nos-ia emprestado um set de Boccia.

“Tendo em conta o aumento do número de alunos participantes no DE e

a escassez de material específico da modalidade, há a necessidade de improvisar, pelo que utilizamos bolas de borracha pequenas e bolas de mini andebol, bem como uma tábua de madeira para servir de calha. Para além de não ser prático utilizar este tipo de material, torna-se, igualmente, prejudicial na preparação dos alunos, uma vez que nas competições irão jogar com material oficial, algo a que não estão muito acostumados. Também as características das bolas condicionam o desenrolar do jogo, pois uma bola mais macia/áspera ou mais pesada/leve pode alterar toda a condução de uma jogada.”

“As condições materiais para o treino de Boccia não são de todo as mais

indicadas. Se, por um lado temos o grande contributo da FADEUP que me permite todas as semanas trazer o set, por outro, o facto de não termos um set nosso, capacetes para os alunos que necessitam de calha, campo pintado e, acima de tudo calhas sem que sejam improvisadas, limitam imenso o nosso trabalho e a preparação dos alunos. Para além disso, faz com que os alunos não se acostumem a trabalhar com o material devido, pelo que quando o fizerem, terão de perder bastante tempo na adaptação ao mesmo.

(Reflexão de Treino de DE, 30 de novembro de 2012)

Estes escassos recursos e a relativa falta de apoio condicionaram ainda a participação de todos os alunos no encontro de abertura.

“Este treino iniciou-se com uma boa notícia: a possibilidade de ser

realizado um torneio de abertura de DE no dia 28 de novembro na escola de Fânzeres.

Apesar de poder ser uma experiência muito importante para todos os alunos, por conviverem com outras crianças, por poderem desenvolver o seu jogo, bem como ser uma forma de os motivar, por se deslocarem a outra escola para competirem, se este torneio se confirmar, não poderemos levar todos os alunos. Este torneio não será oficial, sendo apenas uma forma de «dar as boas vindas» ao novo ano letivo e aos alunos que participam no DE de Boccia. Deste modo, não se tratando de uma competição oficial, o diretor da ESAS refere que a escola não tem recursos nem transportes disponíveis para esta atividade, pelo que terá de ser a professora Cláudia a levar o seu carro. Assim, só poderemos levar três alunos que não necessitem de cadeira de rodas, limitando, desta forma, a nossa escolha.

(Reflexão de Treino de DE, 16 de novembro de 2012)

“Esta sessão ficou marcada pelo feedback dado por mim, pela

professora Cláudia e pela Dulce14, relativamente ao encontro de abertura.

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Lamentamos o facto de não disponibilizarmos de condições para levar todos os alunos do DE Adaptado – Boccia, mas tal apenas nos motiva ainda mais a lutar para que sejamos olhados com respeito e nos deem valor nesta escola e apoios comecem a aparecer.

(Reflexão de Treino de DE, 30 de novembro de 2012)

Todavia, foram precisamente estas condições que nos deram mais força para lutar. A equipa cresceu de quatro para sete alunos, bem como conseguiu alcançar excelentes resultados nos torneios. Este desenvolvimento despertou a atenção da ESAS que começou a investir nesta equipa de DE, ao permitir que pintássemos um campo de Boccia no ginásio, adquirir um set de Boccia e mandar construir duas calhas.

Este investimento fez com que nós sentíssemos o peso da responsabilidade, pois tínhamos de estar à altura das esperanças depositadas. A partir daqui tínhamos de mostrar que éramos merecedores dessa atenção. No primeiro torneio oficial os resultados não corresponderam às nossas expectativas, principalmente devido à ansiedade e nervosismo que os alunos sentiam. Porém, no segundo torneio o Tomás, que também treinava no Centro de Paralisia Cerebral do Porto, sagrou-se campeão regional e no terceiro torneio as duas equipas que representaram a ESAS alcançaram, ambas, o segundo lugar nas respetivas divisões.

“A vitória do Tomás é o resultado da sua enorme dedicação (tanto no DE

como no centro de paralisia cerebral), da sua mãe que, na minha opinião, é um exemplo de coragem e força e que acompanha ao máximo o seu filho, de nós professores e dos outros meninos do grupo que demonstram um espírito de união e equipa tremendo.

Esta vitória do Tomás acabou por ser uma vitória de todos nós, mas acima de tudo do Clube de DE Adaptado – Boccia da ESAS. Esta notícia vai ser divulgada no Jornal Crescer e em escola, demonstrando que estas crianças/jovens são capazes de muitas proezas e que não são «coitadinhos», por não se conseguirem deslocar ou comunicar como a maioria das pessoas.

Esta é também uma forma de demonstrar ao diretor na escola que o investimento feito pela instituição no Boccia não foi em vão e que já começa a dar frutos. Poderá ser, igualmente, uma oportunidade de divulgar mais a modalidade pela ESAS, incentivando mais alunos a juntarem-se a nós.

(Reflexão do 2º Torneio de Boccia, 2 de março de 2013)

De facto, o primeiro torneio foi o momento de habituação. Não correu bem aos alunos, que na sua maioria eram estreantes, bem como a mim. Nos treinos estive sempre a orientar a calha ao Tomás, todavia na véspera do primeiro torneio tivemos a notícia que a rapariga que costuma assumir este papel no Centro de Paralisia Cerebral do Porto poderia ir à competição. Neste sentido, ficou decidido que eu iria colocar a calha ao Danilo15, pois assim a professora Cláudia ficava livre para acompanhar os jogos dos alunos da divisão II.

Como nunca tive oportunidade de trabalhar intensamente com o Danilo - aluno com um défice cognitivo muito acentuado, distrai-se e fatiga com muita facilidade e naquele momento ainda não sabia jogar muito bem - o início deste torneio foi quase desastroso.

“O primeiro jogo protagonizou situações menos agradáveis, como o

Danilo falar quando não é a sua vez de jogar (punível com uma falta); não estar atento à cor da raquete que árbitro mostra para saber quem é a jogar, obrigando-me a perguntar-lhe qual era a cor (falar com o jogador é punível com falta); não estar concentrado aquando das jogadas; não direcionar a calha para a bola branca; não me dizer quando quer calha e ter de ser eu a perguntar (quando não o posso fazer), entre outros aspetos.

Confesso que neste momento senti que esta era uma tarefa demasiado exigente para mim e que eu não tinha a competência nem paciência necessárias e fundamentais para trabalhar com o Danilo, ou alguém com características semelhantes. Ao fim do primeiro jogo (pior momento da

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competição em que o aluno perdeu destacadíssimo) senti-me completamente desesperada e incompetente.”

(Reflexão do 1º Torneio de Boccia, 2 de fevereiro de 2013)

Tendo em conta que tínhamos mais dois jogos pela frente, fiz um esforço para me acalmar e manter o entusiasmo necessário para o papel que assumia. Para isso, foi fundamental o apoio que senti por parte da professora Cláudia e a compreensão do árbitro que, apesar de me chamar à atenção dos incumprimentos, assumiu uma postura pedagógica, explicando aos jogadores o que poderiam ou não fazer, algo que não se verificava em todos os campos.

Estando mais calma, consegui que o Danilo me ouvisse com atenção nos intervalos entre jogos e que começasse a seguir as minhas indicações. Isto permitiu ao aluno perceber o que tinha de fazer, pelo que conseguiu ganhar as duas partidas que restavam.

“Tanto a professora Cláudia como o professor Vasco acreditam que o

Danilo nunca conseguirá perceber concretamente o jogo, dadas as suas limitações cognitivas. Contudo, creio que com um acompanhamento mais personalizado e com muita paciência, ele conseguirá surpreender-nos a todos. É esta tarefa a que me proponho, tendo, também eu, de me superar para que ambos sejamos bem-sucedidos.

Apesar de os resultados não terem sido os que esperávamos, o Danilo conseguiu surpreender muita gente ao ganhar duas partidas frente a jogadores mais experientes. Passei por momentos que quase me levaram ao desespero, mas foi, acima de tudo, uma experiência que me fez ultrapassar algumas adversidades e me ensinou muito, permitindo-me subir mais um patamar na relação com estes alunos tão especiais.”

(Reflexão do 1º Torneio de Boccia, 2 de fevereiro de 2013)

Como seria eu a colocar a calha e a acompanhar o Danilo nos restantes torneios, decidi que nos treinos iria trabalhar todos os aspetos que tinham falhado no primeiro jogo. Este trabalho permitiu que o aluno aprendesse as

regras do Boccia, tendo repercussões nos resultados obtidos nos restantes torneios, principalmente no terceiro em que alcançou o segundo lugar por equipas com o Tomás.

“Ao contrário do sucedido no torneio anterior, neste já me sentia em

sintonia com o Danilo, tudo devido ao trabalho intensivo que tenho realizado com este. No primeiro treino depois do primeiro torneio criei uma sequência de tarefas a ter em conta num jogo de Boccia que, depois de repetida e relembrada muitas vezes, foi decorada e consolidada pelo Daniel. Esta estratégia permitiu que ambos conseguíssemos realizar as partidas de uma forma muito mais tranquila e em sintonia, não sendo necessário chamarem-nos à atenção por estarmos a falar, pois aprendemos a comunicar um com o outro apenas com o olhar.”

(Reflexão do 2º Torneio de Boccia, 2 de março de 2013)

A evolução do Danilo e o meu trabalho desenvolvido com ele foram diversas vezes alvo de elogios pelos professores Vasco e Cláudia. Estes

feedbacks e os resultados obtidos pelo aluno deram-me a sensação de “missão

cumprida!”.

As vitórias alcançadas pela equipa de Boccia não seriam possíveis não fosse a imensa ajuda da Dona Paula, tarefeira que acompanhava alguns dos alunos do DE durante o dia. Já depois do seu horário de trabalho terminar esteve sempre, em todos os treinos do início ao fim, a colocar calhas, a ajudar a controlar os alunos, a dar-lhes miminhos, a repreendê-los quando necessário…

O seu apoio foi fundamental, bem como o de mais alguns funcionários que fizeram questão de apoiar a equipa em alguns torneios. Considero que a ESAS deveria estudar melhor a forma como o DE – Boccia deve ser estruturado. É impossível a professora Cláudia orientar os treinos – em que todos os alunos exigem muita atenção e três deles precisam de calha – e ir a torneios com sete alunos com estas características, sozinha e sem mais nenhum professor para a apoiar.

O que eu vivenciei com este grupo foi para além do DE. Todos os dias ficava um pouco mais preenchida e sensibilizada, ao conviver com pessoas em que “pequenas” evoluções fazem toda a diferença. Eram estes “pequenos- grandes-nadas” que significavam muito para eles e para todos os que os acompanhavam. Se inicialmente estava envolta de estigmas, inconscientemente, agora sinto que estes meninos me ensinaram muito, pelo que a convivência com eles me mudou e mudou a forma como olhava para as pessoas portadoras de deficiência.

Eu e a professora Cláudia éramos mais do que professoras do DE. Por exemplo, a Dulce era uma menina de etnia cigana que vivia nas chamadas “barracas”, sem condições de higiene. Foi a professora Cláudia que estipulou os dias em que ela tomaria banho lá na escola, caso contrário a Dulce não teria tantos cuidados de higiene. Foram diversos os dias em que não treinámos e montámos os colchões no ginásio para fazer sessões de massagens – muito importantes principalmente para os meninos com atrofia muscular -, sessões de cócegas, ou até mesmo uma espécie de aula de Judo dada por mim. Foi precisamente nestas atividades em que vimos o maior sorriso estampado no rosto e a felicidade nos olhos de todos eles.

O encontro de abertura foi outro exemplo de que o DE foi muito mais do que o Boccia, pois proporcionou momentos de aprendizagem e diversão envoltos no tema da segurança rodoviária.

“Na minha opinião, o desporto adaptado na escola deve promover,

essencialmente, a independência e autonomia dos alunos, ensinando-os a fazer frente às suas limitações no dia-a-dia. Esta atividade focou precisamente este aspeto, iniciando-se com uma sessão teórica de prevenção rodoviária, em que era solicitada a participação dos alunos. (…) Após a componente teórica chegou o momento de pôr em prática, no circuito existente na escola, tudo o que foi ensinado relativo à prevenção rodoviária, com o recurso a carros a pedais ou bicicletas disponibilizados pela escola. (…)

Para os alunos foi uma experiência muito boa, pois foram sensibilizados para questões importantes ao nível da segurança rodoviária (muitos deles

andam a pé sozinhos), bem como puderam experimentar o circuito e conviver com outras crianças/jovens.

(Reflexão do Encontro de Abertura, 28 de novembro de 2012)

Fui convidada, igualmente, a assistir a uma apresentação da turma do Curso de Educação e Formação de Jovens, da qual faziam parte alguns dos meninos do Boccia.

Quando os pais iam buscar os seus filhos aos treinos de DE apercebi- me que os familiares destas crianças especiais são também pessoas muito especiais. Contudo, nesta atividade fiquei muito sensibilizada ao ver que todos os alunos da turma tinham pelo menos um familiar (um pai, um irmão, um avô…) a assistir à pequena festa, principalmente sendo a uma hora em que, à partida, estariam a trabalhar (16h10). É impossível comparar o grau de envolvência destes pais com, por exemplo, os encarregados de educação dos alunos da minha turma. Estes familiares são muito mais presentes.

Esta festa foi muito importante para mim e ainda hoje não sei explicar bem porquê. Houve situações em que me comovi muito por estar a assistir a pequenas vitórias daquelas crianças. Esta situação demostrou-me, mais uma vez, que apesar das limitações que têm, os alunos com NEE têm todo um espectro de potencialidades tremendo a ser explorado, pelo que não devem ser menosprezados, mas estimulados.

“Foi muito emocionante verificar que eles conseguiam fazer coisas que à

partida, para as pessoas ditas “normais”, seriam banais, mas para eles são uma grande barreira, como ler uma pequena apresentação sobre os animais e interpretar uma música acerca do mesmo tema. (…)

Esta foi, igualmente, uma grande oportunidade de lidar mais de perto com outros alunos que não estão no Boccia e com as famílias. Percebi melhor como estas vivem a diferença todos os dias e como lidam com as limitações dos seus filhos/netos. Dá para perceber, com o convívio com estas crianças, familiares e professores especializados, que as mais pequenas aprendizagens são sempre uma grande vitória.”

Uma vez, numa aula de Tópicos I16, a oradora disse uma frase que ainda hoje não me sai da cabeça e que, para mim, cada vez faz mais sentido. “Podemos não mudar o mundo, mas podemos mudar-nos a nós”. Não consigo expor por palavras o que esta frase significa para mim. Mas esta experiência no DE adaptado mudou-me, foi muito mais do que orientar treinos e participar em competições. Comecei a olhar para as pessoas portadoras de deficiência com outros olhos, tornei-me mais sensível, mais humana.

Dans le document R.L. Graham, La Jolla B. Korte, Bonn (Page 170-173)