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Tests à différentes concentrations de DMMP et estimation de la limite de détection

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CHAPITRE 4 : DETECTION DES ORGANOPHOSPHORES EN PHASE GAZEUSE

4. Fonctionnalisation des microleviers et tests de détection

4.3 Tests à différentes concentrations de DMMP et estimation de la limite de détection

A coleta de dados iniciou-se somente em outubro de 2007 devido a diversos contratempos que foram surgindo no decorrer da pesquisa. Superados os obstáculos, coletamos os seguintes dados no final de 2007 e início de 2008.

I) Entrevista audiogravada com a professora de Sala SAPE. Nesta entrevista conversamos sobre a natureza do trabalho da sala SAPE, a freqüência dos alunos e os recursos disponíveis para o desenvolvimento do trabalho. A professora trouxe-nos, ainda, sua visão de inclusão e do papel da LIBRAS na aprendizagem do aluno. II) Entrevista audiogravada com a professora Lígia. Nesta entrevista a

professora fala de sua experiência docente, revelando a visão que tem sobre seu próprio trabalho e sobre o processo de inclusão. Conta, também, como tem buscado subsídios para desenvolvê-lo em sala de aula com os alunos Surdos.

III) Aula audiovideogravada da professora Lígia, na qual a professora dá um atendimento especial aos alunos Surdos.

IV) Aula audiovideogravada da professora Amanda: aula expositiva a alunos Surdos e ouvintes.

V) Entrevista audiogravada com a professora Amanda. Nesta entrevista a professora fala de sua experiência docente, revelando a visão que tem sobre o próprio trabalho e sobre o processo de inclusão. Conta, também, como tem buscado subsídios para desenvolvê-lo em sala de aula com os alunos Surdos.

A fim de registrar as ações pedagógicas das professoras com os alunos Surdos, optamos pela gravação das aulas em vídeo para propiciar a análise de sua participação discursiva. Conforme discutirei, a seguir, nas decisões de transcrição, esse tipo de gravação foi o mais adequado para registrar os aspectos da fala em língua de sinais que é uma língua visual. Quanto às entrevistas com as professoras ouvintes, as gravações foram apenas em áudio.

2.4.2. Decisões de Transcrição

Atualmente, para fazer a transcrição da LIBRAS tem se utilizado o “sistema

de notação de palavras” (FELIPE, 1998), que recebeu este nome por fazer uso de

palavras da língua oral auditiva para representar aproximações semânticas aos sinais. Já existem também estudos sobre uma escrita de sinais chamada de

SignWriting13. Tal linguagem, porém, ainda não está amplamente divulgada e, além de sua utilização necessitar estudos mais aprofundados, consideramos que não fosse adequado para o tipo de análise que faremos neste trabalho.

Rinaldi et al (1997) apresenta uma proposta de transcrição bastante minuciosa, na qual há marcação inclusive para expressões faciais, soletração, composição dos sinais, entre outras. Nesta investigação, nós nos valeremos apenas da indicação de transcrição para datilologia, isto é, usaremos o alfabeto manual: “palavra separada, letra por letra, por hífen. Exemplos: J-O-Ã-O, A-N-E-S-

T-E-S-I-A” (Rinaldi et al, 1997:69).

13 O SignWriting, isto é, a escrita de sinais é um sistema de registro gráfico que usa símbolos para representar as configurações de mão, movimentos, expressões faciais e posicionamento do corpo

Além deste recurso, lançarei mão da tradução LIBRAS/Português, entendendo que esta é uma leitura do texto produzido pelo aluno, impossível de ser literal, visto que há o confronto de duas culturas em jogo, em conformidade com Arrojo (2002), que diz:

... ainda que um tradutor conseguisse chegar a uma repetição total de um determinado texto, sua tradução não recuperaria nunca a totalidade do “original”; revelaria, inevitavelmente, uma leitura, uma interpretação desse texto que, por sua vez, será, sempre, apenas lido e interpretado, e nunca totalmente decifrado ou controlado (ARROJO, 2002: 22).

e ainda:

Em outras palavras, nossa tradução de qualquer texto, poético ou não, será fiel não ao texto “original”, mas àquilo que consideramos ser o texto original, àquilo que consideramos constituí-lo, ou seja, à nossa interpretação do texto de partida, que será sempre produto daquilo que somos, sentimos e pensamos (ARROJO, 2002: 44) (grifos do autor).

Nesse sentido, assumo o risco de traduzir as interações verbais dos alunos Surdos em LIBRAS para o português, uma vez que o que conta para o meu objetivo de pesquisa são as contribuições dos professores e dos alunos Surdos.

Marcuschi (1986/2006) propõe que a transcrição de dados seja feita segundo os objetivos da pesquisa. Na medida em que o objetivo deste trabalho é investigar o modo como a professora propiciava espaços de aprendizagem e interação nas aulas, notações do tipo alongamento de vogais, pausas, falas simultâneas e outras regras de notação mais sofisticadas da língua oral, bem como a configuração de mão, sinais compostos, movimento e outras notações mais precisas da LIBRAS não são necessárias.

Os turnos neste trabalho serão entendidos como “a produção lingüística de

um indivíduo enquanto tem a palavra” (MARCUSCHI, 1986/2006: 84). Serão

considerados a partir de cada proposição, e estas estarão mescladas de mímicas, LIBRAS, ato de apontar e de escrever, pois, uma vez que não há língua comum partilhada, diversos recursos são utilizados na negociação dos sentidos. Nessa

perspectiva, “o turno pode ser tido como aquilo que um falante faz ou diz enquanto

tem a palavra” (grifo nosso) (MARCUSCHI, 1986/2006: 18).

Para atender às necessidades deste trabalho, a transcrição das aulas obedeceu aos seguintes critérios:

1- Para facilitar a leitura e análise dos dados transcritos, os turnos foram numerados. Em seguida, foram colocados os nomes fictícios dos participantes.

2- Os turnos em LIBRAS dos alunos foram traduzidos para o português e numerados.

3- As mímicas que a professora faz para se comunicar foram descritas e numeradas como turnos. Os outros dois recursos que a professora utiliza para efetivar a comunicação – quais sejam: escrever em um caderno e apontar informações escritas no caderno ou na lousa – estarão descritos e numerados como turno, sendo em seguida identificados em cinza.

4- Quando utilizado o sistema de datilologia para digitar uma palavra, esta será transcrita em letras maiúsculas separadas por hífen.

5- Anotações feitas durante a gravação a partir de impressões que tive ou de elementos que julguei serem imprescindíveis para compreender ou contextualizar a interação, estão descritas e marcadas em fonte verde e não serão numeradas como turno. Podem, no entanto, aparecer no interior do turno dos participantes, mas também constituir parágrafos, em separado.

6- Quando um aluno ouvinte participava da interação durante a aula, foi identificado apenas como aluno ou aluna, e quando em grupo, alunos. 7- Há duas alunas ouvintes que sabem um pouco de LIBRAS e auxiliam a

professora Amanda na comunicação com os Surdos. Foram identificadas como ASS1 e ASS2.

8- Há uma quarta aluna Surda, que veio para este grupo no ano de 2008 e que não quis fazer parte da pesquisa. Quando ela se coloca, é identificada como S4. Suas falas foram transcritas, mas não analisadas.

9- Momentos em que não foi possível compreender o que estava sendo dito utilizamos o sinal (...). Este sinal também foi utilizado para indicar a supressão de trechos da fala.

Exemplos:

Aula 1 – (Excerto)

Professora vira a página do caderno.

42- Sara: (para Sólon) Veremos um exemplo, veremos um exemplo. 43- Sólon: Sim parece.

44- Prof Lígia: (escreve no caderno) Parnasianismo. (aponta a lousa) Parnasianismo

45- Sara: Positivo. P-A-S-S-A...? 46- Prof Lígia: Sim

47- Sara: Diferente! (troca olhar com o colega) Ah! Nome. 48- Prof Lígia: (escreve no caderno) Bonito

49- Sara: Bonito! 50- Sólon: Confirma.

51- Prof Lígia: (aponta a lousa) Romantismo

52- Sara: (aponta a lousa) Romantismo. Amor. (aponta a lousa) Parnasianismo bonito.

53- Prof Lígia: (aponta a lousa) (...). Coloca a mão na testa.

Aula 2 – (Excerto)

75 - Selma - (...)

76 - S4 – Tá bom, não fizemos porque é difícil. 77- Selma – É, nós não escrevemos porque é difícil.

78 - Sara – Acrescenta aí, é difícil poesia, poesia. (mostram o texto para ASS 2) Simultaneamente.

79- Alunos – Sim

80 – Prof Amanda - Muito né eu só quis fazer uma comparação pra que vocês percebessem sem tecnologia nenhuma avançada como nós temos hoje em dia

nós temos exemplos de arquiteturas que estão aí até hoje séculos e séculos, então o que aconteceu?

Além da gravação de aulas, foram instrumentos desta pesquisa entrevistas semi-estruturadas, definidas com aquelas que partem de um número reduzido de questões, mas oportuniza o surgimento de outras durante a interação (RIZZINI, CASTRO & SARTOR, 1999). Estas foram transcritas literalmente, precedidas de nome fictício quando era o caso. Também nesta transcrição, os turnos foram numerados.

Exemplo:

Entrevista professora de sala SAPE (Excerto)

37- Elaine: E o conteúdo trabalhado é sempre como um reforço da sala de aula? 38- Catarina: Não reforço, é pra aquisição do conteúdo.

39- Elaine: Tá. É uma aquisição do conteúdo. Lá ele não consegue captar aí você pega o tema e trabalha com ele?

40- Catarina: Sim.

2.5 . Categorias de Análise

Objetivando responder a pergunta desta pesquisa, os dados coletados foram entendidos a partir do diálogo entre os vários autores discutidos no capítulo teórico e analisados através do conteúdo temático, que se concretizou por meio das escolhas lexicais (BRONCKART, 1999).

Neste trabalho, compreendo que escolhas lexicais e os conteúdos temáticos são instrumentos importantes para a análise, pois nos auxiliarão perceber, nas situações descritas, as possibilidades de construção de conceitos que podem propiciar – ou não – a inclusão efetiva dos alunos Surdos na escola regular.

2.5.1. Conteúdo Temático

Os dados são analisados a partir do seu conteúdo temático, definido “como

o conjunto das informações que nele (o texto) são explicitamente apresentadas, isto é, que são traduzidas no texto pelas unidades declarativas da língua natural utilizada” (BRONCKART, 1999: 97). Assim, a partir das escolhas lexicais dos

participantes (grifo meu), ainda segundo Bronckart, das informações constantes nas falas analisadas, destacaremos o que for relevante para trazer respostas à pergunta de pesquisa, conforme esquematizamos no quadro a seguir.

Quadro 1: Instrumentos, tratamento aplicado aos dados, categorias de análise e relação com a pergunta de pesquisa.

Instrumento Tratamento

aos dados

de análise Categoria

Relação com a pergunta

Gravação de

aulas Transcrição Escolhas lexicais, Conteúdos temáticos

Perceber na dinâmica da aula como se dá a interação

professora/aluno e como são propiciados espaços de

construção de conhecimento. Entrevistas Transcrição Conteúdos

temáticos, escolhas lexicais

Como cada participante percebe a inclusão e o processo de

ensino/aprendizagem.

2.6. Credibilidade da pesquisa

Para dar maior credibilidade a este trabalho, relato as oportunidades em que esta pesquisa foi publicizada, podendo, então, receber colaborações críticas e/ou sugestões.

Esta pesquisa foi submetida a discussões em Seminários de Orientação com a Professora Dra. Ângela B. C. T. Lessa e colegas mestrandos e doutorandos, bem como em Seminários de Pesquisa do grupos ILCAE e LACE, ambos na PUC-SP. Também foi apresentada em simpósios e congressos promovidos pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em LAEL e pelos

Departamentos de Inglês e Lingüística da Faculdade de Comunicação e Filosofia da Pontifícia Universidade Católica, realizados na PUC-SP. São eles:

A) IV Fórum de Inclusão Lingüística em Cenários Educacionais; B) III Fórum de Linguagem em atividades do Contexto Escolar; C) I Simpósio Ação Cidadã;

Passo agora, no capítulo seguinte, a fazer a análise e a discussão dos dados.

CAPÍTULO III

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