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Syndromes des antiphospholipides

Dans le document Les thrombopathies : étude bibliographique (Page 65-69)

PARTIE I : LES THROMBOPATHIES

C- Maladies auto-immunes

2- Syndromes des antiphospholipides

Retornemos mais uma vez a O declínio do Império Americano. Em entrevista sobre o seu novo livro, a personagem Dominique sustenta a hipótese de que

os sinais de declínio (da civilização) estão por toda parte. [...]. Com a destruição do sonho marxista-leninista não há nenhum modelo de sociedade do qual dizer: “é assim que gostaríamos de viver”. Como no plano privado, a menos que seja místico ou santo, é quase impossível moldar sua vida a partir de um exemplo a sua volta. Vivemos um processo geral de dissolução de toda a existência […] O declínio de uma civilização é tão inevitável quanto o envelhecimento. No máximo se pode retardar o processo.

Esse pessimismo explícito na hipótese de Dominique pode ser considerado uma espécie de eco à tendência predominante entre as filosofias da história da primeira metade do século XX. São doutrinas pessimistas, como as de Schubart, Berdiaeff e, sobretudo, Spengler, que caracterizam seu tempo como uma época de crise[562]. Uma crise que era pensada como fundamentalmente moral. A filosofia da história de Toynbee foi a mais popular dessas doutrinas, muito embora em diversos

momentos Toynbee tenha mostrado pouco interesse nessa definição: “suponhamos que a minha visão de história conduzisse, de fato, a uma conclusão pessimista: Que importância tem isso? ‘Pessimista’ e ‘otimista’ são uma coisa, ‘verdadeira’ e ‘falsa’ é outra”[563]. A evocação de personalidades míticas exemplares e de um suposto ciclo de auge, declínio, envelhecimento e dissolução da sociedade ocidental são, nesse sentido, bastante oportunas se considerarmos o sistema histórico- filosófico criado por Arnold Toynbee.

Sua intenção inicial com Study era construir uma imagem sistemática da história humana. Uma proposta, como se verifica, bastante ambiciosa, mas que seria empreendida de um modo muito peculiar: sua obra tomou como princípio reflexivo a tese geral de que, quando comparadas, as civilizações parecem atravessar estágios semelhantes de crescimento, colapso e dissolução. Tais paralelismos permitiram ao autor formular certas leis históricas que explicassem o curso de todas as civilizações. O leitor de Study logo se depara com uma diferença crucial com todos os empreendimentos anteriores de reconstrução sistemática da história universal. Misto de obra historiográfica, ambição enciclopédica e filosofia da história, sua erudição e capacidade de síntese não encontram semelhantes, seja entre as grandes filosofias da história do século XIX, como as de Hegel ou Marx, seja entre os grandes projetos enciclopédicos da historiografia, como de seu contemporâneo Will Durant.

Como lembra Michel Brunet[564], talvez nem seja conveniente intitular o Study de historiografia e seu autor de historiador, mas sim de meta-historiador na medida em que Toynbee se serve do material utilizado pelos historiadores para atender a propósitos diferentes da historiografia. Isso é visível, por exemplo, no descaso com que o autor trata as histórias nacionais. Isso porque as forças que atuariam nos desenvolvimentos dos Estados não seriam nacionais e, portanto, não poderiam ser explicadas por si mesmas. Elas procederiam de causas mais amplas, que operariam sobre cada uma das partes e não seriam inteligíveis em sua existência temporal e espacialmente limitada. Por isso Toynbee concluiu que “para compreender as partes devemos primeiro dirigir nossa atenção ao todo, porque este todo constitui o campo de estudo que é inteligível em si mesmo”[565].

A rejeição à ideia de nação, sem a qual, contemporaneamente, sabemos ser impossível pensar o século XX, é uma marca registrada do Study. Ela foi desenvolvida a partir das críticas que fez, ainda no início de sua carreira acadêmica, à importação de uma concepção ocidental de nacionalidade nos Bálcãs, que contribuiu para a intensificação dos conflitos entre Grécia e Turquia, ao final da Primeira Guerra Mundial[566]. Já as delimitações espaçotemporais dessa totalidade que denominamos história universal poderiam ser comprovadas empiricamente, segundo pensava o autor, por meio de grandes unidades culturais, políticas e econômicas que apresentavam uma longa duração na história da humanidade e poderiam ser facilmente discerníveis: “A lei que os Bourbons e os Stuarts obedeceram na França e na Inglaterra não estava em vigor entre os Romanov na Rússia ou os Osmanli na Turquia”[567].

Além da história nacional, Toynbee rechaçava também a leitura racialista da história, defendida por Oswald Spengler. O Study, nesse sentido, possui um forte teor crítico à associação causal entre história e raça. Comentando a demasiada ênfase, dada à sua época, à influência dos povos bárbaros na gestação da civilização ocidental, quando da dissolução do Império Romano, Toynbee atribuiu tal perspectiva

à falsa crença de que o progresso social pode ser explicado pela presença de certas qualidades inatas da raça. [...] Sugeria-se que estes bárbaros eram “raças puras” de conquistadores cujo sangue valorizava e enobrecia ainda os corpos de seus supostos descendentes, muito embora essa sugestão não leve em consideração [...] que a civilização helênica da qual descende por filiação a civilização ocidental já estava morrendo, fruto das feridas autoinfligidas pelos tempos revolucionários de épocas anteriores. Nesse sentido, tais povos bárbaros foram meramente abutres que se alimentaram da carcaça ou os vermes que se arrastaram sobre o cadáver[568].

À rejeição aos conceitos de raça e nação para compor seu universo categorial interpõe-se o conceito de civilização. Segundo seu juízo, o “paroquialismo” das histórias nacionais não alcança a dimensão totalizadora da história da humanidade. Tais histórias só podem ser compreendidas com base em uma visão que as considere como “parcelas sincrônicas” de unidades culturais mais amplas. A civilização é, portanto, o conceito estruturante do Study porque define o campo de ação (field of

action) onde agem os indivíduos. As civilizações são os elementos inteligíveis para os estudos

históricos, visto que “possuem maior extensão no espaço e no tempo que os estados ou as cidades- estados ou qualquer outra comunidade política. [...] As sociedades, não os estados, são os ‘átomos sociais’ com o qual devemos tratar o estudo da história”[569].

Esse princípio de unidade empiricamente demonstrável no presente possibilitaria a distinção de quatro civilizações, além da ocidental cristã: 1) Cristã Ortodoxa, na Europa Ocidental e na Rússia; 2) Islâmica, abarcando desde a África Setentrional e Oriente Médio às portas da China; 3) Hindu, na Índia; 4) Oriental distante. As mesmas fazem parte de um grupo maior de 21 civilizações que poderiam ser observadas ao longo da história da humanidade[570]. Para Toynbee a análise comparativa entre tais civilizações justifica-se na medida em que as civilizações se equivalem, tanto em termos temporais quanto em valor. Nenhuma delas, quando medidas por um padrão ideal, estaria em condições de julgar as demais. Daí por que essas 21 sociedades “devem ser consideradas, hipoteticamente, como filosoficamente contemporâneas e filosoficamente equivalentes”[571].

A eleição do conceito de civilização como campo de estudo privilegiado da história não quer dizer, entretanto, que os indivíduos não tenham lugar em meio à filosofia da história de Toynbee. Ora, se a gênese das civilizações não é resultante de fatores biológicos (raça) ou mesológicos (meio), resta a pergunta acerca do fator determinante para seu nascimento. Para o autor em questão, o nascimento de uma civilização depende da combinação de condições específicas: a presença de uma minoria criadora em uma dada sociedade e de um meio ambiente que não seja demasiadamente desfavorável nem demasiadamente favorável. A interação entre essas duas condições faria com que tais agrupamentos humanos se desenvolvessem como civilizações por meio de um movimento contínuo de resposta humana aos desafios impostos pelas condições mesológicas. Nesse campo de estudo, posição de destaque é atribuída aos indivíduos, tomados por Toynbee como sources of study. Todavia, nesse processo de interação entre homem e meio merece destaque a ação de certos indivíduos que parecem “milagrosos” aos olhos da coletividade, que “põem em movimento o processo de crescimento das sociedades a que ‘pertencem’”. Seriam, segundo os termos do próprio autor, “super-humanos no sentido literal e não meramente metafórico”: personalidades criadoras, miticamente inspiradas, “que se veem impelidas a transfigurar seus companheiros em indivíduos criadores, a sua própria imagem”[572]. São estes os indivíduos que estão na gênese do processo de criação das civilizações, garantindo a vitalidade de toda a sociedade, juntamente com seu séquito, chamado de “minorias criadoras”.

Pode-se afirmar, portanto, que quem faz realmente história são as “personalidades criadoras”, que se expressam na história de diferentes maneiras, como personagens religiosos, estadistas, generais, poetas, historiadores ou pensadores políticos. Todas essas personalidades criadoras possuem em comum uma tendência, em sua trajetória pessoal, de “afastamento e retorno” (afastam-se do mundo, formulando e amadurecendo suas ideias e depois voltam ao mundo para agir sobre ele). Quando confrontada sua trajetória pessoal com a trajetória da civilização com a qual esteve envolvida, perceberíamos que os êxitos e malogros dessas personalidades criadoras é que determinaram a marcha daquele desenvolvimento.

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