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Subtitling technology: overview

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Chapter 4: Article 3. Technology for subtitling: a 360-degree turn

4.2. Subtitling technology: overview

Envolvimento paterno é definido e caracterizado de formas diversas na Psicologia e Ciências Sociais. O conceito surgiu a partir da descrição e observação dos comportamentos dos pais em relação a seus filhos e as suas influências sobre o desenvolvimento dos mesmos. Alguns autores o utilizam como sinônimo de participação paterna no contexto familiar, enquanto outros como um constructo que contempla o comportamento do pai, tais como interação com a criança, cuidados, brincadeiras, suporte conjugal; sentimentos do pai em relação à satisfação com a paternidade; e/ou a qualidade da relação pai-criança (Silva & Piccinini, 2007).

O envolvimento paterno pode-se relacionar com algumas características dos pais, das próprias crianças, assim como com variáveis de contexto, que tanto podem exercer constrangimento de modo isolado como podem favorecer o envolvimento (Arendell, 1996).

Para avaliá-lo, é sugerida a análise de três dimensões: a interação que diz respeito ao contato direto com o filho em cuidados e atividades compartilhadas com a mãe; a acessibilidade que é a disponibilidade física e psicológica do pai, para a criança, possibilitando a ocorrência de interações em que mais que a quantidade de tempo dispensada à qualidade do envolvimento é o que é significativo; e a responsabilidade que se refere ao papel que o pai exerce, garantindo cuidados e recursos para a criança, responsabilizando-se, por exemplo, pela contratação de uma babá, marcação de consulta e a compra de roupas e alimentos (Lamb, Pleck, Charnov, & Levine1985; Veneziano, 2003).

Além dessas dimensões, outros fatores podem influenciar o envolvimento paterno:

- os relacionados com o tipo de atividade em causa: a participação paterna tende a diminuir nos domínios dos cuidados, onde as mães assumem maior responsabilidade, e a aumentar nos restantes, onde se registra um envolvimento partilhado (Pimenta et. al., 2010).

- o número de horas que a mãe despende no emprego: quanto maior o número de horas, maior a participação paterna. Embora ocorra um aumento do envolvimento paterno, não se comprovam suas razões, podendo justificar-se pela diminuição quantitativa do tempo materno dedicado aos filhos (Cabrera et. al., 2000; Lamb, 1997). Porém, o emprego materno parece ter pouco impacto na percepção que pai e mãe têm sobre a divisão das responsabilidades parentais (Laflamme, Pomerleau, & Malciut, 2002).

- idade do pai: nessa variável, diferentes estudos encontraram resultados contraditórios. Para McBride e colaboradores (2005), os pais com mais idade tendem a envolver-se menos nos cuidados prestados à criança, o que pode estar relacionado ao aspecto geracional e a uma perspectiva mais tradicional do seu papel, relegando para a mulher a responsabilidade da gestão da vida familiar (Balancho, 2004). Pelo contrário, Lima (2005) verificou que eram os pais mais velhos os que assumiam maiores responsabilidades. Enquanto noutras amostras (Monteiro et. al., 2006) não se descortinaram quaisquer associações entre o envolvimento paterno nestas tarefas e a idade do pai;

- acesso à informação ou nível instrucional materna: o aumento destas variáveis tende a aumentar a participação paterna. O acesso à informação também poderá intervir no envolvimento parental, uma vez que é possível encontrar diferenças significativas entre os níveis de escolaridade dos pais ao nível das atividades práticas e lúdicas. O fato dos pais com habilitações superiores associarem as atividades de brincadeira a uma estimulação às aprendizagens cognitivas e sociais dos filhos pode ajudar a compreender o seu maior envolvimento nesta área (Monteiro et. al., 2006).

- o nível instrucional superior pode associar-se mais frequentemente a profissões mais liberais, que podem caracterizar-se por uma maior flexibilidade de horários, o que poderá contribuir para uma mais fácil conciliação entre o trabalho e as atividades familiares (Monteiro et. al., 2006). Para, além disso, as mulheres com formação superior tendem a investir mais nas suas carreiras profissionais, permitindo e desejando que os pais se envolvam mais na organização e prestação de cuidados (Monteiro et. al., 2006). - condição financeira; Paquette (2004) associou a partilha de responsabilidade parental às classes média e média alta.

- aspectos pessoais do pai, identificação quanto ao próprio papel sexual, o tipo de relação que teve com seu próprio pai, tipo de incentivo recebido para a realização dos cuidados parentais, estilo de vida, bem como as características individuais dos próprios pais e de cada criança em diferentes momentos do ciclo vital e a qualidade da relação conjugal (Falceto, Fernandes, Baratojo, & Giugliano, 2008; Freitas, et. al., 2007; Martins, 2009).

Outro fator de influência é que as mães através da sua ação podem definir e restringir os papeis e responsabilidades desempenhados pelos pais no contexto familiar (Fagan & Barnett, 2003; McBride, Brown, Bost, Shin, Vaughn, & Korth, 2005; Schoppe-Sullivan, Brown, Cannon, Mangelsdorf, & Sokolowski, 2008). As evidências científicas

demonstram que a participação paterna nos cuidados da criança tende a diminuir, onde as mães assumem mais essa responsabilidade, e a aumentar nas outras formas de cuidado como interações calorosas (jogos e brincadeiras) e nas interações instrutivas (apontar regras e disciplina), onde se registra um envolvimento partilhado (Cabrera et. al., 2000; Lamb, 1997; Pimenta et. al., 2010). Para Pleck e Masciadrelli, (2004) o pai tem aumentado a quantidade do tempo dedicado ao cuidado de seus filhos, revelando a preocupação com a qualidade e intensidade do envolvimento do que os dos pais de gerações anteriores.

Foram destacados por Lamb (1997) como fatores de influência no envolvimento paterno:

- Motivação que está intrinsicamente ligada à história de vida de cada pai, a características pessoais tais como autoestima, forma de se relacionar com o trabalho, matrimônio e com os conhecimentos acerca do desenvolvimento infantil.

- Habilidade e autoconfiança relacionadas ao sentimento de segurança em sua capacidade de cuidar da criança.

- Suporte social que se refere ao apoio e estímulo que o pai obtém da esposa e demais familiares.

- Práticas institucionais relacionadas ao trabalho paterno como a carga horária, atividade profissional que influenciam sua disposição e tempo disponível para a interação, o cuidado e o envolvimento com a criança.

Em relação às repercussões sobre o desenvolvimento infantil, o maior envolvimento paterno com filhos pré-escolares contribui em termos desenvolvimentais da criança em maior competência cognitiva, empatia, maior capacidade de controle interno e menos estereótipos de gênero. No que concerne às crianças em idade escolar, o envolvimento paterno positivo foi relacionado à maior capacidade da criança de manter controle sobre si, autoestima, habilidades para a vida e competência social, que se manteve até a adolescência. Esses adolescentes experimentaram uma visão menos tradicional no convívio com casais que compartilhavam os cuidados infantis. Um envolvimento paterno contínuo ao longo do desenvolvimento dos filhos está associado na adolescência à menor frequência de externalização e internalização, sintomas depressivos, maior sociabilidade, responsabilidades e cooperação (Pickard, 1998).

Sobre as repercussões no desenvolvimento da criança, como o demonstram outros estudos (Brown, McBride, Shin, & Bost, 2007; Pleck & Masciadrelli, 2004), mais do que a quantidade de envolvimento, é a qualidade ou a relação entre quantidade e qualidade

que parece ter maior impacto no desenvolvimento da criança. Outro estudo demonstrou nenhuma associação ou até mesmo repercussões negativas no envolvimento, principalmente quando este não ocorre naturalmente, mas o pai se vê forçado a cuidar devido a contingências tais como perda do emprego (Brown et. al., 2007).

No que diz respeito à análise das escalas de Contato Físico e Proximidade, os resultados sugerem que uma maior participação nos cuidados à criança parece facilitar uma comunicação harmoniosa entre os elementos da díade, as crianças aceitam sugestões, participam num dar e receber marcado por um tom emocional positivo. O contato físico com a figura paterna e sua capacidade em confortar a criança numa situação de aflição ou ansiedade é evidenciado pela partilha afetiva entre a díade (Monteiro et. al., 2008).

A influência paterna sobre o desenvolvimento infantil ocorre também através da transmissão da cultura paterna, proteção psicológica, provisão material, envolvimento em atividades de cuidados diretos e indiretos, influenciando a formação da identidade e caráter, o desenvolvimento cognitivo, a competência social da criança, agindo como fator de proteção e maximização do desenvolvimento como um todo (Cia & Barham, 2009; Guille, 2004; Lamb, 1997). Além disso, o pai exerce influência sobre o desenvolvimento infantil quando oportuniza à criança situações de enfrentamento e superação facilitando a exploração do ambiente circundante, fornecendo, ao mesmo tempo, proteção e impondo limites. O pai permitiria a descoberta pela própria criança de suas capacidades, permitindo o desenvolvimento de uma autoimagem positiva e confiança no pai (Paquete, 2004).

Ancorada nos pressupostos epistemológicos, foram apresentadas a complexidade e algumas das múltiplas facetas que envolvem o estudo do envolvimento paterno e suas repercussões sobre o desenvolvimento infantil. Pode-se observar que os autores exploram em seus estudos aspectos relacionados ao exercício da paternidade e suas transformações históricas, sociais e econômicas, associados a um conjunto de expectativas, crenças e valores. Apresentam as formas de envolvimento e de cuidados paternos além de mostrarem algumas variáveis que interferem no tipo de envolvimento.

A constituição de uma nova paternidade vem lentamente se constituindo, porém ainda encontra dificuldades para sua efetivação, pois as transformações sócio-políticas não têm acompanhado no mesmo ritmo tais mudanças; faltam políticas públicas, incentivos, que agreguem valor a essa atividade. A importância do envolvimento paterno sobre o

desenvolvimento das crianças é inegável, sejam elas com ou sem deficiência.

A seguir, serão apresentados aspectos relacionados às redes pessoais significativas, no sentido de subsidiarem reflexões quanto ao seu potencial de influenciar a construção do envolvimento paterno com crianças com deficiência visual e se configurar como um recurso que auxilia a família no enfrentamento das repercussões da deficiência visual da criança para a família.

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