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Current (sub)titling practices in immersive media

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Chapter 3. Article 2. (Sub)titles in cinematic virtual reality: a descriptive study

3.6. Current (sub)titling practices in immersive media

A decisão de ter um filho relaciona-se à concretização do desejo dos pais, necessidade de mudança de status na aquisição de novos papeis sociais e das gratificações e recompensas que a criança poderá lhes trazer. Ademais, os pais projetam expectativas, fantasias relacionadas às características do filho e quanto ao seu desempenho social futuro (Fiamenghi & Messa, 2007). Sendo assim, a parentalidade sofre influência da significação prévia dada pelos pais a esse evento e que dependerá da história de vida, recursos pessoais, expectativas, sentimentos e disponibilidade afetiva dos pais (Maccoby, 2002).

A transição para a paternidade envolve mudanças pessoais, familiares e no relacionamento dos próprios genitores que nem sempre são fáceis. Podem exigir renúncia, diminui a vida social e um reordenamento de prioridades e responsabilidades, aquisições de novos papeis na relação familiar onde do papel de filhos assumem a identidade de pais, podendo levar a mudanças de crenças e de valores e a vida passa a ter novo sentido de valia (Bee, 1997; Bornholdt et. al., 2007; Donohue, Maurin, Kimzey, Marilee, & Strobino, 2008; Freitas, et. al., 2007; Krob, Piccinini, & Silva, 2009; Salmela-Aro, Nurmi, Saisto, & Halmesmãki, 2000). Essas mudanças objetivam o acolhimento do bebê e são maiores no nascimento do primogênito (Genesoni & Tallandini, 2009, Salmela-Aro et. al., 2000).

A chegada de um filho exige abandonar a ideia do filho idealizado e o aprendizado de lidar com a criança real (Bornholdt, et. al., 2007). O nascimento da criança traz também à tona lembranças positivas e negativas acerca dos próprios pais, reativando e reavaliando aspectos das experiências infantis com seus próprios pais, o que pode ser difícil para alguns e que poderá balizar o tipo de educação a ser empreendida com o próprio filho.

A relação pai-filho é uma experiência envolta por intensos sentimentos paternos de satisfação, felicidade, autovalorização, sensação de amadurecimento, alegria e orgulho pelo filho. Onde o pai demonstra o desejo de participar na vida dos filhos passando valores, aconselhando e orientando, ensinando preceitos éticos e religiosos, além de tentar exercer uma paternidade mais afetiva se distanciando da concepção

tradicional (Ahlborg & Strandmark, 2001; Bee, 1997; Krob, Piccinini, & Silva, 2009; Silva & Piccinini, 2007).

A experiência da paternidade, ao mesmo tempo em que tem sido associada à grande realização e felicidade do pai, a busca por moldar-se ao ideal de pai, de pai participativo, o nível de responsabilidade e compromisso, e a irreversibilidade da experiência, pode vir acompanhada de tensões e trazer à tona conflitos não resolvidos e dificuldades não superadas (Costa & Katz, 1992, Goncalves, Guimarães, Silva, Lopes, & Piccinini, 2013; Gomes & Resende, 2004; Henwood & Procter, 2003). Entre as responsabilidades que mais preocupam os pais estão a financeira no sentido de garantir o sustento e educação adequada da criança, a da disciplina na demarcação e orientação quanto a limites, a do envolvimento e acompanhamento do desenvolvimento do filho, preocupação com a segurança e proteção da criança. Já em relação à aptidão ou não de atender as demandas do filho, as preocupações estão principalmente relacionadas com o período da adolescência (Bornhold, et. al., 2007, Krob, et. al., 2007).

Pensando na perspectiva de genêro, a paternidade se constitui num marco na vida de um homem, enquanto condição irreversível, confere uma posição social e valor a um homem. Essa condição conferida pela paternidade traz consigo a necessidade de ser capaz de prover, sendo que nesse sentido a masculinidade se prova por um corpo ativo capaz de prover para criar seus filhos (Jardim, 1995). Estudos realizados nos Estados Unidos (Johnson, 2005), como no Leste Europeu (Chorvat, 2006; Dudova, 2006), reforçam que os homens continuam sendo responsabilizados com a atribuição pelo sustento familiar, mesmo no caso de casais em que ambos os cônjuges trabalham fora e colaboram de forma igualitária economicamente. O que parece reforçar que esse papel é tido ainda como inerente ao papel masculino no ideário social.

O desejo de ter um filho pode iniciar durante a etapa do planejamento familiar para alguns pais, e pode se exacerbar diante de dificuldades de concretização desse sonho, decorrente das dificuldades de engravidar e/ou manter a gestação (Krob, et. al., 2009). O envolvimento paterno inicia-se durante a gestação com preparativos para o nascimento do bebê, uma vez que sua influência no desenvolvimento da criança e no contexto familiar têm aumentado nas últimas três décadas (Monteiro et. al., 2010; Motta & Crepaldi, 2005; Piccinini, Silva, Gonçalves, Lopes, & Tudge, 2004).

Os pais durante a gestação mostram-se preocupados e ansiosos com a saúde da gestante e com a saúde do bebê, período marcado por sentimentos ambivalentes de alegria, ansiedade e conflitos (Piccinini, et.

al., 2004, Krob, et. al., 2009). Muitos pais se mostram interessados e envolvidos afetivamente com o bebê e a gestante e o demonstram, apoiando emocionalmente, inclusive de maneira prática suas companheiras, participando de atividades ligadas ao pré-natal (Piccinini et. al., 2004).

Quando no período gestacional o pai se defronta com o nascimento prematuro do bebê, essa transição pode significar situação de estresse que exige adoção de estratégias de enfrentamento e requer o apoio dos profissionais de saúde, tema que será tratado no tópico a seguir.

a) O desafio na Paternidade antecipada frente ao nascimento prematuro

O parto prematuro, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) (Martinet, 2008) é definido como aquele que ocorre antes da 37º semana de gestação. A prematuridade pode ser dividida em três categorias: (a) prematuridade limite: nascimentos que acontecem entre as 35 e as 37 semanas gestacionais; (b) prematuridade moderada: nascimentos que ocorrem entre as 31e as 34 semanas gestacionais; e (c) prematuridade extrema que ocorre antes das 30 semanas de gestação (Machado, Teixeira, & Sá, 2008). Um recém-nascido é considerado de baixo peso quando atinge um peso igual ou menor que 2.500 g.

No mundo, anualmente, nascem 13 milhões de crianças prematuras e morrem cerca de um milhão de neonatos (Simmons, Rubens, Darmstadt, & Gravett, 2011). Em países industrializados, a prematuridade é responsável por 70% da mortalidade neonatal e 75% da morbidade neonatal, além de contribuir com problemas de desenvolvimento do sistema nervoso, disfunção pulmonar e complicações visuais (Ananth, Joseph, Demissie, & Vintzileos, 2005; Escobar, Clark, & Greene, 2006).

Os fatores que podem contribuir para o parto prematuro são fatores biomédicos e anatômicos que incluem tanto problemas maternos como do feto (interrupção anterior voluntária ou involuntária da gravidez ou tentativas mal sucedidas, gravidez gemelar, partos prematuros anteriores, infecções maternas ou fetais, anomalias ou malformações uterinas, problemas crônicos de saúde maternos ou alterações e malformações cromossômicas e/ou congênitas do feto); os fatores socioeconômicos e demográficos que incluem a etnia ou a raça das mães, gravidezes não assistidas, baixo nível socioeconômico, fumo, drogas, ingestão de álcool, condições de vida desfavoráveis/pobreza e

idade materna muito jovem ou muito avançada; e os fatores psicológicos que incluem a ansiedade e o stress e são considerados os principais responsáveis pelos nascimentos pré-termo (Martinet, 2008). Dessa forma, quanto mais fatores estiverem presentes durante a gravidez, maior é o risco de um nascimento prematuro. A prematuridade também afeta a qualidade de vida daqueles que sobrevivem a ela e suas famílias, uma vez que comumente deixa sequelas (Simmons et. al., 2011).

A situação de prematuridade acarreta impactos médicos, psicológicos, econômicos e sociais, além das preocupações relacionadas à própria fragilidade do bebê que contribui para aumentar os riscos, a ocorrência de infecções ou de outros agravos durante seu desenvolvimento (Ramos & Cuman, 2009). A imaturidade dos bebês pode levar à disfunção de órgãos e do sistema corporal, afetando a qualidade de vida da criança e sua família, uma vez que pode deixar sequelas. A intervenção nas UTIs exige monitorização atenta ao bebê e qualificação da assistência (Ramos & Cuman, 2009).

A prematuridade remete ainda a experiências parentais que envolvem o receio de ter um filho prematuro, porém são poucos os estudos que exploram a temática desde cedo e muitos deles excluem as experiências paternas (Watson, 2010). As experiências de pais com bebês prematuros de muito baixo peso foram analisadas por Watson (2010) e descritas como: (a) crise - acontecimento percebido subjetivamente como perigoso, que envolve a percepção de risco de morte/perda de seu filho (a) expressado por sentimentos de ansiedade e medo; (b) incerteza sobre o desenrolar dos acontecimentos e frente à inconstância do estado geral da criança; e (c) impotência - que se refere a um estado psicológico visível através da perda de poder, controle e ausência de influência nos acontecimentos. Outros efeitos da hospitalização de filhos prematuros nas UTINs experimentados pelos pais, além da ansiedade são o medo de manusear o bebê em função da sua fragilidade, receio de contaminá-lo e o fato de estar envolto em equipamentos de manutenção da vida, que geram sentimentos de desamparo e impotência diante desse mundo desconhecido (Hollywood & Hollywood, 2011).

Apesar desses sentimentos experimentados pelos pais, na pesquisa de Custódio (2010), a maioria das mães das crianças prematuras referiu que durante a internação na Neonatologia o apoio emocional foi primeiramente oferecido a elas pelo pai, seguido pelas avós maternas e os profissionais do hospital.

O papel da equipe de saúde é de extrema importância para procurar reduzir os receios da família. A confiança dos pais em relação à equipe de profissionais e na assistência prestada torna-se crescente, por meio de atitudes, transmitidas pelos esclarecimentos, informações, atenção, acolhida e convívio diário. Nota-se, também, a importância dos profissionais estarem atentos para estimularem os pais a se apropriarem da linguagem verbal e não verbal no convívio com o filho (Tronchin & Tsunechiro, 2006).

Os esclarecimentos e as orientações oferecidas pela equipe ao pai e à mãe assim como o suporte para o manejo do cuidado da criança são vitais para preparar a família para a alta hospitalar da criança. Essa interação e cuidado dos pais (pai e mãe) com a criança constituiu-se em fator protetivo para o desenvolvimento dela. O pai foi apontado pelas mães como a pessoa que mais se envolveu em ajudas práticas na pesquisa de Custódio (2010) com a chegada da criança em casa, o que amenizou a sobrecarga da mãe e favoreceu o contato pai-criança. A autora destaca que essa ajuda prática do pai se dava tanto no âmbito das atividades domésticas como nos cuidados com o bebê, e esse envolvimento se deu principalmente pelo pai ter participado junto com a mãe do período de internação.

Considerando-se a prematuridade como contexto de risco para o desenvolvimento da criança, o apoio da equipe de saúde à família durante o período neonatal e após alta hospitalar é fundamental. O suporte técnico desses profissionais aos bebês e suas famílias deve protegê-los dos riscos e promover seu desenvolvimento (Custódio, 2010).

O suporte técnico é essencial, no caso de pais que sofrem um duplo impacto, como quando a prematuridade culmina com um diagnóstico de retinopatia da prematuridade (ROP) com perda da visão, pois eles enfrentam primeiramente os temores relacionados aos riscos ligados à prematuridade e, quando cessam esses riscos, os pais enfrentam um novo desafio: conhecer, compreender e aprender a lidar com o diagnóstico da deficiência visual (Kreutz & Bosa, 2013). Aspectos ligados ao impacto do diagnóstico da deficiência e suas repercussões foram abordados no tópico relacionado à deficiência visual. Na sequência, será abordada a temática da transição à paternidade no processo de adoção.

b) O desafio da Paternidade no processo de adoção

A adoção faz parte de um projeto de família distinto do modelo tradicional ligado à consanguinidade. Ao longo da história foram inúmeras as mudanças nas concepções sobre adoção, suas práticas e regulamentações legais que inicialmente priorizavam os interesses dos adultos e das sociedades, sendo as necessidades das crianças pouco consideradas. Na atualidade, há algumas décadas, e em vários países surge um processo novo que busca priorizar o melhor interesse da criança (Palacios & Amorós, 2006).

No Brasil, essa nova cultura de adoção preconiza que se deve buscar uma família para uma criança e não uma criança para uma família, fomentando adoções diferenciadas como as adoções tardias, de grupos de irmãos, de crianças com necessidades especiais, portadoras do vírus HIV e as adoções inter-raciais (Freire, 2001). Para viabilização desse projeto, é necessário contar com o apoio de organizações sociais e de técnicos do judiciário, de um novo projeto e sentidos de família, de maternidade e de paternidade, que aceite o diferente, a alteridade, que efetivamente adote o diferente (Costa & Rossetti-Ferreira, 2007; Freire, 2001). Apesar disso, coexiste ainda a ideia de que a adoção serve para solucionar o problema dos casais inférteis.

A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 13 de julho de 1990, regido pela doutrina da proteção integral da criança e do adolescente facilitou a constituição de diferentes modelos de família e consequentemente diferentes possibilidades de adoção: a adoção unilateral ou monoparental (um dos cônjuges ou concubino adota o filho do companheiro); a adoção singular (pessoas solteiras, viúvas, separadas ou divorciadas); e a adoção conjunta feita por casais ou concubinos. Os critérios ainda incluem ser maior de 21 anos e que pode adotar, independente do seu estado civil, desde que tenha 16 anos de diferença do adotado e não seja parente ascendente (avô ou avó) ou irmão. Preconiza-se ainda que os candidatos à adoção precisem se submeter a um processo de avaliação e seleção realizado por um corpo técnico (assistentes sociais e psicólogos) do Judiciário e posteriormente. O ECA ainda prevê um trabalho sistemático de acompanhamento e orientação da criança e da família em todo o processo de adoção (Costa& Rossetti-Ferreira, 2007).

As pesquisas de Cassin (2000), Mariano (2004) e Weber (2003) apontam a preferência brasileira pela adoção de meninas por serem consideradas mais dóceis e de fácil adaptação, de recém-nascidos, de mesma cor de pele que a família adotante. Essas pesquisas revelam

ainda o medo de adoções tardias em função do estigma de que crianças mais velhas trariam consigo maus hábitos, defeitos de caráter adquiridos em suas famílias de origem (por convivência ou por herança biológica) ou ainda adquiridos em abrigos. Nos EUA, geralmente, uma mulher procura esgotar todas as possibilidades de ter uma criança através de fertilizações assistidas, antes de resolver adotar.

Para Gailey (2000), a adoção é um processo onde o parentesco é constituído. É um período de intensas mudanças das relações familiares, em que a paternidade se constrói nas e através das relações com os filhos. O envolvimento paterno exige mudanças de diversas ordens (mudanças na casa, em sua rotina, em suas concepções de paternidade, etc.). Paternidade é compromisso de brincar, de cuidar, de educar, de disciplinar, de orientar e mostrar o caminho certo, de formar caráter e de ser exemplo.

Em relação a isso, existem argumentações de que o tempo de guarda provisória deve ser um processo gradual em casos de adoções tardias (Andrei, 2001), para possibilitar o conhecimento mútuo entre pais e criança. O conhecimento da história passada da criança (seja na instituição ou na família de origem) e informações sobre as rotinas, gostos, ajuda os pais adotivos a conhecer mais a criança e acolhê-la (Costa & Rossetti-Ferreira, 2007).

Vale destacar que a transição rápida para a parentalidade nas famílias adotivas é um processo que tende a ser mais estressante do que para pais biológicos, pelas inúmeras escolhas que elas têm que fazer, sendo mais complexo e multidimensional tal como apontado no trabalho de Weir, (2003). Com relação à adoção tardia, semelhante ao encontrado por Ebrahim (2001), quando comparou pais que realizaram adoções de crianças maiores de dois anos com pais que efetuaram adoções de bebês, entre suas afirmações destacam-se as de que os adotantes tardios apresentam melhor condição socioeconômica; estado civil diversificado (casados, solteiros, separados ou viúvos), maior estabilidade, maturidade emocional, abnegação, desprendimento para a adoção, além de algumas vezes, serem adotantes com filhos biológicos.

Com base no que foi exposto neste item, a seguir será discutido o envolvimento paterno em termos conceituais, tipos de envolvimento, os fatores de influência no envolvimento paterno e as repercussões no desenvolvimento infantil.

3.3.3 O Envolvimento Paterno e suas repercussões sobre o

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