Chapter 5: Article 4. Subtitles in virtual reality: a reception study
5.4. Results
5.4.2. Preferences
Para a coleta de dados utilizou-se a observação participante com registro em diário de campo, a entrevista semiestruturada e o Mapa de Redes. A adoção de diferentes instrumentos e técnicas na coleta de dados justificou-se em função da complexidade do fenômeno. Consistiu- se em estratégias para buscar diferentes formas de acesso, aprofundando os dados e a interpretação, enriquecendo a compreensão sobre a situação investigada.
4.4.1 Observação Participante
A observação participante é uma forma de imersão do pesquisador no campo e favorece o reconhecimento da realidade a ser investigada. Caracteriza-se por ser um processo gradual de aproximação com o fenômeno a ser pesquisado e permite compreender as atividades desenvolvidas pelos atores sociais. O compartilhamento dessas atividades, papeis, minimiza as barreiras e facilita o acesso às fontes (Moré & Crepaldi, 2004). Por meio da observação participante, foi possível a aproximação da pesquisadora às instâncias hierárquicas da instituição, a apresentação da proposta de pesquisa e o apoio de um mediador. Para o processo de introdução no campo de pesquisa, o mediador no caso da presente investigação foi a coordenadora do CADI na instituição de integração de cegos.
A observação participante foi realizada no período que antecedeu a coleta e durante a mesma através da observação direta, análise de documentos, participação em atividades culturais e de lazer, observação das aulas das crianças na instituição, além de conversas informais com
acompanhantes das crianças e profissionais. Esta técnica permitiu à pesquisadora conhecer a instituição; auxiliar no levantamento de dados sobre as crianças e de documentos sobre a estrutura organizacional e funcionamento institucional; participar e conhecer a dinâmica dos diferentes programas de habilitação, reabilitação e educação oferecidos às crianças; conhecer a rotina dos profissionais e dos usuários do serviço; compreender o fluxo do serviço; manter presença no campo; identificar os possíveis participantes; contatar os acompanhantes para acessar e convidar o pai da criança para participar da pesquisa; registrar elementos presentes tanto no ambiente institucional quanto no contexto pesquisado tendo como referência os pressupostos da complexidade, instabilidade e intersubjetividade que se faziam presentes no contexto pesquisado.
Os dados foram registrados em diário de campo com descrições livres das atividades e interações no ambiente institucional dos profissionais, crianças, acompanhantes e no contexto familiar (Creswell, 2007; Gibbs, 2009). Foram registradas as impressões e percepções da pesquisadora, dados estes que auxiliaram na memorização das falas, silêncios e ações, considerados importantes para o tema pesquisado (Angrosino, 2009). Os registros foram datados e realizados após cada observação, em forma de arquivos digitais separados por datas. Levando-se em conta que o contexto é gerador de significados, esses registros serviram para contextualizar e dar sentido à análise dos dados da pesquisa (Moré & Macedo, 2006).
4.4.2 Entrevista Semiestruturada
A entrevista é uma técnica de investigação que possibilita que os próprios atores sociais forneçam dados relativos às suas condutas, opiniões, motivações, desejos, sentimentos, expectativas relativas a eventos do passado ou do presente (Minayo, 2010). Após a realização da primeira entrevista, o roteiro e o procedimento de construção do Mapa de Rede foram revistos, para que se pudessem realizar as adequações, para melhor compreensão das perguntas e o alcance dos objetivos propostos. Em função da riqueza de conteúdos que emergiram nesta entrevista e a adequação dos procedimentos, optou-se em inseri-la no estudo.
O roteiro da entrevista contemplou dados sociodemográficos3; dados de identificação; a compreensão das implicações da dinâmica das redes sociais significativas no envolvimento paterno com crianças com deficiência visual na perspectiva do pai; significados atribuídos à deficiência visual e à função paterna; tipos de envolvimento paterno no cuidado do filho com deficiência; mapeamento da dinâmica familiar e a rede social em sua configuração, organização e funções.
No momento da entrevista cabe ressaltar alguns aspectos que devem ser respeitados pelo entrevistador como a capacidade de ouvir de forma ativa demonstrando ao entrevistado que está interessado em sua narrativa, em suas emoções; percebendo além do relato verbal comportamentos como risos, choros, diferenças na entonação, gestos que foram registrados; realizando novos questionamentos, demonstrando com gestos que está atento as suas palavras e que os compreende, mas sem influenciar o discurso e evitando julgamentos respeitando a singularidade do sujeito (Belei, Gimeniz-Paschoal, Nascimento, & Matsumoto, 2008).
4.4.3 Mapa de Redes
O Mapa de Redes é um instrumento utilizado para evidenciar o grau de intimidade e compromisso relacional das redes pessoais significativas e possibilita visualizar seu impacto nos processos vitais do desenvolvimento (Moré & Crepaldi, 2012). O Mapa de Rede, proposto por Sluzki (1997), é um instrumento gráfico, sistematizado em quatro quadrantes (família, amizade, relações de trabalho ou estudo e relações comunitárias) e em três círculos: um círculo interno que corresponde às relações íntimas, um círculo intermediário de relações pessoais com menor grau de compromisso e um círculo externo de pessoas conhecidas e relações ocasionais, conforme apresentado na Figura 1 (Sluzki, 1997). O conjunto dos habitantes desse Mapa constitui a rede social pessoal significativa do participante (Sluzki, 1997).
A utilização do Mapa de redes como um recurso gráfico permitiu neste estudo identificar e avaliar os relacionamentos familiares, de amizades, comunitários/serviços e trabalho/estudo pelas funções dos vínculos, caracterizados pelos tipos de intercâmbios (função de companhia social, apoio emocional, guia cognitivo e conselhos,
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O questionário sociodemográfico foi adaptado do Questionário do Ciclo Vital da Família Brasileira de Rosa Maria Macedo. Coordenadora da Pesquisa Sobre Ciclo Vital da Família Brasileira.
regulação social, ajuda material e de serviço, acesso a novos contatos) e pelos aspectos estruturais (composição e tamanho) conforme descritos no item 3.4 da seção da Fundamentação Teórica.
Figura 1 -Modelo de Mapa de Rede proposto por Sluzki (1997).
Tendo em vista a relação dos participantes deste estudo com os profissionais da Associação de Integração de Cegos, foi incluído no quadrante das relações comunitárias, o item Associação de Integração de Cegos. Assim, o desenho do Mapa de Redes apresentado aos participantes foi conforme o da Figura 2:
Figura 2 - Modelo de Mapa de Redes proposto por Sluzki (1997) adaptado com o acréscimo do item Associação de Integração de Cegos.
Na versão final do Mapa de Redes Individual (Apêndice 2), confeccionado a partir dos relatos dos participantes e do Mapa Geral (Apêndice 3), que reuniu as informações oriundas de todos os mapas individuais, cada participante foi identificado no Mapa Geral por uma cor, e os membros alocados por ele no Mapa por pequenas circunferências na mesma cor da do participante e com o número de pessoas referidas inscritas no seu centro. As anotações foram realizadas identificando-se no mapa de redes as pessoas significativas apontadas pelo participante, conforme o quadrante e grau de intimidade referido. No Mapa de Rede Individual as pessoas foram identificadas por pequenas circunferências: vermelhas para identificar mulheres e azuis para identificar os homens, inscritas conforme o quadrante e o grau de intimidade referido pelo participante.
4.5 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS E ASPECTOS