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La structure du capital comme un mode de résolution des conflits :

Le financement par actions :

4. L’apport du Modèle :

2.3 La structure du capital comme un mode de résolution des conflits :

A história escrita do Magreb antigo nasceu do encontro de Cartago com Roma. Isso significa que não dispomos de nenhum documento importante anterior ao segundo século antes da Era Cristã: apenas indicações esparsas na obra de Heródoto, evidentemente, e nas obras de outros historiadores gregos. O período autenticamente púnico depende da arqueologia e da epigrafia. Além disso, a história de Cartago, tanto anterior quanto posterior a Aníbal – o confronto com Roma e o curto período de sobrevivência que se seguiu – não deve quase nada às fontes púnicas escritas. Sabe -se hoje que o Périplo de Hanão (em grego), cuja descrição se estende às costas norte -ocidentais da África, é falso e não pode ter sido escrito antes do século I. Restam os trabalhos agronômicos atribuídos a Magão, dos quais apenas alguns trechos foram conservados por autores latinos. Entre as fontes autóctones, seria necessário mencionar as notas de Juba II, que Plínio, o Velho, compilou em sua História Natural.

O essencial, se não a totalidade, de nossas fontes escritas relativas à história do Magreb antigo fases cartaginesa, romana, vândala e bizantina é constituído pelas

13 Sobre os geógrafos clássicos e pós -clássicos que trataram da África, ver a obra fundamental de Yusuf KAMEL: Monumenta cartographica Africae et Aegypti, Cairo e Leyde, 1926 a 1951, 16 vol. Convém que esse trabalho seja reeditado com um aparato crítico novo e importante.

14 Editado por MÜLLER. Geographi Graeci minores. Paris, 1853, t. I. Reeditado por Hjalmar FRISK em Göteborg em 1927. Essa importante obra vem sendo editada desde o século XVI, em 1533, e depois em 1577.

15 COSMAS é um viajante que visitou a Etiópia e a ilha de Socotra. Sua obra figura na Patrologie grecque, de MIGNE, t. 88, coleção que deve necessariamente ser consultada no que se refere à Antiguidade, ao lado da Patrologie Latine, do mesmo MIGNE. A obra de COSMAS recebeu excelente edição em três tomos das Editions du Cerf, Paris, 1968 -1970. Assinalemos a importância, para nosso conhecimento da cristianização da Etiópia, da Historia Ecclesiastica, de RUFINO. In: Patrologie grecque, de MIGNE, com tradução latina.

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obras dos historiadores e geógrafos clássicos, isto é, aqueles que escreviam em grego ou latim. Em geral, esses autores não são africanos, mas à medida que a África se romaniza, surgem escritores autóctones, especialmente entre os padres da Igreja.

a) No período que se estende de -200 a +100 e que corresponde ao apogeu e à queda de Cartago, à organização da província romana da África sob a República e o principado, temos por fontes uma grande quantidade de documentos conhecidos, escritos em latim e grego: Políbio ( -200 a -120), nossa fonte principal; Estrabão; Diodoro da Sicília; Salústio ( -87 a -35); Tito Lívio; Ápio; Plínio; Tácito; Plutarco (século +I) e Ptolomeu (século +II), sem contar os numerosos escritores menores16.

Seria muito útil que se reunissem os escritos dispersos relativos à África do Norte. Até agora foram coligidos apenas os documentos referentes ao Marrocos17.

Assim sendo, o pesquisador vê -se obrigado a examinar sistematicamente as grandes coleções clássicas, em que a erudição europeia do século XIX utilizou todos os seus recursos de crítica e de formidável labor: Bibliotheca Teubneriana,

The Loeb Classical Library (texto e tradução inglesa), Collection G. Budé (texto

e tradução francesa), Collection des Universités de France, Scriptorum classicorum

Bibliotheca Oxoniensis. Seria conveniente acrescentar a essas fontes narrativas,

outras mais diretas, constituídas pelos textos do direito romano, embora sejam estes de origem epigráfica18.

As obras escritas dos analistas, cronistas e geógrafos greco -latinos não têm valor uniforme em todo o subperíodo considerado. Alguns tendem a compilar as informações de seus predecessores, outros nos trazem informações originais preciosas e às vezes até mesmo um testemunho direto. Políbio, por exemplo, viveu na intimidade dos Cipião e provavelmente assistiu ao sítio de Cartago em -146; o Bellum Jugurthinum, de Salústio, é um documento de primeira ordem sobre os reinos berberes; o Bellum Civile, de César, é a obra de um ator da História.

A figura e a obra de Políbio dominam esse período. Políbio é, como já foi dito19,

o filho da época e da cultura helenísticas. Nasceu em -200 aproximadamente, isto é, no momento em que ocorre o encontro de Roma, na explosão de seu imperialismo, com o mundo mediterrânico e, mais especificamente, com o

16 Citemos: ARISTÓTELES (Política), CÉSAR (Bellum Civile e Bellum Ajricum), EUTRÓPIO, JUSTINO, ORÓSIO. Há mais de trinta fontes textuais apenas para a história de Aníbal.

17 ROGET, M. Le Maroc chez les auteurs anciens. 1924. 18 GIRARD, P. P. Textes de droit romain. 6.a ed., 1937.

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As fontes escritas anteriores ao século XV

mundo helenístico. Prisioneiro e exilado em Roma, aprendeu as duras lições do exílio, esse “mestre violento” do historiador e do filósofo. A proteção dos Cipião amenizou sua estada, mas lhe valeu, sobretudo, para a aquisição de vasto conhecimento da história de Roma e de Cartago. Após 16 anos de cativeiro, retornou à pátria, a Grécia, mas não demorou a deixá -la novamente para percorrer o mundo. Conta -se que durante sua estada na África, Cipião Emiliano ofereceu -lhe uma frota para que pudesse explorar a costa atlântica do continente. Em outras palavras, estamos diante de um homem de audácia, experiência e incansável curiosidade. Políbio não é apenas nossa principal fonte para tudo que se refere ao duelo púnico -romano; de um ponto de vista mais amplo, é um observador de primeira ordem da África e do Egito de seu tempo. Se os 40 livros que compõem as Pragmateia tivessem chegado até nós, talvez nossos conhecimentos fossem muito mais completos; talvez tivéssemos informações precisas – precisão que falta em toda parte – sobre a própria África negra. Assim mesmo, os seis livros que se conservaram destacam -se das demais fontes pela qualidade da informação e inteligência da observação.

b) Após o século I e durante os quatro séculos em que se enraíza ao máximo a organização imperial na África, entrando, posteriormente, numa crise prolongada, as fontes literárias tornam -se raras. Há um vazio quase total no século II e os séculos III e IV são marcados pela predominância de escritos cristãos, especialmente os de Cipriano e Agostinho. Há obras gerais, que ultrapassam o quadro africano para colocar os grandes problemas religiosos e que não participam do discurso histórico direto, mas há também obras polêmicas e de circunstância, mais comprometidas com os acontecimentos. O que sabemos a respeito do movimento donatista baseia -se nos ataques do maior de seus adversários, Santo Agostinho (354 -430), e, por isso mesmo, as precauções mais sérias mostram -se necessárias.

Do mesmo modo, no que se refere às fontes escritas relativas ao período imperial, a patrologia apresenta -se como o principal instrumento de nosso conhecimento, embora seja muito parcial. O pesquisador terá, também nesse caso, acesso a grandes coleções:

• o Corpus de Berlim em grego (apenas o texto); • o Corpus de Viena em latim (apenas o texto).

Esses monumentos da erudição alemã têm seus equivalentes na erudição francesa, com os dois Corpus de Migne:

• a Patrologia grega (texto e tradução latina); • a Patrologia latina (apenas o texto latino).

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O intermédio vândalo, a reconquista bizantina e a presença bizantina durante mais de um século, levaram um número maior de escritores a registrar os acontecimentos. Os documentos chamados “menores” são abundantes; aparecem as fontes arquivísticas (correspondência, textos legislativos). Além do mais, temos a sorte de contar com um observador fecundo e talentoso: Procópio (século VI), que é, sem dúvida alguma, nossa fonte fundamental com seu De

Bello Vandalico. Recorreremos à Coleção Bizantina de Bonn e, secundariamente,

aos Fragmenta historicorum graecorum, para os textos gregos. Os numerosos textos latinos encontram -se na Patrologia latina (as obras de São Fulgêncio apresentam certo interesse para o conhecimento do período vândalo), ou nas

Monumenta Germanica historica, autores antiquissimi20, outro monumento da

erudição alemã, que reagrupa as “crônicas menores” do período bizantino: Cassiodoro, Próspero Tiro, e sobretudo Victor de Vita e Coripo. Estes dois autores merecem a maior atenção o primeiro para o período vândalo, o segundo para o período bizantino –, pois penetram no interior do continente, fazendo emergir da obscuridade essa África por tanto tempo esquecida21. Em sua obra

clássica sobre a África bizantina, Charles Diehl mostrou como se podia utilizar conjuntamente o material arqueológico e textual para se obter a mais completa representação da realidade histórica. Utilizou o maior número possível de fontes escritas: primeiramente Procópio, depois Coripo, mas também Agathias, Cassiodoro, Jorge de Chipre22, as cartas do Papa Gregório Magno e documentos

jurídicos, tais como as Novellae e o Código Justiniano, tão úteis no estudo da vida econômica e social.

Parece pouco provável que se possa enriquecer, com novas descobertas, a lista estabelecida de nossos documentos escritos. Em compensação, pode- -se explorá -los melhor, estudando -os com maior profundidade, aplicando- -lhes uma crítica rigorosa, confrontando -os com um material arqueológico e epigráfico ainda inesgotado, sobretudo utilizando -os com mais honestidade e objetividade23.

20 Nas Monumenta, de Mommsen, t. 9/1 -2 (1892) 11 (1894) e 13 (1898), encontram -se o texto de Victor de Vita no t. 3 -1 (1879), editado por C. HOLM, e o texto de Coripo no t. 3 -2 (1879), editado por J. PARTSCH.

21 Sobre a África vândala e bizantina, dispomos de duas obras modernas fundamentais, que fornecem detalhes das fontes utilizáveis: C. COURTOIS, 1955, e C. DIEHL, 1959. Para o alto período, a Histoire ancienne

de l’Afrique du Nord, de S. GSELL, que, embora envelhecida, ainda deve ser consultada.

22 Descriptio orbis romani. ed. Gelzer.

23 Sobre as distorções advindas de uma leitura parcial dos textos, a crítica da historiografia ocidental apre- sentada por Abdallah LAROUI é tão pertinente quanto bem -informada (1970).

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As fontes escritas anteriores ao século XV A África saariana e ocidental

A rigor, não dispomos de nenhum documento digno de confiança sobre a África negra ocidental. Admitindo com Mauny24 que os antigos cartagineses,

gregos, romanos não ultrapassaram o cabo Juby e a latitude das ilhas Canárias, o que é mais que provável, somos levados a concluir que as informações transmitidas por suas obras referem -se ao extremo sul marroquino. Certamente alcançam a fronteira do mundo negro, mas não o penetram.

O Périplo de Hanão é falso, se não inteiramente, ao menos em grande parte25. É um documento composto, em que se misturam dados tomados

de empréstimo de Heródoto, Políbio, Possidônio e do Pseudo -Sila, e que deve datar do século I. As obras desses autores são mais dignas de crédito. Heródoto fala -nos sobre o comércio mudo que os cartagineses praticavam no sul do Marrocos. O continuador do Pseudo ‑Sila (século -IV) nos dá, por sua vez, informações preciosas sobre as relações entre cartagineses e líbico- -berberes. Mas é novamente Políbio que se revela a fonte mais confiável. Os fragmentos de seu texto, interpolados em Plínio, o Velho, oferecem -nos os primeiros topônimos identificáveis da Antiguidade; mas, também nesse caso, sua informação interrompe -se no cabo Juby. Seria necessário completá -la, no que se refere ao arquipélago das Canárias, com as notas de Juba II recolhidas por Plínio, Estrabão, Diodoro da Sicília. Os outros histpriadores -geógrafos do século I antes e depois da Era Cristã apenas compilaram os autores anteriores, salvo alguns detalhes. Finalmente, no século lI, Ptolomeu, retomando todos seus predecessores, baseando -se principalmente em Posidônio e Marino de Tiro, consigna em sua Geografia a evolução máxima dos conhecimentos relativos aos contornos da África na Antiguidade26. O mapa da “Líbia Interior”, do

geógrafo alexandrino, tornou acessíveis as informações recolhidas pelo exército romano, na ocasião de suas expedições punitivas além do limes até o Fezzan: a de Balbo em -19, a de Flaco em +70, a de Materno em +86 (que penetrou mais profundamente no deserto líbio)27. Nomes de povos e regiões sobreviveram à

Antiguidade: Mauritânia, Líbia, Garamantes, Getulos, Númidas, Hespérides e até mesmo Níger, empregado por Ptolomeu, e retomado por Leão, o Africano, e depois pelos europeus modernos. Essa é uma das contribuições de nossos textos

24 MAUNY, R. 1970, p. 87 -111.

25 Id., p. 98; TAUXIER, L. 1882, p. 15 -37; GERMAIN, G. 1957, p. 205 -48.

26 KAMEL, Y. Monumenta, op. cit., t. II, Fasc. I, p. 116 e segs.; MAUNY, R. “L’Ouest africain chez Ptolémée”, nas Actes de la IIe Conférence Internationale des Africanistes de l’Ouest. Bissau, 1947.

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que, por outro lado, nos fornecem, mais do que dados reais, a representação que a Antiguidade fazia da África. As poucas indicações existentes referem -se ao deserto da Líbia e às costas do Saara Ocidental; em todos esses textos, a África negra ocidental permanece marginalizada.