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Stabilit´ e m´ ecanique du r´ eseau optique

6.2 Mise au point d’un dispositif ` a haute r´ esolution

6.2.2 Stabilit´ e m´ ecanique du r´ eseau optique

A distribuição é a última etapa da cadeia produtiva do gás natural. A diferença básica entre transporte e distribuição está na pressão de operação e nos diâmetros dos gasodutos. As redes de distribuição de gás natural normalmente operam com baixas pressões, em tubulações com diâmetros menores do que os gasodutos de transporte. O ponto de entrega, onde o gás natural é transferido de um gasoduto de transporte para as Companhias Distribuidoras Locais – CDL é denominado Citygate. A tubulação que conecta os Citygate com as indústrias e centros urbanos é comumente chamada de linhas tronco ou linhas principais. As linhas tronco se dividem até atingir consumidores de menor porte, chegando finalmente aos clientes residenciais. Os materiais mais utilizados na construção de gasodutos de distribuição são: ferro fundido, aço e nos últimos anos a utilização do polietileno de alta densidade - PEAD tem avançado bastante (VAZ, MAIA e SANTOS, 2008).

De acordo com Monteiro e Silva (2010), além do Citygate compõem o sistema de distribuição de gás natural as Estações de Regulagem de Pressão (ERP), que são instalações destinadas a diminuir a pressão do gás natural, e as redes de distribuição propriamente ditas, que são as tubulações de interligação entre as ERP e os clientes. A Figura 28 apresenta um esquema bastante comum de redes de distribuição de gás natural.

O custo de transporte e de distribuição do gás natural representa aproximadamente 50 % do custo do produto para os clientes. Porém, a parcela referente a distribuição é muito superior ao custo de transporte de gás, uma vez que enquanto os gasodutos de transporte

possuem diâmetros elevados e movimentam milhões de m³ de gás natural diariamente, os gasodutos de distribuição devem atender cada um dos consumidores que, em muitos casos, utilizam apenas alguns poucos m³ mensais de gás natural (NATURALGAS.ORG, 2013).

Figura 28 – Esquema de rede de distribuição de gás natural Fonte: Vaz, Maia e Santos, 2008

No Brasil, a emenda constitucional nº 5 (BRASIL, 1995) estabelece que é dever dos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado. A Lei 9478/1997, de 06 de agosto de 1997, (BRASIL, 1997) define, em seu artigo 6º, como distribuição de gás canalizado os serviços locais de comercialização de gás canalizado, junto aos usuários finais, explorados com exclusividade pelos Estados, diretamente ou mediante concessão, nos termos do § 2º do art. 25 da Constituição Federal.

Segundo Almeida (2010) anteriormente a constituição de 1988 somente os estados do Rio de Janeiro e São Paulo possuíam companhias distribuidoras de gás canalizado, sendo que

nos demais estados a Petrobras fornecia o gás diretamente a alguns poucos consumidores industriais. A partir dos anos 1990 diversos estados criaram companhias de distribuição de gás canalizado. A Figura 29 apresenta as companhias distribuidoras estaduais de gás canalizado.

Figura 29 – Companhias distribuidoras estaduais de gás canalizado Fonte: Abegas, 2014

As distribuidoras estaduais de gás natural tem investido uma grande soma de recursos na expansão das redes de distribuição de gás natural. Dados do Boletim mensal de acompanhamento da indústria de gás natural (MME, 2014a) apresentam a ampliação da malha de gasodutos de distribuição no Brasil. Em 2013, a rede de distribuição de gás natural no Brasil aproximou-se do valor de 24.000 km de gasodutos. Em 2003, a malha de distribuição de gás natural brasileira era de aproximadamente 9.300 km de gasodutos, o que representou um crescimento superior a 250 % nos últimos dez anos. Portanto, o total de dutos existentes no Brasil para transporte e distribuição de gás natural é superior a 34.000 km.

Porém, comparando a infraestrutura brasileira com a de outros países é possível observar a defasagem existente. De acordo com Ferraro (2010) a malha de gasodutos americana, em 2005, possuía mais de 2.000.000 km de gasodutos, sendo prevista até 2008 a incorporação de mais 6.000 km, ao custo de US$ 11,4 bilhões. A extensão da malha de gasodutos dos Estados Unidos está apresentada na Figura 30.

Figura 30 – Malha de gasodutos dos EUA Fonte: EIA, 2013

Alguns países europeus, que possuem territórios menores que muitos estados brasileiros, apresentam redes de distribuição de gás natural até 10 vezes maior que a do brasileira. Por exemplo, a Alemanha possui 475.000 km de gasodutos, o Reino Unido mais de 285.000 km, a Itália mais de 282.000 km. O caso da Bélgica é digno de destaque. O país europeu possui território 280 vezes menor do que o Brasil, porém a malha de gasodutos belga é mais do que o dobro da brasileira. A Bélgica possui mais de 72.000 km de gasodutos (EUROGAS, 2012).

Ao se comparar a densidade de gasodutos existentes no Brasil com os países da Europa, com os Estados Unidos, e com alguns países da Ásia, pode-se observar que enquanto os Países Baixos possuem mais de 3 km de gasodutos para cada km² de área, o Brasil possui apenas 0,0042 km de gasoduto para cada km² de área, ou seja, a densidade de gasodutos no

Legenda:

Gasodutos interestaduais Gasodutos estaduais

Brasil é cerca de 800 vezes menor do que nos Países Baixos (EUROGAS, 2012). A Figura 31 apresenta a comparação entre a extensão e a densidade de gasodutos em diversos países do mundo.

Figura 31 – Extensão e densidade de gasodutos Fonte: MME, 2014a, Eurogas, 2012 e EIA, 2013

A título de comparação, o Brasil deveria possuir uma malha 70 % maior que a atual, 61.000 km de gasodutos, para atingir a mesma densidade de rede de distribuição de gás natural existente na Suécia, país europeu que possui a menor quantidade de gasodutos por km² de área. Já para o Brasil possuir números semelhantes aos dos Estados Unidos, em termos de densidade de rede, a malha de gasodutos brasileiros deve ser superior a 1.800.000 km.

A China é um caso bastante particular na relação entre consumo e extensão da rede de distribuição de gás. Até recentemente, o consumo de gás natural era bastante limitado na China, sendo que o gás era utilizado próximo do local de produção como combustível ou como matéria-prima para adubo químico. Esta utilização limitada era resultado da falta de infraestrutura aliada as grandes distâncias entre os campos de gás no interior do país e os grandes centros consumidores. Porém, desde o início dos anos 1990, o governo promoveu a ampliação da infraestrutura de transporte de gás (HIGASHI, 2009).

A China possui alguns dos maiores gasodutos do mundo. O gasoduto oeste-leste, concluído em 2004 fornece gás natural da Bacia de Tarim, na China ocidental para Xangai. Sua linha tronco principal possui 3.900 km com capacidade de transportar 46,5 milhões de m³ por dia. Em 2005, o gasoduto denominado Beijing Pipeline, com capacidade para 33 milhões de m³ diários, permitiu a distribuição do gás natural a um maior número de províncias chinesas. A construção de um segundo gasoduto oeste-leste, que liga o Turcomenistão a China, foi iniciada em 2008. O gasoduto possui 4.843 km de extensão e poderá transportar diariamente até 82 milhões de m³ (HIGASHI, 2009). A Figura 32 apresenta os principais gasodutos chineses.

Figura 32 – Malha de gasodutos e oleodutos da China Fonte: Higashi, 2009

A distribuição de gás natural na Europa está encontrando desafios bastante significativos. A produção de gás, nos países que fazem fronteira com a União Europeia, está em declínio, principalmente por esgotamento das reservas. Os principais países produtores europeus, Reino Unido e Países Baixos, também estão com a produção em seu limite. Se por

Gasodutos Oleodutos

um lado a produção está em declínio, por outro a demanda por gás natural está em constante crescimento. Este descompasso entre oferta e demanda obriga a União Europeia a buscar fornecedores cada vez mais distantes. Gasodutos maiores exigem investimentos maiores e também menos flexibilidade na compra do gás. Esta falta de flexibilidade aumenta o risco do suprimento europeu de gás (DIECKHÖNER, LOCHNER e LINDENBERGER, 2012).

A Figura 33 apresenta a malha de gasodutos de transporte no continente europeu, representados pelas linhas vermelhas. Observa-se que existe uma grande quantidade de gasodutos provenientes da Rússia, do Mar do Norte e ainda do norte da África, principais fontes de suprimento de gás natural para os países europeus.

Figura 33 – Malha de gasodutos de transporte da Europa Fonte: Eurogas, 2012

Mesmo apresentando uma malha de distribuição de gás natural bastante reduzida, praticamente todos os estados brasileiros possuem Companhias Distribuidoras Locais – CDL. O país conta com 27 CDL´s, sendo que o estado de São Paulo possui 3 companhias e o estado do Rio de Janeiro 2, porém, algumas empresas efetivamente ainda não distribuem gás e outras apresentam mercado bastante incipiente, operando praticamente de forma experimental, conforme pode ser observado na Tabela 9, os dados para o ano de 2014 consideram o volume até o mês de Junho (MME, 2014a).

Tabela 9 – Volume de gás natural distribuído no Brasil, por companhia (milhões m³/dia)

UF Empresa 2012 2013 2014 REDE (km) SP Comgás 14,40 14,95 14,98 7.866,58 RJ CEG 8,98 11,78 14,04 4.166,40 RJ CEG Rio 6,59 9,04 10,27 847,00 MG Gasmig 3,62 4,07 4,42 849,70 BA Bahiagás 3,74 4,46 3,86 699,36 AM Cigás 2,46 3,08 3,35 48,0 PE Copergás 2,43 2,93 3,28 582,49 ES BR Distribuidora 3,06 3,04 3,15 364,23 PR Compagas 2,23 2,27 2,81 622,00 MS MS Gás 0,99 1,81 2,62 192,80 RS Sulgás 1,79 1,94 2,18 667,05 CE Cegás 1,26 1,96 1,83 324,25 SC SCGás 1,84 1,85 1,82 1.026,33 SP GasNatural Fenosa 1,35 1,32 1,24 2.958,00 SP Gás Brasiliano 0,83 0,85 0,78 1.383,98 AL Algás 0,54 0,59 0,62 354,88 RN Potigás 0,39 0,35 0,36 329,31 PB PBGás 0,36 0,35 0,34 282,07 SE Sergás 0,28 0,28 0,28 180,37 MA Gasmar 0,00 0,00 0,03 0 DF CEBGás 0,01 0,01 0,01 0,3 MT MTGás 0,01 0,02 0,01 0,1 GO GoiasGas 0,00 0,00 0,00 0 PI Gaspisa 0,00 0,00 0,00 0 AP Gasap 0,00 0,00 0,00 0 PA Gás-Pará 0,00 0,00 0,00 0 RO Rongás 0,00 0,00 0,00 0 Total 57,13 66,98 72,30 23.745,20

Fonte: MME, 2014a

Algumas informações relevantes sobre a distribuição de gás podem ser obtidas a partir da Tabela 9. Observa-se que mais de 70 % dos gasodutos são de propriedade das companhias distribuidoras dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, que também são responsáveis por quase 60 % do gás natural distribuído no Brasil. Por outro lado, das 27 companhias distribuidoras, 19 companhias distribuem volumes consideráveis de gás natural, acima de 200.000 m³/dia, sendo que as 8 empresas restantes distribuem volumes pequenos ou até mesmo não distribuem nenhum m³ de gás natural.

Observa-se, ainda, que praticamente todas as companhias distribuidoras, em efetiva operação, estão localizadas em estados litorâneos, exceção feita aos estados do Amazonas, Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais. Mesmo nos estados litorâneos, a maior parte dos gasodutos está localizada em uma estreita faixa próxima ao mar. No nordeste praticamente todos os municípios abastecidos com o gás natural localizam-se no litoral (ABEGAS, 2013).

De acordo com Monteiro e Silva (2010) o Gás Natural Comprimido – GNC apresenta- se como uma forma alternativa de distribuição de gás em locais não atendidos por gasodutos. Tendo em vista a pequena extensão da malha de distribuição de gás natural frente as dimensões continentais do Brasil esta forma de distribuição permite que o gás atenda demandas a até 250 km de distância do gasoduto. Neste processo, o gás natural é comprimido e armazenado a uma pressão de 250 bar, o que reduz o volume do gás em aproximadamente 200 vezes, para posterior distribuição em regiões não atendidas pelos gasodutos convencionais. Informações disponibilizadas pela Abegas (2013) mostram que, no mês de junho, as empresas distribuidoras de GNC comercializaram 400 mil m³ diários de gás natural.

Dados da Abegas (2013), referentes ao mês de junho de 2013, indicam que o Brasil possui mais de 2,3 milhões de consumidores de gás natural, sendo que aproximadamente 99 % dos clientes pertencem ao segmento residencial e estão concentrados principalmente nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, que possuem companhias centenárias de distribuição de gás natural. Somente nos últimos anos outros estados, especialmente do nordeste, passaram a investir no segmento residencial, porém este mercado é ainda bastante incipiente. A Tabela 10 apresenta o número de consumidores de gás natural no Brasil, divididos por segmento.

Tabela 10 – Número de consumidores de gás natural no Brasil

Segmento Nº de clientes % Residencial 2.285.958 98,6233 Comercial 27.308 1,1782 Industrial 2.817 0,1215 Automotivo (postos) 1.669 0,0720 Cogeração 71 0,0031 Geração Elétrica 25 0,0011 Outros (inclui GNC) 13 0,0006 Matéria prima 6 0,0003 Total 2.317.867 100,0000 Fonte: Abegas, 2013

Comparando o número de consumidores de 27 países da Europa com os Estados Unidos, o Japão e o Brasil, observa-se que o Brasil ocupa uma posição intermediária, mesmo em uma análise com países que apresentam economia menos desenvolvida e população bastante inferior, conforme pode ser observado na Tabela 11.

Tabela 11 – Número de consumidores de gás natural

Países Extensão da rede

de distribuição (km) Número de consumidores (mil) 1 Estados Unidos 2.000.000 65.085 2 Reino Unido 285.600 23.211 3 Itália 282.783 22.391 4 Japão 144.150 20.189 5 Alemanha 475.000 19.477 6 França 230.327 11.381 7 Turquia 24.000 8.902 8 Espanha 76.403 7.297 9 Países Baixos 138.100 7.275 10 Polônia 127.871 6.666 11 Hungria 88.408 3.529 12 Romênia 53.666 3.122 13 Bélgica 72.772 3.095 14 República Tcheca 77.092 2.869 15 Brasil 22.000 2.317 16 Eslováquia 35.215 1.494 17 Áustria 42.756 1.349 18 Portugal 17.333 1.251 19 Irlanda 13.225 647 20 Lituânia 10.000 554 21 Letônia 6.071 443 22 Suíça 18.352 430 23 Dinamarca 20.400 391 24 Grécia 6.827 272 25 Eslovênia 4.854 150 26 Luxemburgo 2.985 85 27 Bulgária 6.520 62 28 Estônia 2.860 52 29 Suécia 3.220 40 30 Finlândia 3.197 35 Fonte: EIA, 2013; EUROGAS, 2012 e ABEGAS, 2013

4. O GÁS NATURAL NA MATRIZ ENERGÉTICA DO