6.4 . Set t ing up a Kerberos Client for Smart Cards
6.5. Set t ing up Cross-Realm Kerberos T rust s
A Rádio Voz Coop situa-se no bairro de Bagamoio, no distrito urbano nº. 5, na cidade de Maputo. De propriedade da União Geral das Cooperativas Agropecuárias (UGC) das cidades de Maputo e Matola, a qual congrega neste momento cerca de 6.000 membros em 186 cooperativas, a Voz Coop surgiu em 1999, quando o Projeto de Desenvolvimento da Mídia avaliou candidaturas de associações cívicas nacionais com interesse em instalar e gerir rádios comunitárias (WALKER. 2004, p. 105). Iniciou-se, então, a concretização de um sonho já há
muito acalentado pelos associados da UGC: ter uma rádio da comunidade de produtores agropecuários que pudesse garantir voz e espaço para a luta pelos seus direitos.
Operando em FM de 91.4 MHz, a Voz Coop iniciou suas emissões em 11 de julho de 2002, cobrindo um raio de 100 km e transmitindo os seus programas nas línguas ronga e portuguesa. Sua programação baseia-se em informação, educação, cultura, esporte e entretenimento. Possui 83 colaboradores, entre eles técnicos de gestão, administrativos e de radiodifusão, jornalistas e voluntários. Do total de colaboradores, 32 são mulheres.
No seu estatuto (UGC, 2001, p. 1), a UGC define como objetivos gerais da Voz Coop:
Contribuir para o desenvolvimento do movimento cooperativo agropecuário no cinturão das cidades de Maputo e Matola, por meio da difusão de programas técnico- informativos, educativos, culturais e recreativos com a participação direta e ativa das comunidades geográfica e cooperativa;
Manter, no bairro de Bagamoyo, um serviço comunitário de radiodifusão por meio de um emissor com funcionamento sob designação da Voz Coop.
Ainda o mesmo documento define a Voz Coop como:
Independente – postura editorial independente dos poderes político-governamentais, de partidos políticos, de organizações ou interesses econômicos, religiosos, sindicais e outros;
Cívica – pretende elevar o nível de consciência e solidariedade sociais, educar os cidadãos em geral e os cooperativistas em particular sobre os seus direitos e deveres, promover democracia, cidadania, justiça social, diálogo e participação;
Comunitária – pretende dar especial atenção às atividades, e às dificuldades da comunidade, dos movimentos cooperativos agropecuários agregados à UGC, de
associações afins e de outras camadas sócio-econômicas e culturais das zonas peri- urbanas de Maputo e Matola e de seus distritos vizinhos.
A Voz Coop tem uma estrutura administrativa um pouco diferente da das outras rádios comunitárias visitadas. Esta tem a assembléia geral da UGC como órgão máximo deliberativo. Para lidar especificamente com os assuntos da rádio, criou-se um comitê de gestão e programação para o qual é eleito um coordenador, que trabalha com 69 colaboradores, distribuídos em diversas tarefas, como ilustra o anexo 9 do nosso trabalho. A programação da Rádio Voz Coop se constitui de agricultura, SIDA, educação, programa da mulher, educação para saúde,desporto, educação para o turismo, educação para trânsito, entre outros; com grande impacto no meio de jovens aprendendo como valorizar a sua própria cultura; elevação do nível de auto-estima na comunidade; aumento da segurança e liberdade na circulação de pessoas em locais anteriormente críticos; uso freqüente da Rádio pela comunidade para efeitos de anúncios; electrificação pela outuridades competentes, de uma rua outrora freqüentada por malfeitores; obras de melhoramento de alguns campos de futebol nos bairros, etc (WALKER, 2004, p. 105).
6. Autonomia e sustentabilidade das rádios e televisões comunitárias
Para que as rádios comunitárias tenham uma política editorial independente e obtenham maior autonomia de decisão, é necessário contarem com fundos suficientes, provenientes de fontes diversificadas. Além da sua geração de receitas e da contribuição dos membros da comunidade, deveriam se beneficiar do Orçamento Geral de Estado, e de contribuições de ONGs, pessoas físicas, empresários locais, administrações autárquicas e outros. Poderia, até, criar uma espécie de figura do “amigo da rádio”, que mensalmente ou anualmente contribuiria para o sustento da rádio que tivesse adotado como sua amiga. O estabelecimento de parcerias pode ser uma forma de tornar viável a emissora, mas é preciso garantir que a abertura aos apoios financeiros e materiais não descaracterize, de forma alguma, a política editorial definida com o envolvimento da comunidade. As rádios comunitárias situadas em lugares onde o comércio é forte, como é o caso das cidades de Maputo, Beira, Chimoio e Nampula, conseguem angariar receitas localmente fazendo anúncios em troca de dinheiro ou material. O mesmo não acontece com as rádios sediadas em
lugares como: Lago, no distrito de Metangula, província de Niassa; Mueda, na província de Cabo Delgado, Ribáuè, na província de Nampula; Milange, na província da Zambézia; Sussundenga, na província de Manica; Búzi, na província de Sofala; Báwa, na província de Tete; Vilankulu e Homoine, na província de Inhambane; e Moamba e Namaacha, na província de Maputo55.
Em Homoine, por exemplo, onde o comércio é fraco, a Rádio Arco-Homoine56 sobrevive à base de venda de cupons para dedicatórias e doações mobilizadas pelo clube de “amigos da rádio”e sua receita não atinge 6 milhões de meticais por mês, quantia equivalente a 250 dólares americanos (1 dólar = 24.000,00 meticais). Enquanto as receitas locais não são suficientes para cobrir as despesas mensais da rádio comunitária57, equivalentes a cerca de 820 dólares americanos por mês, e a rádio não estrutura sua coordenação e mobilização de fundos, o Projeto de Desenvolvimento da Mídia em Moçambique oferece a ela apoio financeiro.
As rádios e televisões comunitárias que são da alçada do Instituto de Comunicação Social, organismo público voltado para a aplicação das políticas de radiodifusão comunitária no país, se beneficiam do Orçamento Geral do Estado. Além disso, algumas estão em condições de produzir receitas localmente com a prestação de serviços diversos aos membros da comunidade, como coberturas de evento58s festivos e anúncios das igrejas, cobrando taxas que variam de 10.000,00 a 50.000,00 meticais. Essas taxas variam de região para região e são determinadas pelo comitê de gestão da rádio, com a condição de não implicarem intromissão dos contribuintes no conteúdo da programação, a fim de evitar o desvirtuamento desta.
Uma atividade interessante presente em quase todas as rádios comunitárias é a produção e venda de cupons para dedicatórias, que consistem na compra, pelos ouvintes, de cupons em que endereçam suas mensagens para pessoas de suas relações, sejam elas amigas,
55
Ver localização geográfica das rádios e televisões comunitárias – Tabela 01 e Mapa 03, neste trabalho.
56
Ver item 3.7.5 do capítulo III
57
Que incluem pagamento de luz, telefone, água, salários, transporte, manutenção de equipamento, material diverso, etc.
58
colegas, familiares, etc., Isso, de fato, todas conseguem fazer, e com isso cobrem boa parte de despesas com o material.
Nélia Taimo (2004, p. 4)59 afirma que os impressos de dedicatória são vendidos em todas as rádios, com uma média de dez por dia. No verso do cupom existe um espaço onde é solicitado ao ouvinte escrever sua opinião sobre a programação da rádio e colocar suas sugestões e reclamações. Como refere Taimo, as opiniões dos ouvintes constantes nos versos dos cupons permitiram analisar o relacionamento da comunidade com a rádio por meio da identificação do perfil consumidor das dedicatórias. “A análise deste perfil ajudou a rádio comunitária do Dondo60, por exemplo, a convidar os ouvintes que mais enviaram dedicatórias a formar um ‘Clube de Amigos da Rádio’, com o objetivo de ajudar a mobilizar voluntários na comunidade e a recolher de forma permanente a opinião dos ouvintes.”
Em relação à questão da sustentabilidade, pode-se perguntar: que futuro as rádios e televisões comunitárias esperam? A missão principal do Fórum Nacional de Rádios Comunitárias (Forcom), criado em abril de 2004, é encontrar formas de responder a essa inquietação – que é também de todos os operadores dessas rádios e televisões –, pois seu objetivo é fortalecer os meios de comunicação comunitários defendendo os interesses comuns, “tendo como meta final a sustentabilidade das rádios a longo prazo nos domínios gerais de (a) desenvolvimento institucional, (b) desenvolvimento de recursos humanos, (c) sustentabilidade editorial e financeira e (d) sustentabilidade técnica” (TAIMO, 2004, p. 9).
Outra tarefa importante do Forcom é organizar as rádios comunitárias para estabelecer redes de correspondentes locais e postos administrativos de cada cidade, distrito ou província em que se localizem. Feito isto, estarão criadas as condições para o estabelecimento de uma rede nacional das rádios comunitárias que lhes será muito útil para a troca de informações, material e experiências de trabalho no ramo.
O movimento das rádios comunitárias em voga no país tem apoio de lideranças religiosas e comunitárias e as instaladas em municípios são apoiadas pelos presidentes dos
59
Pesquisadora social em Moçambique.
60
conselhos municipais, pois estes acreditam que a rádio constitui um instrumento de diálogo entre o poder local e a comunidade. Desse modo, em lugares onde a Rádio Moçambique não é captada, os líderes locais tomaram para si a tarefa de mobilizar a comunidade a contribuir financeiramente com a instalação da rádio comunitária que hoje recebe e retransmite o RM- Jornal, principal noticiário da Rádio Moçambique.
Alfredo Finiasse Vilankulu,61 ouvinte e telespectador da Rádio e Televisão Comunitária de Vilankulu, afirma que “a rádio veio para facilitar a comunicação na vila”, pois, para ele, a Rádio Comunitária de Vilankulu “tem sido muito útil na transmissão de avisos para a comunidade e na convocação de reuniões de grande urgência, que antes eram feitas boca-a-boca e de casa em casa e demoravam a chegar.
Hoje, a educação, a informação, a formação e a cultura também navegam pelas ondas das emissoras de rádio comunitárias, que levam entretenimento e serviços de utilidade pública às comunidades locais onde estão inseridas.
As rádios comunitárias cobrem um raio de aproximadamente 60 km e ajudam a promover a auto-estima, a dignidade e a integração dos seus ouvintes. A Unesco, por intermédio do Projeto de Desenvolvimento da Mídia já financiou a instalação de mais de oito rádios comunitárias e tem o apoio do governo moçambicano nessas iniciativas. O Instituto de Comunicação Social, beneficiando-se das verbas do Orçamento Geral de Estado, desenvolve desde a sua fundação em 1977, suas atividades no âmbito da comunicação comunitária em todas as onze províncias moçambicanas, incluindo a cidade de Maputo.