Part II. Identity and Authentication Stores
Chapter 3. Using and Caching Credentials with SSSD
3.2. SSSD and Syst em Services
3.2.3. Configuring Services: aut ofs
Foi durante a luta armada, nas zonas libertadas, que as primeiras tentativas de desenvolvimento auto-suficiente, de orientação socialista, foram feitas. Sobre esse assunto, Machiana (2002, p. 82) sustenta que a estratégia adotada nas zonas libertadas baseou-se fundamentalmente na alteração das relações de produção, tendo o processo de produção passado a organizar-se em moldes coletivistas. “Nisto se baseia o significado ideológico da experiência das zonas libertadas, como indicadora da atitude da Frente de Libertação de Moçambique – FRELIMO – em relação ao desenvolvimento econômico de Moçambique.”
Após a independência, o estabelecimento de relações de produção socialista foi um dos objetivos mais enfatizados nos planos de desenvolvimento, o que implicava que a extensão das experiências de produção desenvolvidas nas antigas zonas libertadas tivesse que passar por uma ampla campanha de mobilização nacional de todas as forças produtivas. E era precisamente sobre a mobilização das forças produtivas nacionais que devia incidir a ação da comunicação social no processo de desenvolvimento da sociedade moçambicana.
De acordo com Machiana (2002, p. 85), ainda que a noção do desenvolvimento a ser promovido pelo Estado implicasse uma modernização por meio de rápida industrialização e mecanização da agricultura, o “Homem” acabou se constituindo como o elemento principal do processo, “reassumindo o seu papel central na ideologia de modernização da FRELIMO, cujo projeto político passava pela transformação do indivíduo” (grifo nosso).
No nosso entender, o anúncio feito pelo então Presidente da República, Samora Machel, no dia 24 de julho de 1975, dia das nacionalizações, num grandioso comício popular realizado no Estádio da Machava, regulava a abolição dos serviços de saúde, educação, justiça e serviços fúnebres de caráter privado, os quais deviam passar a constituir prerrogativa exclusiva do Estado moçambicano. Samora Machel firmava como dever do Estado garantir a extensão desses serviços a todo o povo moçambicano, principalmente às populações das áreas rurais que tinham sido mais desprivilegiadas pelo sistema colonial. No mesmo comício, Samora anunciou a posse da terra pelo Estado e, meses depois, o exercício privado do arrendamento, tornando esta acessível ao povo.
As nacionalizações feitas pelo governo moçambicano se enquadravam no plano de desenvolvimento socioeconômico, político e cultural da nação. Constituía isso uma filosofia do Estado de buscar soluções para a melhor prestação de serviços essenciais das áreas da saúde, educação, justiça e serviços fúnebres, bem como de oferecer condições de moradia às populações urbanas e garantir o uso e aproveitamento da terra às populações rurais.
Segundo determinação da 1ª sessão do Conselho de Ministro, realizada de 9 a 25 de julho de 1975, o desenvolvimento das zonas rurais constituía uma das grandes prioridades e, portanto, deviam-se mobilizar todos os meios de ação que permitissem o seu alcance para o sucesso das Aldeias Comunais. Isso significava que toda a economia nacional deveria ser orientada para o desenvolvimento da nação de acordo com os interesses do povo moçambicano, o que implicaria a aplicação da política de austeridade e de diminuição dos gastos públicos e de divisas, redefinição da política fiscal e fixação de impostos segundo critérios de justiça social.
A agricultura seria promovida por meio das “machambas”16 coletivas ou cooperativas de produção agrícola, com base na criação das Aldeias Comunais. O desenvolvimento da produção industrial passaria a ser promovido de forma planificada, devendo o Estado orientar o comércio externo e interno, de maneira a combater todas as formas especulativas e de sabotagem econômica no país. Nessa batalha, os meios de comunicação social desempenhavam um papel preponderante, principalmente pela veiculação das informações recentes sobre os acontecimentos, as diretrizes e as orientações do partido e do governo, bem como a mobilização e a organização das populações para ações produtivas em todos os níveis. Nesse ponto reside a contribuição fundamental dos sistemas de comunicação, em particular os de âmbito comunitário: veicular informações e difundir modos de agir, pensar e sentir que predisponham os cidadãos a adotarem comportamentos sintonizados com as estratégias do desenvolvimento. Em outras palavras, esses sistemas forjam indivíduos capazes de valorizar o trabalho produtivo e de poupar recursos para a realização de resultados em médio e longo prazo.
Ao discutir a comunicação comunitária com base na experiência brasileira vivida no período de transição política dos anos de 1980, Cicília M. Krohling Peruzzo (2003, p. 247) sustenta que a comunicação comunitária “surge e se desenvolve articulada aos movimentos sociais como canal de expressão e meio de mobilização e conscientização das populações residentes em bairros periféricos e submetidas a carência de toda espécie; de escolas, postos de saúde, moradia digna, transporte, alimentação e outros bens de uso coletivo e pessoal, em razão dos baixos salários ou do desemprego”.
A nosso ver, a experiência de comunicação comunitária vivida pelo povo brasileiro, como Peruzzo refere acima, não foge muito ao que se viveu em Moçambique no mesmo período, só que neste, numa perspectiva política diferente. Em Moçambique, precisamente nos finais da década de 1970 e em toda a de 1980, a comunicação comunitária era liderada por movimentos comunitários conhecidos como “movimentos democráticos de massa” (MACHEL, 1975, p. 1). De 1975 a 1992, fazia-se no país um tipo de comunicação comunitária com uma boa dose de politização na linha da Frelimo, um partido revolucionário, e isso acontecia também no seio da comunicação social em geral. O momento político-social
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exigia que a comunicação popular ou de massa fosse assumida pela população moçambicana como uma das melhores formas de desenvolver a jovem nação.
No decorrer do nosso trabalho de pesquisa pudemos perceber que hoje, em Moçambique, a maioria dos meios de comunicação social, em particular os de âmbito comunitário, tem sua filosofia baseada na produção e veiculação de conteúdos informativos, educativos, culturais e de prestação de serviços à comunidade onde estão inseridos. As rádios comunitárias, por exemplo, primam pela educação e formação do cidadão com vista à preservação da paz e ao combate à pobreza absoluta vivida no país. Com mensagens educativas e de conscientização popular, as rádios comunitárias procuram prestar sua contribuição para combater a violência e o tráfico das drogas; mobilizar as populações locais a se engajarem em atividades produtivas com vista a combater a miséria. Como diz Peruzzo (2003, p. 249), “[...] a comunicação comunitária é aquela que faz sentido dentro de realidades específicas e porque é produto de cada uma dessas realidades”. Daí que, segundo essa autora, “a comunicação comunitária surge das necessidades locais e serve aos interesses da comunidade”.