Part III. Secure Applications
Chapter 5. Using Pluggable Authentication Modules (PAM)
5.2. About PAM Configurat ion Files
O serviço de radiodifusão comunitária em Moçambique tem início no ano de 1977, por meio de um acordo estabelecido entre o Ministério da Informação e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Nesse ano, o Ministério da Informação criou um Projeto de Comunicação Social para aldeias e bairro comunais, que teria, entre outras funções (JANE, 1990, p. 170):
Levar a informação para as aldeias comunais;
Testar os instrumentos de comunicação modernos para selecionar os que melhor se adaptam às tradições culturais das populações e transmitir com maior sucesso as mensagens visadas;
Estudar a linguagem a ser usada na comunicação com as populações rurais; Avaliar a penetração, retenção e retransmissão das mensagens;
Avaliar as mudanças sociais, econômicas e culturais com a introdução de novas mensagens e novos equipamentos.
No aproveitamento das tecnologias modernas de comunicação de massa, o Ministério da Informação precisou colocar em teste o sistema de alto-falantes, que tinham grande aceitação popular na época e eram adaptados à realidade das aldeias e dos bairros comunais. Além disso, a comunicação por alto-falantes foi vista como “um sistema de comunicação social mais imediato, mais barato e mais fácil de manejar, dando acesso direto às populações para fazer os seus programas” (JANE, 1990, p. 171).
Sob o comando de Juarez da Maia, brasileiro, especialista em comunicação rural, foi criado, em 1978, o Gabinete de Comunicação Social (hoje Instituto de Comunicação Social), subordinado ao Ministério da Informação. Durante os primeiros anos do projeto experimental, fez-se o levantamento de dados sobre a situação política, econômica, social e cultural das aldeias e dos bairros comunais, a fim não só de conhecer os níveis de desenvolvimento global e de cada setor de atividade, mas também de contribuir para a formação de quadros que desenvolveriam o projeto. Uma das pesquisas mais importantes realizadas na época, com a colaboração dos professores Eugenivisk Rezewuski e Mateus Katupa, da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), tratava da utilização das línguas moçambicanas, tendo em vista a escolha pela população, do repertório lexical dessas línguas ao se referir às transformações sócio-políticas da sociedade, como instituições técnicas, meios de produção e terminologias respeitantes à vida pública do país. Além disso, outras pesquisas realizadas na época tinham em vista o estudo desse fenômeno e das tendências e possibilidades de modernização lexical das línguas moçambicanas. Isso constituía um passo para testar a compreensão dos termos utilizados pela Rádio Moçambique e mobilizar as comunidades lingüísticas para o processo de modernização lexical; era, também, uma forma de permitir a tradução de alguns conceitos utilizados em língua portuguesa pela Frelimo e pelo Estado para línguas moçambicanas – trabalho que resultou na elaboração de um vocabulário em línguas makonde, makhuwa,
chuwabo, chona e changana.
O sistema de comunicação por alto-falantes das rádios comunitárias foi utilizado pela primeira vez durante a Primeira Conferência Nacional das Aldeias Comunais, realizada na Aldeia Três de Fevereiro, no distrito de Xai-Xai, na província de Gaza, apoiando as atividades da Conferência por meio da ampliação sonora para plenários, comícios e transmissão de mensagens para os delegados vindos de várias regiões do país. Uma experiência que atraiu muito a atenção dos participantes foi a escuta coletiva do noticiário em emissão nacional da Rádio Moçambique, captada em ondas curtas.
A partir dos resultados obtidos na Aldeia Comunal Três de Fevereiro, o projeto expandiu-se para outras aldeias e bairros suburbanos. Criaram-se os centros de comunicação social nos bairros de Hulene e Polana Caniço, nos arredores da cidade de Maputo, e em aldeias comunais de Unango (Niassa), M’tamba (Cabo Delgado), 25 de Setembro (Nampula),
Três de Fevereiro (Gaza), e Primeiro de Maio (Manica). Com a instalação dos centros de comunicação social e das rádios comunitárias de sistema de alto-falantes, passaram a ser transmitidos a informação propriamente dita, a mobilização, a educação e o divertimento para todas as camadas populares da nova sociedade moçambicana. No aspecto educativo, segundo Jane (1990, p. 172), incluíam-se temas específicos como alfabetização, técnicas modernas de produção agrícola e saúde pública, cada programa com 15 ou 30 minutos de transmissão. No âmbito cultural e recreativo, divulgavam-se a música de artistas da região, com destaque, contos tradicionais e poesias gravadas na própria aldeia.
Outra atividade de destaque realizada na área de radiodifusão comunitária pelo Gabinete de Comunicação Social, desde a sua fundação, em 1978, até meados de 1997, com o apoio técnico da Rádio Moçambique, foi a produção e emissão do programa “Aldeia Comunal”, transmitido todos os dias úteis das 5h15 às 6h, em língua portuguesa e em línguas moçambicanas. Nesse programa, que surge em 1982 com o propósito de romper as barreiras entre o camponês e o operário por meio da veiculação das suas atividades produtivas diárias, eram fornecidas informações relacionadas à educação popular, saúde pública, cultura e problemas sociais, bem como noticiários sobre assuntos locais.
O processo de educação permanente projetado pelo governo naquele momento, por meio do Instituto de Comunicação Social, tinha em sua essência o apoio direto a agentes da saúde, professores, alfabetizadores, técnicos agrários, líderes das comunidades e de aldeias comunais, e funcionava, também, como veículo dinamizador da libertação e emancipação da mulher. No processo de implementação dessa experiência foi necessário, em primeiro lugar, realizar em três províncias do país (Cabo Delgado, Nampula e Gaza) um trabalho de pesquisa que possibilitasse conhecer as realidades locais e comparar a evolução, o grau de participação das populações dos bairros e aldeias comunais onde o projeto seria desenvolvido e, também, a integração deste ao quadro institucional e às estruturas de níveis local, distrital, provincial e nacional. Como referimos no capítulo, o projeto, na sua fase experimental, os centros de comunicação social funcionavam como centros de escuta coletiva e as unidades móveis, a fim de levar a mensagem até comunidades mais recônditas do país.
Tanto os centros de comunicação como os de escuta coletiva haviam sido criados nos bairros e nas aldeias organizados pelo governo logo após a Independência Nacional para
aglutinar a população rural e dotá-la de serviços sociais adequados. Nos centros de comunicação social passavam-se documentários em videocassetes (VT), programas educativos em K7 de áudio, filmes; assistia-se a peças de teatro e espetáculos de música; adquiriam-se jornais e revistas principalmente o jornal “O CAMPO” de propriedade do então Gabinete de Comunicação Social; fazia-se o jornal de parede por uma equipe de redatoras locais. Nos centros de escuta coletiva os membros da comunidade ouviam os programas e noticiários da Rádio Moçambique, que eram recebidos e retransmitidos através dos alto- falantes instalados nos respectivos centros.
Hoje, o país vive num ambiente da comunicação moderna, no qual a evolução tecnológica da comunicação social ganha maior velocidade. O tipo de comunicação comunitária que hoje se desenvolve já não é igual ao que se desenvolvia nas décadas de 1970 e 1980, e isso soma-se aos benefícios da Lei de Imprensa em vigor e do processo da democratização e desenvolvimento da comunicação social no país. Surge, então, um novo tipo de rádio, que utiliza equipamentos de alta tecnologia e não mais alto-falantes.