C. DESCRIPTION DU MARCHE
1. Lot 1 - Solution technique pour la gestion des prestations de services multi-canaux (PSMC) . 47
1.6. Service Level Agreement (SLA)
Os dados externos do contrato levam em conta a situação de comunicação que envolve os sujeitos. É por meio dessa relação que locutor e interlocutor se colocam em relação. Ela envolve características físicas, identitárias, contratuais e ritualísticas.
Conforme Charaudeau (2012), as características físicas dizem respeito à noção de dispositivo comunicacional, pelo qual os falantes se veem em uma situação que pode ser de presença física ou não, próxima ou distante, por meio de um canal oral ou gráfico, direto ou indireto, utilizando um código semiológico (imagem, linguagem verbal, sinais, dentro outros).
As características identitárias dos parceiros referem-se aos seus dados sociais, socioprofissionais, psicológicos e relacionais – a relação ocorre entre parceiros no mundo físico (locutor/emissor e interlocutor/receptor).
Quanto às características contratuais, trata-se de saber se o contrato entre os sujeitos permite troca e se, portanto, há possibilidade ou não de diálogo efetivo entre eles.
Já os rituais de abordagem constituem as restrições pelas quais se dá o contato entre os falantes, dependendo do tipo de relação que eles estabelecem numa dada situação comunicacional. Em um diálogo, as saudações fazem parte desses rituais, assim como em uma ligação telefônica o “alô” é um rito de contato entre eles, e os títulos das matérias jornalísticas colocam as instâncias de produção e recepção em contato. (CHARAUDEAU, 2012).
Essas características perpassam a situação de comunicação que, no contrato pelo qual os sujeitos se relacionam sociolinguisticamente, dizem respeito aos dados externos, as
condições nas quais as trocas se estabelecem socialmente. São dados externos do contrato de comunicação, de acordo com Charaudeau (2009, p. 68 - 71) os quatro itens a seguir:
a) condição de identidade: trata-se de reconhecer os traços identitários dos parceiros engajados na troca, por meio dos seguintes questionamentos: quem troca com quem?; quem fala a quem?; quem se dirige a quem. Neste aspecto, deve-se identificar os traços que possam indicar a posição social, econômica, cultural dos parceiros (de quem organização jornalística se está falando? Para que público ela se dirige?);
b) condição de finalidade: refere-se ao objetivo dos parceiros (o contato entre os parceiros visa dizer o que?), às expectativas que os ligam por meio de suas intencionalidades um em relação ao outro. A finalidade envolve sempre uma busca de influência sobre o outro, que ocorre por meio de visadas. É por meio dessas visadas que se tenta fazer com que o outro seja incorporado à sua própria intencionalidade. Segundo Charaudeau, há quatro tipos de visadas: prescritiva (“fazer fazer”); informativa (“fazer saber”); incitativa (“fazer crer”); e a visada do pathos (“fazer sentir”). Pode-se aqui já identificar que, no jornalismo, destacam-se as visadas informativa (que diz respeito à função primordial da instituição) e incitativa (sem a qual não se convence o público), mas também se faz presente, em muitas situações, um apelo à visada do pathos, pois alguns textos adquirem maior capacidade informativa e incitativa ao apelar para a emoção;
c) condição de propósito: aqui, trata-se de questionar “do que se trata? Qual o universo de discurso e sobre que acontecimento se está falando?”, ou seja, esta é a condição da temática que envolve os parceiros da troca linguageira. Refere-se ao fato de que todo ato de comunicação se constrói em torno de um domínio de saber. No caso do jornalismo, tratam- se dos domínios da experiência abordados pelas organizações jornalísticas, de acordo com valores-notícia e critérios de noticiabilidade pelos quais os acontecimentos são transformados em notícia;
d) Condição de dispositivo: trata-se de identificar a maneira particular pela qual se desenvolve o ato de comunicação, levando em conta suas condições materiais. Aqui, pergunta-se “onde se inscreve o ato? Com que canal?”. No caso do jornalismo e da mídia de forma geral, a comunicação é sempre mediada por algum meio que possui características próprias, materiais e semióticas e onde são organizados os elementos do ato de comunicação de formas distintas.
Embora todos os dados externos sejam fundamentais para a análise do contrato do jornalismo, a noção de dispositivo será central para a análise do contrato das organizações jornalísticas nas mídias sociais digitais, em função de que esta pesquisa filia-se a uma
perspectiva midiacêntrica, filiada à Ecologia dos Meios. Defende-se a hipótese de que os meios, ainda que não determinem, agenciam transformações importantes no jornalismo, assim como em tantas outras práticas sociais em que a tecnologia assuma papel central.
Charaudeau (2009, p. 105-106) esclarece as particularidades que podem ser estudadas em cada um dos aspectos do dispositivo midiático – material, suporte e tecnologia:
a) material: é no material que se informa, toma corpo e se manifesta, de maneira codificada, o sistema significante: a oralidade, a escrituralidade, a gestualidade, a iconicidade. No estudo do dispositivo, pode-se incluir a natureza da textura desse material: a vibração da voz, o pigmento das cores, a tipografia etc. Esses diversos materiais estão organizados em sistemas semiológicos, conjunto de redes de significantes que permitem a configuração das unidades de sentido: sistema fônico, sistema gráfico, sistema mimogestual, sistema icônico.
b) suporte: também é um elemento material e funciona como canal de transmissão, fixo ou móvel: pergaminho, papel, madeira, uma parede, ondas sonoras, uma tela de cinema, uma tela de vídeo. E tal como o material dos sistemas semiológicos, sua textura se presta a estudos do ponto de vista da solidez, da gramatura, da superfície etc;
c) tecnologia: é o conjunto da maquinária, mais ou menos sofisticada, que regula a relação entre os diferentes elementos do material e do suporte. Ela combina oralidade, escrituralidade, gestualidade e iconicidade, localiza de uma certa maneira os elementos sobre os suportes; chega mesmo a organizar a topologia, isto é, ordenar o conjunto dos participantes do ato de comunicação, determinar suas possíveis conexões ou mesmo regular uma parte de suas relações (o tipo de disposição espacial poderá facilitar a polêmica ou o consenso).
Após serem elencados os dados externos, é importante compreender os dados internos do contrato propostos pelo modelo semiolingústico de Charaudeau, que dizem respeito à discursivização, na qual o contrato é acionado, restringindo e, ao mesmo tempo, dando liberdade aos falantes.