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Serial I/O Example 1: Networking and Communications: RS-232

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4.2.1 Serial I/O Example 1: Networking and Communications: RS-232

Apesar da importância das concepções mais modernas sobre a depressão, indubitavelmente, Freud e Abraham (pertencentes à teoria clássica), no séc. XX, tiveram um contributo decisivo nesta matéria e, por esse motivo, foram largamente retomados pelos autores que lhes sucederam.

Freud e Abraham são unânimes em afirmar que, o processo melancólico se desenvolve devido à perda do objecto amado, resultando na introjecção do objecto no próprio Eu, originando a doença.

Em 1911, Abraham (cit. in Matos, 2001), descreve a "distimia primária” infantil, como núcleo original da depressão do adulto e refere o desapontamento ou desilusão com os pais como o seu factor etiológico específico.

principais contribuições teóricas psicanalíticas, numa tentativa de abordagem global sobre a depressão. Considerou a depressão como um sintoma, um estado emocional, determinado por motivos inconscientes e resultante do recalcamento. De acordo com este autor, a depressão está tão disseminada entre as formas de neuroses e psicoses como a ansiedade, estando as duas muito relacionadas entre si e, frequentemente, juntas na mesma pessoa.

Abraham estabelece a analogia entre melancolia e neurose obsessiva. Estas perturbações resultam de uma disposição dominada pelo ódio que produz uma incapacidade de amar. A diferença reside na capacidade do obsessivo para criar fins substitutivos, enquanto o melancólico realiza uma projecção.

Freud (1917-15), particularmente com a publicação de Luto e Melancolia, contribuiu de forma decisiva para a compreensão da depressão. Descreve-a como processos de perda e de luto, os quais muito embora experienciados por todas as pessoas, se se prolongam no tempo e excedem a sua função de adaptação, tornam-se, a longo prazo, processos inadaptados.

O autor determinou a afinidade entre o estado melancólico e a reacção normal de luto, que se segue à perda de uma pessoa amada.

Estes dois estados afectivos têm semelhanças, isto é, sofrem a influência de estímulos ambientais e associam-se à perda do objecto de amor.

O luto, de um modo geral, é a reacção à perda de um ente querido, à perda de alguma abstracção que ocupou o lugar de um ente querido, como os pais, a liberdade, ou o ideal de alguém. Em algumas pessoas as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto. Assim, o luto e a melancolia contêm o mesmo estado psíquico doloroso, um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer actividade. Neste contexto, o superego encontra-se em conflito com o ego, culpando este último pela perda, o que poderá explicar a marcada diminuição da auto-estima, o empobrecimento do ego e a contínua culpabilização do melancólico, aspectos que estariam ausentes no estado de luto.

A pesquisa de Freud, tal como a maioria da pesquisa que lhe antecedeu, considera a depressão como sendo o resultado de uma fraca resolução do conflito entre impulsos primitivos (id) e a internalização ou aceitação dos tabus sociais contra a expressão destes impulsos (superego). Desde Freud e seus seguidores, emergiram outras teorias, as quais procuraram enquadrar etiologicamente a depressão infantil ao longo do processo de desenvolvimento.

Tomando como central o problema do narcisismo, Matos (1985) sintetiza a progressão da depressão na criança em três tempos. Um primeiro tempo caracterizado, fundamentalmente, pelos sentimentos de abandono e desamparo, podendo corresponder ao traço psicótico da depressão. Um segundo tempo sublinhado pelos sentimentos de lesão da auto-imagem, que conduzem a uma diminuição da auto-estima (correspondente à depressão narcísica, marca borderline da depressão ou depressão-limite). Um terceiro tempo caracterizado pela angústia de castração, equivalendo à fase da depressão propriamente dita. As "depressões" que desde então se instalam não são verdadeiras depressões mas lutos, com consciência da perda e ausência de depleção narcísica. A estruturação de um superego edipiano permite passar do nível do desamparo e da inferioridade para o plano da culpa e da elaboração interna do conflito.

Assim, Matos refere-se à depressão como: …estrutura, organização ou estrutura mental mais ou menos estável, ou funcionamento psíquico preponderante e persistente (2001, p.503).

Com base nesta definição, por questões de clareza de exposição, o autor considera de forma separada a personalidade depressiva ou depressividade (traço de carácter), a reacção depressiva, o desenvolvimento depressivo ou estado depressivo e o processo depressivo.

A personalidade depressiva, designada também por depressividade, caracteriza- se principalmente por baixa auto-estima, culpabilidade, superego severo, vulnerabilidade à perda, tendência à adinamia e idealização do passado. Estes traços de personalidade organizam-se devido a perdas cumulativas ou decorrentes de uma reacção depressiva.

Porém, mais significativas são a vigência e sequência de uma relação patogénica da pessoa com o objecto, da qual se destaca a economia depressígena, ou seja,

uma relação em que o sujeito dá mais (sobretudo de afecto) do que recebe, conduzindo a uma perda contínua; ... , a indução da culpa ..., a desvalorização, humilhação e ridicularização do sujeito por parte do objecto inferiorizante, o objecto narcíseo e desnarcisador, desamante, crítico, agressivo, controlador e repressivo (Matos, 2001, p.504).

Na reacção depressiva, o sujeito sente que o objecto já não é o mesmo, que já não o ama ou que já não o ama como anteriormente o amara. Na sequência da perda afectiva ou daquele que o abandonou afectivamente, o sujeito poderá reagir com abatimento ou dor, podendo predominar a culpa, reacção esta mais doentia, ou então inversamente, a raiva e a revolta, reacções mais sadias.

Na sequência da reacção depressiva surge o desenvolvimento depressivo ou estado depressivo, no qual se observa uma auto desvalorização e/ou acusação como tentativa de explicar a razão da perda. A pessoa começa a culpar-se e a inferiorizar-se internamente, o que irá reforçar os sentimentos de culpa e inferioridade já existentes e resultantes da construção da personalidade depressiva. A tendência depressiva também facilita o processo interpretativo que leva a pessoa a auto-recriminar-se e a auto-diminuir- se.

Por fim, o processo depressivo instalado envolve mecanismos psicológicos mais profundos (projecções, introjecções cruzadas, podendo ser até violentas). Considera o autor que este é o processo maligno da doença depressiva, ao qual a psiquiatria biológica denomina depressão endógena, de origem genética, ou seja, em que existem desregulações de natureza bioquímica ou fisiopatológica.

Em conclusão, a personalidade depressiva, sob a qual são delineadas as formas depressivas (reacção, desenvolvimento e processo), evidencia a dupla natureza: organização da personalidade com traços específicos e reforço de determinados traços, não só pela vivência de estados depressivos, mas também pelo desenvolvimento da própria depressão. Esta, como toda a doença mental, desenvolve-se no meio externo, na relação interpessoal, e progride dentro da mente.

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