Embedded Board Buses and I/O
4.6 Bus Arbitration and Timing
4.6.2 PCI (Peripheral Component Interconnect) Bus Example: Expandable
A experiência da criança face à ameaça no contexto do conflito parental pode ser explicada com base no modelo da segurança emocional, desenvolvido por Davies e Cummings (1994; Cummings & Davies, 1996; Davies & Cummings, 1995; 1998).
Baseando-se na primazia das reacções emocionais observadas nas respostas das crianças ao conflito parental, o centro de interesse do modelo converge para o impacto do conflito parental no processo da regulação emocional da criança, isto é, as reacções emocionais negativas da criança ao conflito parental regulam e são reguladas com o objectivo de preservar a segurança emocional.
De uma perspectiva funcional da emoção, as reacções emocionais aos acontecimentos constituem um sistema de controlo interno na avaliação do significado e da significância do acontecimento (Davies & Cummings, 1995), caracterizando, assim, de uma forma dinâmica, causas, sintomas e respostas em função da avaliação dos acontecimentos, da motivação do comportamento e da modelação das respostas de coping (Crockenberg & Langrock, 2001; Cummings & Davies, 1996).
A reacção emocional refere-se à tendência para expressões extremas e desajustadas de temor, medo e angústia (Davies et al., 2002b).
Tal como o modelo cognitivo-contextual, Davies e Cummings (1994) argumentam que o conflito parental representa um factor de stress, face ao qual a criança se esforça por compreender o significado do conflito para si própria e para a sua família, assim como por avaliar a sua capacidade para lidar com o mesmo.
Contudo, os autores sugerem que o conflito parental representa uma ameaça específica à percepção da criança acerca da segurança emocional, não apenas de si própria, mas da família como um todo.
A segurança emocional no contexto da família é perspectivada pela criança como a primeira finalidade, pelo que a resposta a um estímulo emocional negativo funciona como um indicador da discrepância entre o estado emocional do momento e a sua adaptação, com vista a atingir aquela segurança. Quando esta discrepância existe, a criança tenta responder de forma a diminuir esta divergência (ex : confortando um dos progenitores, actuando de forma a que o conflito termine, ou afastando-se da situação), isto é, ao percepcionar a potencial ameaça resultante do conflito, desenvolve recursos físicos e psicológicos de forma a elaborar uma avaliação imediata e a lidar com a situação de stress (Davies et al., 2002b).
Nesta perspectiva, as preocupações da criança acerca da segurança emocional têm uma função organizadora e de controlo nas suas reacções ao conflito conjugal (Davies & Cummings, 1994, p.389).
O modelo da segurança/estabilidade emocional, representado na figura 2, expressa que a ameaça concomitante com o conflito parental destrutivo (ex.: frequente, intenso e relacionado com a criança), desenvolve preocupações na criança com a preservação da sua estabilidade emocional (passo1).
Com base nesta teoria e em vários resultados de investigações, concluiu-se que a variabilidade dos estímulos emocionais da criança em resposta ao conflito está relacionada com as variações do impacto negativo das diferentes dimensões do conflito parental.
A criança, provavelmente, reage de uma forma emocional mais negativa, quando um ou ambos os progenitores estão intensamente zangados, quando o conteúdo do conflito se relaciona com o comportamento da criança, quando não existe uma resolução clara do conflito ou quando a aquela tem experiências anteriores de conflitos semelhantes.
Então, o significado do conflito parental e as subsequentes reacções da criança dependem do desvio do curso da segurança emocional, por ela experienciado.
A preservação da segurança emocional, como referem Cummings e Davies (2002), regula e é regulada pela inter-relação de três diferentes componentes que influenciam o funcionamento da criança, nomeadamente: a reactividade emocional, a regulação da exposição ao afecto parental e as representações internas das relações parentais.
Os autores supõem que estas componentes, embora representem aspectos distintos da segurança emocional, se encontram positivamente intercorrelacionadas (passo 2 e 3).
Na primeira componente, a reactividade emocional reflecte a regulação da criança ao seu próprio estímulo emocional. Sinais de instabilidade emocional relativas ao desacordo parental são reflectidos em maior reactividade emocional, caracterizada por reacções ao conflito parental de stress intenso e prolongado (isto é, propensão para expressões de medo, insónia, bem como para angústia intensa, prolongada e irregular). A insegurança emocional, conduz a uma desregulação emocional face a estímulos negativos, a incapacidade para controlar os comportamentos e emoções e a marcante reactividade fisiológica.
Na segunda componente, a regulação da exposição ao afecto parental enfatiza o esforço da criança para controlar a situação em ordem ao restabelecimento da segurança emocional. Desviando-se desta finalidade, a criança pode manifestar comportamentos de afastamento da situação ou de intervenção na discussão directa ou indirecta (exemplo: pedir ajuda a outras pessoas).
Na terceira componente, as representações internas hostis são resultantes das avaliações das potenciais consequências do conflito no bem-estar da própria criança e da sua família.
Melhor dizendo, esta componente diz respeito às representações internas da criança em relação à família, que correspondem a esquemas internos que aquela possui para presumir o que poderá acontecer quando o conflito ocorre (Davies & Cummings, 1994, 1998; Davies et al., 2002b).
Figura 2. Modelo da segurança emocional.
Fonte: Cummings e Davies, 2002b
Embora, para as crianças de ambientes de elevados conflitos a sua preocupação com a estabilidade emocional possa ser adequada, a teoria também postula que essas preocupações possam ser desajustadas a longo termo (passo 4). A vigilância, a angústia e a preocupação resultantes da exposição às dificuldades parentais podem aumentar o risco para transtornos psicológicos ocultos, tais como sintomas de internalização e de externalização.
Processos frequentes e prolongados do sistema de segurança emocional requerem recursos substanciais psicológicos e físicos (ex: regulação da atenção, afecto, processos de pensamento e acções). Então, esforços substanciais para readquirir a estabilidade emocional, podem restringir os recursos da criança, necessários à realização de outras tarefas significativas do desenvolvimento, tendo como resultado o aumento da sua vulnerabilidade para a desadaptação (Saarni et al., 1998; Thompson & Calkins, 1996, cit. in Davies et al., 2002b).
As características familiares podem potenciar ou proteger a criança de experienciar insegurança emocional face a elevados níveis de conflito parental, ou ainda,
Conflito Parental Intenso Hostil Não resolvido Objectivo: Preservar a Segurança Emocional Regulação da Exposição ao Afecto Parental Representações Internas Reactividade
Emocional Características Familiares
2 3 Perturbações Psicológicas da Criança 6 5 5 7 4 3 2 1 2 3
podem moderar ou mediar a relação entre a segurança emocional e as perturbações psicológicas da criança (passos 5, 6 e 7).
Pode concluir-se que o impacto da exposição da criança ao conflito parental é resultado da conjugação de vários factores. As reacções das crianças são variáveis, podendo algumas delas ser mais afectadas do que outras.
De acrescentar, que, muitas vezes, o papel das variáveis anteriormente mencionadas sobrepõem-se, ou seja, uma variável considerada protectora pode ter um efeito na diminuição das respostas emocionais negativas da criança, mas possuir também um efeito interactivo no factor de risco.
Uma história prolongada de exposição a conflitos destrutivos pode ter como consequência maior insegurança, dada a elevada reactividade emocional, evitamento ou envolvimento no conflito e representações hostis no contexto do conflito parental.
No sentido de clarificar a forma como as crianças representam mentalmente as experiências com o conflito parental e a violência, e as implicações dessas representações no seu desenvolvimento, Davies e Cummings (1994) sugerem que a exposição da criança ao conflito parental conduz a representações que incluem as crenças sobre o curso típico e resolução do conflito, a estabilidade e a predição da relação conjugal e a ameaça do conflito ao seu bem-estar. Estas representações formam um dos fundamentos da segurança emocional da criança.
Davies e Cummings (1994; Cummings & Davies, 1996) sugerem que a criança percepciona duas importantes preocupações ou ameaças no contexto do conflito parental, o receio de que o conflito preceda a ruptura dos pais e, por consequência, da família, bem como o receio de que o conflito tenha implicações negativas na sua relação afectiva com um ou com os dois progenitores.
A diversidade, amplitude e flexibilidade das avaliações da estabilidade emocional, exigem o desenvolvimento de medidas que avaliem a estabilidade emocional da criança no contexto da relação parental. Neste sentido, com base no modelo da segurança emocional, Davies et al. (2002a) desenvolveram uma escala para a avaliação da segurança emocional da criança face às relações parentais, mais particularmente ao conflito parental. As três componentes do modelo mencionadas são avaliadas com o Security Interparental Subsystem Scale (SIS).
De facto, na opinião dos autores, as escalas existentes, particularmente o Children’s Perception of Parental Conflict (CPIC), não apreendem alguns dos aspectos emocionais (ex: reactividade emocional), comportamentais (ex: desregulação do comportamento) e interpessoais (ex: evitamento, envolvimento), processos estes de
fulcral significância nos modelos da segurança emocional (Davies & Cummings, 1994) e cognitivo-contextual (Grych & Fincham, 1990).
Em suma, informações clínicas e estudos empíricos alvitram que as crianças expostas ao conflito parental e à violência se encontram em risco para o desenvolvimento de uma variedade de problemas de comportamento, problemas somáticos, cognitivos e emocionais. Além disso, a exposição ao conflito parental e à violência na infância tem consequências a longo termo, predispondo os indivíduos para o envolvimento em relações conflituosas nas suas interacções na vida adulta. Contudo, parece que o impacto nas crianças é diferenciado não existindo uma reacção típica ao conflito parental.