Embedded Board Buses and I/O
4.2.3 Serial I/O Example 2: Networking and Communications: IEEE 802.11 Wireless LANWireless LAN
Os estudos de Beck, nomeadamente a teoria dos esquemas cognitivos, enfatizam de forma quase exclusiva, os processos cognitivos, os quais medeiam as respostas afectivas e comportamentais, desempenhando, assim, um papel fundamental e central na predisposição e na precipitação da depressão.
Beck, em 1967, desenvolveu um esquema teórico no qual o comportamento e o afecto são largamente determinados pela forma como a pessoa estrutura o mundo. As cognições são baseadas em atitudes e assunções desenvolvidas com base em experiências prévias.
O autor, em 1976, desenvolveu a teoria cognitiva da depressão que engloba três conceitos específicos: a tríade cognitiva, os esquemas e os erros cognitivos.
A tríade cognitiva inclui três aspectos específicos, correspondentes à visão da pessoa face ao self, ao futuro e às experiências individuais.
Neste sentido, para Sacco e Beck (1995), a depressão pode ser descrita como o resultado de uma avaliação negativa do próprio, do mundo e do futuro. A visão negativa
de si mesmo pode ser observada na forma inadequada e sem valor como a pessoa deprimida se percepciona, atribuindo as suas experiências negativas às características pessoais. A par desta autodesvalorização emerge a autocrítica.
A visão negativa do futuro observa-se nas projecções efectuadas para a vida, antecipando dificuldades e insucessos que implicam sofrimentos e privações. O mundo é visto numa perspectiva negativa sem esperança de melhoria, sendo que o pessimismo domina as suas actividades, desejos e expectativas.
Em particular a tríade negativa é mantida pelos esquemas cognitivos ou estruturas hipotéticas que activamente examinam, codificam, categorizam e avaliam os acontecimentos do ambiente (Sacco & Beck, 1995, p. 330).
De acordo com esta perspectiva, a pessoa com processos cognitivos disfuncionais possui um factor de vulnerabilidade para a depressão (Sacco & Beck, 1995).
Os esquemas cognitivos, responsáveis pela mediação da depressão, formam-se ao longo do desenvolvimento individual, estão relacionados com experiências primárias, podendo permanecer inactivos durante um período, mas ser activados por situações específicas que determinam a resposta do sujeito.
Segundo as ideias de Beck, as pessoas com estes esquemas, organizam, interpretam e constroem de forma desadaptada a informação relevante que vão representando, centrando-se este conhecimento inevitavelmente numa perspectiva de perda de algo vital. Beck (1976) observou nos deprimidos distorções cognitivas, distorções estas que seriam devidas à incapacidade da pessoa em perceber correctamente a informação, a qual assenta num erro sistemático de avaliação do contacto com a realidade, sempre com conotação negativa para o sujeito.
À medida que estes esquemas vão dominando a interpretação da realidade, as distorções cognitivas são utilizadas em número de situações, tornando-se em processos de pensamento automático.
No quadro depressivo, Sacco e Beck (1995) identificaram algumas das distorções ou erros cognitivos mais frequentes, nomeadamente:
- A inferência arbitrária, a qual ocorre quando a pessoa deprimida chega a uma determinada conclusão (normalmente autodepreciativa) na ausência de evidência, ou quando a evidência é contrária à conclusão;
- a abstracção selectiva, respeitante à tendência para extrair da globalidade da situação, um pormenor com valor negativo, ignorando outros aspectos mais positivos, conceptualizando, assim, toda a experiência de uma forma depreciativa;
- a hipergeneralização, referente à propensão para padronizar uma conclusão com base num ou mais incidentes negativos isolados, projectando esta negatividade indiscriminadamente para um espectro vasto de situações associadas ou não com o incidente que se encontra na base do padrão-resposta-atitude;
- a minimização ou exagero, reflectida na tendência para exagerar o significado quantitativo e qualitativo dos acontecimentos, por exemplo dando excessiva importância a uma crítica ou desvalorizando completamente um elogio;
- a personalização, concernente à tendência para relacionar ocorrências externas consigo próprio, sem evidência para tal, atribuindo às suas características acontecimentos desagradáveis que ocorrem no meio;
- o pensamento absolutista dicotómico, respeitante à predisposição para categorizar de forma sistemática e dicotómica todas as experiências, seleccionando para si próprio experiências no pólo mais negativo.
Estes erros no pensamento lógico são considerados como causais na tendência pessoal para a depressão, pela interpretação dos eventos de forma extremista, negativa e categórica.
O modelo de Beck (1976; Beck & Clark, 1988) sustenta factores etiológicos ou causais no desenvolvimento de uma estrutura cognitiva específica na depressão que diferencia indivíduos vulneráveis de não vulneráveis. Além disso, relaciona as perspectivas cognitivas com a psicopatologia, ao conceptualizar a operação dos esquemas e o processamento de informação típicos da depressão, como decorrentes da activação de uma organização depressiva estável. Deste modo, condensa as propostas de vários modelos cognitivos teóricos e observações clínicas.
A teoria de Beck é complementada pela perspectiva de Seligman, a qual, recentemente, constitui um contributo para a compreensão cognitiva da depressão.
O modelo do “desamparo aprendido” de Seligman et al. (1995), foi inicialmente formulado, nos anos 60, com base em estudos experimentais realizados com animais e, só no fim dos anos 70, testado em seres humanos. Proposto por Seligman em 1973 como modelo de depressão, esta patologia é considerada como resultante de experiências em face de acontecimentos adversos (situações incontroláveis), conduzindo a pessoa a uma percepção de não contingência entre consequências e respostas. Posteriormente, a pessoa tende a exibir deficiências do tipo motivacional, cognitivo e afectivo (Colligan et al., 1994).
Este modelo inicial sofreu críticas de vários autores, motivadas pelas insuficientes explicações acerca da generalização a outras situações dos sentimentos de desamparo e
de depressão, da cronicidade dos sintomas e da diminuição da auto-estima. Como resultado, a teoria original do desamparo aprendido foi reformulada (Colligan et al., 1994).
O modelo revisto explica, não somente a experiência de situações adversas, mas também a razão pela qual elas ocorreram. Neste sentido, a pessoa questiona-se acerca do porquê do acontecimento. A explicação da causa dos acontecimentos adversos influencia a forma como a pessoa é afectada pelo acontecimento externo.
Assim, Colligan et al. (1994) focalizam a atenção em três dimensões explicativas: a primeira, cuja causa poderá ser atribuída a algo do próprio indivíduo (explicação causal interna, pessoal), ou ser algo inerente à situação ou às circunstâncias (explicação causal externa); a segunda em que o factor causal poderá persistir durante um longo período (explicação causal estável), ou ser um factor transitório (explicação causal instável); finalmente, a causa poderá ser generalizada a um grande número de outras situações (explicação causal global), ou poderá ser restringida ao acontecimento que está a ser interpretado (explicação causal específica).
Em face do exposto, na revisão do modelo, a teoria das atribuições tem um papel de destaque. Como afirmam Abramson et al.:
(...) quando uma pessoa se sente desanimada, ela questiona-se porquê se sente assim. A atribuição causal que faz, determina então a generalidade e cronicidade dos seus défices de desamparo, bem como a sua autoestima posterior (1978, p. 50).
Na opinião de Colligan et al. (1994), as características de um estilo de personalidade, ou seja, a tendência para determinados padrões de atribuição causal, possuem uma relação próxima com o optimismo e o pessimismo.
Como afirmam Kamen e Seligman:
as pessoas que explicam as causas de acontecimentos negativos em termos internos, estáveis e globais são pessimistas porque supõem que os acontecimentos negativos ocorrem de forma constante ao longo do tempo e em diferentes situações. Além disso, pensam que os acontecimentos futuros serão incontroláveis. Então, não têm esperança numa possível alteração do futuro e comportam-se passivamente face aos estímulos (1987, p.208).
O “desamparo aprendido” e a depressão são o resultado de maneiras específicas de reagir às contrariedades. A teoria postula a existência de um estilo atributivo dos
acontecimentos, específico e bem caracterizado, próprio do sujeito depressivo (Seligman, 1975).
Um dos estudos desenvolvidos por Seligman et al. (1984), concluiu que as crianças que atribuíam causas internas, estáveis e globais aos acontecimentos negativos, apresentavam sintomatologia depressiva, quando comparadas com as crianças que atribuíam a esses acontecimentos causas externas, instáveis e específicas. Este estilo de atribuição pode, deste modo, constituir um factor de risco para a depressão.
Em síntese, de acordo com a teoria original do “desamparo aprendido”, a depressão podia ser relacionada com a expectativa de que os resultados são independentes do comportamento. O modelo reformulado, pelo contrário, sugere que só a expectativa de incontrolabilidade em relação a situações aversivas e prováveis pode conduzir à depressão, se o fracasso para controlar os acontecimentos for atribuído a causas internas, estáveis e globais.
A partir das ideias das teorias abordadas, ainda que estas não sejam totalmente convergentes, é possível deduzir indicadores cognitivos do estado depressivo, complementares e/ou englobantes, nomeadamente: a visão negativa do próprio (com baixa da auto-estima); a visão negativa do mundo; a visão negativa do futuro; os erros lógicos no processamento da informação com distorções cognitivas; as atitudes de desamparo aprendido na expectativa de incontrolabilidade dos acontecimentos; o estilo atributivo interno (global e estável dos acontecimentos negativos) e o estilo atributivo externo (específico e instável dos acontecimentos positivos).
Parece-nos pertinente salientar o facto de estes indicadores poderem representar apenas traços de personalidade preexistentes ao estado depressivo. Com o aumento destes traços, estes assumem-se como sintomas.