Why Talk About the von Neumann Model?
3.4 Processor Performance
Para Spielberger (1972), a ansiedade é um processo complexo, uma sequência de eventos cognitivos, afectivos e comportamentais, despertados por qualquer estímulo stressante, o qual é percebido e interpretado de acordo com experiências anteriormente vividas pela pessoa.
Variadas investigações e os estudos de Cattell e Scheier em 1958 e 1961 obtiveram particular atenção, por parte de Spielberger, que delas extraiu, importantes considerações que serviram de base à elaboração da sua teoria.
Integrando estes estudos, assim como as concepções teóricas de Freud, o autor propôs uma distinção entre ansiedade estado e ansiedade traço, a qual viria a revelar-se notável no desenvolvimento de investigações sobre ansiedade.
Os estudos têm como tema central os efeitos da ansiedade na aprendizagem e realização académica, no arousal, na indução da ansiedade por diferentes tipos de tensão e nos efeitos da tensão e ansiedade numa variedade de comportamentos.
Partindo da diferenciação factorial, Spielberger (1966a) desenvolveu uma teoria de ansiedade estado e traço, e construiu um inventário, o state trait anxiety inventory for children (STAIC).
Assim, a teoria de ansiedade estado-traço de Spielberger (1966b, 1972) permite fazer a distinção entre ansiedade como um estado emocional transitório e como um traço de personalidade relativamente estável, contributo fundamental para a explicação científica da ansiedade como processo psicológico e extremamente complexo.
A ansiedade estado e a ansiedade traço, as condições stressantes de estímulo e os processos cognitivos da avaliação constituem os três aspectos fundamentais do fenómeno da ansiedade na teoria de Spielberger.
A ansiedade estado é conceitualizada
como um estado emocional transitório, caracterizado por sentimentos subjectivos de tensão e apreensão, conscientemente percepcionados e pelo aumento de actividade do sistema nervoso autónomo (Spielberger & Vagg, 1995, p. 6).
Além disso,
qualquer estímulo interno ou externo, cognitivamente avaliado como ameaçador, evocará uma ansiedade como estado. A intensidade e duração dessa reacção emocional serão sempre proporcionais ao grau de ameaça que a situação opõe ao indivíduo, bem como a persistência dos estímulos que o evocam (Spielberger, 1981, p. 65).
Por sua vez, a ansiedade traço refere-se
a diferenças individuais relativamente estáveis com propensão para reagir com ansiedade, isto é, a predisposições individuais para perceber um conjunto de circunstâncias como ameaçadoras e para responder a tais situações com reacções de ansiedade estado mais ou menos elevadas (Spielberger, 1966b, p.6).
Com base nesta distinção, a teoria de Spielberger (1966b, 1972) postula que os sujeitos com elevada ansiedade traço são mais vulneráveis à tensão e tendem a responder a um vasto número de situações como ameaçadoras e de perigo. Neste sentido, os sujeitos com um nível elevado de ansiedade traço, encontram-se mais predispostos a “ver” o mundo como ameaçador e perigoso, experienciam reacções de ansiedade estado mais frequentemente, e, em geral, com mais intensidade do que os sujeitos com níveis baixos de ansiedade traço.
Desta forma, a ansiedade traço induziria o aparecimento de diferenças individuais no que se refere à disposição para responder a situações de stress com aumentos variáveis de ansiedade estado. É a complexidade desta relação que se traduz na necessidade e na extrema importância de ter em conta a interacção dos traços de personalidade com os factores situacionais.
Níveis elevados de ansiedade (particularmente o distúrbio de ansiedade generalizada), ocorrem principalmente em sujeitos vulneráveis e expostos a acontecimentos de vida de stress. Eysenk (1992, 1997) diz que o factor da vulnerabilidade cognitiva envolve desvios sistemáticos no sistema cognitivo, que, por sua vez, influenciam o impacto emocional dos estímulos ambientais. Nesta matéria, vários
estudos concluíram que níveis elevados de ansiedade traço predispõem ao distúrbio de ansiedade generalizada, em parte, devido ao factor de vulnerabilidade cognitiva.
Relativamente às situações de estímulos stressantes, Spielberger (1966b) distingue-as em duas categorias: as de ameaça à auto-estima e as de ameaça física. As primeiras envolvem circunstâncias em que o insucesso é posto à prova ou a capacidade pessoal é avaliada, as últimas envolvem situações de perigo físico.
Com efeito, os sujeitos de elevado nível de ansiedade traço são mais implorativos e mais preocupados consigo próprios, tendem a considerar muitas situações como ameaçadoras e são especialmente vulneráveis à tensão. Este princípio é evidente nas palavras de Spielberger: ...em geral, as pessoas com alto grau de ansiedade como traço são mais vulneráveis ...porque têm baixo grau de amor-próprio e não têm confiança em si (1981, p.65).
Tal como os autores cognitivistas, Spielberger atribui um papel fulcral à avaliação cognitiva na evocação de estados de ansiedade, bem como aos processos cognitivos mobilizados para os eliminar ou reduzir. A activação de estados de ansiedade envolve um processo ou sequência de acontecimentos iniciados por estímulos internos ou externos e avaliados pela pessoa como perigosos ou ameaçadores. Para a avaliação do estímulo e/ou da situação como mais ou menos ameaçadora, contribuem as circunstâncias objectivas da situação, os pensamentos ou recordações suscitadas, as habilidades de coping, as experiências anteriores em circunstâncias semelhantes e o nível de ansiedade traço.
Neste sentido, Spielberger afirma que mesmo uma situação inócua ou positiva pode precipitar uma reacção de ansiedade como estado se for vista como ameaçadora (1981, p.93).
O autor identifica os mecanismos psicológicos de defesa com processos que modificam o modo pelo qual as situações ameaçadoras são defrontadas, sem realmente lidar com a verdadeira fonte de perigo. Na medida em que um mecanismo de defesa se revela eficaz, as circunstâncias que evocam ansiedade serão vistas como menos ameaçadoras, havendo uma correspondente redução da ansiedade. Spielberger refere que ...os mecanismos psicológicos de defesa modificam, distorcem ou tornam inconscientes os sentimentos, os pensamentos, e as lembranças que, de outro modo provocariam ansiedade (1981, p.67).
Estas estratégias normais poderão tornar-se anormais, quando não cumprem o seu papel de promoção da adaptação e quando se prolongam no tempo.
Em resumo, uma teoria globalizante do fenómeno ansiedade parece requerer os seguintes conceitos: tensão, ameaça, ansiedade traço, avaliação e reavaliação
cognitivas, defesas psicológicas, estilos de coping e comportamentos de fuga, conceitos estes, relacionados com a ansiedade estado. Também deve incluir um conceito do processo de ansiedade ou, preferencialmente, um grupo de conceitos referentes a diferenças individuais na disposição para experienciar ansiedade estado em vários tipos de situações de tensão.
Desta forma, uma teoria compreensiva da ansiedade requer a clarificação da relação entre três conceitos distintos de ansiedade, nomeadamente, como estado transitório, como processo complexo que envolve tensão e ameaça e, ainda, como traço de personalidade.