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No contexto Português a serigrafia chegou mais tarde, começando nos anos 50 a ser utilizada com mais frequência nas artes plásticas. Na década de 50 artistas portugueses vivem sob o controle da censura imposta pela ditadura de Salazar, e, simultaneamente, sob a hegemonia cultural do partido comunista clandestino, onde o neo-realismo português é expresso através da linguagem figurativa, marcadamente ilustrativa, que pretende denunciar o regime e a difícil realidade do povo português.

Para alguns artistas a serigrafia surge de forma autónoma e não acessória à pintura, ou seja, estes são artistas que desenvolvem o seu pensamento através da prática serigráfica, trabalhando como artistas-serígrafos e envolvendo-se no processo de impressão. Entre eles se destaca Vieira da Silva, Lourdes Castro, Fernando Calhau e Sérgio Pinhão. Além dos artistas-serígrafos referidos que imprimem as suas próprias obras, se verifica a importância dos técnicos-serígrafos e das suas contribuições para a obra final. Reconhece-se o papel de várias oficinas no ensino41, na práxis e no desenvolvimento técnico da serigrafia em Portugal, durante o período em estudo.

De acordo com uma organização cronológica que atravessa os anos 50, 60 e 70 marca o aparecimento da serigrafia no início dos anos 50 no meio artístico português por via da indústria da publicidade.

Roberto Araújo nos primeiros anos da década de 50 é um dos principais artistas relacionadas com nomes de serigrafia artística em Portugal, e sua digressão multidisciplinar. Thomaz de Mello e Roberto Araújo são considerados por diversos artistas os precursores da serigrafia em Portugal, como Guilherme Parente refere o nome dos artistas "foram os primeiros a iniciarem a serigrafia em Portugal"42 assim como o artista Espiga Pinto em

entrevista afirma que foi a partir das obras de Thomaz de Mello que teve o primeiro contacto com a serigrafia.

Durante os anos 60 a emigração torna-se um fenómeno de massa intensificada pelo início da guerra colonial, em 1961. Com a expatriação, a emigração, artistas internacionalizam os seus discursos e determinam não só uma nova relação com o mundo exterior, mas também as mudanças estabelecidas internamente. Os artistas desta geração além de

41 Gravura-Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses; Museu de Arte Contemporânea- Fundação de Serralves; Caixa Geral de Depósitos; Centro de Arte Moderna-Fundação Calouste Gulbenkian; Museu Municipal Martins Correia;

42 Entrevista realizada ao artista por Joanna Félix Mink na sua dissertação para obtenção do grau de

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tomarem consciência internacional eficaz, passam a compreender o seu trabalho como processo aberto, em diálogo com a história da atualidade.

A década de 70 estava dividida por um dos eventos mais importantes da história portuguesa, conhecida como a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974. O golpe militar trouxe transformações em relação à economia, política, nível social, cultural e artístico.

As tendências estéticas que se estabelecem neste período da arte em Portugal encontram-se mais contextualizadas com a realidade internacional. Não só as alterações políticas trazem a Portugal uma maior abertura cultural e mais informação artística, por outro lado a expatriação de muitos artistas portugueses na década anterior e a formação de muitos artistas em escolas estrangeiras, traz a Portugal igualmente as problemáticas estéticas vividas no exterior.

Nuno Barreto (1941-2009) foi professor na Faculdade de belas artes da universidade do porto, onde foi responsável pela oficina de serigrafia por quinze anos consecutivos e introduziu o estudo e a prática da técnica serigráfica, sendo também ele o autor do primeiro manual de serigrafia prática em português. Neste manual o autor descreve os passos básicos da serigrafia ilustrados com desenhos de instrução muito simples, descrevendo desde os princípios da serigrafia (preparação de quadros, redes, mesa...) passando pelas técnicas de obturação de redes até à impressão.43

A este pintor se deve a criação das oficinas de serigrafia na FBAUP, em 197644. Desde a criação da serigrafia, esta arte tem sido visto como um instrumento usual para a arte comercial, ou então um instrumento artesanal, e durante menos de um século este meio tinha sido usado apenas para repetir simples desenhos em bandeiras ou posters de embalagens.

Jasper Johns45, um dos grandes artistas de serigrafia no seculo XX, afirmou:

and be deposited on paper. And the fact that the silk is there allows you to have very complex openings 46 (JOHNS: 1981)

Mesmo assim, empresas profissionais que produzem equipamentos industriais avançados para a técnica da serigrafia, é possível ouvi a r

43 Barreto foi Bolseiro da Fundação Gulbenkian, e fez uma pós-graduação na Saint Martin's School of Art, de Londres.

44 As estruturas oficinais então criadas permaneceram as mesmas durante as cinco décadas seguintes de funcionamento, sendo este projeto ai desenvolvido.

45 Jasper Johns, Jr é um pintor norte-americano do movimento Pop Art. Jasper Johns talvez tenha sido um dos mais importantes entre os pioneiros da pop art nos Estados Unidos

40 aprendizagem e ao usa da tecnologia desta arte na área industrial.

-nos a uma habilidade necessária para a produção de um trabalho, com vários aspetos técnicos a serem considerados em simultâneo.

-se de criatividade, aspeto esse que é

essencial para o profissional, assim como para o desenvolver da empresa em questão.

-nos a algo que tem demasiados aspetos a serem simultaneamente considerados, e portanto algo intangível. Não há na realidade de fato formas de transmissão de conhecimentos sobre o intangível, nem qualquer espécie de treinamento possível (BON:2013)

estudantes e amadores. (Especialistas reconhecem que é muito fácil de fazer, mas extremamente difícil de fazer bem.) O mecanismo é essencialmente autoexplicativo. Desde que se imprima através do modelo não há nenhuma inversão de esquerda-direita entre o modelo e a impressão, e o ato de impressão ocupa alguns segundos. "Custo eficaz, fácil e gratificante", é como artista e professor Jeffrey Dell descreve47

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4. A INTERAÇÃO DO ACASO E DO CONTROLO