CHAPTER II – RIGHTS OF THE ACCOUNT HOLDER
III- 6. Rights in respect of a limited interest, including a security interest
Neste exercício, as articulações do corpo funcionam como o ponto fulcral de onde o movimento devia emergir. A finalidade é incitar a pessoa a conhecer e explorar todas as possibilidades motoras de suas articulações, de maneira que ela perceba o grau de amplitude particular de cada segmento do corpo.
PI. Para começar convidava os participantes a ficar na base deitada em decúbito
dorsal.
DEC. Inicio a condução deste exercício solicitando às pessoas que se concentrem em
si mesmas, sem com isso deixarem de ouvir as etapas do exercício por mim conduzidas. Na prática, anuncio cada articulação a ser movimentada, sempre sublinhando a importância de dialogar internamente com cada segmento em ação. Assim, solicito aos participantes que movimentem os dedos dos pés, nesta hora, somente as articulações que compõem os dedos dos pés devem se movimentar. Após deixar um tempo para esta descoberta pessoal, digo-lhes em seguida que o movimento sobe para a articulação do tornozelo, depois joelho e articulação coxo-femural. Cada segmento articular deve trabalhar isoladamente, ou seja, quando o tornozelo se movimenta, os dedos dos pés e as demais articulações devem ficar imóveis.
22Graduada em Educação Física pela Universidade Estadual do Pará - UEPA. Ingressou na CEDWB em 1998, desde então é pesquisadora e intérprete de dança contemporânea. Depoimento retirado do caderno de anotação de aula da companhia, em 2007 e, transcrito sem nenhuma alteração do texto original.
Terminado o exercício individual das articulações da perna, solicito o movimento total e simultâneo de todas as articulações deste segmento corporal, as outras articulações corporais devem continuar imóveis.
A improvisação dos movimentos tem como ponto de origem cada espaço articular do membro inferior. Ao término de cada movimento, a pausa de alguns minutos, para que a pessoa perceba de que forma o corpo se altera depois de ativar somente a perna direita, peço assim para que cada pessoa faça o seu registro mental da sensação. Em seguida, anuncio que o próximo movimento deve recomeçar pela perna esquerda, depois o mesmo processo no braço direito e esquerdo e, posteriormente a coluna vertebral em sua divisão: sacrococcígeo, lombar, dorsal, cervical e, por fim, o movimento total de todas as articulações do corpo, agora em diferentes bases de sustentação corporal, deitada, sentada e na base de pé.
O bricoleur coreógrafo se movimentava ou no lugar ou em deslocamento. O corpo é nesta fase final do exercício a própria dança gerada pela improvisação. Assim, a partir da poética da pessoalidade, a dança surgia livremente no tempo e espaço a ele imanente. Nesta etapa utilizo distintos gêneros musicais como, música popular brasileira, rock, música clássica, dentre outras sonoridades, como por exemplo, textos gravados. Em geral, a música só se fazia presente no último momento do processo. Prefiro sempre trabalhar os exercícios de improvisação sem a música externa para que o bricoleur possa escutar primeiro a música que vem do seu próprio interior. Este exercício também funcionava como um aquecimento, ao mesmo tempo em que massageava cada articulação do corpo, já o preparava para os exercícios mais complexos, com um pouco mais de consciência das possibilidades de movimentação articular.
CEP. Na especificidade desta prática percebi tanto o corpo preso em si mesmo quanto
o corpo disponível, mais livre para experimentar outras “qualidades sensíveis”, essas “(...) se oferecem como uma fisionomia motora e estão envolvidas por uma significação vital” (MERLEAU-PONTY, 999, p. 282-283). A expressão motora dos participantes nesta aula se renovava a cada nova condução, assim o corpo se fazia entender como potência criativa e, gradativamente, esta potência era agenciada com mais domínio e confiança durante a autocriação. Este exercício criativo, também podia ser reconfigurado em diferentes níveis de execução do movimento (baixo, médio e alto), do mesmo modo, o desenho espacial podia acontecer em várias direções (frente, lado, atrás e diagonal) e em diferentes bases de sustentação e dinâmicas.
A realização deste processo criativo com foco na movimentação das articulações corporais permitia tornar o corpo mais livre e vivo. A dança emergia de diferentes pontos
articulares e, como consequência, surgia distintas formas de organização corporal, porém, observei a preferência dos participantes pela base de pé, os mesmos quase não passavam pela base sentada ou deitada. Com isso, passei a interferir e, então, lembrava-os da importância de descobrir distintos modos de trabalhar as articulações em outras bases de sustentação corporal.
Na medida em que este laboratório de improvisação se repetia no planejamento das aulas da CEDWB, notava o corpo dos bricoleurs coreógrafos com mais domínio, inclusive conseguiam improvisar nas diferentes bases de sustentação com qualidade de movimento cada vez mais significativa. Eles descobriram o modo particular de explorar diferentes movimentos de queda e recuperação na transição da base de pé para a base deitada, não que os mesmos nunca tivessem vivenciado os movimentos de queda e recuperação, não é isso. Contudo, a maneira sensorial como agenciavam o uso de suas articulações durante a movimentação, tornava-se significante, pois o percurso criativo do movimento do nível alto para o nível baixo e vice-versa se revelava mais fluente e com o esforço diluído e tão equilibrado nos pontos de apoio, favorecendo o corpo a desfrutar da sensação do movimento escorrendo pelo sistema articular sem esforço evidente e nenhum bloqueio pelo caminho.
Na busca de explorar outras possibilidades de improvisação, sugeri no segundo momento deste exercício, que os sujeitos participantes emitissem qualquer som no momento em que trabalhavam as articulações. A ideia era produzir uma sonoridade para cada movimento articular, improvisar além da dança os distintos sons imanentes ao corpo. Esta atividade não foi tão fácil quanto julguei que seria naquele momento, o corpo, parecia ter se fechado em si, já não havia tanta disponibilidade para dançar enquanto se explorava a sonoridade pessoal. Eis, portanto, outro aspecto que mereceu atenção no percurso deste procedimento e, para resolver esta questão solicitei que todos parassem o movimento de pesquisa articular e escolhessem um espaço qualquer na sala, de preferência que não se olhassem no espelho. Após tal proposição, pedi que começassem a emitir qualquer som vocal no mesmo lugar, ou seja, sem deslocamento do corpo no espaço.
O exercício acima proposto de forma isolada, isto é, sem movimentos coreográficos, serviu para direcionar a concentração da sonoridade originada do interior do corpo, na exploração do volume e entonação. A relevância deste procedimento para a companhia estava na possibilidade de encontrar outros meios de improvisação para além dos movimentos da dança, como por exemplo, explorar a improvisação vocal. Depois de exercitar em várias aulas este modo de improvisação, retomei a ideia de realizar os movimentos nas articulações corporais na simultaneidade da emissão da sonoridade vocal, assim, a improvisação coreográfica se misturava a palavras fragmentadas e sons corporais que variavam em volume,
tonalidade e intenção corporal. Concluo que este procedimento contribuiu para o entendimento de todos os bricoleurs coreógrafos de que ainda havia muito que ser experimentado, vivenciado e explorado no campo da autocriação, sobretudo em processos que lidam com o acaso e a improvisação.