CHAPTER III – TRANSFER OF INTERMEDIATED SECURITIES
III- 2. Consequences of unauthorised debits, etc
PI. Os participantes ficam livremente distribuídos na sala de aula.
DEC. Nesta atividade costumo iniciar o exercício pelo fator espaço, cuja finalidade é a
da cinesfera26. O primeiro indicativo para dar vazão ao movimento se iniciava com a ação de pesquisar os movimentos grandes e pequenos em relação ao centro do corpo. No primeiro momento as formas surgiam do centro do corpo para as suas extremidades, as formas se revelavam sempre abertas e as articulações corporais buscavam espaços em si. Havia uma dilatação interna de todo o sistema corporal.
No segundo estágio deste procedimento, o movimento se originava das extremidades corporais e convergia para o centro do corpo, e, nesta etapa as formas são predominantemente mais fechadas, côncavas. A sequência coreográfica emergia de diferentes bases de sustentação e as variações rítmicas alternavam entre o lento e o rápido. O movimento improvisado transitava entre o espaço direto (foco em único ponto) e indireto (foco em vários pontos), em distintas direções e níveis alto, médio e baixo.
CEP: No que tange às considerações deste processo, observei em alguns momentos,
na transição de um movimento para o outro, que os bricoleurs coreógrafos começavam a mostrar a sequência coreográfica na mesma ordem estrutural, ou seja, aos poucos a sequência parecia querer se fixar. Além disso, os movimentos eram na maioria das vezes elaborados na base de pé, com raríssimas passagens pelas bases de joelhos, sentadas e deitadas. A proposta inicial de trabalhar com os movimentos grandes e pequenos pareciam restringir a improvisação do grupo. Não contava com esta questão, pois a minha ideia era incentivar o grupo a mergulhar tão profundamente quanto possível no universo destas possibilidades motoras com vistas a explorar de forma profícua tais linhas de movimentação. Todavia, o resultado foi contrário àquilo que outrora eu havia imaginado, porém, resolvi deixar os bricoleurs coreógrafos chegarem a exaustão, com isso permaneceram mais tempo neste experimento.
No momento de compartilhar as descobertas pessoais, a primeira a se manifestar foi Foi Liliany Serrão27, ela disse, “não sei, parece que o meu repertório de movimento neste laboratório havia se esgotado, aí, eu já estava fazendo a mesma coisa quase na mesma ordem de movimentos”. Elyene Lima, afirmava28, “hoje estou muito cansada, acho que o cansaço me atrapalhou pesquisar melhor os movimentos”. Alessandra Ewerton29 sinalizou, “não senti
26 Termo denominado por Rudolf Laban quando se refere ao espaço que circunda o corpo. Por meio da cinesferatem-se a noção do tamanho do espaço correspondente a cada pessoa, ou seja, o limite de expansão corporal, o qual pode ser medido com os braços abertos e pés fixos no chão. Eis uma possibilidade de entender o espaço que circunda o corpo.
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Graduanda do Curso de Licenciatura em Dança pela UFPA. Intérprete-criadora formada pelo Curso Técnico de Dança da Escola de Teatro e Dança da UFPA –ETDUFPA. Ingressou na CEDWB, em 2008. Depoimento feito em 2009.
28 Depoimento retirado do caderno de anotações da CEDWB, em 2009. 29
Bailarina clássica com formação pela Cia.de Dança Olimpio Paiva. Graduada em Engenharia Eletrônica pela UFPA. Ingressou na CEDWB em 2003 e, desde então tem feito aulas de improvisação e de dança contemporânea e, portanto, intérprete-criadora deste gênero artístico. Depoimento retirado do caderno de anotação de 2009.
dificuldades e acho que consegui fazer os exercícios sem grandes problemas”. Carol Castelo30 “é engraçado, às vezes a gente nem percebe que está começando a fazer uma sequência fixa. Eu preciso me policiar muito para não cair na mesma sequência”. Os depoimentos aqui descritos revelam o estado de corpo no interior do referido laboratório de improvisação, tais enunciados sinalizam a subjetividade do artista no exercício de compreender a concepção de sua poética cênica. Os aspectos aqui pontuados foram fundamentais para gerar a autocriação na trajetória do espetáculo O Seguinte é Isso.
As formas e ações estabelecidas individualmente no espaço corporal são resultados da troca de informações com o espaço externo. Há uma troca de energia processada no fluxo da realização do movimento originado da relação entre espaços, neste sentido, o
espaço corporal e o espaço exterior formam um sistema prático, o primeiro sendo um fundo sobre o qual pode destacar-se ou o vazio diante do qual o objeto pode aparecer como meta de nossa ação, é evidentemente na ação que a espacialidade do corpo se realiza, e a análise do movimento próprio deve levar-nos a compreendê-la melhor (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 49).
O argumento acima relaciona e valoriza a ação como potencial indicativo para a concepção do desenho espacial. Entendo que todo o sistema possui um conjunto de elementos possíveis de estabelecer conexões e trocas de materiais entre si, desde que apresente alguma propriedade em comum, como, por exemplo, os espaços aqui em questão. O corporal e o exterior formam relação simbiótica e detêm aditivos de energia, como sistemas que permitem trocas de informações e materiais, circunscritos no instante em que ocorre a ação.
Nesta perspectiva, “o espaço não é o ambiente (real ou lógico) em que as coisas se dispõem, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível” (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 328). No início deste exercício percebi em muitos momentos certa preferência pela movimentação originada no lado direito do corpo, enquanto o esquerdo era pouco solicitado como ponto de partida para a ação motora. Quando notei este fato, sinalizei verbalmente para o elenco da CEDWB, a existência do espaço esquerdo do corpo como outra via de acesso à concepção de gestos e movimentos. Para equacionar tal questão pedi que os movimentos se originassem somente do lado esquerdo, neste momento o corpo dançante parecia pouco confortável em si mesmo, com pouca habilidade de mover-se a partir do lado esquerdo.
30Graduada em Educação Física pela UFPA. Intérprete-criadora formada pelo Curso Técnico de Dança da UFPA. Ingressou na CEDWB em 2009 e, desde então vem aprofundando os seus conhecimentos nos processos de pesquisa em dança contemporânea. Depoimento registrado em 2009.
No que tange à particularidade deste laboratório no contexto desta reflexão, importa o exercício consciente de sentir o modo como o corpo encontra distinta organização para se acomodar em si mesmo durante o movimento grande e o movimento pequeno. Há sempre uma reorganização no espaço interior do corpo com os seus órgãos internos, ossos, articulações, músculos, que são agenciados de acordo com a necessidade que o corpo tem de mover-se. O espaço axial não se organiza da mesma forma durante a movimentação em que o corpo se dilata e se contrai, de modo que para cada ação física um desenho é criado e, por conseguinte, ocupa um lugar diferenciado no espaço interno e externo.