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O desejo de mudança da prática pedagógica se amplia na necessidade da informação quando o docente se depara com uma nova categoria do conhecimento, denominada digital. De acordo com Lévy (1993), o conhecimento pode ser apresentado de três formas distintas: a oral, a escrita e a digital. Ainda que as três formas coexistam, é essencial reconhecer que a era digital vem se apresentando com uma considerável velocidade de comunicação.

Neste processo de enfrentamento, resultado do avanço da tecnologia, a escola não passa impune. Moran (2012, p.72) comenta que:

O estilo digital engendra, obrigatoriamente, não apenas o uso de novos equipamentos para a produção e apreensão de conhecimento, mas também novos comportamentos de aprendizagem, novas racionalidades, novos estímulos perceptivos. Seu rápido alastramento e multiplicação, em novos produtos e em novas áreas, obriga-nos a não mais ignorar sua presença e importância.

Reconhecer a era digital como uma nova forma de categorizar o conhecimento não significa descartar todo o caminho percorrido pela linguagem oral e escrita, sequer mistificar o uso

indiscriminado de computadores no ensino, mas enfrentar com critério os recursos eletrônicos como ferramentas para construir processos metodológicos mais significativos para aprender (MORAN, 2012).

Para Johnson & Johnson (apud FONTES, 2004), cooperar significa trabalhar em grupo para alcançar determinados objetivos, procurando-se resultados positivos para cada um e para todos os elementos do grupo.

A aprendizagem cooperativa permite que os elementos dos grupos tenham consciência de um destino comum (salvamo-nos juntos ou afundamo-nos juntos), que todos trabalhem para o sucesso do grupo de forma a que todos se esforcem para que se obtenham os melhores resultados (os teus esforços beneficiam-me e os meus esforços beneficiam-te), que reconheçam que o desempenho de cada um depende do desempenho de todos (a união faz a força), e ainda que juntos podem mais facilmente alcançar aquilo a que se propõem, festejando o sucesso individual e o sucesso coletivo do grupo (JOHNSON & JOHNSON, apud FONTES, 2004, p.27).

Segundo autor, para que um grupo desenvolva um trabalho cooperativo é imprescindível:  uma interdependência positiva;

 uma interação estimulante frente a frente permitindo o desenvolvimento da autoestima, usando e desenvolvendo competências sociais;

 um compromisso individual e uma responsabilidade pessoal, claramente assumidos, para se conseguirem atingir os objetivos do grupo;

 um desenvolvimento das competências interpessoais e de pequeno grupo, mais relevantes;

 uma avaliação frequente e regular do funcionamento do grupo com o objetivo de melhorar a eficácia do mesmo.

Sem dúvida, um dos aspectos mais importantes da aprendizagem cooperativa passa pela aceitação, por parte de todos os elementos do grupo, de que só podem atingir os próprios objetivos se os restantes membros atingirem os deles, verificando-se, assim, uma interdependência positiva: não podemos ter sucesso sem os outros. Em outras palavras, a interdependência positiva é um dos elementos básicos que caracteriza os grupos de aprendizagem cooperativa, a qual se caracteriza por um sentido de dependência mútua que se cria entre os alunos do grupo e que pode conseguir- se através da implementação de estratégias específicas de realização, onde se incluem a divisão de tarefas, a diferenciação de papéis, atribuição de recompensas e o estabelecimento de objetivos

comuns. Assim, qualquer equipe tem de se organizar no sentido que todos os seus elementos sintam que a sua atuação tem de ser útil, para eles e para o grupo (FREITAS e FREITAS, 2003).

A tabela a seguir apresenta a comparação entre as principais características de um grupo de trabalho cooperativo e de um grupo de trabalho tradicional (PUJOLÁS apud FONTES, 2004, p.30):

Grupo de trabalho cooperativo Grupo de trabalho tradicional

Interdependência positiva

Responsabilidade individual Aplicação de competências cooperativas

Liderança partilhada e partilha de responsabilidades

Contribuição de todos os elementos para o êxito do grupo

Observação e feedback por parte do professor ao grupo

O grupo avalia seu funcionamento e propõe objetivos para melhorar

Não ocorre interdependência positiva

Não se assegura a responsabilidade individual As competências cooperativas podem ser espontaneamente exercidas

A liderança geralmente é feita por um aluno e as responsabilidades não são necessariamente partilhadas

O êxito do grupo, por vezes, depende da contribuição de um ou de alguns dos elementos

O professor não observa o grupo ou faz de forma esporádica. O desenvolvimento do trabalho faz-se normalmente fora da sala de aula

O grupo não avalia de forma sistemática o seu funcionamento

Quadro 3. Grupo de trabalho cooperativo x tradicional Fonte: PUJOLÁS (apud FONTES, 2004, p.30).

Na opinião de Johnson & Johnson (apud FONTES, 2004, p.30), a aprendizagem cooperativa apresenta as seguintes vantagens:

1) Os elementos do grupo desenvolvem maiores esforços para conseguirem um bom desempenho, porque:

 aumenta o rendimento e a produtividade;

 ocorre a mais longo prazo a retenção de conhecimentos;

 verifica-se uma maior motivação para se alcançar um maior rendimento;  aumenta o tempo dedicado à realização das tarefas;

 ocorre um aumento da racionalidade e do pensamento crítico.

2) Manifestam-se relações mais positivas entre os elementos do grupo, porque:  aumenta o espírito de grupo;

 aumenta a solidariedade e a cumplicidade as relações;  aumenta o respeito pessoal e ao conhecimento.

3) Os elementos apresentam maior segurança, porque:  verifica-se um fortalecimento do eu;

 ocorre um maior desenvolvimento social;  promove-se a integração e a autoestima;

 aumenta-se a capacidade de enfrentar e resolver problemas e tensões.

De acordo com Fontes (2004, p.31), considerando os poderosos efeitos que a aprendizagem cooperativa exerce sobre os alunos em áreas tão importantes e variadas e que distingue das outras atividades de ensino/aprendizagem, esta metodologia constitui uma das ferramentas mais importantes para garantia de sucesso dos alunos, no que diz respeito à aquisição e também ao desenvolvimento de competências sociais.

Um dos grandes objetivos é permitir que cada elemento do grupo se transforme num indivíduo que conheça seus direitos e as suas responsabilidades. O compromisso individual nesta metodologia permite assegurar que todos os elementos do grupo saiam mais forte deste trabalho, tanto do ponto de vista cognitivo como das competências atitudinais, para que futuramente possam realizar sozinhos tarefas semelhantes àquelas que realizam de forma cooperativa.

A atribuição de papéis dentro dos grupos contribui para maximizar a aprendizagem dos alunos e apresenta vantagens como:

 reduz a probabilidade de alguns elementos assumirem uma posição passiva ou dominadora no seio do grupo;

 garante a aprendizagem e a utilização das atividades básicas do grupo deste modo de aprendizagem;

 gera uma interdependência entre todos os elementos do grupo e esta só é possível quando se atribuem aos diferentes membros papéis complementares e interligados.

De acordo com Fontes (2004, p.45), os papéis classificam-se segundo a sua função e os objetivos pretendidos, nas seguintes categorias:

Categoria 1 – papéis que favorecem a integração dos alunos dentro do grupo

(a) Observador / Comentador: registra e anota os fatos relacionados com o desempenho de cada um dos elementos do grupo na concretização do seu papel;

(b) Facilitador de comunicação: lê e recorda as instruções fornecidas; faz com que cada elemento do grupo desempenhe o seu papel e não desista do assunto tratado; estimula a participação de todos do grupo.

(c) Conciliador: encoraja e facilita o trabalho de todos os elementos; previne os possíveis conflitos; sugere a procura de soluções razoáveis na resolução de problemas;

(d) Verificador: certifica que o grupo terminou o trabalho e que está elaborado corretamente; registra as respostas e arquiva todo o material que o grupo produziu;

(e) Intermediário: pede ajuda ao professor sempre que necessário; expõe os fatos e resultados da ajuda solicitada.

Categoria 2 – papéis que favorecem o desenvolvimento das tarefas

(a) O que gere o tempo, os recursos e os ruídos: lembra os prazos a cumprir; controla o tempo; faz uma gestão cuidadosa do material pesquisado e elaborado;

(b) O que coordena o grupo: mostra a relação entre diferentes opiniões.

(c) O que recolhe a informação: recolhe o material que possa servir de apoio à realização da tarefa.

(d) O que avalia o trabalho: avalia a prestação do grupo na realização de diferentes tarefas. (e) O que faz anotações: anota sugestões; registra as discussões e as decisões; é a memória do grupo.

(f) O que estimula a participação: encoraja a intervenção e promove a integração de todos os elementos do grupo.

A autora ressalta que os papéis devem ser introduzidos gradualmente e que deve haver um rodízio para que todos os elementos do grupo possam vivenciar todos os papéis.

De acordo com Johnson & Johnson (apud FONTES 2004, p.57), ao docente compete definir os objetivos do trabalho, tomar todas as decisões e efetuar os preparativos necessários, motivando previamente os alunos para uma eficaz execução das tarefas, explicando-lhes os objetivos e os procedimentos para que os grupos possam ser verdadeiramente cooperativos.

Fraile (apud FONTES, 2004, p.60) aponta as vantagens da Aprendizagem Cooperativa em relação às competências cognitivas e atitudinais, entre as quais destaco:

1) Competências cognitivas:

 maior produtividade e rendimento;

 desenvolvimento de pensamento crítico, criativo e a resolução de problemas;

 desenvolvimento e utilização da linguagem correta e mais elaborada nos debates e intercâmbio de informação entre os grupos.

 desenvolvimento de uma imagem pessoal mais positiva, aumentando a valorização da autoestima;

 aumento de interesse e motivação devido aos processos interpessoais desenvolvidos dentro do grupo;

 desenvolvimento de uma comunicação eficaz e positiva;

 desenvolvimento de respeito aos outros baseado na confiança, colaboração, solidariedade e empatia;

 desenvolvimento da responsabilidade individual perante o grupo e sua própria aprendizagem;

 integração dos alunos com dificuldades de aprendizagem.

Os alunos tornam-se descobridores, transformadores e produtores do conhecimento. A qualidade e a importância da produção dependem também dos talentos individuais dos alunos que passam a ser considerados como portadores de inteligências múltiplas – inteligências essas que vão além das linguísticas e do raciocínio matemático que a escola vem oferecendo. Como parceiros, professores e alunos desencadeiam um processo de aprendizagem cooperativa para buscar a produção do conhecimento (MORAN, MASETTO, BEHRENS, 2000).

No entanto, para obtenção de resultados positivos, serão necessárias doses de persistência e paciência, sobretudo no início, quando podem surgir problemas relacionais, situações de angústia, stress e ansiedade por parte dos alunos e/ou professores.

Pensando nesta lógica colaborativa, surge o Crowdsourcing, pessoas que se unem para resolver problemas em conjunto, criar novos produtos, testarem sites, criarem conteúdo, encontrarem soluções e muito mais, sempre com uma motivação focada.

A definição, segundo Silvestre (2011), vem da união de duas palavras do inglês, crowd, que significa multidão, e source, que significa fonte, origem, manancial, raiz e na sua melhor tradução para o termo, fonte de informações, ou seja, Crowdsourcing é uma fonte de informações oriundas de uma multidão.

Haddad (2014) destaca alguns destes projetos colaborativos e traz uma breve explicação sobre a utilização, organizadas por área de interesse:

Mobilidade: 1) Waze: semelhante ao GPS, indica o caminho do endereço onde pretende-se chegar. Cada celular conectado alimenta o Waze com dados sobre velocidade nas vias e podem alimentar o mapa com dados sobre radar, policiamento, acidentes etc.; 2) Moovit: surgiu para ajudar

os usuários de transporte público. Usando os dados transmitidos por todos os celulares conectados com o aplicativo, é possível identificar as melhores rotas de ônibus, trem e metrô, nas principais cidades do mundo; 3) Uber: é um aplicativo que conecta usuários e condutores, em tempo real, para prestação de serviço de transporte de passageiros – semelhante aos táxis convencionais; 4)

Nimber: Para economizar com logística; com tanta gente viajando para todos os lugares do mundo

todos os dias, uma delas pode levar aquela sua encomenda. Este aplicativo te ajuda a encontrar essa pessoa.

No Brasil, o aplicativo Zaznu e o site Tripda fazem algo parecido, sendo o segundo mais focado em deslocamentos intermunicipais.

Hospitalidade: 1) Airbnb: conecta pessoas com espaço “extra” em casa e viajantes buscando estadia. Os primeiros ganham uma nova fonte de renda, e os últimos uma experiência de viagem muito mais recompensadora (e, em geral, mais barata); 2) Couchsurfing: segue a mesma lógica do

Airbnb mas sem a troca monetária. Muito popular entre comunidades de mochileiros ele acabou

gerando um senso de reciprocidade difusa: eu empresto “meu sofá” para alguém pois sei que, quando viajar, vou ter um sofá disponível para mim; 3) Vayable: permitem que pessoas locais ofereçam passeios e experiências aos turistas. Além da variedade de opções, os viajantes têm a possibilidade de criar uma conexão real com outras pessoas e experimentar a cidade pelo olhar de quem a conhece melhor.

Finanças: 1) Kiva: permite que qualquer pessoa empreste dinheiro a pequenos empreendedores em países em desenvolvimento. Quem investe sabe exatamente a quem está ajudando e como o dinheiro está sendo usado. Para quem pensa que é um investimento de risco, fica a surpresa: a taxa de inadimplência é de apenas 1,2% (no Brasil, a média para empréstimos bancários supera 6,5%); 2) Zopa: Se você não sabe para quem o banco empresta seu dinheiro, você mesmo pode emprestar ou pegar emprestado. Plataformas de peer-to-peer lending, como o Zopa, conectam credores e devedores, pulando o intermediário bancário. Quem empresta define critérios e taxas. Os juros são menores para quem empresta e maiores para quem poupa. Além disso, a inadimplência é inferior a 2%; 3) Patreon: é uma plataforma que permite que criadores e artistas sejam financiados de forma recorrente por pessoas que admiram seus trabalhos. A lógica é a mesma do financiamento coletivo, mas com a característica da recorrência. Eu posso escolher, por exemplo, pagar U$1,00 cada vez que minha banda favorita publicar um vídeo no youtube, ou liberar uma música para download; 4) Bitcoins: A grande sacada das moedas digitais open source como o

bitcoin é que elas são distribuídas: não há monopólio na sua criação. Qualquer um pode gerar bitcoins: basta emprestar sua capacidade de processamento para o protocolo que autentica as

transações. É a isso que chamam de mineração. Todas as transações são públicas e rastreáveis. Produção: 1) Quirky: Plataforma que traz à vida a ideia de pessoas comuns. Qualquer um pode submeter uma ideia que é votada e desenvolvida pela comunidade e depois produzida e comercializada. Tanto o “inventor” quanto a comunidade que ajudou no desenvolvimento da ideia são remunerados com as vendas do produto final; 2) Techshop: Uma mistura de Fablab com

Hackerspace, as techshops são espaços equipados com impressoras 3D, cortadoras a laser,

laboratórios eletrônicos e tudo mais que você possa imaginar. Basta pagar uma mensalidade e começar a produzir; 3) Landshare: Hortas urbanas e produção local de alimentos também são uma vertente do movimento de “fazedores”. É uma plataforma que une quem quer plantar com quem tem espaços de terra sobressalentes, de pequenos quintais a sítios. Uma vez conectadas, essas pessoas decidem juntas o que e como plantar e como a produção será dividida; 4) Ponoko: Os usuários podem enviar projetos digitais de produtos para serem produzidos para uso próprio ou vendidos para outros usuários do site. Tem uma rede distribuída de fabricantes que está crescendo em todo o mundo. Quando uma venda é realizada o fabricante mais próximo do cliente é acionado para imprimir o produto em 3D, cortar a laser ou em máquinas de usinagem CNC.

Consumo consciente: 1) Freecycle: Movimentos como o Freecycle e o Free your stuff são comunidades de doação de objetos usadas. Basta se juntar a um dos fóruns locais e começar a doar e/ou receber. Vale tudo: roupas, livros e até móveis. A ideia é fazer com que os produtos circulem de quem quer para quem tem, gerando menos desperdício de recursos e menos quartinhos do entulho; 2) Repair Cafe: A ideia é simples: organizar eventos de conserto de objetos. Pessoas com diferentes habilidades dentro de uma comunidade se unem para ajudarem umas às outras a recuperarem seus aparelhos e gadgets, ao mesmo tempo que se conectam e se divertem. No site, existe um guia passo a passo para que qualquer possa organizar localmente a sua própria versão.

Trabalho: 1) Laboriosa89: Uma das muitas definições da Laboriosa89 é um espaço onde trabalho, aprendizagem e diversão acontecem ao mesmo tempo. Sem curadoria, de acesso livre e contribuição voluntária, a casa na Vila Madalena tem se tornado hub de inovação e negócios em rede. A Casa Liberdade, em POA, o Catete92, no Rio, e o Ateliê em rede, também em São Paulo, são outros exemplos de espaços com a mesma filosofia; 2) Taskrabbit: Sabe aquelas tarefinhas chatas do cotidiano, tipo fazer compras ou montar móveis? O Taskrabbit ajuda as pessoas

encontrarem quem esteja a fim de fazer isso por elas. Os usuários postam as tarefas e definem o valor máximo que estão dispostos a pagar para quem fizer, como em um leilão reverso. Os rabbits" fazem propostas e o usuário escolhe a que for mais interessante; 3) TimeRepublik: A ideia de bancos de tempo não é das mais novas, mas com a Internet, ela tem ganhado cada vez mais força. Plataformas como o Timerepublik e o Bliive permitem que pessoas troquem serviços, sem envolver transações monetárias.

Freelancers Union: Quem é freela sabe: coisas como seguro saúde, vale alimentação, plano

de previdência privada, fazem muita falta. Mas quando vários freelas se juntam, é possível conseguir todos esses benefícios sem precisarem se submeter às amarras de um emprego formal. Essa é a ideia do “sindicato” dos freelancers, que além de facilitar o acesso a esses serviços, cria uma comunidade de suporte, que se comunica, troca dicas e recomenda (ou não) empresas contratantes.

Educação: 1) Skillshare: estas plataformas trazem conhecimentos práticos “da vida real” através de cursos online produzidos por uma comunidade de profissionais de diversas áreas. Todos os cursos possuem projetos colaborativos e o aprendizado, mais do que da “aula” vem do processo de interação. No Brasil, uma opção parecida é o Beved, que também oferece cursos presenciais; 2)

Cinese: Também com foco em processos colaborativos, o que plataformas como o Cinese e o Nós.vc propõe é que a aprendizagem aconteça em todos os espaços da cidade. Com foco em

encontros presenciais, a ideia é unir pessoas que queiram ensinar e aprender juntas.

Pesquisa e Conhecimento: 1) Wikipedia: Apesar de já parecer algo banal, a Wikipedia – e todas as ferramentas wiki – revolucionaram a forma como pesquisamos e produzimos conhecimento. Não há mais conteúdo estático: tudo é produzido, editado e atualizado colaborativamente, em tempo real, por uma comunidade de centenas de milhares de pessoas; 2)

TheSkynet: Uma rede de pesquisa espacial e processamento de dados astronômicos. A grande

inovação é que o supercomputador usado pela TheSkynet é, na verdade, uma rede de computadores pessoais conectados que “emprestam” suas capacidades sobressalentes de processamento. Para fazer parte dessa rede, basta se cadastrar no site do projeto, baixar um programa e escolher as linhas de pesquisa com que quer contribuir.

Em suma, a abordagem pedagógica que valorize a aprendizagem colaborativa depende dos docentes e dos gestores da educação, que deverão torna-se sensíveis aos projetos criativos e desafiadores. Num mundo globalizado, que interrompe barreiras de tempo e espaço, o acesso à

tecnologia exige atitude crítica e inovadora, possibilitando o relacionamento com a sociedade como um todo.

A relação professor-aluno na aprendizagem colaborativa contempla a inter-relação e a interdependência dos seres humanos, que deverão ser solidários ao buscar caminhos felizes para uma vida sadia deles próprios e do planeta. Neste processo, empreender projetos que privilegiem uma relação dialógica e que permitam ao processo e ao aluno aprenderem a aprender, num processo coletivo para a produção do conhecimento (FREIRE, 2003).

A prática pedagógica do professor precisa desafiar os alunos a buscarem uma formação humana, crítica e competente, alicerçada numa holística, com uma abordagem progressista, e num ensino com pesquisa que levará o discente a aprender a aprender. O aprendizado deve ser impulsionado pela curiosidade, pelo interesse, pela crise, pela problematização e pela busca de soluções possíveis para aquele momento histórico com a visão de que não são respostas únicas, absolutas e inquestionáveis.

Rojo (2013, p.7) acredita que:

As escolas são desafiadas a repensar essas novas formas de aprendizagem, a rever métodos e práticas, dar novos sentidos aos tempos e espaços, que prepare a população para um funcionamento da sociedade cada vez mais digital e também para buscar no ciberespaço um lugar para se encontrar, de maneira crítica, com diferenças e identidades múltiplas.

A teoria que possibilita superar a prática tradicional instrucionista do uso do microcomputador na educação tem a concepção “de uma teoria em movimento, resultante de uma metacognição” (FREIRE e PRADO, 1995, p.231).

Prado (1993) observa que não é fácil pensar e agir de acordo com essa nova teoria, principalmente quando se trata de concepções divergentes daquelas vivenciadas pelo professor. É preciso interpretá-la de acordo com o contexto educacional, ou seja, recriá-la sem destituir o sentido real de seus princípios – o que implica mudanças de valores, concepções, ideias e, consequentemente, de atitudes.

Para Piaget (apud PRADO, 1993, p.99),

(...) para a construção de um novo conhecimento o sujeito precisa vivenciar situações em que possa relacionar, comparar, diferenciar e integrar os conhecimentos. Isso implica colocar em ação os processos funcionais de regulação, abstração e equilibração que desenvolvem novas estruturas mentais de

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