No contexto dos anos 2000, ocorre o que alguns autores denominam de “quarta revolução industrial” ou revolução tecnológica, com a Internet e sua “tirania tecnológica”. Avanços na telemática, nanotecnologia e outras novidades como games, realidade virtual, entre outros, criam uma nova cultura, a “civilização digital”.
Kenski (2013, p.27) comenta que:
(...) a ampliação das possibilidades de comunicação e de informação, “em tempo real, por meio e equipamentos como o telefone, a televisão e o computador, altera nossa forma de viver e aprender na realidade, num espaço que já beira o infinito. (...) um saber ampliado e mutante caracteriza o atual estágio do conhecimento na sua atualidade.
Costa (2014, p.142) afirma que o século XXI começou com muita ênfase no conhecimento e nas oportunidades do mercado educacional, aliadas ao avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, sobretudo a Internet, a cada dia mais popular. Surge uma nova concepção sobre espaço e tempo, denominado espaço virtual, facilitando o acesso à informação, pesquisa, troca de informações, comunicação.
O movimento é acelerado e a atualização é permanente. Novas informações derrubam velhas certezas, implodem teorias, reformulam leis, transformam hábitos, alteram práticas, mudam as rotinas das pessoas. Informações se deslocam velozmente por todo o mundo. Todos precisam estar em “estado constante de aprendizagem” sobre tudo.
O advento dessas mudanças exige da população uma aprendizagem constante, buscando estar preparada para aprender ao longo da vida, adaptar-se, intervir e criar novos cenários.
“O foco da aprendizagem se direcionará para a pesquisa, para o desenvolvimento de projetos e não predominantemente para a transmissão de conteúdos específicos” (MORAN, 2014, p.149).
A educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. É importante
educar para usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias, que facilitem a evolução dos envolvidos. Para Moran (2007), é necessário oferecer um saber que favoreça o desenvolvimento pleno de suas aptidões, consciente de sua responsabilidade em relação à sua própria vida, à sociedade, preparando o individuo para o sucesso e para as frustrações.
Há mudanças drásticas no mundo do trabalho. As empresas estão substituindo todas as tarefas de rotina, previsíveis, por soluções tecnológicas, programas ou equipamentos. Procuram pessoas mais preparadas e criativas, que saibam
resolver problemas, que trabalhem bem tanto individualmente como em grupo
e que sejam extremamente eficientes. Mais pessoas começam a trabalhar em casa, conectadas com outros departamentos e pessoas, prestando serviços à mesma ou a mais de uma empresa, participando interativamente de projetos com gente que tanto pode estar perto como longe. Aumenta o número de empreendedores, autônomos e pequenas organizações, em todos os setores (MORAN, 2007, p.10).
O que vemos é uma sociedade que exige indivíduos cada vez mais atualizados – que estejam, aliás, “permanentemente atualizados” e, portanto, não se pode parar de estudar, de se informar. Isso implica estarmos abertos às mudanças que se fizerem necessárias.
Costa (2014, p.54 apud Coll, 2010) destaca que, segundo o National Council of Teachers
of English, o cidadão leitor e escritor do novo milênio precisará:
adquirir perícia com ferramentas tecnológicas;
construir relações com outras pessoas para apresentar e resolver problemas de forma colaborativa e em uma perspectiva transcultural;
projetar e compartilhar informações no marco de comunidades globais em diversos propósitos;
manejar, analisar e avaliar textos multimídias;
atender às responsabilidades éticas exigidas por ambientes complexos.
Moran (2007) ressalta que a sociedade urbana vem mudando rapidamente valores, concepções de vida, formas de entender, sentir e comunicar-se. Neste sentido, a sociedade do conhecimento nos abre um extenso campo de oportunidades de mudança, mas também de problemas e dificuldades. “A sociedade nos educa. Ela é um complexo espaço de expressão de contradições, tendências que vão nos mostrando diferentes e contraditórias formas de pensar, sentir e agir” (MORAN, 2007, p.11).
(...) estamos diante de uma geração que aprende muito. Nunca as anteriores tiveram as mesmas facilidades de informação (...). Em horas ou talvez minutos se produzem mais publicações que em um ano ou décadas na idade média (...). Basta
um clique e ei-nos conectados à Internet com mais de um bilhão de possíveis portais afirmativos (LIBÂNEO, 2006, p. 17).
No entanto, e acima de tudo, há de se destacar, conforme o faz Azevedo (2012, p.83), que é preciso educar para a liberdade, “transformar o aluno em um ser livre para saber escolher e atuar socialmente”.
Perante os desafios do século XXI, é preciso que a escola seja um ator mais efetivo e sintonizado com seu tempo e sua função na formação de novas gerações. Segundo Belloni (2012,
apud FANTIN e RIVOTELLA, 2012, p. 53), isso implica:
levar para dentro da sala de aula as mídias e suas mensagens;
considerá-las como fatores de integração escolar e curricular;
provocar interação entre disciplinas e metodologias, entre alunos e professores;
estimular a motivação e o interesse dos alunos;
desafiar os professores a se apropriarem dessas novas ferramentas.
É colaborar, segundo Moran (2012), para que professores e alunos – nas escolas e organizações – transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional – do seu projeto de vida, na qual a tecnologia atual não pode estar ausente.
(...) estamos diante de uma tarefa imensa, histórica e que levará décadas: propor, implementar e avaliar novas formas de organizar processos de ensino- aprendizagem, em todos os níveis de ensino, que atendam às complexas necessidades de uma nova sociedade da informação e do conhecimento (MORAN, 2014, p.17).
Podemos afirmar, segundo este autor, que vivemos uma fase de transição, ou seja, não estamos no modelo industrial (ainda que mantenhamos muitas de suas estruturas organizacionais e mentais), e também não chegamos ao modelo da sociedade do conhecimento, ainda que parcialmente incorporemos alguns de seus valores e expectativas.
Em suma, e conforme cita Moran (2014, p.59):
(...) a educação é fundamentalmente um processo de comunicação e de
informação, de troca de informações e de troca entre pessoas. Educar é colaborar
para que professores e alunos – nas escolas e organizações – transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção de sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional, do seu projeto de vida, no desenvolvimento de habilidades de compreensão, emoção e
comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos.
Faz parte do “educar” o desenvolvimento de todas as formas de comunicação, de todas as linguagens: aprender a dizer, expressar e comunicar de maneira clara, captando a comunicação do outro e interagindo com ele. É aprender a comunicar-se verdadeiramente: a ir tornando-se mais transparente, expressando, com todo o corpo, com a mente, com todas as linguagens, verbais e não verbais, com todas as tecnologias disponíveis (MORAN, 2014).