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Kernel Utility Routines

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De acordo com Moran (2007), a sociedade aprende de múltiplas formas, em diferentes tempos e espaços, tanto oficiais como informais; na escola, na cidade e no mundo, com mestres e com colegas; com tecnologias simples e avançadas; através do contato físico ou da comunicação em rede.

Na configuração atual, as práticas rompem com os padrões tradicionais de práticas e territórios instituídos. Bonilla (2005) afirma que as tecnologias da informação e comunicação vêm se constituindo, cada vez mais, na “infraestrutura física de um tempo-espaço emergente”, de superação de obstáculos.

A era da pós-informação, de acordo com Negroponte (1995), rompe as barreiras da geografia. Você pode morar e trabalhar num único local ou em lugares diferentes, o conceito de “endereço” adquire um novo significado.

É possível saber qual é seu endereço eletrônico, mas não saber onde é que ele tem sua existência física. O endereço torna-se mais parecido com o número da carteira de identidade do que com um nome da rua. Trata-se de um endereço virtual. As distâncias significam cada vez menos. Na verdade, um usuário da Internet nem sequer se lembra que elas existem.

Segundo Guattari e Rolnik (1986 apud BRETHERICK, 2010, p.2), “o território pode se desterritorializar, isto é, abrir-se, engajar-se em linhas de fuga e até sair do seu curso e se destruir”. Desta forma, os saberes tendem a ser desvinculados de um determinado ponto central, restritos a muros e poucas pessoas – um conhecimento local e total.

Neste processo, as TDICs encurtam as distâncias geográficas e concorrem para um processo de desterritorialização do conhecimento e uma descentralização do saber. Nessa perspectiva, a

desterritorialização pode ser considerada como um dos traços da chamada sociedade pós-moderna, marcada pela mobilidade, pelos fluxos e pelo desenraizamento. Os processos tecnológicos e interativos descentralizam os saberes e provocam mudanças nas relações mediados pelo ciberespaço.

O ciberespaço, para Lévy (1999b), é um espaço navegável e transparente, ou um imenso metamundo virtual heterogêneo, em transformação permanente, que conteria todos os mundos virtuais. Não se organiza a partir de um centro, mas a partir de um movimento sociocultural multiforme, sendo-lhe inerente a diversidade das fontes, a interatividade, a livre conversação e a discussão, em que as mensagens adquirem sentidos variados em renovação permanente.

Para o autor, o ciberespaço é o principal ponto de apoio de um processo ininterrupto de aprendizagem e de ensino da sociedade por si mesma, onde todas as instituições humanas irão se entrecruzar e convergir para uma inteligência coletiva sempre capaz de produzir e explorar novas formas. Desta forma, no ciberespaço abrem-se possibilidades para fazer, pensar e conviver que não poderiam ser pensadas sem a presença dessas tecnologias e, por isso, está se tornando um lugar essencial, um futuro próximo de comunicação humana e de pensamento humano. O que isso vai se tornar em termos culturais e políticos permanece completamente em aberto, mas com certeza dá para ver que isso vai ter implicações muito importantes no campo da educação, do trabalho, da vida política etc.

De acordo com Bretherick (2010), o acesso ao ciberespaço para fins educacionais propõe relações de autoria e co-autoria, e possibilita a apropriação de estratégias comunicacionais e colaborativas que auxiliam na construção do conhecimento.

Nesse contexto, a autora realiza uma relação entre o conceito de ciberespaço e o conceito de rizoma desenvolvido por Gilles Deleuze e Felix Guatari – do meu ponto de vista, uma representação bastante interessante (apud BRETHERICK, 2010, p.74). O rizoma é um modelo de construção do pensamento, onde os conceitos não estão hierarquizados e não partem de um centro do poder ou de referência aos quais os outros conceitos devem se remeter. Ele não tem começo nem fim, mas um meio pelo qual ele cresce e transborda. Um ponto qualquer se conecta a outro ponto qualquer, por meio de encontros em um mapa de multiplicidades; ele é aberto, conectável em todas as suas dimensões, é desmontável, reversível e susceptível de receber modificações constantemente. Os rizomas se ramificam e se reticulam, permitindo estratificações e territórios.

Na perspectiva de Lemos (2015), o ciberespaço é a encarnação tecnológica do velho sonho de criação de um mundo paralelo, de uma memória coletiva, do imaginário, dos mitos e símbolos que perseguem o homem desde os tempos ancestrais. Desta forma, cria um mundo operante, interligado por ícones, portais, sítios, e home pages, permitindo colocar o poder de emissão nas mãos de uma cultura jovem, tribal, gregária, que vai produzir informação, agregar ruídos e colagens, jogar excesso ao sistema.

Ele coloca em relação, incita a abolição do espaço e do tempo e dá origem a cibercultura, que se caracteriza pela formação de uma sociedade estruturada por meio de uma conectividade telemática generalizada, ampliando o potencial comunicativo, proporcionando a troca de informações sob as mais diversas formas, fomentando agregações sociais. Revela a sinergia entre a vida social e os dispositivos eletrônicos e suas redes telemáticas, inseridas no nosso dia a dia, presente em todas as atividades, sejam elas de trabalho, lazer ou vida privada. O sentimento é de compressão do tempo e do espaço, onde o tempo real (imediato) e as redes telemáticas desterritorializam (desespacializam) a cultura, tendo um forte impacto nas estruturas econômicas, sociais, políticas e culturais.

Para o autor, o modelo informatizado, cujo exemplo é o ciberespaço, é aquele onde a forma de rizoma (redes digitais) se constitui numa estrutura comunicativa de livre circulação de mensagens, agora não mais editada por um centro, mas disseminada de forma transversal e vertical, aleatória e associativa. A nova racionalidade dos sistemas informatizados age sobre um homem que não mais recebe informações homogêneas de um centro “editor – coletor – distribuidor”, mas de forma caótica, multidereiconal, entrópica, coletiva e, ao mesmo tempo, personalizada.

Essa nova configuração do saber, desterritorializada e descentralizada, postulada por Lévy, contribui para uma educação contemporânea, na medida em que, torna mais flexível o processo de ensino-aprendizagem. A aquisição de saberes pode ocorrer em lugares e tempos diferentes dos convencionais. Nesse espaço flutuante, Lévy (1999a) propõe uma nova relação com o saber, uma relação pautada pela navegação e orientada por aprendizagens permanentes e cooperativas, onde a inteligência coletiva, presente no interior das comunidades virtuais, desestabiliza os antigos modos de reconhecimento dos saberes e oferece uma gestão dinâmica das competências em tempo real.

A contribuição de sua ideia seria a de conhecer e aproveitar toda a riqueza humana de conhecimentos e saberes, existentes nas comunidades. Esta proposta abriga um ideal de relação

humana mais aberta e cooperativa, pois há pessoas com habilidades e qualificações, que nem sempre são valorizadas ou aproveitadas, no meio em que vivem.

Uma das hipóteses fundamentais desse pensamento é que a inteligência coletiva aumenta, na medida em que melhora a organização da cooperação entre os seres humanos. Dessa forma, a construção de conhecimentos da perspectiva rizomática se apresenta como uma produção singular a partir de múltiplos referenciais, e possibilita um acesso diferenciado às diversas áreas do saber.

Paralelamente, Derrick De Kerckhove (apud YANAZE, 2009, p.45), em seu ciclo de palestras, defende a inteligência conectiva e promove a importância de considerar o compartilhamento de conhecimentos ao invés do conhecimento como propriedade de um único indivíduo. Assim, o compartilhamento de conhecimento e informação em rede aumenta dramaticamente a capacidade de conectar inteligências e saberes. A troca de incontáveis pensamentos leva à inteligência conectiva. Deste modo, a inteligência está dentro e fora do indivíduo, mas só se torna pertinente quando compartilhada.

A flexibilidade dos processos se sobrepõe à rigidez de atitudes e pensamentos, possibilitando a construção de lugares e territórios onde se aprende, coletivamente, a conviver com outras culturas.

A escola está chamada a ser, nos próximos anos, mais do que um lócus de apropriação do conhecimento socialmente relevante, o científico, um espaço de diálogo entre diferentes saberes – científico, social, escolar etc. e linguagens.

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