Chapitre 1 Mise en contexte : droit des rapports collectifs
1.4 Le devoir syndical de représentation et le Code du travail
1.4.2 Le recours élargi en vertu de l’art 47.2 et suivants
Em todo o seu material de formação e divulgação, constata-se que o Projeto MOVA- Brasil elenca como resultados de sua ação, além da ajuda na redução do analfabetismo no país, a contribuição no desenvolvimento comunitário e na autoestima dos alfabetizandos. De fato, tais ações devem ser o reflexo do processo de alfabetização que acontece no decorrer de cada etapa. Nesse contexto, apresentamos a seguir a fala das monitoras sobre os resultados suscitados a partir de suas práticas alfabetizadoras:
[...] teve mais de cinquenta por cento da turma foi bem-sucedido, eles quiseram, alguns aprenderam mais do que outros, mas é normal, é diferente a aprendizagem um do outro e tive o resultado bem satisfatório pra a turma, graças a Deus.
Maria, em 07/10/15 (Grifos nossos).
[...] foi muito gratificante o tempo que eu fui, [...] eu consegui fazer com que
alguns alunos criassem uma criticidade boa, isso foi muito importante,
então, o Mova Brasil, ele contribuiu e muito porque hoje eu tenho outra forma de ver, outra forma de pensar, depois que eu passei pelo Mova, então
eu achei muito válido pra minha vida pessoal e profissional.
Juliana, em 18/10/15 (Grifos nossos).
[...] abriu caminho na área de alfabetização de jovens e adultos, onde garantindo aos indivíduos em comunidade de reconstruírem seu destino em conquistarem o direito à cidadania plena e participativa. Hoje eu carrego uma frase de Paulo Freire, que aprendi na questão do Mova, onde não há saber mais ou menos, há saberes diferentes, é uma troca de conhecimento,
né? Tanto eu como monitora e eles como educandos, isso eu consegui no Mova.
Sofia, em 16/10/15 (Grifos nossos).
[...] a gente teve bons resultados, conseguimos, a maioria dos educandos
saíram alfabetizados, fazendo leituras, a escrita do nome e também
mostrando soluções para alguns problemas [...] mas o que a gente fazia
conseguia ter bons resultados.
Gisele, em 08/10/15 (Grifos nossos).
[...] as aulas eram bem gratificantes, até hoje ainda os alunos que passam por mim falam, perguntam pelo programa, quando é que vai voltar. Tiveram
os resultados, com certeza foram bastante positivos, [...] então, com certeza
os resultados foram bem satisfatórios.
Elena, em 07/10/15 (Grifos nossos).
Apesar de mencionar que alguns alunos aprenderam mais do que outros, fato que acreditamos ser normal, em face da heterogeneidade que prevalece hoje em nossa sociedade, Maria declara que obteve resultados satisfatórios, revelando um percentual de mais de cinquenta por cento, mas não diz se esse percentual se refere ao total de alunos que começaram a frequentar no início da turma ou se é a partir dos que ficaram após a evasão (situação mencionada pela monitora em sua narrativa). Dessa forma, supomos que há algumas lacunas nos efeitos sociais do Projeto, pois, quanto menor o número de pessoas alfabetizadas, menos intervenções e transformações sociais, configurando-se essa realidade em um desencontro com o que prega o Projeto mediante a alfabetização de seus educandos, como defendem Nascimento e Silva (2011, p. 26):
O conhecimento construído [...] tem a função de motivar e impulsionar a ação transformadora. O ser humano deve entender a realidade como passível de modificação e a si mesmo como capaz de modificá-la. A partir desta concepção de educação, é possível educadores(as) e educandos(as) situarem- se e agirem reflexivamente no contexto local e geral da sociedade.
Por esse viés, entendemos que o Projeto, quando não acontece da maneira citada, não atinge de modo integral os seus objetivos, e os passos da metodologia freireana não se concretizam na forma como é exigido e divulgado, tendo em vista as situações de evasão24.
A monitora Juliana destaca que, mediante a sua atuação, conseguiu fazer com que alguns alunos criassem uma criticidade boa, declarando que o Projeto contribuiu também
para a sua vida nos aspectos pessoal e profissional, pois hoje ela possui outra forma de ver e pensar. Analisando o conteúdo expresso, questionamos se essa “boa criticidade” diz respeito a uma ruptura ou a uma superação, como nos ensina Paulo Freire (1996, p. 31): “A superação e não a ruptura se dá na medida em que a curiosidade ingênua, sem deixar de ser curiosidade, pelo contrário, continuando a ser curiosidade, se criticiza”. Portanto, se essa criticidade adquirida pelo educando pressupõe uma inquietação indagadora que auxilia no desvelamento da sua realidade, a prática pedagógica atendeu aos princípios freireanos abraçados pelo Projeto. Sobre a contribuição para a sua vida, Juliana dá indícios de que a experiência no Projeto mudou a sua maneira de ver e conceber o mundo, influenciando tanto no lado pessoal quanto profissionalmente, o que nos leva a inferir que seja de forma positiva, no sentido de ruptura.
Para Sofia, os resultados refletem uma abertura para a alfabetização de jovens e adultos como oportunidade de continuidade nos estudos, objetivo instituído em 2013, em consonância com as resoluções da VI CONFINTEA: “o Projeto MOVA-Brasil estabeleceu como uma de suas metas [...] o encaminhamento das educandas e educandos alfabetizados para a continuidade dos estudos na Educação de Jovens e Adultos oferecida pelas escolas públicas [...]” (GADOTTI, 2013, p. 119).
Ainda são destacados pela monitora dois ensinamentos do Projeto, a saber, a consciência da troca de saberes entre quem ensina e quem aprende e o reconhecimento de diferentes saberes, demonstrando, assim, características de uma prática alfabetizadora em que a monitora e os educandos se tornam sujeitos do processo, em conformidade com o pensamento freireano.
Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos
e em que os ‘argumentos de autoridade’ já não valem. (FREIRE, 2014, p. 95-
96)
Da mesma forma que Maria, a monitora Gisele expõe que obteve bons resultados com a maioria dos educandos. No entanto, a nosso ver, continua a ser uma afirmação vaga, considerando que não sabemos o quanto corresponde essa maioria, se com o total da turma que iniciou ou da maioria dos ficaram apesar da evasão. O diferencial da sua fala está na ênfase às áreas de aprendizagem – fazendo leituras, a escrita do nome e também mostrando soluções para alguns problemas –; nesse sentido, inferimos que este último seja a solução para os problemas sociais locais, apontados mediante trabalho de identificação de situações significativas do contexto em que vivem os educandos e educandas.
Por fim, Elena afirma que as aulas eram gratificantes e reafirma, como a maioria das monitoras pesquisadas, que os resultados foram positivos e satisfatórios, embora também não mencione em qual aspecto da aprendizagem, se na leitura, na escrita, na matemática ou em qualquer outro conhecimento proporcionado pela metodologia freireana.
Reiteramos que a formação oferecida pelo Projeto MOVA-Brasil contribui para a prática pedagógica alfabetizadora de jovens e adultos, com base em alguns resultados detectados nas falas analisadas. Continuamos as nossas análises, reportando-nos no item a seguir às anotações realizadas a partir da observação dos encontros de formação do Projeto em foco.