Chapitre 4 : Prise en compte du relief dans l’estimation de la ressource solaire 101
5.2 Critères exogènes : rayonnement incident dans le plan des modules et température
5.2.1 Rayonnement global incident dans le plan des modules
A organização pedagógica da instituição na qual a pesquisa foi desenvolvida é peculiar, como foi mencionado no capítulo metodológico trata-se de uma escola pequena com 250 crianças e 12 turmas distribuídas entre os dois turnos. No turno matutino encontram-se as turmas de quarto e quinto anos e no vespertino o Bloco Inicial de Alfabetização – BIA. Nos deteremos aqui em apresentar apenas as configurações do grupo do nosso interesse, o BIA do vespertino.
Na organização da Secretaria de Educação do Distrito Federal, o professor dispõe de uma carga de quarenta horas semanais, em jornada ampliada, no turno diurno, sendo cinco horas em regência de classe e três horas em coordenação pedagógica diárias, perfazendo vinte e cinco horas em regência de classe e quinze horas em coordenação pedagógica. As quartas- feiras são realizadas as denominadas ‘reuniões coletivas’, momentos em que os professores se reúnem com a equipe pedagógica para discutir projetos que contemplam a escola como um todo e para informes administrativos. Os dias reservados ao planejamento pedagógico das aulas, as professoras se dividiam de acordo com o ano em que atuavam e a professora do 1° ano realizava seu planejamento individualmente por ser a única turma deste ano.
Os planejamentos pedagógicos das professoras eram orientados a partir do recebimento de uma previsão de conteúdos que devem ser desenvolvidos a cada bimestre e a mesma previsão é informada às famílias como forma de acompanhar o trabalho. Algumas vezes observamos que as professoras se reuniram na tentativa de desenvolver um projeto mais amplo na escola, mas este constantemente era é interrompido por outros projetos que faziam referências às datas comemorativas. As professoras reclamam da imposição de projetos e da ausência de uma figura que as auxiliem na coordenação do trabalho pedagógico. A princípio a elaboração conjunta dos projetos é orientada pelo coordenador e supervisor pedagógico, mas como a escola não conta com a presença desses profissionais a equipe gestora acaba assumindo este papel e a forma como esta acontece é percebida pelos professores como o exercício de poder, ao invés de um trabalho em grupo. Apesar disto, os projetos mesmo sendo apresentados pela equipe gestora eram aceitos pelas professoras que os realizavam com afinco. Todas se envolviam ativamente no processo, resultando num trabalho de qualidade.
A organização da escola era marcada pela entrada musical, as crianças se reuniam no pátio e se sentavam no chão e juntamente com as professoras cantavam algumas canções e faziam a oração para posteriormente iniciar as atividades em sala de aula. Raramente a equipe
gestora participava desta organização, mesmo quando alguma professora comunicava um eventual atraso, cabia a outra colega cuidar das duas turmas. As professoras se apoiavam entre si para resolver questões como essa e geralmente entravam em embate com a equipe gestora na busca por apoio.
No ambiente escolar eram constantes as reclamações das professoras sobre a falta de aporte para situações surgidas em sala de aula e que necessitavam da intervenção de outro profissional para mediar o conflito na tríade criança-professor-família. A fala abaixo demonstra o pensamento de uma das professoras sobre a realização de um trabalho pedagógico solitário em resposta à fala de um dos integrantes da equipe gestora que diante de uma problemática respondeu à professora que não podia fazer nada, pois escola não contava com alguns profissionais da educação.
A conversa entre as professoras aponta para como era sentida a falta de apoio na relação com uma criança que apresenta problemas de disciplina em sala de aula para os quais as intervenções da professora não vinham apresentando resultados satisfatórios. É corriqueira a reclamação das professoras em se sentirem desamparadas tanto em relação às crianças e as famílias. As mesmas relatam que ao buscarem apoio da equipe gestora recebem como resposta a ausência de profissionais para lidar com as demandas.
Na semana seguinte, a mesma criança acabou machucando uma colega de sala. No fim do dia a mãe da menina foi mostrar à mãe de Antônio o ferimento causado por seu filho e solicitar que a mesma tomasse providências para que tal situação não se repetisse. Acabou recebendo xingamentos racistas e sendo agredida fisicamente por ela e pela criança. Após a intervenção de alguns pais e da vigilante para separar a briga, a mãe num desabafo com a pesquisadora afirmou:
Você só precisa entender que tá sozinha. Vai ficar assim? Doente? No dia que o
Antônio tiver atacado manda a educadora social ficar com ele no parque ou na quadra. Tem um ano que você tá aqui e não aprendeu que não temos apoio. (Notas do diário de campo – Conversa entre a professora Carla e a professora Rebeca)
Essa mãe e essa escola precisa entender que inclusão não é deixar o Antônio fazer tudo o que quiser só porque ele é especial. Quantas vezes procurei a direção para
falar que ele tava machucando minha filha e chamando ela de macaca e eles me dizendo que eu tinha que entender que se tratava de uma criança especial e não fizeram nada, agora vou procurar a polícia. (Notas do diário de campo)
Reclamações como a dessa mãe de eram corriqueiras por parte dos pais que sentiam falta de um trabalho mais efetivo por parte da equipe gestora, que muitas vezes por falta de recursos humanos, não conseguiam realizar um trabalho a contento. Mesmo tentando implantar uma gestão mais democrática, como os conselhos de classe participativos (formatos quase inexistente no âmbito das escolas classes), reclamações como a evidenciada abaixo eram comum.
As professoras também percebiam a ineficiência dos conselhos de classe e muitas vezes afirmavam que era apenas um momento para cumprir protocolo. A vacância de algumas funções no quadro profissional da escola colaborava para que alguns compromissos não se consolidassem e isso afetava a escola em sua totalidade. Vejamos a fala que se segue em relação à falta desses profissionais:
A fala da professora aponta para a sobrecarga de um dos profissionais da escola, que se vê obrigada a abarcar todas as funções pedagógicas. Vale salientar que nenhum professor do quadro efetivo manifestou interesse em ocupar a função de coordenador pedagógico; de acordo com a portaria de distribuição de turmas de 2018 a escola não tem direito a um supervisor pedagógico, devido ao número de alunos matriculados; a orientadora educacional teve sua aposentadoria publicada no início do ano letivo e o cargo ficou vago; a psicóloga escolar é interina e se desdobra entre mais duas escolas. Este cenário contribuiu para que ao longo do referido ano letivo a forma como os profissionais desta escola lidaram com a falta de recursos humanos influenciasse negativamente à organização pedagógica e refletisse na ausência de apoio ao trabalho docente. Neste contexto, não existia intermediário entre corpo
Não sei por que eu ainda venho nessas reuniões do conselho de classe, eles nos escutam, mas não realizam nenhuma mudança, tudo vai pra gaveta. (Notas do
diário de campo durante o conselho de classe do terceiro bimestre – fala de uma mãe de criança do 2° ano)
Eu percebo assim que atrapalha um pouco assim a questão de recursos humanos, falta pessoas, profissionais. Não tem um orientador, não tem um pedagogo, não tem supervisor e a psicóloga ficou afastada um tempão, não tem coordenador. Então
acaba sobrecarregando uma pessoa só, pessoalmente eu acredito que se tivesse um orientador seria muito mais fácil de trabalhar com as crianças que apresentam problemas de disciplina porque você poderia está convidando a família mais vezes para vir à escola. Eu acho que com esses profissionais teria um
olhar diferente, mas apesar dessa estrutura, dessa falta de recursos de pessoas, eu vejo que as coisas assim ao longo do ano poderiam ter sido melhor. Acho que seria outro até a questão das crianças que precisam de acompanhamento, de um olhar diferente. Então acredito que influencia nessa parte, isso que eu percebo (Dinâmica conversacional com a professora Laís em 07/12/2018).
docente e equipe gestora o que, muitas vezes, caracterizava a relação hierárquica e não dialógica entre os segmentos.
Durante o processo de pesquisa identificamos informações que nos possibilitaram indicar que a subjetividade social da escola em relação à organização do trabalho pedagógico tem como predominância as relações hierárquicas e impositivas. Os professores buscavam apoio em outros colegas e em experiências anteriores para superar as dificuldades que iam surgindo ao longo do trabalho. Podemos indicar que a hierarquização pode ser explicada por não existir um intermediador entre os gestores e docentes, onde a relação é direta: saindo direto da direção para os professores, sendo as relações conflitantes na forma como as pessoas sentiam e davam valor simbólico a elas. Indicando assim uma forte hierarquização que aponta para uma subjetividade social de conflito latente.